{"id":2969,"date":"2018-09-14T14:58:50","date_gmt":"2018-09-14T13:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/14\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/"},"modified":"2018-09-14T14:58:50","modified_gmt":"2018-09-14T13:58:50","slug":"dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/14\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/","title":{"rendered":"Dia 11: Catal\u00e3es tomam as ruas no Diada por uma Rep\u00fablica Independente"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><strong><strong>Artigo de<strong><strong> Gabriel Santos, Macei\u00f3,<\/strong><\/strong> publicado no Esquerda Online<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os catal\u00e3es celebram anualmente no dia  11 de setembro o Dia Nacional da Catalunha, o Diada. A data comemora a  resist\u00eancia catal\u00e3 at\u00e9 a morte durante o Cerco de Barcelona durante a  Guerra da Sucess\u00e3o, finalmente derrotada pelas for\u00e7as bourb\u00f4nicas em 11  de setembro de 1.714. O Diada nos \u00faltimos anos, a partir de 2012  especificamente, tem se tornando uma importante manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica  que dita os ritmos e a pauta independentista para o per\u00edodo seguinte.  Assim, o lema que a marcha comemorativa assume \u00e9 a tarefa pol\u00edtica das  for\u00e7as empenhadas na independ\u00eancia da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em  2018, o Diada tem uma import\u00e2ncia superior ao ocorrido em anos  anteriores. \u00c9 o primeiro ap\u00f3s o referendo pela independ\u00eancia da regi\u00e3o  realizado em outubro do ano passado. Referendo este em que a maioria dos  participantes votaram pelo \u201cSi\u201d, ou seja, pela independ\u00eancia da  Catalunha. Por\u00e9m, foi considerado ilegal e ileg\u00edtimo pelo governo  espanhol, que fez o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para impedir a vota\u00e7\u00e3o ao  esconder urnas e dispersar filas de votantes atrav\u00e9s de forte repress\u00e3o  policial deixando mais de mil feridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  ent\u00e3o presidente catal\u00e3o, Puigdemont, depois de hesitar acabou por  declarar em 27 de outubro a independ\u00eancia da regi\u00e3o. Poucas horas  depois, em Madrid, o Senado do Estado Espanhol, aprovou a entrada em  vigor do artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o, permitindo o ent\u00e3o presidente Rajoy  dissolver o Parlamento e por fim ao governo catal\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lideran\u00e7as  independentistas, incluindo Puigdemont, fugiram para outros pa\u00edses, em  especial para Bruxelas, na B\u00e9lgica. Outras que ficaram na Catalunha  foram presas. O Estado Espanhol acusa os membros do parlamento catal\u00e3o  de rebeli\u00e3o, acusa\u00e7\u00e3o da qual foram considerados inocentes pela Justi\u00e7a  dos pa\u00edses em que estes parlamentares se encontram detidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, em 1\u00ba de junho o governo conservador de <strong>Rajoy (PP) <\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong> destitu<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>do pelo parlamento<a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/09\/13\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong>, sendo substitu\u00eddo por Pedro Sanchez (PSOE). Em 12 de junho, a <strong>justi<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>a alem<\/strong><strong>\u00e3<\/strong><strong> extradita Puigdemont\u00a0 para o estado espanhol<a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/09\/13\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/strong> abrindo a possibilidade de reanimar a luta pela independ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma nova situa<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletindo essa nova situa\u00e7\u00e3o, o Diada deste ano organizado pela Assembleia Nacional Catal\u00e3 aconteceu sob o lema de: <strong>\u201c<\/strong><strong>Fa<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>amos a Rep<\/strong><strong>\u00fa<\/strong><strong>blica Catal<\/strong><strong>\u00e3\u201d<\/strong>.  Os manifestantes defendiam a liberdade dos dirigentes pol\u00edticos presos,  a independ\u00eancia da regi\u00e3o e a proclama\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica na regi\u00e3o.  Cr\u00edticas ao Rei espanhol, Felipe VI, foram vistas em palavras de ordem e  em faixas ostentadas pelos participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A  quantidade de pessoas presentes na manifesta\u00e7\u00e3o varia de acordo com a  fonte. De acordo com o jornal El Pa\u00eds, foram 400 mil pessoas; as for\u00e7as  de seguran\u00e7a que acompanharam o ato informam que o n\u00famero de  participantes chegou a um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O  atual governo espanhol, liderado por Pedro S\u00e1nchez, do PSOE, prop\u00f4s  negociar sem pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es com os independentistas, at\u00e9 se chegar a um  acordo de autogoverno, algo que se difere da independ\u00eancia da regi\u00e3o  diante do Estado Espanhol. Esta proposta seria facilmente aceita em anos  anteriores e \u00e9 muito superior a qualquer coisa que o  ex-primeiro-ministro Rajoy j\u00e1 prometeu a regi\u00e3o. Por\u00e9m, hoje, com o  atual n\u00edvel de manifesta\u00e7\u00f5es e grau de polariza\u00e7\u00e3o independentista, ela  foi prontamente recusada pelo atual presidente catal\u00e3o Quim Torra,  eleito pelo Parlamento em 2 de junho deste ano sob a indica\u00e7\u00e3o de  Puigdemont.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a proposta  feita por S\u00e1nchez aumentou a crise existente nas for\u00e7as  independentistas. Elas hoje s\u00e3o maioria no Parlamento Catal\u00e3o, mas  discordam sobre a forma que a luta independentista deve ser realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Junts per Catalunya<\/em>, alian\u00e7a eleitoral encabe\u00e7ada pelo PDeCAT (Partido Democrata Europeu Catal\u00e3o)\u00a0 de Puigdemont e a <em>Esquerra Republicana (ERC) de Oriol Junqueras e Marta Rovira,<\/em> divergem publicamente. A <em>Esquerra Republicana <\/em>critica  a forma que Quim Torra lidou com a proposta vinda de Madrid. Eles  defendem uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o e um referendo realizado de forma  conjunta com o Estado Espanhol, por\u00e9m, tendem a aceitar a proposta feita  por S\u00e1nchez. Acusam Torra de fazer sempre um discurso unilateral sobre a  independ\u00eancia da regi\u00e3o, mas nunca detalhando como far\u00e1 para alca\u00e7ar  esse objetivo. O <em>Junts per Catalunya<\/em> tende a defender a posi\u00e7\u00e3o de Torra, apoiando a press\u00e3o que ele exerce pela liberdade dos presos pol\u00edticos independentistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja  como for, a manifesta\u00e7\u00e3o do Diada deste ano se diferencia das  anteriores pela pauta expl\u00edcita do chamado a dormi de uma Rep\u00fablica,  algo que confronta diretamente a forma\u00e7\u00e3o atual do Estado Espanhol.  Apesar dos milhares que lotaram as ruas de Barcelona pedindo  independ\u00eancia e o fim do controle de Madrid e da monarquia sobre a  regi\u00e3o, a verdade \u00e9 que as for\u00e7as independentistas parecem recuadas. Os  partidos que lideraram o processo no per\u00edodo anterior indicam cansa\u00e7o  chegando ao limite de suas contradi\u00e7\u00f5es, evitando um confronto maior com  o Estado e a burguesia espanhola. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que haja um pacto  entre o atual governo do PSOE e as for\u00e7as independentistas na Catalunha.  Diante de toda essa situa\u00e7\u00e3o uma coisa \u00e9 certa: sem a mobiliza\u00e7\u00e3o  popular a independ\u00eancia se tornar\u00e1 algo cada vez mais distante e  dif\u00edcil. No entanto, o Diada demostrou que o \u00e2nimo das massas nutre  novas esperan\u00e7as. Nem tudo est\u00e1 perdido.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/09\/13\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/06\/04\/espanha-caiu-rajoy-pp-e-pedro-sanchez-psoe-assume-o-governo\/\">https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/06\/04\/espanha-caiu-rajoy-pp-e-pedro-sanchez-psoe-assume-o-governo\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/09\/13\/dia-11-catalaes-tomam-as-ruas-no-diada-por-uma-republica-independente\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/07\/13\/tribunal-alemao-extradita-expresidente-catalao-puigdemont-oportunidade-para-retomar-luta-pela-independencia\/\">https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/07\/13\/tribunal-alemao-extradita-expresidente-catalao-puigdemont-oportunidade-para-retomar-luta-pela-independencia\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Gabriel Santos, Macei\u00f3, publicado no Esquerda Online Os catal\u00e3es celebram anualmente no dia 11 de setembro o Dia Nacional da Catalunha, o Diada. A data comemora a resist\u00eancia catal\u00e3 at\u00e9 a morte durante o Cerco de Barcelona durante a Guerra da Sucess\u00e3o, finalmente derrotada pelas for\u00e7as bourb\u00f4nicas em 11 de setembro de 1.714. O Diada nos \u00faltimos anos, a partir de 2012 especificamente, tem se tornando uma importante manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que dita os ritmos e a pauta independentista para o per\u00edodo seguinte. 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