{"id":2972,"date":"2018-09-19T14:00:01","date_gmt":"2018-09-19T13:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/19\/hospital-de-barcelos-um-retrato-do-servico-nacional-de-saude-em-ruptura\/"},"modified":"2018-09-19T14:00:01","modified_gmt":"2018-09-19T13:00:01","slug":"hospital-de-barcelos-um-retrato-do-servico-nacional-de-saude-em-ruptura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/19\/hospital-de-barcelos-um-retrato-do-servico-nacional-de-saude-em-ruptura\/","title":{"rendered":"Hospital de Barcelos: um retrato do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade em ruptura"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos tempos, t\u00eam-se visto v\u00e1rias manobras de propaganda por parte do Governo, junto da comunica\u00e7\u00e3o social, numa tentativa de demonstrar que o Hospital de Santa Maria Maior em Barcelos funciona bem.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Tem-se tentado ludibriar o p\u00fablico referindo que o atual Hospital \u00e9 um exemplo de efici\u00eancia, que talvez necessitasse de melhores condi\u00e7\u00f5es, mas com as que tem \u00e9 um exemplo de desempenho e efic\u00e1cia. Rid\u00edculo, \u00e9 o adjetivo menos agressivo para classificar esta campanha.<\/p>\n<p>Faz lembrar um pouco aquilo que o Ministro de Informa\u00e7\u00e3o do Iraque, Mohammad Said al-Sahaf, tentava fazer quando afirmava aos jornalistas, em 2003, com os tanques das tropas norte-americanas a entrar na capital iraquiana e \u00e0 vista destes, que o Iraque estava a ganhar a guerra e que os americanos ainda n\u00e3o tinham sequer entrado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esta campanha bem montada tem apenas como objetivo demonstrar que o Hospital que actualmente existe em Barcelos serve as necessidades actuais e que, por isso, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio a constru\u00e7\u00e3o de um novo. E esta \u201cpe\u00e7a teatral\u201d tem conseguido a participa\u00e7\u00e3o, inclusivamente, de actores que deveriam ser os primeiros a n\u00e3o se inclu\u00edrem, como \u00e9 o caso do epis\u00f3dio que contou com a presen\u00e7a do Presidente da C\u00e2mara de Barcelos que fez quest\u00e3o de surgir ao lado do Presidente do Conselho Diretivo da Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade do Norte (ARS Norte), mas j\u00e1 l\u00e1 iremos.<\/p>\n<p>A manipula\u00e7\u00e3o da realidade \u00e9 tanto ou mais poss\u00edvel quanto menor for o conhecimento dos cidad\u00e3os sobre os acontecimentos. Por esse motivo, iremos desmontar neste artigo algumas das ideias que se t\u00eam tentado vender nestes \u00faltimos tempos:<\/p>\n<p>31\/07\/2018: <em>\u201cHospital de Barcelos renova 20% das suas camas\u201d (in Di\u00e1rio do Minho)<\/em> <a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 referido nesta pe\u00e7a jornalista \u00e9 que estas camas v\u00e3o substituir outras que est\u00e3o colocadas nos corredores do Hospital! N\u00e3o s\u00e3o camas para os quartos de internamento, porque n\u00e3o h\u00e1 quartos de internamento suficientes, mas sim para os corredores do Hospital. A verdade \u00e9 que, como a Ordem dos Enfermeiros j\u00e1 o tinha denunciado, no final do ano passado, h\u00e1 doentes internados nos corredores ao longo dos 12 meses do ano, onde n\u00e3o existe o cumprimento de regras b\u00e1sicas de controlo de infe\u00e7\u00e3o e onde j\u00e1 se encontram instaladas calhas e cortinas fixas para a perpetua\u00e7\u00e3o desse facto.<\/p>\n<p>Mais! Alguns doentes da urg\u00eancia s\u00e3o colocados, por falta de outros espa\u00e7os, nos claustros envidra\u00e7ados onde funciona esta val\u00eancia, que n\u00e3o possui sistema de climatiza\u00e7\u00e3o. Pode-se imaginar o sofrimento destas pessoas nos dias mais quentes ou frios do ano.<\/p>\n<p>O que nos parece estranho tamb\u00e9m, \u00e9 o facto de a C\u00e2mara Municipal de Barcelos, na pessoa do seu Presidente, compactue com este esbo\u00e7o de realidade, estando presente nesta cerim\u00f3nia, quando, por outro lado, tenta passar a ideia que est\u00e1 a fazer tudo ao seu alcance para pressionar o Governo PS para a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de novo Hospital. Imagine-se que um determinado doente tem um dedo do p\u00e9 em avan\u00e7ado estado de necrose, cujo \u00fanico procedimento poss\u00edvel seria a amputa\u00e7\u00e3o desse dedo. Ora bem, o nosso doente imagin\u00e1rio vai ao m\u00e9dico e este decide colocar-lhe\u2026um penso! O melhor penso poss\u00edvel, mas um simples penso no dedo. \u00c9 compar\u00e1vel ao que foi feito pela C\u00e2mara de Barcelos no Hospital.<\/p>\n<p><strong>O Hospital de Barcelos \u201csmall is beautiful\u201d<\/strong><a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/p>\n<p>De facto, se n\u00e3o fossem os trabalhadores e os esfor\u00e7os suplementares que todos os dias lhes \u00e9 exigido, o Hospital de Barcelos seria ainda pior. De acordo com o Relat\u00f3rio Social do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, do ano 2017, divulgado pela ACSS &#8211; Administra\u00e7\u00e3o Central dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade, I.P., o Hospital de Santa Maria Maior, E.P.E. de Barcelos, registou um aumento de 42,7% do volume de trabalho suplementar, entre 2014 e 2017, destacando-se o aumento de 474% (!!) do volume de trabalho suplementar do pessoal de enfermagem. Apenas n\u00e3o s\u00e3o divulgados os n\u00fameros do trabalho suplementar de assistentes t\u00e9cnicos e operacionais, sen\u00e3o seriam n\u00fameros tamb\u00e9m assustadores.<\/p>\n<p>De facto, os dados dos relat\u00f3rios de Gest\u00e3o e Contas de 2010 e de 2016 (\u00faltimo ano cujo acesso se encontra dispon\u00edvel) demonstram que o Hospital de Barcelos perdeu 29 profissionais de enfermagem, assistentes administrativos, assistente operacionais e t\u00e9cnicos superiores de sa\u00fade (9, 9, 10 e 1 respetivamente), registando um aumento do n\u00famero de dirigentes, m\u00e9dicos e t\u00e9cnicos superiores.<\/p>\n<p>Poder-se-ia dizer que o aumento do n\u00famero de m\u00e9dicos se deveu ao aumento de especialidades ou de atividade m\u00e9dica. Errado! Ap\u00f3s a perda da maternidade em 2007, o Hospital tem perdido especialidades, sendo o facto mais grave o de n\u00e3o contar com a especialidade de anestesiologia para a atividade cir\u00fargica programada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o e a atividade geral do Hospital? Essa deve ter aumentado com um maior n\u00famero de m\u00e9dicos, certo? Errado, novamente! Os dados destes dois relat\u00f3rios permitem verificar que o n\u00famero de consultas externas diminuiu (menos 14% que em 2010), o n\u00famero de atendimento na urg\u00eancia diminuiu (menos 15 % que em 2010) e o n\u00famero de cirurgias tamb\u00e9m diminuiu (menos 9 % que em 2010). Ent\u00e3o como justificar o maior n\u00famero de m\u00e9dicos? Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que se deve a uma ideia criada pelo Governo PSD\/CDS para o SNS, em 2004, com a cria\u00e7\u00e3o do Sistema Integrado de Gest\u00e3o de Inscritos para Cirurgia (SIGIC) que j\u00e1 iremos abordar.<\/p>\n<p>\u201c<em>Este hospital que parecia estar \u201ccondenado\u201d ao encerramento, est\u00e1 agora, pela terceira vez, no 1\u00ba lugar do Grupo B, de hospitais de pequena dimens\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o independente feita a 41 dos 50 hospitais p\u00fablicos portugueses.\u201d (in RTP 1)<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o se os dados e as condi\u00e7\u00f5es do Hospital s\u00e3o m\u00e1s, como pode o Hospital de Barcelos receber pr\u00e9mios de bom desempenho na avalia\u00e7\u00e3o independente?<\/p>\n<p>Bom, em primeiro lugar \u00e9 preciso saber quem fez a avalia\u00e7\u00e3o. A tal chamada \u201cavalia\u00e7\u00e3o independente\u201d \u00e9 realizada por uma multinacional espanhola designada por IASIST. A IASIST \u00e9 uma consultora que tem interesses econ\u00f3micos e comerciais no sector privado da Sa\u00fade. Em Espanha, esta empresa foi contratada para fazer um estudo semelhante aos hospitais, a Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Defesa da Sa\u00fade P\u00fablica espanhola questionou a idoneidade desta entidade. Logo aqui se colocam algumas d\u00favidas sobre a qualidade independente desta avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 avaliado ent\u00e3o por esta empresa? \u201cO \u2018TOP 5 \u2013 A excel\u00eancia dos Hospitais Portugueses\u2019 n\u00e3o inclui aprecia\u00e7\u00f5es sobre a qualidade e a adequa\u00e7\u00e3o da estrutura hospitalar, listas e tempos de espera para consulta, internamento, hospitais de dia ou cirurgia. Do mesmo modo, n\u00e3o s\u00e3o apreciadas as condi\u00e7\u00f5es hoteleiras proporcionadas aos doentes, bem como os seus n\u00edveis de satisfa\u00e7\u00e3o.\u201d refere a publica\u00e7\u00e3o de 2016 da IASIST.<\/p>\n<p>N\u00e3o avalia a satisfa\u00e7\u00e3o dos doentes, n\u00e3o inclui aprecia\u00e7\u00f5es sobre a qualidade e a adequa\u00e7\u00e3o da estrutura hospitalar, sobre listas e tempos de espera\u2026avalia exatamente o qu\u00ea mesmo? \u201c\u2026A base de dados da morbilidade hospitalar \u2013 fonte de informa\u00e7\u00e3o \u00fanica e oficial dos doentes com alta devidamente classificados no universo SNS. Suplementarmente, utilizamos indicadores econ\u00f3mico-financeiros publicados no site da ACSS, criado para efeitos de benchmarking. Contudo, pode existir apenas um fator que pode influenciar os resultados obtidos: a falta de uniformiza\u00e7\u00e3o no rigor e exaustividade dos registos cl\u00ednicos. Estamos conscientes de que tais desconformidades podem provocar vieses na robustez da informa\u00e7\u00e3o recolhida.\u201d pode ler-se na mesma publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, este pr\u00e9mio \u00e9 atribu\u00eddo aos hospitais que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3mico-financeiras mais vantajosas. Mas n\u00e3o estamos a falar de um pr\u00e9mio relacionado com Sa\u00fade? A Sa\u00fade tamb\u00e9m tem de dar lucro? Entram nestas contas o valor de 137.587,84 \u20ac que o Estado tem de pagar anualmente pelo aluguer dos edif\u00edcios do atual Hospital \u00e0 Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Barcelos? Diminuindo a atividade, como j\u00e1 foi demonstrado que aconteceu, n\u00e3o seria expect\u00e1vel que os aspetos financeiros do Hospital melhorassem? Al\u00e9m disso, os relat\u00f3rios de Gest\u00e3o e Contas de 2010 e de 2016 do Hospital de Santa Maria Maior demonstram que o n\u00famero de camas dispon\u00edveis diminuiu entre 2010 e 2016 (menos 7 camas). Bem vistas as coisas, talvez possamos concluir que se melhorou o rendimento econ\u00f3mico-financeiro \u00e0 custa da perda de servi\u00e7os e diminui\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Logicamente que a morbilidade hospitalar tamb\u00e9m ter\u00e1 indicadores mais positivos com a diminui\u00e7\u00e3o da actividade. Tratando-se de um indicador estat\u00edstico, se menos pessoas forem atendidas, melhores probabilidades dos valores de morbilidade serem melhores.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem quest\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o levantadas pela comunica\u00e7\u00e3o social e que deveriam ser, como por exemplo o mist\u00e9rio do TAC desaparecido&#8230;vejamos:<\/p>\n<p>O Sa\u00fade on-line, a 20\/12\/2016, referia:<\/p>\n<p><em>&#8220;A Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade do Norte (ARSN) informou que a tutela vai assumir os custos da aquisi\u00e7\u00e3o de um equipamento de tomografia axial computorizada (TAC) para o Hospital de Barcelos. Isto no mesmo dia em que o Hospital de Barcelos lan\u00e7ou uma campanha de recolha de fundos para adquirir aquele equipamento.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>\u201cTendo presente algumas not\u00edcias vindas a p\u00fablico dando conta do lan\u00e7amento de uma campanha p\u00fablica com vista \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de um equipamento de Tomografia Axial Computorizada (TAC) para a Unidade Hospitalar de Santa Maria Maior, Barcelos, cumpre esclarecer que, no quadro das compet\u00eancias adstritas ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e ap\u00f3s an\u00e1lise da justifica\u00e7\u00e3o apresentada pela referida unidade hospitalar, a aquisi\u00e7\u00e3o do equipamento em apre\u00e7o foi j\u00e1 assumida pela tutela com o recurso a verbas constantes do or\u00e7amento do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade\u201d, refere a ARSN, em comunicado enviado \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Esta informa\u00e7\u00e3o da ARSN surge no mesmo dia em que o Hospital de Barcelos lan\u00e7ou, na presen\u00e7a do baston\u00e1rio da Ordem dos M\u00e9dicos, uma campanha de recolha de fundos para adquirir uma m\u00e1quina de TAC.<\/p>\n<p>A campanha pretendia recolher donativos, junto da popula\u00e7\u00e3o em geral, de empresas, C\u00e2maras Municipais ou Juntas de Freguesia, para comparticipar a compra do equipamento, avaliado em 350 mil euros.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que a tutela assume o investimento, a campanha acaba no dia em que come\u00e7ou. Pode dizer-se que esta foi uma das campanhas mais r\u00e1pidas de sempre\u201d, referiu \u00e0 Lusa o diretor cl\u00ednico do hospital.<\/p>\n<p>Segundo Rui Guimar\u00e3es, o Hospital de Barcelos tinha tido, na sexta-feira, luz verde da tutela para acabar com as \u201cchapas\u201d do raio X, substituindo-as por um processo digital.<\/p>\n<p>\u201cEntusiasmados com essa boa nova, e porque temos consci\u00eancia de que o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade tem muitas solicita\u00e7\u00f5es e n\u00e3o pode responder a tudo ao mesmo tempo, decidimos avan\u00e7ar com a campanha da TAC. Felizmente, tamb\u00e9m esta quest\u00e3o est\u00e1 resolvida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Hospital de Barcelos requisita atualmente, por ano, cerca de 7.000 TAC a entidades externas.<\/p>\n<p>Os doentes s\u00e3o, assim, obrigados a desloca\u00e7\u00f5es ao exterior, o que, como hoje sublinhou o administrador do Hospital, Joaquim Barbosa, \u201cacarreta alguns riscos\u201d para os utentes.<\/p>\n<p>Depois da informa\u00e7\u00e3o de hoje da ARSN, Rui Guimar\u00e3es lembra que, al\u00e9m da quest\u00e3o da seguran\u00e7a e da comodidade dos doentes, a m\u00e1quina TAC vai ainda contribuir para a efici\u00eancia econ\u00f3mica do Hospital, j\u00e1 que os exames v\u00e3o deixar de ser requisitados e pagos a entidades externas.&#8221; In Sa\u00fade on-line, 20\/12\/2016<\/p>\n<p>Ficou-se agora a saber, que terminou, no final de Julho de 2018, o prazo de apresenta\u00e7\u00e3o de or\u00e7amentos a fornecedores do equipamento. Continuam a ser feitas mais de 7 000 TAC&#8217;s a entidades externas. <strong>Quem ganhar\u00e1 com tudo isto?<\/strong><\/p>\n<p>O SIGIC \u00e9 outra parte desta novela que em que se transformou o Hospital Santa Maria Maior de Barcelos e que deveria tamb\u00e9m ser alvo de investiga\u00e7\u00e3o. Numa tentativa de diminuir a lista de espera para cirurgias, em 2004, o Governo de ent\u00e3o criou o Sistema Integrado de Gest\u00e3o de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Este sistema prev\u00ea que quando o hospital n\u00e3o consegue dar resposta a um utente que est\u00e1 inscrito para fazer uma cirurgia, num tempo clinicamente aceit\u00e1vel, este seja encaminhado para outra unidade hospitalar p\u00fablica ou privada convencionada e a contagem recome\u00e7a do zero. Contudo, no caso de este tamb\u00e9m n\u00e3o conseguir cumprir o prazo, o utente recebe um vale-cirurgia, que poder\u00e1 usar num conjunto de hospitais privados ou sociais com conven\u00e7\u00e3o com o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 descrito neste programa, \u00e9 que os Hospitais que aceitem fazer parte deste sistema recebem incentivos financeiros para distribuir pelos trabalhadores que aceitem a realiza\u00e7\u00e3o destas cirurgias. O que se passa no Hospital de Barcelos \u00e9 que os m\u00e9dicos e os enfermeiros que aceitem fazer parte deste sistema recebem incentivos por cada cirurgia que fa\u00e7am, sendo que no Hospital de Barcelos apenas se fazem cirurgias que n\u00e3o exijam recobro ou com tempos muito reduzidos pois o Hospital n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para recobros longos. Dessa forma, se poder\u00e1 justificar os elevados valores de cirurgias de oftalmologia e ortopedia. Porque \u00e9 que estas cirurgias n\u00e3o s\u00e3o realizadas sem a necessidade destes incentivos? Talvez aqui o <em>small<\/em> n\u00e3o seja t\u00e3o <em>beautiful<\/em>.<\/p>\n<p>Se para a banca e para a elite empresarial do pa\u00eds n\u00e3o faltam fundos estatais ou comunit\u00e1rios, para o SNS v\u00e3o quantias irris\u00f3rias que garantem apenas um servi\u00e7o de sa\u00fade deficit\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Barcelos que existem situa\u00e7\u00f5es deste g\u00e9nero, sen\u00e3o vejamos: no Hospital S. Jo\u00e3o no Porto, a ala pedi\u00e1trica funciona \u201cprovisoriamente\u201d, h\u00e1 uma d\u00e9cada, em contentores. Enquanto Centeno n\u00e3o disponibiliza as verbas necess\u00e1rias para as obras, crian\u00e7as com doen\u00e7as oncol\u00f3gicas fazem quimioterapia nos corredores, como denunciaram recentemente alguns pais. Em Lisboa, no Hospital Santa Maria, tem havido tratamentos adiados a doentes oncol\u00f3gicos. O Centro Hospitalar Tondela -Viseu, para al\u00e9m de ter in\u00fameros servi\u00e7os em rutura, devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es or\u00e7amentais, que impedem a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores, n\u00e3o tem qualquer mam\u00f3grafo. A obsess\u00e3o de Centeno e Costa com o d\u00e9fice sobrep\u00f5em-se \u00e0s vidas dos que c\u00e1 vivem<em>.<\/em><\/p>\n<p>A finalidade do relato aqui feito serviu apenas para demonstrar e afirmar ainda mais veemente a necessidade de um novo Hospital para Barcelos, assim como de muito mais investimento no SNS. N\u00e3o s\u00e3o not\u00edcias que falseiam a realidade que v\u00e3o conseguir manipular a vontade e a necessidade da popula\u00e7\u00e3o dos concelhos de Barcelos e Esposende.<\/p>\n<p>Estamos e estaremos sempre atentos e prontos para repor a verdade. O Hospital novo em Barcelos j\u00e1 devia estar constru\u00eddo h\u00e1 v\u00e1rios anos!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Paulo Martins<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"sdfootnote1sym\">1 <\/a><a href=\"https:\/\/www.diariodominho.pt\/2018\/07\/31\/novas-camas-melhoram-atendimento-no-hospital-de-barcelos\/\">https:\/\/www.diariodominho.pt\/2018\/07\/31\/novas-camas-melhoram-atendimento-no-hospital-de-barcelos\/<\/a><\/span><\/em><\/p>\n<p> <em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em><\/div>\n<p> <em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em> <\/p>\n<div id=\"sdfootnote2\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em> <\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"sdfootnote2sym\">2 <\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/07\/13\/sociedade\/reportagem\/no-hospital-de-barcelos-small-is-beautiful-e-funciona-1837377\">https:\/\/www.publico.pt\/2018\/07\/13\/sociedade\/reportagem\/no-hospital-de-barcelos-small-is-beautiful-e-funciona-1837377<\/a><\/span><\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, t\u00eam-se visto v\u00e1rias manobras de propaganda por parte do Governo, junto da comunica\u00e7\u00e3o social, numa tentativa de demonstrar que o Hospital de Santa Maria Maior em Barcelos funciona bem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[29],"tags":[116,499,382,393,1517,114,115,162,222,221,117],"class_list":["post-2972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-alternativa","tag-austeridade","tag-banca","tag-barcelos","tag-hospital-de-barcelos","tag-mas","tag-movimento","tag-revolucionario","tag-saude","tag-sns","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/urgencias_barcelos.jpg?fit=460%2C357","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2971"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}