{"id":297,"date":"2010-09-05T14:41:44","date_gmt":"2010-09-05T13:41:44","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/05\/acidente-na-mina-chilena-reality-show-ou-tragedia-anunciada\/"},"modified":"2010-09-05T14:41:44","modified_gmt":"2010-09-05T13:41:44","slug":"acidente-na-mina-chilena-reality-show-ou-tragedia-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/05\/acidente-na-mina-chilena-reality-show-ou-tragedia-anunciada\/","title":{"rendered":"Acidente na mina chilena: reality show ou trag\u00e9dia anunciada?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-296\" style=\"margin: 10px 10px 3px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/mineiros-presos-parasite.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/mineiros-presos-parasite.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/mineiros-presos-parasite.jpg?resize=225%2C300 225w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Na primeira semana de Agosto, um acidente na mina S\u00e3o Jos\u00e9, localizada perto da cidade de Copiap\u00f3, regi\u00e3o de Atacama, Chile, deixou 33 trabalhadores mineiros presos e isolados dentro dos t\u00faneis da mina. Durante v\u00e1rios dias, n\u00e3o se soube se havia sobreviventes, mas depois conseguiu-se entrar em contacto com eles e saber que estavam bem, pois tinham alcan\u00e7ado um ref\u00fagio com oxig\u00e9nio, \u00e1gua e alimentos.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  A partir dali, passou-se a planear as tarefas concretas de resgate, que exigiriam n\u00e3o menos de 90 dias, necess\u00e1rios para perfurar-se um t\u00fanel de 688 metros de profundidade, com muito cuidado para evitar o desmoronamento das paredes da mina. Durante esse per\u00edodo, os trabalhadores recebem alimentos e outros itens atrav\u00e9s de uma sonda, pela qual, inclusive, podem comunicar-se com o exterior. Saber que os mineiros estavam vivos e poder ter contacto com eles trouxe, como \u00e9 \u00f3bvio, uma grande alegria aos seus familiares, amigos, e colegas.<\/p>\n<p><strong>Uma cortina de fuma\u00e7a televisiva<\/strong><\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo, deu in\u00edcio a uma esp\u00e9cie de sinistro <em>reality show<\/em> televisivo, sobre a vida dos mineiros no pequeno lugar onde est\u00e3o refugiados, os contactos com os seus familiares, o andamento da perfura\u00e7\u00e3o do t\u00fanel de resgate, etc. Um &#8220;espect\u00e1culo medi\u00e1tico&#8221; que inclui desde notas sobre a vida sentimental de alguns trabalhadores at\u00e9 o aconselhamento de especialistas da NASA sobre como organizar a vida de grupos de pessoas que devem conviver longos per\u00edodos em espa\u00e7os reduzidos.<\/p>\n<p>Um <em>reality show<\/em> que, al\u00e9m disso, est\u00e1 a ser utilizados como uma cortina de fuma\u00e7a para tentar ocultar as verdadeiras causas desta situa\u00e7\u00e3o: a neglig\u00eancia empresarial e a cumplicidade governamental que provocaram o acidente.<\/p>\n<p><strong>Uma trag\u00e9dia anunciada<\/strong><\/p>\n<p>O acidente, com toda a certeza, poderia ter sido evitado. Em Julho passado, em frente ao Minist\u00e9rio das Minas, o Sindicato dos Trabalhadores de S\u00e3o Jos\u00e9 denunciou as &#8220;m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es laborais&#8221;, &#8220;os cont\u00ednuos acidentes de trabalho&#8221;, a inexist\u00eancias dos &#8220;necess\u00e1rios caminhos de fuga&#8221; e que o ref\u00fagio em que agora est\u00e3o os mineiros soterrados n\u00e3o contava com todos os elementos necess\u00e1rios \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O sindicato chegou a pedir ao organismo encarregado de definir se a mina podia funcionar ou n\u00e3o que a encerrasse provisoriamente, at\u00e9 que estes problemas fossem resolvidos, considerando que muitos deles vinham de v\u00e1rios anos atr\u00e1s (ver declara\u00e7\u00e3o do FR-Izquierda Comunista no site <a href=\"http:\/\/www.litci.org\">http:\/\/www.litci.org<\/a>). Mas o Minist\u00e9rio n\u00e3o fechou a mina, limitando-se apenas a impor-lhe uma multa equivalente a menos de 60 mil d\u00f3lares (pouco mais de 1.800 d\u00f3lares em m\u00e9dia por cada trabalhador cuja vida foi colocada em risco).<\/p>\n<p>Depois do acidente, com total hipocrisia, os donos da mina pediram &#8220;perd\u00e3o&#8221; atrav\u00e9s da imprensa. Ao mesmo tempo, o governo de Pi\u00f1era tratava de salvar a cara denunciando a &#8220;responsabilidade da empresa&#8221; e dizendo (agora!) que esta seria &#8220;investigada e castigada&#8221;<\/p>\n<p><strong>Uma combina\u00e7\u00e3o letal<\/strong><\/p>\n<p>No caso da mina chilena, felizmente o acidente n\u00e3o terminou com a morte dos trabalhadores. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece em muito outros acidentes desse tipo em todo o mundo. Um informe conjunto da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho) e OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) assinala que, anualmente, ocorrem cerca de 270 milh\u00f5es de acidentes de trabalho, que deixam em torno de 500 mil mortos. Somados aos 1.700.000 provocados por doen\u00e7as profissionais, totalizam mais de 2.200.000 mortos anualmente por raz\u00f5es laborais. O informe conclui que o n\u00famero anual de acidentes, ferimentos e mortes est\u00e1 a aumentar.<\/p>\n<p>A neglig\u00eancia patronal que, para reduzir custos e aumentar os seus lucros, deixa de fazer as obras e tomar medidas de seguran\u00e7a necess\u00e1rias, junta-se \u00e0 cumplicidade governamental, uma legisla\u00e7\u00e3o cada vez mais permissiva e jornadas de trabalho cada vez mais extenuantes. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o letal que provoca n\u00e3o s\u00f3 numerosos acidentes, mas crescentes doen\u00e7as laborais. Nos custos empresariais, a vari\u00e1vel de ajuste \u00e9 a vida dos trabalhadores (&#8220;a mais barata das ferramentas&#8221;, segundo um velho ditado da patronal).<\/p>\n<p>Como diziam os cartazes das marchas antiglobaliza\u00e7\u00e3o: &#8220;o capitalismo mata&#8221;: para salvar a vida dos trabalhadores, h\u00e1 que eliminar o capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Alejandro Iturbe<\/strong>, editor da revista da LIT-CI <em>Correio Internacional<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira semana de Agosto, um acidente na mina S\u00e3o Jos\u00e9, localizada perto da cidade de Copiap\u00f3, regi\u00e3o de Atacama, Chile, deixou 33 trabalhadores mineiros presos e isolados dentro dos t\u00faneis da mina. 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