{"id":299,"date":"2010-09-12T21:10:55","date_gmt":"2010-09-12T20:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/12\/luta-recomeca-na-europa-franca-e-grecia-na-vanguarda-espanha-com-greve-geral-convocada\/"},"modified":"2010-09-12T21:10:55","modified_gmt":"2010-09-12T20:10:55","slug":"luta-recomeca-na-europa-franca-e-grecia-na-vanguarda-espanha-com-greve-geral-convocada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/12\/luta-recomeca-na-europa-franca-e-grecia-na-vanguarda-espanha-com-greve-geral-convocada\/","title":{"rendered":"Luta recome\u00e7a na Europa: Fran\u00e7a e Gr\u00e9cia na vanguarda, Espanha com greve geral convocada"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-298\" style=\"margin: 10px 10px 3px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/grevenafranca.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/grevenafranca.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/grevenafranca.jpg?resize=300%2C200 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Dois acontecimentos pol\u00edticos de primeira grandeza marcam a retomada da luta social na Europa ap\u00f3s as f\u00e9rias de Ver\u00e3o: a greve geral na Fran\u00e7a, a 7 de Setembro, com mais de 2 milh\u00f5es de manifestantes nas ruas de v\u00e1rias cidades, e a manifesta\u00e7\u00e3o, a 11 de Setembro, em Sal\u00f3nica, segunda maior cidade da Gr\u00e9cia, com milhares de pessoas.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  Na Fran\u00e7a, aquela que foi considerada a maior das quatro greves gerais realizadas este ano, inclusive compar\u00e1vel \u00e0s grandes jornadas de 1995, contra o plano Jupp\u00e9 (de reforma da Seguran\u00e7a Social) e 2003 (contra a altera\u00e7\u00e3o da idade da reforma), transformou-se tamb\u00e9m no maior protesto contra o governo de Nicolas Sarkozy e o seu ministro do Trabalho, Eric Woerth. Os trabalhadores querem a retirada do projecto de lei que aumenta de 60 para 62 anos a idade da reforma, com penaliza\u00e7\u00f5es, e para 67 anos a reforma integral.<\/p>\n<p>O argumento do governo para justificar esta altera\u00e7\u00e3o baseia-se no aumento da esperan\u00e7a de vida, mas, na verdade, trata-se de mais uma medida para poupar gastos do Estado e aumentar os lucros dos patr\u00f5es, com o recurso ao sistema privado de pens\u00f5es, \u00e0s custas da qualidade de vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A for\u00e7a da luta dos trabalhadores franceses \u00e9 muito grande e conta com o apoio da maioria dos franceses \u2013 segundo sondagem, 70% da popula\u00e7\u00e3o apoiou a mobiliza\u00e7\u00e3o de 7 de Setembro. A mesma sondagem comprova que o governo de Sarkozy atingiu o ponto mais baixo de impopularidade, e 60% querem a demiss\u00e3o de Woerth. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel vencer, apesar da intransig\u00eancia do governo, que aprovou no Parlamento, com os votos da direita, um dos aspectos centrais do projecto de lei, nomeadamente, o aumento para 62 anos da idade da reforma. O objectivo do governo \u00e9 ter aprovado o projecto em sua totalidade at\u00e9 o fim de Outubro.<\/p>\n<p>Os sindicatos convocaram uma nova jornada de greve e manifesta\u00e7\u00f5es para 23 de Setembro, assim como ac\u00e7\u00f5es para o dia 15 de Setembro, quando a lei ser\u00e1 novamente submetida ao Parlamento.<\/p>\n<p><strong>Sal\u00f3nica marca o recome\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Milhares de pessoas concentraram-se em Sal\u00f3nica, em 11 de Setembro, convocadas por v\u00e1rias centrais sindicais, para demonstrar o seu descontentamento com as dur\u00edssimas medidas de austeridade impostas aos trabalhadores gregos pelo governo do primeiro-ministro do PASOK (social-democrata) Georges Papandreou. &#8220;O capitalismo \u00e9 que deve pagar pela crise&#8221; ou &#8220;Nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca&#8221; eram as palavras de ordem de muitas faixas carregadas pelos manifestantes.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, centenas de camionistas participaram da manifesta\u00e7\u00e3o e anunciaram uma nova greve por tempo indeterminado para protestar contra o projecto de lei sobre a liberaliza\u00e7\u00e3o do sector. Um apelo a uma nova greve geral foi feito pelos sindicatos.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia \u00e9 hoje um pa\u00eds arrasado pelas medidas de austeridade impostas pela Uni\u00e3o Europeia e o FMI e adoptadas pelo governo grego, em troca de um empr\u00e9stimo de 110 mil milh\u00f5es de euros em tr\u00eas anos, supostamente para evitar a bancarrota do pa\u00eds. Na verdade, o objectivo desse empr\u00e9stimo \u00e9 evitar a quebra dos bancos credores da d\u00edvida p\u00fablica grega, especialmente os alem\u00e3es, franceses e ingleses.<\/p>\n<p>O plano de austeridade incluiu cortes de mais de 20% nos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e redu\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es de reforma e aumento dos impostos. Agora, Papandreou acena com a reforma do sistema hospitalar, isto \u00e9, com o aumento das restri\u00e7\u00f5es aos cuidados de sa\u00fade garantidos pelo Estado e a sua privatiza\u00e7\u00e3o, e a reestrutura\u00e7\u00e3o da empresa ferrovi\u00e1ria estatal, com cortes de sal\u00e1rios e despedimento de 40% dos seus funcion\u00e1rios. O plano do governo para este ano \u00e9 privatizar, al\u00e9m da ferrovia e da sa\u00fade, os portos, correios e o servi\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. A meta do governo \u00e9 reduzir o d\u00e9fice or\u00e7amental para 3%, cumprindo assim os ditames da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p><strong>Greve geral dia 29 de Setembro no Estado Espanhol<\/strong><\/p>\n<p>No Estado Espanhol, a reforma laboral do governo de Zapatero facilitou os despedimentos, muitos deles com indemniza\u00e7\u00f5es rebaixadas. S\u00e3o hoje 4,6 milh\u00f5es de desempregados no pa\u00eds. Como caracteriza o panfleto assinados por v\u00e1rios sindicatos, partidos e movimentos pol\u00edticos a convocar a greve geral de 29 de Setembro, a reforma laboral de Zapatero \u00e9 uma f\u00e1brica de produzir desempregados.<\/p>\n<p>&#8220;A reforma laboral rebaixa de 100 para 30 dias o per\u00edodo m\u00e1ximo em que um desempregado possa recusar cursos de forma\u00e7\u00e3o, enquanto se orquestra uma lament\u00e1vel campanha medi\u00e1tica de criminaliza\u00e7\u00e3o dos desempregados(as), em que parece que as ofertas de emprego chovem aos milh\u00f5es enquanto estes a recusam. Reduzem o n\u00famero de desempregados que recebiam os m\u00edseros 429 euros de presta\u00e7\u00e3o e nem mencionam o milh\u00e3o e meio que n\u00e3o recebem sequer um euro de presta\u00e7\u00e3o de subs\u00eddio de desemprego&#8221;, denuncia o panfleto.<\/p>\n<p>No panfleto, assinado, entre dezenas de outras entidades, tamb\u00e9m pela Corriente Roja (CR), Comit\u00e9 de Empresa de UPS-Vallecas e Comisiones de Base (CO.BAS), alerta-se para os novos ataques que o governo pretende aprovar, como o aumento da idade da reforma para os 67 anos, corte do subs\u00eddio de desemprego e o fim da negocia\u00e7\u00e3o colectiva.<\/p>\n<p>No panfleto, reivindica-se, para combater o desemprego e a pobreza, a redu\u00e7\u00e3o das horas de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, a redu\u00e7\u00e3o da idade da reforma para os 60 anos, o aumento das pens\u00f5es e a garantia do pagamento do subs\u00eddio de desemprego at\u00e9 que o trabalhador desempregado consiga um trabalho. &#8220;\u00c9 preciso dizer n\u00e3o ao FMI e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e que os recursos para todas as medidas propostas devem ser retirados dos que os t\u00eam, nacionalizando a banca e sectores chaves da economia, com impostos progressivos sobre as grandes fortunas, os grandes dep\u00f3sitos banc\u00e1rios e as empresas com maiores lucros.&#8221;<\/p>\n<p>O panfleto critica os burocratas das principais centrais sindicais, que durante todos estes anos apoiaram o governo Zapatero e, at\u00e9 bem pouco tempo, garantia n\u00e3o haver motivos para a realiza\u00e7\u00e3o de uma greve geral. &#8220;Por isso, todos os trabalhadores que, como n\u00f3s, t\u00eam uma profunda desconfian\u00e7a nesses burocratas sindicais; todos esses trabalhadores que, como n\u00f3s, sabem que com um s\u00f3 dia de greve n\u00e3o mudamos a actual situa\u00e7\u00e3o, dizemos que \u00e9 preciso apoiar sem qualquer condi\u00e7\u00e3o a greve geral. Para Toxo e M\u00e9ndez [Ignacio Fern\u00e1ndez Toxo, secret\u00e1rio-geral das CC.OO (Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias) e C\u00e2ndido M\u00e9ndez, secret\u00e1rio-geral da UGT], a greve geral \u00e9 para retomar o que v\u00eam fazendo estes anos, &#8220;o di\u00e1logo social&#8221;. Para n\u00f3s, a greve geral \u00e9 para revogar a reforma laboral e come\u00e7ar um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o que derrote toda a pol\u00edtica antioper\u00e1ria e anti-social do governo e dos banqueiros. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a!&#8221;<\/p>\n<p>O panfleto termina a apelar para a continuidade da luta: &#8220;Seja como for o dia 29, e como j\u00e1 temos experi\u00eancias de outras greves gerais de um s\u00f3 dia, \u00e9 preciso exigir e impor a continuidade da mobiliza\u00e7\u00e3o, e sua conflu\u00eancia com as lutas do resto da Europa, at\u00e9 derrotar a reforma laboral e parar as demais agress\u00f5es&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois acontecimentos pol\u00edticos de primeira grandeza marcam a retomada da luta social na Europa ap\u00f3s as f\u00e9rias de Ver\u00e3o: a greve geral na Fran\u00e7a, a 7 de Setembro, com mais de 2 milh\u00f5es de manifestantes nas ruas de v\u00e1rias cidades, e a manifesta\u00e7\u00e3o, a 11 de Setembro, em Sal\u00f3nica, segunda maior cidade da Gr\u00e9cia, com milhares de pessoas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":298,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/grevenafranca.jpg?fit=400%2C267","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/298"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}