{"id":2968,"date":"2018-09-13T10:38:11","date_gmt":"2018-09-13T09:38:11","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/13\/portugal-e-um-pais-racista-3\/"},"modified":"2018-09-13T10:38:11","modified_gmt":"2018-09-13T09:38:11","slug":"portugal-e-um-pais-racista-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/09\/13\/portugal-e-um-pais-racista-3\/","title":{"rendered":"Portugal \u00e9 um pa\u00eds racista"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Em Portugal, onde o racismo \u00e9 um \u201cn\u00e3o assunto\u201d, os n\u00fameros n\u00e3o mentem. Os trabalhadores com origem nos PALOP est\u00e3o duas vezes mais em situa\u00e7\u00e3o de desemprego, recebem, em m\u00e9dia, menos 103\u20ac e vivem sete vezes mais em habita\u00e7\u00f5es rudimentares<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. No Ensino, 80% dos estudantes dos PALOP s\u00e3o encaminhados para o ensino profissional<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. Um estudo sobre os \u00edndices de racismo na popula\u00e7\u00e3o europeia, coloca Portugal no topo. Os portugueses aparecem em primeiro lugar no \u00edndice de \u201cracismo biol\u00f3gico\u201d, ou seja, a cren\u00e7a na inferioridade de umas \u201cra\u00e7as\u201d face a outras, \u00e9 partilhada por 52,9% dos inquiridos. Quanto ao racismo cultural, a cren\u00e7a na inferioridade de outras culturas, os portugueses ficaram em 5\u00ba lugar!<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Estes dados demonstram que, para l\u00e1 do discurso dominante, Portugal \u00e9 um pa\u00eds racista. A classe trabalhadora em Portugal tem muitas cores e tamb\u00e9m c\u00e1, o movimento negro e anti-racista tem crescido.<\/p>\n<p>Um programa de luta contra o racismo, em Portugal, \u00e9 hoje uma componente indispens\u00e1vel de um programa revolucion\u00e1rio e socialista para o pa\u00eds. De seguida, assinalamos alguns pontos que nos parecem ser necess\u00e1rio discutir para avan\u00e7ar nesse programa.<\/p>\n<p><strong>Temos um passado colonial e esclavagista<\/strong><\/p>\n<p>Em Portugal continua a reproduzir-se o falso mito das \u201cdescobertas\u201d e do \u201cbom colonizador\u201d. Na verdade, Portugal foi um dos promotores do colonialismo e escravatura modernos, que saqueou, torturou, destruiu e matou negros, ind\u00edgenas americanos e outros povos pelo mundo.<\/p>\n<p>Portugal teve um papel central no esclavagismo, que durou mais de quatro s\u00e9culos e s\u00f3 terminou em 1878, sendo depois substitu\u00eddo, durante d\u00e9cadas, por trabalhos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>Hoje em dia, tenta-se igualmente esquecer a brutalidade da guerra colonial, os privil\u00e9gios dos colonos e a segrega\u00e7\u00e3o. \u00c9 tempo de o pa\u00eds enfrentar os seus fantasmas, \u00e9 tempo de falar de descoloniza\u00e7\u00e3o e racismo.<\/p>\n<p><strong>Pelo fim da repress\u00e3o policial!<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais de defesa dos direitos humanos t\u00eam alertado para a constante viol\u00eancia policial racista no pa\u00eds. Por exemplo, o Comit\u00e9 Europeu para a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura diz que Portugal \u00e9 dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia com mais casos de viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>Nos bairros de maioria negra ou cigana, a viol\u00eancia policial racista \u00e9 uma constante e mant\u00e9m-se impune. Neste momento est\u00e1 a decorrer o julgamento in\u00e9dito contra os agentes da esquadra de Alfragide, acusados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de viol\u00eancia policial e tortura contra v\u00e1rios jovens negros da Cova da Moura. O fim da viol\u00eancia policial contra a juventude e os trabalhadores negros \u00e9 uma bandeira essencial que deve ser assumida pela esquerda.<\/p>\n<p><strong>Quem nasceu em Portugal \u00e9 portugu\u00eas!<\/strong><\/p>\n<p>A Lei que impede o acesso \u00e0 nacionalidade a filhos de imigrantes, nascidos em Portugal, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do racismo institucional no pa\u00eds. Recentemente, PS, BE e PCP aprovaram pequenas melhorias a esta Lei. Foi uma vit\u00f3ria inicial, fruto da press\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>A Lei, no entanto, ficou muito aqu\u00e9m das necessidades reais e das exig\u00eancias. \u00c9 necess\u00e1rio que se mude a Lei para que toda a gente nascida em Portugal tenha direito \u00e0 nacionalidade, porque esta \u00e9 uma Lei injusta que aprofunda as desigualdades e o racismo. Continuar, expandir e levar esta luta aos locais de estudo, trabalho e aos bairros perif\u00e9ricos \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A ciganofobia existe<\/strong><\/p>\n<p>Em Portugal, os Roma s\u00e3o das comunidades que mais sofrem com o racismo. Ao longo dos s\u00e9culos de Hist\u00f3ria do pa\u00eds, o povo Roma sofreu deporta\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es, foi punido em p\u00fablico, segregado, condenado \u00e0 morte, proibido de falar a sua l\u00edngua, de usar as suas vestes e foram-lhes retirados os filhos.<\/p>\n<p>A ciganofobia \u00e9 estrutural e at\u00e9 hoje s\u00e3o negados direitos b\u00e1sicos aos Roma, que vivem muitas vezes em bairros sem condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o segregados, sofrem viol\u00eancia policial, s\u00e3o representados como exteriores \u00e0 sociedade, \u00e9-lhes negado trabalho e entrada em estabelecimentos. Infelizmente, a ciganofobia \u00e9 uma constante por essa Europa fora.<\/p>\n<p>Hoje vemos surgir uma nova gera\u00e7\u00e3o Roma, em Portugal, que exige direitos, que reflete e teoriza, que se representa e reivindica, que combate e avan\u00e7a com os seus movimentos sociais contra o racismo e que faz parte dos sectores mais prec\u00e1rios da classe trabalhadora. Cabe ao movimento dos trabalhadores tomar para si tamb\u00e9m o combate \u00e0 ciganofobia.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo dia 15 de Setembro, S\u00e1bado, \u00e0s 15h, junta-te \u00e0 Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional de Luta Contra o Racismo, Lisboa (Largo de S\u00e3o Domingos\/Rossio) | Porto (Pra\u00e7a da Rep\u00fablica) | Braga (Av. Central\/Chafariz)<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este \u00e9 um excerto do texto \u201cPrecisamos de falar sobre Racismo\u201d, publicado na Revista Ruptura 152, Julho|Agosto|Setembro 2018<\/strong><\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/>  <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Dados retirados do artigo \u201cSe eu pudesse exterminava toda a vossa ra\u00e7a\u201d em emluta.net, consultado a 18.06.18<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Entrevista da investigadora do ISCTE Cristina Rold\u00e3o ao Esquerda.net, consultado a 13.06.18<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> \u201cPortugal \u00e9 dos pa\u00edses da Europa que mais manifestam racismo\u201d em publico.pt, consultado a 13.06.18;<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Portugal, onde o racismo \u00e9 um \u201cn\u00e3o assunto\u201d, os n\u00fameros n\u00e3o mentem. 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