{"id":2896,"date":"2018-07-18T08:38:39","date_gmt":"2018-07-18T07:38:39","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/07\/18\/grecia-anuncia-se-um-longo-calvario\/"},"modified":"2018-07-18T08:38:39","modified_gmt":"2018-07-18T07:38:39","slug":"grecia-anuncia-se-um-longo-calvario","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/07\/18\/grecia-anuncia-se-um-longo-calvario\/","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia: Anuncia-se um longo calv\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>O terceiro &#8220;plano de resgate&#8221; da Gr\u00e9cia (Memorando de Entendimento) ser\u00e1 conclu\u00eddo em agosto, embora ainda n\u00e3o tenha sa\u00eddo da crise, como demonstrou claramente Jacques Adda. O acordo &#8220;final&#8221; conclu\u00eddo entre a Gr\u00e9cia e os seus credores baseia-se em tr\u00eas ambiguidades: visa eliminar os efeitos sociais de cerca de dez anos de austeridade cega; baseia-se em perspetivas econ\u00f3micas incoerentes; em resumo, estabelece uma tutela indefinida da Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  <strong>Novil\u00edngua Europeia<\/strong> <\/p>\n<p>O acordo foi recebido com coment\u00e1rios que expressam um al\u00edvio obsceno, selevarmos em conta o estado de desastre no pa\u00eds. O pr\u00e9mio pertence certamente aPierre Moscovici, que n\u00e3o hesita em escrever no seu blog 2 \/: &#8220;ComoUlisses volta para Ithaka, a Gr\u00e9cia finalmente chega ao seu destino, hoje, dezanos ap\u00f3s o in\u00edcio de uma longa recess\u00e3o pode finalmente respirar, olhar para ocaminho percorrido e contemplar o futuro com confian\u00e7a novamente &#8220;. \u00c9 ocoice de burro a um povo que foi deliberadamente maltratado, e estademonstra\u00e7\u00e3o de auto-satisfa\u00e7\u00e3o tem algo de intoler\u00e1vel. O Comiss\u00e1rio congratula-se com os sacrif\u00edcios do povo grego que foram necess\u00e1rios pararemover &#8220;o maior perigo desta odisseia&#8221; que, para ele, n\u00e3o eram apobreza, desemprego, doen\u00e7a, suic\u00eddio ou ex\u00edlio, mas o &#8220;monstro chamadoGrexit&#8221;.<\/p>\n<p>O &#8220;relat\u00f3rio de conformidade&#8221; (Relat\u00f3rio de Conformidade 3 \/ -) daComiss\u00e3o Europeia \u00e9 tamb\u00e9m uma longa aprova\u00e7\u00e3o que descreve, ponto por ponto, aboa aplica\u00e7\u00e3o pelo governo grego das condi\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 &#8220;ajuda&#8221;recebida. Ao longo de todo este texto, a regra \u00e9 uma novil\u00edngua insuport\u00e1vel. Tomemos o exemplo da sa\u00fade p\u00fablica: para a Comiss\u00e3o, &#8220;as autoridadescumpriram o seu compromisso de continuar a racionalizar os gastos globais da sa\u00fade&#8221;. Esta declara\u00e7\u00e3o \u00e9 de um cinismo assombroso, tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o real que\u00e9 esta: &#8220;o sistema nacional de sa\u00fade grego foi desmantelado pela aplica\u00e7\u00e3ode um conjunto de medidas impostas desde 2010 pelos credores da Gr\u00e9cia nossetores da sa\u00fade prim\u00e1ria, secund\u00e1ria e farmac\u00eautica &#8220;, como analisado pelapesquisadora No\u00eblleBurgi, num artigo muito documentado 4 \/.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de vida dantescas<\/strong><\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o realizada em Atenas 5 \/ desenha uma imagem dram\u00e1tica dascondi\u00e7\u00f5es de vida. 43% das fam\u00edlias declaram n\u00e3o ter meios para pagar oaquecimento da sua casa; 52% dizem que n\u00e3o poderiam enfrentar uma despesaimprevista de 500 euros, 49% n\u00e3o t\u00eam meios para ir de f\u00e9rias. Seis em cada dezpessoas entrevistadas est\u00e3o desempregadas, h\u00e1 mais de dois anos. Apenas 10% dosdesempregados t\u00eam um subs\u00eddio, 360 euros por m\u00eas.<\/p>\n<p>Em Atenas, o consumo de drogas psicotr\u00f3picas multiplicou-se 35 vezes, entre2010 e 2014, os ansiol\u00edticos baseados em benzodiazepinas 19 vezes e osantidepressivos 11 vezes. Os \u00faltimos dados foram retirados de um artigo do LeMonde Diplomatique 6 \/ resumindo os resultados de um estudo original realizadosobre as \u00e1guas residuais da cidade.<\/p>\n<p>Sob estas condi\u00e7\u00f5es, como \u00e9 que a a Gr\u00e9cia pode &#8220;contemplar de novo ofuturo com confian\u00e7a&#8221;?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estupideconomia<\/strong><\/p>\n<p>Se uma nega\u00e7\u00e3o \u00e9 dificilmente suport\u00e1vel, as proje\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas queacompanham o acordo s\u00e3o, por sua vez, verdadeiramente alucinantes. O documentode refer\u00eancia reproduz o mesmo cen\u00e1rio que fracassou desde 2010. Espera-se quea Gr\u00e9cia mantenha um alto excedente prim\u00e1rio, enquanto retoma o crescimento. O excedenteprim\u00e1rio &#8211; isto \u00e9, a diferen\u00e7a entre a receita e a despesa, sem contar os jurossobre a d\u00edvida &#8211; \u00e9 a vari\u00e1vel-chave, que mede a capacidade da Gr\u00e9cia honrar osseus compromissos. Como bom aluno, a Gr\u00e9cia mais do que cumpriu com esseobjetivo. Este era de 0,5% do PIB, em 2016, e foi conseguido 3,9%; em 2017 oobjetivo era 2% e atingiu-se os 4,2%.<\/p>\n<p>Para agradar aos seus credores, o governo grego apresentou uma estrat\u00e9giaor\u00e7amental de m\u00e9dio prazo aprovada pela Comiss\u00e3o Europeia no seu relat\u00f3rio deconformidade. \u00c9 manifestamente delirante: o cen\u00e1rio postulava um crescimentoque aumenta progressivamente at\u00e9 2,6% em 2020, antes de abrandar para 1,9% em2022. \u00c9 claramente otimista, mas \u00e9 sobretudo totalmente irracional quando aomesmo tempo o excedente prim\u00e1rio deveria aumentar progressivamente de 3,5% doPIB em 2018 para 4,3% em 2022.<\/p>\n<p>Tal previs\u00e3o est\u00e1 totalmente fora de quest\u00e3o e poder\u00edamos endere\u00e7ar a f\u00f3rmulautilizada pelo Tribunal de Contas Europeu no seu relat\u00f3rio sobre a interven\u00e7\u00e3oda Comiss\u00e3o na crise financeira grega 7 \/: &#8220;A Comiss\u00e3o estabeleceuproje\u00e7\u00f5es macroecon\u00f3micas e or\u00e7amentais por separado e n\u00e3o os integrou nummesmo modelo &#8220;. Mas acreditar que poderia haver um modelo capaz de gerartal trajet\u00f3ria \u00e9 pura fic\u00e7\u00e3o. Todos os economistas s\u00e9rios sabem que n\u00e3o se podemanter durante muito tempo este excedente prim\u00e1rio, como o FMI assinalou em2016 na sua an\u00e1lise da sustentabilidade da d\u00edvida grega 8 \/: &#8220;um excedenteprim\u00e1rio de 35% do PIB \u00e9 dif\u00edcil de alcan\u00e7ar e manter no longo prazo, particularmente ap\u00f3s longos per\u00edodos de recess\u00e3o e com um desemprego estruturalelevado&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o Imposs\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que gastar energia a criticar os supostos erros cometidos pelos autoresdesses cen\u00e1rios bizarros, \u00e9 melhor colocar os p\u00e9s no ch\u00e3o e dizer que aquelesidiotas \u00fateis n\u00e3o t\u00eam, no fundo, nada para fazer. Na verdade, \u00e9 um objetivotecnocr\u00e1tico em que o que importa \u00e9 o superavit prim\u00e1rio, porque representa acapacidade da Gr\u00e9cia em pagar os juros. S\u00f3 isso conta. A contrapartida \u00e9 abusca de reformas estruturais, especialmente a redu\u00e7\u00e3o dos gastos sociais, particularmente as reformas no caso da Gr\u00e9cia, bem como o bloqueio de todo oinvestimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria \u00e9 incompat\u00edvel com a recupera\u00e7\u00e3o do crescimento. At\u00e9 \u00e0 crise, oinvestimento puxou para cima a produtividade hor\u00e1ria do trabalho. Desde acrise, o seu volume diminuiu muito, recuperando apenas ao n\u00edvel de 1990; e aGr\u00e9cia \u00e9 um dos raros pa\u00edses europeus, talvez o \u00fanico, em que a produtividadehor\u00e1ria do trabalho recua, \u00e0 taxa de um ponto por ano. Esta tend\u00eancia ser\u00e1ainda mais dif\u00edcil de inverter, quando as for\u00e7as vivas sa\u00edram: cerca de umter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o de 15 a 29 anos, num grande n\u00famero de pessoas qualificadas, abandonou o pa\u00eds. Esta perda de subst\u00e2ncia agravar\u00e1 ainda mais o desequil\u00edbriodemogr\u00e1fico e o impacto das reformas dos regimes de pens\u00f5es, 9 \/ tanto maisquanto o n\u00famero de nascimentos diminuiu desde a crise.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio exterior da Gr\u00e9cia est\u00e1 hoje mais ou menos equilibrado. Mas esseresultado n\u00e3o foi alcan\u00e7ado por uma recupera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es que teriam sidoadotadas pelas famosas &#8220;reformas&#8221;: \u00e9 o efeito mec\u00e2nico da queda dasimporta\u00e7\u00f5es durante a crise. Qualquer recupera\u00e7\u00e3o real levaria novamente a umd\u00e9ficit devido \u00e0 depend\u00eancia da Gr\u00e9cia, particularmente em bens deinvestimento, e isso num contexto em que o capital estrangeiro seria evidentementerelutante em financiar esse d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>\u00c9 olhando para as exporta\u00e7\u00f5es da Gr\u00e9cia que se pode discernir o que est\u00e1destinado para o pa\u00eds. Os seus principais recursos espec\u00edficos s\u00e3o, simplificando um pouco, a frota comercial (mas os armadores gregos pagam poucosimpostos e os portos ser\u00e3o vendidos pouco a pouco para grupos chineses ou deoutros pa\u00edses) e o turismo. Este \u00faltimo \u00e9 mais ou menos o \u00fanico setor emexpans\u00e3o e representou em 2016 um quarto das exporta\u00e7\u00f5es e 7,5% do PIB.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do WorldTravel&#038;TourismCouncil 10 \/ sobre a Gr\u00e9cia, osefeitos induzidos do turismo na economia levaram a uma contribui\u00e7\u00e3o total de18,6% do PIB em 2016. Cerca de um quarto (23,4%) do emprego total estarialigado \u00e0 ind\u00fastria tur\u00edstica. A estrat\u00e9gia \u00e9, portanto, clara: continuemos aatrair turistas que deixam os pa\u00edses em risco, com pre\u00e7os atrativos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Uma d\u00edvida insustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Negocia\u00e7\u00f5es sobre a d\u00edvida grega s\u00e3o basicamente uma &#8220;fantasmagoria&#8221;. Ningu\u00e9m acreditaverdadeiramente na sustentabilidade a m\u00e9dio ou longo prazo da d\u00edvida grega. OFMI retirou-se do jogo porque n\u00e3o acredita, e at\u00e9 a Comiss\u00e3o Europeia mostroureservas discretas. O Eurogrupo faz de conta que acredita no restabelecimentoda sustentabilidade da d\u00edvida grega, pretendendo que a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida \/ PIBdeve diminuir progressivamente de 188,6% em 2018 para 168,9% em 2020, depoispara 131,4% em 2013 e 96,8%&#8230; em 2060.<\/p>\n<p>Mas isso, mais uma vez, nada mais \u00e9 do que uma &#8220;roupagem&#8221; para recusar qualquernovo cancelamento da d\u00edvida. A rejei\u00e7\u00e3o dos credores n\u00e3o \u00e9 baseada na confian\u00e7ada validade dos seus cen\u00e1rios, mas \u00e9 explicada pelo desejo de disciplinar o seudevedor grego. O objetivo \u00e9 basicamente prover-se com os meios para recuperar om\u00e1ximo de dinheiro e atrasar o m\u00e1ximo poss\u00edvel as suas eventuais perdas.<\/p>\n<p>Basta para perceber isso, examinar o cronograma de maturidades da d\u00edvida queacaba de ser aprovado (\u00e9 regularmente compilado pelos jornalistas do WallStreet Journal em d\u00edvida da Gr\u00e9cia, p\u00e1gina 11 \/). O perfil \u00e9 aberrante: ap\u00f3suma leve retirada em 2018 (8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares), os reembolsos sobem paracerca de 12 mil milh\u00f5es em 2019. Ent\u00e3o, eles caem para 4 mil milh\u00f5es em 2020 e 2021. As montanhas-russas encadeiam-se: uma diminui\u00e7\u00e3o pouco depois de 2040 eent\u00e3o, abruptamente, volta a retoma como fogos de artif\u00edcio durante cinco anos (depois de um intervalo curto em 2015) at\u00e9 o cancelamento final em 2060!<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Calend\u00e1rio anual dos reembolsos da divida grega<\/span><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2895\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/divida_grega.jpg?resize=500%2C199\" width=\"500\" height=\"199\" alt=\"divida_grega\" style=\"margin: 5px; vertical-align: middle;\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/divida_grega.jpg?w=1024 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/divida_grega.jpg?resize=300%2C119 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/divida_grega.jpg?resize=768%2C305 768w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/divida_grega.jpg?resize=480%2C191 480w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Em mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Fonte: Wall Street Journal<\/span><\/p>\n<p> Esta trajet\u00f3ria ca\u00f3tica \u00e9 explicada pelo tratamentodiferenciado das d\u00edvidas de acordo com os diferentes credores. <\/p>\n<p>Hoje a d\u00edvida da Gr\u00e9cia \u00e9 de 294 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares ques\u00e3o distribu\u00eddos da seguinte forma:<\/p>\n<p>FESF (Fundo Europeu de Estabiliza\u00e7\u00e3o Financeira) 131<\/p>\n<p>Governos da zona do euro 53<\/p>\n<p>MES (Mecanismo Europeu de Estabilidade) 37<\/p>\n<p>Investidores privados 34<\/p>\n<p>Deceptores de t\u00edtulos do Tesouro 15<\/p>\n<p>Fundo Monet\u00e1rio Internacional 12<\/p>\n<p>Banco Europeu de Investimento 12<\/p>\n<p>Em bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Fonte: Wall Street Journal<\/p>\n<p>Os estados e as institui\u00e7\u00f5es europeias que possuem 80% da d\u00edvida grega n\u00e3opoderiam ter chegado a acordo, ainda que fosse s\u00f3 para reduzir o&#8221;muro&#8221; de 2019 em que &#8220;as necessidades brutais de financiamento subir\u00e3opara 21 mil milh\u00f5es de euros em juros &#8220;, como o Tribunal de Contas Europeumenciona?<\/p>\n<p>Metade desta necessidade de financiamento corresponde ao Banco Central Europeu, que se recusa a fornecer liquidez em troca de t\u00edtulos de d\u00edvida gregos. Umaparte dos lucros obtidos com as compras dos t\u00edtulos gregos por pa\u00edses da zonaeuro ser\u00e1 finalmente restitu\u00eddo \u00e0 Gr\u00e9cia, mas a conta-gotas (ver esta peti\u00e7\u00e3ocidad\u00e3 WeMove.EU 12 \/). No entanto, o acordo prev\u00ea uma reserva de precau\u00e7\u00e3o de15 mil milh\u00f5es de euros (com protestos no parlamento alem\u00e3o), o que \u00e9 umamaneira de admitir que o calend\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 realista.<\/p>\n<p>Assim, todas as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o definidas para o mecanismo infernal de bola deneve recome\u00e7ar: a Gr\u00e9cia deve pedir emprestado novamente nos mercados parafazer face \u00e0s suas datas de pagamento, mas a 3,4% ou 5%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O segredo para voc\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>KlausRegling, director-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE),evidentemente avalia positivamente a ac\u00e7\u00e3o do Eurogrupo. Num discurso 13 \/entregue \u00e0 HellenicBankAssociation, em 12 de junho, ele come\u00e7a por &#8220;felicitaro povo grego e os seus l\u00edderes pol\u00edticos por essa evolu\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a umaeconomia mais moderna&#8221;. O objetivo \u00e9 agora que a Gr\u00e9cia tenha acesso aosmercados ap\u00f3s a conclus\u00e3o do seu programa: \u00e9 importante para a Gr\u00e9cia, mastamb\u00e9m, para a institui\u00e7\u00e3o que dirige, uma vez que \u00e9 o seu &#8220;principalcredor&#8221;. E \u00e9 verdade que a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o Standard &#038;Poorsanunciou em 25 de junho, que subia a nota da d\u00edvida grega deB para B+, o quen\u00e3o impedir\u00e1 que a Gr\u00e9cia deva financiar-se a taxas elevadas. \u00c9 poss\u00edvel, defato, perguntar quem arriscaria emprestar \u00e0 Gr\u00e9cia sem um pr\u00e9mio de risco&#8221;tranquilizador&#8221;.<\/p>\n<p>Mas KlausRegling n\u00e3o esconde um certo pessimismo: &#8220;Permita-me dizer queaomesmo tempo o acesso da Gr\u00e9cia aos mercadossegue sendo delicado. Reencontrar aconfian\u00e7a dos investidores implica dar prova de um compromisso total com as reformas, mas mesmo isso poderia n\u00e3o ser suficiente no caso da Gr\u00e9cia.&#8221;Ser\u00e1 preciso portanto vigi\u00e1-la, nomeadamente atrav\u00e9s do Sistema de Alerta Precoce(EarlyWarningSystem) que disp\u00f5em o ESM e essa vigil\u00e2ncia dever\u00e1, no caso da Gr\u00e9cia, ser &#8220;mais apertada e mais completa do que em qualquer outropa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>Poucos dias depois, KlausRegling revelou o pano de fundo do seu pensamento emuma entrevista 14 \/ bastante incisiva e reproduzida na p\u00e1gina do ESM. Questionadose a d\u00edvida da Gr\u00e9cia poderia ser declarada sustent\u00e1vel a longo prazo, KlausRegling responde negativamente, seguido por uma f\u00f3rmula sobre o papel dasmedidas de longo prazo. E quanto tempo ser\u00e1 necess\u00e1rio, perguntam-lhe, que aGr\u00e9cia fa\u00e7a reformas para tranquilizar os mercados? Tamb\u00e9m a\u00ed a resposta \u00e9muito ilustrativa: &#8220;a implementa\u00e7\u00e3o das reformas \u00e9 uma tarefa permanente, nunca termina, \u00e9 verdade para todos os pa\u00edses do mundo, para todos os pa\u00edses daUni\u00e3o Europeia e, portanto, tamb\u00e9m para a Gr\u00e9cia. Talvez um pouco mais no casoda Gr\u00e9cia, devido \u00e0 hist\u00f3ria recente da economia grega que encerra um per\u00edodode dif\u00edcil ajuste &#8220;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e9cia continua sob tutela<\/strong><\/p>\n<p>O chefe do MEE \u00e9 ainda mais preciso: a vigil\u00e2ncia da Gr\u00e9cia, atrav\u00e9s do EarlyWarningSystem, &#8220;deve durar at\u00e9que todo o dinheiro seja reembolsado&#8221;. At\u00e9 2060? Pergunta o entrevistador eRegling responde: &#8220;Sim, a Comiss\u00e3o s\u00f3 vai parar quando75%for reembolsado, mas n\u00f3s n\u00e3o. N\u00f3s vamos vigiar at\u00e9 o final do mandato.&#8221; Haver\u00e1 inclusive um&#8221;refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia&#8221;, com &#8220;uma avalia\u00e7\u00e3o a cada tr\u00easmeses&#8221;, implementada durante &#8220;um certo n\u00famero de anos&#8221;.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o final do Eurogrupo, de 22 de Junho 15 \/ cont\u00e9m, por outro lado, uma cl\u00e1usula de revis\u00e3o: &#8220;o Eurogrupo examinar\u00e1 at\u00e9 ao final do per\u00edodo decar\u00eancia do FEEF, em 2032, se s\u00e3onecess\u00e1rias medidas suplementares&#8221;. Estavigil\u00e2ncia serve para verificar que &#8220;os compromissos s\u00e3o cumpridos e quen\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s nas reformas importantes que s\u00e3o necess\u00e1rias paralevar a Gr\u00e9cia a um caminho de maior crescimento&#8221;. Em suma, a Gr\u00e9ciacontinua sob tutela.<\/p>\n<p>O tipo de acordo conclu\u00eddo entre a Gr\u00e9cia e seus credores europeus foiapresentado como uma sa\u00edda definitiva da crise. Isso \u00e9 duplamente falso. Oacordo n\u00e3o pode apagar os danos sistematicamente infligidos \u00e0 sociedade grega. Nem abre um novo caminho para a economia grega. E essas duas constata\u00e7\u00f5es est\u00e3orelacionadas entre si.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Artigo de Michel Husson, publicado na p\u00e1gina &#8220;Alternatives \u00e9conomiques&#8221;, no dia 2 de Julho de 2018.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Notas<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1 \/ <a href=\"https:\/\/www.alternatives-economiques.fr\/grece-nest-sortie-daffaire\/00085193\">https:\/\/www.alternatives-economiques.fr\/grece-nest-sortie-daffaire\/00085193<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2 \/ <a href=\"http:\/\/www.pierremoscovici.fr\/2018\/06\/22\/la-crise-grecque-ou-la-fin-de-lodyssee\/\">http:\/\/www.pierremoscovici.fr\/2018\/06\/22\/la-crise-grecque-ou-la-fin-de-lodyssee\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3 \/<a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/info\/sites\/info\/files\/economy-finance\/compliance_report_4r_2018.06.20.docx.pdf\">https:\/\/ec.europa.eu\/info\/sites\/info\/files\/economy-finance\/compliance_report_4r_2018.06.20.docx.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4 \/<a href=\"http:\/\/www.ires.fr\/publications-de-l-ires\/item\/5579-le-demantelement-methodique-et-tragique-des-institutions-grecques-de-sante-publique\">http:\/\/www.ires.fr\/publications-de-l-ires\/item\/5579-le-demantelement-methodique-et-tragique-des-institutions-grecques-de-sante-publique<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5 \/<a href=\"http:\/\/www.keeptalkinggreece.com\/2018\/02\/23\/athens-attica-survey-living-conditions\/\">http:\/\/www.keeptalkinggreece.com\/2018\/02\/23\/athens-attica-survey-living-conditions\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">6 \/ <a href=\"https:\/\/www.monde-diplomatique.fr\/2018\/05\/LARBI_BOUGUERRA\/58656\">https:\/\/www.monde-diplomatique.fr\/2018\/05\/LARBI_BOUGUERRA\/58656<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">7 \/ <a href=\"https:\/\/www.eca.europa.eu\/Lists\/ECADocuments\/SR17_17\/SR_GREECE_FR.pdf\">https:\/\/www.eca.europa.eu\/Lists\/ECADocuments\/SR17_17\/SR_GREECE_FR.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">8 \/<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/CR\/Issues\/2016\/12\/31\/Greece-Preliminary-Debt-Sustainability-Analysis-Updated-Estimates-and-Further-Considerations-43915\">https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/CR\/Issues\/2016\/12\/31\/Greece-Preliminary-Debt-Sustainability-Analysis-Updated-Estimates-and-Further-Considerations-43915<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">9 \/ <a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Pourquoi-les-reformes-des\">http:\/\/www.cadtm.org\/Pourquoi-les-reformes-des<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">10 \/ <a href=\"https:\/\/www.wttc.org\/-\/media\/files\/reports\/economic-impact-research\/countries-2017\/greece2017.pdf\">https:\/\/www.wttc.org\/-\/media\/files\/reports\/economic-impact-research\/countries-2017\/greece2017.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">11 \/ <a href=\"http:\/\/graphics.wsj.com\/greece-debt-timeline\/\">http:\/\/graphics.wsj.com\/greece-debt-timeline\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">12 \/ <a href=\"https:\/\/act.wemove.eu\/campaigns\/668\">https:\/\/act.wemove.eu\/campaigns\/668<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">13 \/ <a href=\"https:\/\/www.esm.europa.eu\/speeches-and-presentations\/\">https:\/\/www.esm.europa.eu\/speeches-and-presentations\/<\/a>&#8220;greece-and-euro-area-adjustment-programs&#8221; -speech-klaus-regling<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">14 \/ <a href=\"https:\/\/www.esm.europa.eu\/interviews\/klaus-regling-interview-ta-nea-greece\">https:\/\/www.esm.europa.eu\/interviews\/klaus-regling-interview-ta-nea-greece<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">15 \/<a href=\"http:\/\/www.consilium.europa.eu\/fr\/press\/press-releases\/2018\/06\/22\/eurogroup-statement-on-greece-22-june-2018\/\">http:\/\/www.consilium.europa.eu\/fr\/press\/press-releases\/2018\/06\/22\/eurogroup-statement-on-greece-22-june-2018\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O terceiro &#8220;plano de resgate&#8221; da Gr\u00e9cia (Memorando de Entendimento) ser\u00e1 conclu\u00eddo em agosto, embora ainda n\u00e3o tenha sa\u00eddo da crise, como demonstrou claramente Jacques Adda. O acordo &#8220;final&#8221; conclu\u00eddo entre a Gr\u00e9cia e os seus credores baseia-se em tr\u00eas ambiguidades: visa eliminar os efeitos sociais de cerca de dez anos de austeridade cega; baseia-se em perspetivas econ\u00f3micas incoerentes; em resumo, estabelece uma tutela indefinida da Gr\u00e9cia. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2260,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[116,148,422,114,115,117],"class_list":["post-2896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alternativa","tag-divida","tag-grecia","tag-mas","tag-movimento","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tsipras_divida.jpg?fit=500%2C274","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2896"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2260"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}