{"id":2939,"date":"2018-08-09T19:23:56","date_gmt":"2018-08-09T18:23:56","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/08\/09\/argentina-ninguem-vai-parar-a-forca-do-vento\/"},"modified":"2018-08-09T19:23:56","modified_gmt":"2018-08-09T18:23:56","slug":"argentina-ninguem-vai-parar-a-forca-do-vento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/08\/09\/argentina-ninguem-vai-parar-a-forca-do-vento\/","title":{"rendered":"Argentina: Ningu\u00e9m vai parar a for\u00e7a do vento"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>Ontem, o Senado argentino rejeitou um projecto de Lei para legalizar o aborto, at\u00e9 \u00e0 14\u00aa semana de gravidez. O \u201cN\u00e3o\u201d ganhou no Senado (com 38 votos contra e 31 a favor) mas o \u201cSim\u201d ganhou nas ruas, com uma manifesta\u00e7\u00e3o onde participaram cerca de 2 milh\u00f5es de mulheres e tamb\u00e9m homens.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Por outros pa\u00edses do mundo, incluindo Portugal, tamb\u00e9m sa\u00edram \u00e0 rua mulheres em solidariedade com a luta das argentinas. Esta foi a primeira vez que se discutiu uma altera\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei vigente mas perante uma assembleia conservadora e com uma forte press\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica e dos evang\u00e9licos. As defini\u00e7\u00f5es de voto pautaram-se por discursos de \u00edndole religioso e com o argumento de protec\u00e7\u00e3o de ambas as vidas (m\u00e3e e feto). O Brasil tamb\u00e9m abriu o debate sobre a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, fruto das lutas das mulheres e da press\u00e3o nas ruas. <\/p>\n<p>Na Argentina vigora uma Lei aprovada em 1912, que estabelece que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel abortar em caso de viola\u00e7\u00e3o ou risco de vida para a m\u00e3e. O aborto \u00e9 punido com at\u00e9 quatro anos de pris\u00e3o, embora o pa\u00eds tenha um \u00edndice de aborto elevad\u00edssimo (a cada minuto e meio, \u00e9 realizado um aborto). Entre 350.000 e 450.000 mulheres abortam anualmente, na Argentina, de forma clandestina, pondo em risco as suas vidas, recorrendo a m\u00e9dicos n\u00e3o profissionais ou a m\u00e9todos perigosos como sondas, cabides, agulhas de tric\u00f4 e at\u00e9 talos de salsa. Quem aborta clandestinamente, regra geral, \u00e9 mulher pobre, trabalhadora, imigrante, negra, ind\u00edgena, que n\u00e3o tem possibilidades de viajar para um pa\u00eds onde \u00e9 permitido realizar a IVG, nem pagar processos privados. Devemos tamb\u00e9m entender isto no cen\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina. Esta \u00e9 uma das regi\u00f5es do mundo com maior n\u00famero de abortos proporcionalmente, com uma taxa de aborto realizado em condi\u00e7\u00f5es inseguras situada nos 76%, mas onde s\u00f3 \u00e9 permitido abortar livremente em tr\u00eas pa\u00edses \u2013 Guiana, Uruguai e Cuba, sendo que em Porto Rico, Chile e Cidade do M\u00e9xico existe alguma flexibilidade da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A abertura da discuss\u00e3o sobre a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Argentina e no Brasil \u00e9 importante:<\/p>\n<p>&#8211; Porque a Lei tem que ser alterada e o direito ao aborto legal tem que ser assegurado, por ser uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica;<\/p>\n<p>&#8211; Porque a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto tem efeitos positivos a v\u00e1rios n\u00edveis (Portugal \u00e9 exemplo disso);<\/p>\n<p>&#8211; Porque nenhuma mulher deve ser presa ou morrer por n\u00e3o querer\/poder ser m\u00e3e;<\/p>\n<p>&#8211; Porque sobre os nossos corpos, n\u00f3s mulheres decidimos \u2013 quando queremos ser m\u00e3es, como queremos ser m\u00e3es, com quem queremos ter filhos\/as.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres tem crescido e ganho for\u00e7a, ultrapassando as fronteiras nacionais e dando uma li\u00e7\u00e3o de solidariedade internacionalista. Ontem as ruas de v\u00e1rias cidades estiveram pintadas de verde, a cor do movimento de legaliza\u00e7\u00e3o do aborto.<\/p>\n<p>Estamos solid\u00e1rias com as nossas irm\u00e3s argentinas e com todas aquelas que lutam pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto nos seus pa\u00edses, contra a Igreja, contra os governos, os senados e os parlamentos que decidem retrogradamente sobre as nossas vidas, os nossos direitos reprodutivos e os nossos corpos. O \u201cN\u00e3o\u201d ganhou no Senado da Argentina, mas as ruas n\u00e3o se v\u00e3o calar \u2013 queremos aborto legal e gratuito para todas, j\u00e1! E n\u00e3o baixamos os bra\u00e7os at\u00e9 ser Lei.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Rebeca Moore<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, o Senado argentino rejeitou um projecto de Lei para legalizar o aborto, at\u00e9 \u00e0 14\u00aa semana de gravidez. 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