{"id":2993,"date":"2018-10-14T10:55:40","date_gmt":"2018-10-14T09:55:40","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/10\/14\/gramsci-e-o-fascismo-a-posicao-da-pequena-burguesia\/"},"modified":"2018-10-14T10:55:40","modified_gmt":"2018-10-14T09:55:40","slug":"gramsci-e-o-fascismo-a-posicao-da-pequena-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/10\/14\/gramsci-e-o-fascismo-a-posicao-da-pequena-burguesia\/","title":{"rendered":"Gramsci e o Fascismo: A posi\u00e7\u00e3o da pequena burguesia"},"content":{"rendered":"<div><strong>\u00a0<\/strong><\/div>\n<div \/>\n<p><em>A experi\u00eancia hist\u00f3rica n\u00e3o vale para os pequenos burgueses,<br \/> que n\u00e3o conhecem hist\u00f3ria.<br \/> <\/em><em>A ilus\u00e3o \u00e9 o alimento mais tenaz da consci\u00eancia coletiva.<br \/> <\/em><em>A hist\u00f3ria ensina, mas n\u00e3o tem alunos. <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(1)<\/strong><\/a><em><br \/> <\/em><\/p>\n<p>Uma  das caracter\u00edsticas fundamentais do fascismo, em suas distintas  experi\u00eancias hist\u00f3ricas, \u00e9 o fato de que embora se constitua como  express\u00e3o dos interesses do grande capital (como as pol\u00edticas concretas  dos regimes fascistas comprovam fartamente), sua ascens\u00e3o \u00e9 impulsionada  fundamentalmente por setores intermedi\u00e1rios, muito especialmente a  pequena burguesia. Esta caracter\u00edstica, que hoje se observa nitidamente  nos dados das pesquisas eleitorais (ainda que dilu\u00eddos nos crit\u00e9rios de  \u201cfaixa de renda\u201d usados pelos institutos de pesquisa) e tamb\u00e9m na  conforma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias e grupos de a\u00e7\u00e3o violenta, foi observada tamb\u00e9m  durante a ascens\u00e3o do nazismo, por Wilhelm Reich, que observando os  dados eleitorais comprovou o apoio majorit\u00e1rio da pequena burguesia  urbana e rural ao nazismo,\u00a0<em> <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(2)<\/strong><\/a> enquanto os trabalhadores mantiveram-se majoritariamente fi\u00e9is \u00e0  social-democracia ou aos comunistas. Da mesma forma, esse fen\u00f4meno n\u00e3o  passou desapercebida na an\u00e1lise de Gramsci, como indicaremos adiante.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O  termo \u201cpequena burguesia\u201d, na tradi\u00e7\u00e3o marxista, n\u00e3o designa uma  burguesia de menor porte, como o nome pode erroneamente sugerir, mas um  estrato com caracter\u00edsticas particulares que implicam em uma contradi\u00e7\u00e3o  insan\u00e1vel: este vasto estrato social que re\u00fane pequenos comerciantes,  artes\u00e3os e pequenos propriet\u00e1rios rurais tem em comum com a burguesia o  fato de que s\u00e3o propriet\u00e1rios, e com a classe trabalhadora o fato de que  necessitam do pr\u00f3prio trabalho para viver. De um lado, eles se  identificam com a condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rios, pois det\u00eam o controle dos  recursos produtivos do qual depende seu neg\u00f3cio (seja ele uma loja,  restaurante, serralheria, oficina ou uma pequena propriedade rural). De  outro, ao contr\u00e1rio da grande burguesia e assim como os trabalhadores,  tiram a sobreviv\u00eancia do seu pr\u00f3prio trabalho (e na maior parte dos  casos, tamb\u00e9m do trabalho de sua fam\u00edlia). Seu neg\u00f3cio de pequeno porte ,  mesmo que eventualmente conte com alguns trabalhadores assalariados,  n\u00e3o tem escala suficiente para que possam viver apenas da extra\u00e7\u00e3o de  mais valia alheia. Esta condi\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria determina a  impossibilidade de sustentarem um projeto de sociedade pr\u00f3prio e  aut\u00f4nomo (uma sociedade de pequenos propriet\u00e1rios \u00e9 de tal forma  anacr\u00f4nica que mesmo em termos ideol\u00f3gicos sua efic\u00e1cia \u00e9  limitad\u00edssima), e portanto sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se d\u00e1 necessariamente  atrelada a uma das classes fundamentais \u2013 burguesia e trabalhadores. O  fascismo \u00e9 relevante precisamente porque permite historicamente colocar a  pequena burguesia a servi\u00e7o da grande burguesia, e mais ainda, por  conformar tropas de choque em defesa de seus interesses.<\/p>\n<p>\u00c9  impressionante a atualidade da defini\u00e7\u00e3o gramsciana sobre o significado  do fascismo em um contexto de crise econ\u00f4mica e do papel da pequena  burguesia nisto:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>O que \u00e9 o fascismo, visto em escala internacional? <strong>\u00c9 a tentativa de resolver os problemas da produ\u00e7\u00e3o e da troca atrav\u00e9s de rajadas de metralhadoras e de tiros de pistola<\/strong>.  (\u2026) Criou-se uma unidade e simultaneidade de crises nacionais, que  fazem com que a crise geral seja extremamente aguda e incontorn\u00e1vel. Mas  existe em todos os pa\u00edses um estrato da popula\u00e7\u00e3o \u2013 a pequena e m\u00e9dia  burguesia \u2013 \u00a0que considera ser poss\u00edvel resolver estes gigantescos  problemas com metralhadoras e pistolas. \u00c9 este estrato que alimenta o  fascismo, que fornece seus efetivos. <em> <\/em><\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(3)<\/strong><\/a><em><br \/> <\/em><\/p>\n<p>Em  janeiro de 1921, Gramsci observava o fen\u00f4meno ent\u00e3o novo da realiza\u00e7\u00e3o  de grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua reacion\u00e1rias, e o relacionava \u00e0 \u201c<em>perda de import\u00e2ncia da pequena burguesia\u201d, \u201cafastada de qualquer fun\u00e7\u00e3o vital no terreno da produ\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d e que tentando reagir a este processo \u201c<em>busca  de todos os modos conservar uma posi\u00e7\u00e3o de iniciativa hist\u00f3ria: ela  macaqueia a classe oper\u00e1ria, tamb\u00e9m faz manifesta\u00e7\u00f5es de rua\u201d. <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>4)<\/strong><\/a><em><br \/> <\/em><\/p>\n<p>A refer\u00eancia ao \u201cpovo dos macacos\u201d, na novela <em>O Livro da Selva,<\/em> de Rudyard Kipling, <em> <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(5)<\/strong><\/a><em> <\/em>enseja  uma \u00e1cida analogia de Gramsci sobre o sentimento de superioridade de  classe e brutal incoer\u00eancia dos discursos moralizantes da pequena  burguesia: \u201c<em>o povo dos macacos, que acredita ser superior a todos os  outros povos da selva, que acredita possuir toda a intelig\u00eancia, toda a  intui\u00e7\u00e3o, todo o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio, toda a sabedoria de governo,  etc., etc. Ocorreu o seguinte: a pequena burguesia, que se pusera a  servi\u00e7o do poder governamental por meio da corrup\u00e7\u00e3o parlamentar,  modifica a forma de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, torna-se antiparlamentarista e  busca corromper as ruas\u201d.<\/em> <em> <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(6)<\/strong><\/a> Curiosamente, toda agressividade, viol\u00eancia e militarismo de sua a\u00e7\u00e3o,  que buscam expressar for\u00e7a e pot\u00eancia, na realidade expressaria  justamente sua incapacidade org\u00e2nica:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Depois  de ter corrompido e arruinado a institui\u00e7\u00e3o parlamentar, a pequena  burguesia corrompe e arru\u00edna tamb\u00e9m as demais institui\u00e7\u00f5es, os  sustent\u00e1culos fundamentais do Estado: o ex\u00e9rcito, a pol\u00edcia, a  magistratura. Corrup\u00e7\u00e3o e ru\u00edna realizadas a fundo perdido, sem nenhuma  finalidade precisa (a \u00fanica finalidade precisa deveria ser a cria\u00e7\u00e3o de  um novo Estado: mas o \u201cpovo dos macacos\u201d <strong>se caracteriza precisamente pela incapacidade org\u00e2nica de criar para si uma lei, de fundar um Estado. <em> <\/em><\/strong><\/em><strong><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(7)<\/strong><\/a><\/strong><em><strong><br \/> <\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_28654\" style=\"width: 753px;\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"415\" width=\"743\" class=\" wp-image-28654\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/esquerdaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/March_on_Rome.jpg?resize=743%2C415&#038;ssl=1\" alt=\"Marcha sobre Roma, em 1922\" \/> <\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Mussolini, na Marcha sobre Roma, em 1922<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>Ao  mesmo tempo, a grande burguesia abdica de qualquer veleidade  democr\u00e1tica e adere alegremente \u00e0 barb\u00e1rie proposta pelas tropas de  choque que o fascismo coloca \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o: \u201c<em>A classe propriet\u00e1ria  repete, em face do poder executivo, o mesmo erro que cometer em face do  Parlamento: acredita que pode se defender melhor dos assaltos da classe  revolucion\u00e1ria abandonando as institui\u00e7\u00f5es de seu Estado aos caprichos  hist\u00e9ricos do \u201cpovo dos macacos\u201d, da pequena burguesia\u201d.<\/em> <em> <\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(8)<\/strong><\/a> O artigo \u00e9 escrito quase dois anos antes da Marcha sobre Roma, marco da  ascens\u00e3o do fascismo ao poder, e por isto \u00e9 particularmente  interessante observar a clareza que Gramsci tinha sobre a verdadeira  impot\u00eancia que movia a pequena burguesia, crescentemente subordinada  subjetiva e objetivamente ao grande capital, por mais que disfar\u00e7asse  esta subordina\u00e7\u00e3o com tiros de pistola ou proclama\u00e7\u00f5es pretensamente  \u201ccontra a ordem\u201d. Seu balan\u00e7o \u00e9 arrasador:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>A  pequena burguesia, mesmo nesta sua \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que \u00e9 o  \u201cfascismo\u201d, revelou definitivamente sua verdadeira natureza de serva do  capitalismo e da propriedade agr\u00e1ria, de agente da contra-revolu\u00e7\u00e3o. Mas  revelou tamb\u00e9m que \u00e9 fundamentalmente incapaz de desempenhar qualquer  tarefa hist\u00f3rica: o povo dos macacos enche as cr\u00f4nicas, n\u00e3o faz  hist\u00f3ria; deixa tra\u00e7os nos jornais, n\u00e3o oferece material para livros. A  pequena burguesia, depois de ter arruinado o Parlamento, est\u00e1 arruinando  o Estado burgu\u00eas: ela substitui, em escala cada vez maior, a  \u201cautoridade\u201d da lei pela viol\u00eancia privada; exerce (e n\u00e3o pode agir de  outro modo) essa viol\u00eancia de modo ca\u00f3tico, brutal, e faz com que se  ergam contra o Estado, contra o capitalismo, segmentos cada vez mais  amplos da popula\u00e7\u00e3o. <em> <\/em><\/em><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/10\/07\/gramsci-e-o-fascismo-a-pequena-burguesia\/#notas\"><strong>(9)<\/strong><\/a><em><br \/> <\/em><\/p>\n<p>Se  a \u00faltima frase expressava o \u201cotimismo da vontade\u201d de Gramsci com a  possibilidade de derrotar o fascismo atrav\u00e9s da concretiza\u00e7\u00e3o da  revolu\u00e7\u00e3o socialista, o restante assemelha-se assustadoramente com o  processo que estamos vivendo no Brasil. At\u00e9 recentemente pod\u00edamos  ressalvar que ainda n\u00e3o se evidenciava a constitui\u00e7\u00e3o de uma base  militante organizada nos moldes de tropa de choque e a escalada da  viol\u00eancia que a caracteriza. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mais ter a mesma seguran\u00e7a, e  portanto \u00e9 urgente reconhecer o fen\u00f4meno do fascismo, os elementos que o  particularizam e a exig\u00eancia imediata de seu enfrentamento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Artigo de Gilberto Calil*, publicado originalmente no Esquerda Online<\/strong><\/p>\n<p>*Gilberto Calil \u00e9 doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal  Fluminense (UFF) e professor do curso de Hist\u00f3ria e do Programa de  P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Estadual do Oeste do Paran\u00e1  (UNIOESTE), integrando o Grupo de Pesquisa Hist\u00f3ria e Poder. \u00c9 autor,  entre outros livros, de \u201cIntegralismo e Hegemonia Burguesa\u201d (Edunioeste,  2011) e pesquisa sobre Estado, Poder, Direita, Hegemonia, Ditadura e  Fascismo.\u00a0<a href=\"mailto:gilbertocalil@uol.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gilbertocalil@uol.com.br<\/a><\/p>\n<p>Foto: Mussolini discursa em Roma, em 1925.<\/p>\n<p><a name=\"notas\"><\/a><\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p>1 \u2013 GRAMSCI, Antonio. \u201cIt\u00e1lia e Espanha\u201d. In: <em>Escritos Pol\u00edticos. <\/em>Volume 2, 1921-1926. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, p. 48.<br \/> 2 \u2013 REICH, Wilhelm. <em>Psicologia de massas do fascismo. <\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001.<br \/> 3 \u2013 GRAMSCI, \u201cIt\u00e1lia e Espanha\u201d. In: <em>Escritos Pol\u00edticos<\/em>, op. cit.. p. 46-7. Grifo meu.<br \/> 4 \u2013 GRAMSCI, \u201cO Povo dos Macacos\u201d. In: <em>Escritos Pol\u00edticos<\/em>, op. cit., p. 31.<br \/> 5 \u2013 RUDYARD, Kipling. <em>O livro da selva: <\/em>as hist\u00f3rias de Mogli. S\u00e3o Paulo: Scipione, 2009. A edi\u00e7\u00e3o original \u00e9 de 1894.<br \/> 6 \u2013 GRAMSCI, \u201cO Povo dos Macacos\u201d. In: <em>Escritos Pol\u00edticos<\/em>, op. cit., p. 31-32.<br \/> 7\u00a0 \u2013 Idem, p. 32. Grifo meu.<br \/> 8 \u2013 Idem, p. 33.<br \/> 9 \u2013 Idem, p. 34.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A experi\u00eancia hist\u00f3rica n\u00e3o vale para os pequenos burgueses, que n\u00e3o conhecem hist\u00f3ria. A ilus\u00e3o \u00e9 o alimento mais tenaz da consci\u00eancia coletiva. A hist\u00f3ria ensina, mas n\u00e3o tem alunos. (1) Uma das caracter\u00edsticas fundamentais do fascismo, em suas distintas experi\u00eancias hist\u00f3ricas, \u00e9 o fato de que embora se constitua como express\u00e3o dos interesses do grande capital (como as pol\u00edticas concretas dos regimes fascistas comprovam fartamente), sua ascens\u00e3o \u00e9 impulsionada fundamentalmente por setores intermedi\u00e1rios, muito especialmente a pequena burguesia. 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