{"id":2902,"date":"2018-07-23T10:12:38","date_gmt":"2018-07-23T09:12:38","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/07\/23\/israel-tornou-se-oficialmente-um-regime-de-apartheid-deve-ser-oficialmente-boicotado\/"},"modified":"2018-07-23T10:12:38","modified_gmt":"2018-07-23T09:12:38","slug":"israel-tornou-se-oficialmente-um-regime-de-apartheid-deve-ser-oficialmente-boicotado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/07\/23\/israel-tornou-se-oficialmente-um-regime-de-apartheid-deve-ser-oficialmente-boicotado\/","title":{"rendered":"Israel tornou-se oficialmente um regime de Apartheid, deve ser oficialmente boicotado"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>O projecto sionista de Israel, concretizado h\u00e1 70 anos com a expropria\u00e7\u00e3o e a limpeza \u00e9tnica dos palestinianos, marcou anteontem uma nova etapa: a do reconhecimento oficial de Israel como um Estado de apartheid. H\u00e1 sete anos que se discutia inscrever na lei constitucional o que j\u00e1 era realidade no terreno. Ap\u00f3s muita discuss\u00e3o, foi aprovado no parlamento israelita, por uma maioria de apenas seis votos, o projecto de lei de \u201cEstado-na\u00e7\u00e3o\u201d, apresentado pela ministra da Justi\u00e7a Ayelet Shaked.\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  A na\u00e7\u00e3o, aqui, \u00e9 o &#8220;povo&#8221; judeu, isto \u00e9, qualquer pessoa de confiss\u00e3o ou de origem judaica proveniente e residente em qualquer parte do planeta. Um quinto da popula\u00e7\u00e3o de Israel, ou seja, o milh\u00e3o e meio de palestinianos descendentes dos 140.000 que n\u00e3o foram expulsos da zona ocupada em 1948, os chamados \u00e1rabes israelitas, v\u00eaem assim ser-lhes retirados definitivamente os poucos direitos que lhes eram concedidos, como o de usar o \u00e1rabe como l\u00edngua oficial. O presidente da rep\u00fablica israelita tinha-se oposto \u00e0 cl\u00e1usula que permitia o estabelecimento de localidades exclusivamente judias, por ela ser discriminat\u00f3ria, cl\u00e1usula essa que foi substitu\u00edda pela n\u00e3o menos discriminat\u00f3ria e supremacista f\u00f3rmula da &#8220;implanta\u00e7\u00e3o judaica como um valor nacional&#8221;, um verdadeiro incentivo \u00e0 expans\u00e3o dos colonatos. Com esta lei, a anexa\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m oriental \u00e9 formalizada e a cidade inteira passa a ser a capital do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Que Israel n\u00e3o era um Estado democr\u00e1tico, que os \u00e1rabes israelitas j\u00e1 eram tratados como cidad\u00e3os de segunda classe, que j\u00e1 existia realmente um regime de apartheid, nada disto \u00e9 novo. As semelhan\u00e7as com o apartheid sul-africano h\u00e1 muito que s\u00e3o \u00f3bvias e Mandela, um bom conhecedor da mat\u00e9ria, j\u00e1 escrevia, em fevereiro de 2008, ao jornalista norte-americano Thomas Friedman: \u201cA propriedade palestiniana n\u00e3o \u00e9 reconhecida como propriedade privada, porque pode ser confiscada. Para a ocupa\u00e7\u00e3o israelita da Cisjord\u00e2nia e de Gaza, h\u00e1 um factor suplementar a tomar em conta. As chamadas &#8216;zonas aut\u00f3nomas palestinianas&#8217; s\u00e3o bantust\u00f5es. S\u00e3o entidades restritas no seio da estrutura de poder do sistema israelita de apartheid. O Estado palestiniano n\u00e3o pode ser um sub-produto do Estado judeu, s\u00f3 para conservar a pureza judaica de Israel. A discrimina\u00e7\u00e3o racial de Israel \u00e9 a vida quotidiana dos palestinianos, porque Israel \u00e9 um Estado judeu, os judeus israelitas t\u00eam direitos especiais de que os n\u00e3o-judeus n\u00e3o beneficiam. Os \u00e1rabes palestinianos n\u00e3o t\u00eam lugar no Estado &#8216;judeu&#8217;. O apartheid \u00e9 um crime contra a humanidade.\u201d<\/p>\n<p>O governo portugu\u00eas, assim como o presidente da Rep\u00fablica &#8211; participante entusiasta da recente celebra\u00e7\u00e3o dos 70 anos do Estado de Israel no casino de Cascais -, podiam at\u00e9 agora fingir que n\u00e3o viam e negar esta evid\u00eancia. Podiam dizer que &#8220;apartheid&#8221; \u00e9 linguagem de radicais que s\u00f3 querem atacar Israel. Mas agora tudo ficou claro, assumido, reconhecido e inscrito na lei. Sendo que Portugal reconhece oficialmente o apartheid como um crime contra a humanidade, seria de esperar finalmente a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es a Israel, tal como a Irlanda ainda h\u00e1 poucos dias as aprovou no seu parlamento. Em vez disso, o ministro portugu\u00eas dos Neg\u00f3cios Estrangeiros emitiu uma mera condena\u00e7\u00e3o verbal, no seguimento de declara\u00e7\u00f5es igualmente vazias da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente pressionar Israel, como foi em tempos pressionada a \u00c1frica do Sul, se queremos p\u00f4r fim a este crime contra a humanidade, com caracter\u00edsticas genocidas, que dura h\u00e1 sete d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Comit\u00e9 de Solidariedade com a Palestina:<\/em><\/strong>\u00a0<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/palestinavence.blogs.sapo.pt\/\" rel=\"noopener\">palestinavence.blogs.sapo.pt<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Plataforma BDS-Portugal:<\/em><\/strong>\u00a0<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BDS.Portugal\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/BDS.Portugal<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projecto sionista de Israel, concretizado h\u00e1 70 anos com a expropria\u00e7\u00e3o e a limpeza \u00e9tnica dos palestinianos, marcou anteontem uma nova etapa: a do reconhecimento oficial de Israel como um Estado de apartheid. 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