{"id":289,"date":"2010-09-01T12:50:16","date_gmt":"2010-09-01T11:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/01\/eleicoes-no-brasil-pstu-e-a-unica-alternativa-operaria-e-socialista\/"},"modified":"2010-09-01T12:50:16","modified_gmt":"2010-09-01T11:50:16","slug":"eleicoes-no-brasil-pstu-e-a-unica-alternativa-operaria-e-socialista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/01\/eleicoes-no-brasil-pstu-e-a-unica-alternativa-operaria-e-socialista\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es no Brasil: PSTU \u00e9 a \u00fanica alternativa oper\u00e1ria e socialista"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-288\" style=\"margin: 10px 10px 3px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/semariaparasite.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/semariaparasite.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/semariaparasite.jpg?resize=300%2C199 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>No pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es gerais no Brasil. O processo eleitoral ocorre num momento de relativa tranquilidade para a burguesia brasileira e para o pr\u00f3prio governo Lula.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  Por um lado, a crise econ\u00f3mica internacional, que em 2009 provocou uma queda do PIB de 0,2% (interrompendo um per\u00edodo de v\u00e1rios anos de crescimento), parece dar um respiro ao pa\u00eds: o ministro de Fazenda, Guido Mantega, previu um crescimento entre 5 e 6% para 2010. Apesar de a economia come\u00e7ar a mostrar alguns sintomas de esfriamento e existir a amea\u00e7a de uma extens\u00e3o da dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o europeia, a verdade \u00e9 que, no momento, predomina este panorama, e a palavra &#8220;crise&#8221; tem desaparecido do discurso dos principais candidatos burgueses.<\/p>\n<p>Por outro lado, as elei\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se d\u00e3o num marco de relativa tranquilidade na luta de classes, s\u00f3 sacudida pelos conflitos que se produzem nas negocia\u00e7\u00f5es salariais anuais dos diferentes sectores dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Uma relativa tranquilidade que se expressa tamb\u00e9m no fato de que Lula termina o seu segundo mandato com um \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo a 80%, o mais alto para um presidente desde que este tipo de pesquisa come\u00e7ou a ser feito, duas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Uma falsa polariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dessa maneira, a burguesia brasileira pode novamente fazer um &#8220;jogo duplo&#8221;, impondo uma falsa polariza\u00e7\u00e3o entre seus dois principais candidatos: a representante do PT, Dilma Rousseff, e o da oposi\u00e7\u00e3o de direita, Jos\u00e9 Serra, ex-governador de S\u00e3o Paulo, pelo PSDB.<\/p>\n<p>Foram eles que protagonizaram um primeiro debate televisivo entediante, no qual Dilma mostrou n\u00e3o ser, ao contr\u00e1rio de Lula, uma figura surgida do movimento de massas, mas do aparelho do PT, limitando-se a garantir a continuidade da pol\u00edtica de Lula; enquanto Serra evitou as cr\u00edticas frontais ao governo e limitou-se a expressar argumentos na linha &#8220;n\u00f3s far\u00edamos melhor&#8221;.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios sobre as contribui\u00e7\u00f5es financeiras das empresas \u00e0s campanhas mostram que, cada vez mais, uma maioria da burguesia come\u00e7a a se inclinar a favor de Dilma. E a mesma tend\u00eancia come\u00e7am a mostrar as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, nas quais Dilma supera Serra pelo menos em 5 pontos percentuais.<\/p>\n<p>A burguesia brasileira, inclusive, impulsiona uma falsa alternativa &#8220;pela esquerda&#8221; ao governo, com a candidatura de Marina Silva (ex-ministra de Meio Ambiente do governo Lula) pelo Partido Verde, favorecida pela recusa de Heloisa Helena (PSOL) a disputar a Presid\u00eancia novamente (em 2006, ela havia obtido mais de 6 milh\u00f5es de votos como candidata da Frente de Esquerda PSOL-PSTU-PCB).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de sua &#8220;roupagem verde&#8221;, Marina reivindica toda a pol\u00edtica econ\u00f3mica dos governos do PT e de Fernando Henrique Cardoso, afirmando querer &#8220;unir o PT e o PSDB&#8221; em seu governo. Exp\u00f5e, inclusive, posi\u00e7\u00f5es muito reaccion\u00e1rias, como a sua rejei\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao direito ao aborto livre e gratuito.<\/p>\n<p><strong>Uma realidade muito diferente<\/strong><\/p>\n<p>A realidade profunda vivida pelos trabalhadores e pelo povo brasileiro, no entanto, est\u00e1 bem longe do optimismo mostrado pela burguesia e pelos seus candidatos. Em contraposi\u00e7\u00e3o aos lucros recordes que obtiveram os grandes bancos e empresas durante o governo Lula (algo sempre reivindicado publicamente por ele mesmo), o Brasil \u00e9 o pa\u00eds de mais injusta distribui\u00e7\u00e3o de renda do mundo. Enquanto 10% da popula\u00e7\u00e3o mais rica fica com 50% da renda do pa\u00eds, os outros 50% mais pobres recebem apenas 10% (&#8220;Desigualdade e Pobreza no Brasil&#8221;, IPEA (Instituto de Pesquisa Econ\u00f3mica Aplicada), sobre dados e indicadores do Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, IBGE e ONU).<\/p>\n<p>Cifras que se expressam em milh\u00f5es de brasileiros vivendo na pobreza das favelas, sem acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos elementares, na multid\u00e3o de camponeses sem terra e nos muit\u00edssimos que dependem de planos assistenciais, como o Bolsa Fam\u00edlia, para n\u00e3o morrer de fome.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem estado bem longe desse optimismo o impressionante aumento da d\u00edvida p\u00fablica. A d\u00edvida externa acumula 282 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, e a interna triplicou desde 2008, como um mecanismo para subsidiar bancos e empresas durante a crise, atingindo cerca de um trili\u00e3o de d\u00f3lares. O d\u00e9fice em conta corrente (rendimentos fiscais menos pagamentos) pode chegar neste ano a 60 mil milh\u00f5es. Em outras palavras, um recrudescimento da crise econ\u00f3mica internacional encontraria o Brasil em condi\u00e7\u00f5es bem mais fr\u00e1geis do que na primeira fase da crise.<\/p>\n<p>Mas &#8220;disso n\u00e3o se fala&#8221; na campanha eleitoral dos candidatos da burguesia. Como tamb\u00e9m n\u00e3o se fala da submiss\u00e3o do pa\u00eds e do governo Lula ao imperialismo e o papel que v\u00eam jogando como seus agentes em diversos aspectos, como o de ter contribu\u00eddo com o principal contingente e liderado as tropas da ONU na ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti.<\/p>\n<p><strong>Difundindo o programa socialista<\/strong><\/p>\n<p>Em outras palavras, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito rico em recursos naturais e em riqueza produzida pelo trabalho, mas cujo povo est\u00e1 condenado \u00e0 pobreza e a ter as necessidades mais urgentes sem solu\u00e7\u00e3o, como resultado do saque imperialista e da burguesia brasileira a essas riquezas.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro e satisfazer essas necessidades populares, \u00e9 necess\u00e1rio superar o capitalismo. Isto \u00e9, impor um verdadeiro governo dos trabalhadores, que aplique um programa para mudar radicalmente a estrutura socioecon\u00f3mica do pa\u00eds. Um programa que inclua medidas como o n\u00e3o-pagamento das d\u00edvidas externa e interna, a expropria\u00e7\u00e3o sem indemniza\u00e7\u00e3o e a nacionaliza\u00e7\u00e3o das grandes empresas e bancos nacionais e internacionais, uma profunda reforma agr\u00e1ria que exproprie os latifundi\u00e1rios e distribua essa terra, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio e um plano de obras p\u00fablicas destinado a atender as necessidades populares.<\/p>\n<p>Dessa forma, por meio de um plano econ\u00f3mico estatal centralizado, seria poss\u00edvel propiciar um aumento geral de sal\u00e1rios que garanta um sal\u00e1rio m\u00ednimo equivalente \u00e0 cesta b\u00e1sica completa, emprego para todos, triplicar o or\u00e7amento para sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, moradias dignas para todos e terra para todos os camponeses.<\/p>\n<p>Em outras palavras, \u00e9 necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Essa \u00e9 a proposta e o programa defendido e difundido pelo PSTU, apesar do boicote da grande imprensa e da TV. Especialmente por meio de seu candidato presidencial, Jos\u00e9 Maria de Almeida (Z\u00e9 Maria), em numerosos actos e actividades, como v\u00e1rios semin\u00e1rios program\u00e1ticos realizados em todo o pa\u00eds. E com uma edi\u00e7\u00e3o especial do jornal Opini\u00e3o Socialista dedicada ao programa socialista para o Brasil, que est\u00e1 sendo vendida nas portas de f\u00e1bricas e empresas.<\/p>\n<p>O PSTU tamb\u00e9m tem uma postura internacionalista e antiimperialista em sua campanha: levanta como bandeira a imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti e a sua substitui\u00e7\u00e3o por m\u00e9dicos, t\u00e9cnicos e especialistas que ajudem realmente o povo haitiano, castigado duramente pelo \u00faltimo terramoto. E a imediata ruptura de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com o Estado genocida de Israel e o apoio \u00e0 luta do povo palestiniano para recuperar seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>O PSTU n\u00e3o acha que uma transforma\u00e7\u00e3o socialista possa chegar por meio de um processo eleitoral ou das institui\u00e7\u00f5es parlamentares burguesas. Ela s\u00f3 poder\u00e1 se produzir como resultado de um profundo processo de organiza\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores e das massas e pela tomada do poder.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 absolutamente imprescind\u00edvel que um partido revolucion\u00e1rio difunda e defenda o programa socialista nos processos eleitorais para discuti-lo com milh\u00f5es de trabalhadores e, assim, disputar sua consci\u00eancia com a influ\u00eancia da burguesia. Esse era, precisamente, um dos pontos centrais nos crit\u00e9rios que a III Internacional, em vida de Lenine, postulava para a interven\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio nos processos eleitorais burgueses. Porque cada trabalhador ganho para esse programa \u00e9 um passo adiante em uma perspectiva de luta mais estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p><strong>O PSOL abandona a defesa do socialismo<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, nestas elei\u00e7\u00f5es, a defesa do programa socialista tem ficado basicamente nas m\u00e3os de Z\u00e9 Maria e dos demais candidatos do PSTU. O candidato de esquerda que vem recebendo mais espa\u00e7o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e p\u00f4de participar do debate na TV, Pl\u00ednio de Arruda Sampaio, do PSOL, o abandonou explicitamente. Em uma entrevista ao jornal <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em> (01\/08\/2010), Pl\u00ednio declarou: &#8220;eu n\u00e3o pretendo implantar o socialismo no Brasil, nem \u00e9 a pretens\u00e3o de meu partido agora. Vou fazer uma proposta dentro de marco do capitalismo. As \u00fanicas formas socializadas que vamos ter s\u00e3o a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o&#8221;. Segundo Pl\u00ednio, isto \u00e9 o que indica o &#8220;bom senso&#8221;.<\/p>\n<p>Em outras palavras, uma nova vers\u00e3o das j\u00e1 claramente fracassadas propostas de &#8220;reformar&#8221; ou &#8220;humanizar&#8221; o capitalismo, que t\u00eam trope\u00e7ado, inexoravelmente, na negativa do capitalismo imperialista a ser reformado ou humanizado. Ao mesmo tempo, agora ficam expressas com muito maior clareza as profundas diferen\u00e7as program\u00e1ticas que impediram a reedi\u00e7\u00e3o da frente eleitoral de esquerda de 2006.<\/p>\n<p><strong>Impulsionar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>Na divulga\u00e7\u00e3o do programa socialista na campanha eleitoral, o PSTU trata de unir esse programa \u00e0 realidade cotidiana dos trabalhadores. Por um lado, tenta explicar de modo simples como essas medidas se relacionam com a resolu\u00e7\u00e3o de suas necessidades mais concretas, como os sal\u00e1rios, o emprego, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o ou a moradia, que s\u00f3 poder\u00e3o ser resolvidas de modo definitivo se essas medidas forem aplicadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, trata-se de apoiar e impulsionar as lutas concretas que os trabalhadores e o povo levam adiante, como, por exemplo, a greve vitoriosa por uma melhor PLR (Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados) e melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho que realizaram os trabalhadores da CAF (multinacional espanhola fabricante de trens) da cidade de Hortol\u00e2ndia (SP), ou a campanha salarial conjunta, proposta do Sindicato Metal\u00fargico de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, que realizaram os sindicatos que agrupam os trabalhadores da ind\u00fastria de ve\u00edculos em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Neste marco, trata-se tamb\u00e9m de impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria dos trabalhadores e dos sectores populares para lutar por essas reivindica\u00e7\u00f5es, como o fizeram os militantes do PSTU impulsionando a central fundada no congresso realizado em junho passado, na cidade de Santos, a CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, ainda que n\u00e3o menos importante, impulsionar e avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores, especialmente nos &#8220;batalh\u00f5es pesados&#8221; dos principais ramos da produ\u00e7\u00e3o. Por exemplo, cerca de 200 petroleiros do Rio de Janeiro assinaram uma declara\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 candidatura de Z\u00e9 Maria. E o mesmo fizeram 500 trabalhadores de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), em sua maioria metal\u00fargicos.<\/p>\n<p>Em definitivo, nestas elei\u00e7\u00f5es, a burguesia brasileira tem duas alternativas principais e v\u00e1rias secund\u00e1rias. Frente a elas, existe uma \u00fanica alternativa verdadeiramente oper\u00e1ria, de luta e socialista: a apresentada pelo PSTU e Z\u00e9 Maria.<\/p>\n<p><strong>Uma falsa democracia<\/strong><\/p>\n<p>A burguesia apresenta os processos eleitorais como a m\u00e1xima express\u00e3o de &#8220;sua&#8221; democracia porque, neles, os trabalhadores e o povo &#8220;elegem livremente&#8221; os seus representantes e dirigentes.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 totalmente falso. Os partidos apoiados pela burguesia contam, para desenvolver suas campanhas, com recursos qualitativamente superiores aos dos partidos oper\u00e1rios e\/ou de esquerda. Em primeiro lugar, pelas grandes contribui\u00e7\u00f5es financeiras que, direta ou indirectamente, recebem de empresas e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>O PSTU recusa taxativamente receber qualquer contribui\u00e7\u00e3o financeira da burguesia porque isso representa, de fato, um compromisso ou d\u00edvida que, cedo ou tarde, ser\u00e1 cobrado politicamente. Como se diz no Brasil, &#8220;quem paga a orquestra, escolhe a m\u00fasica&#8221;. O PSTU financia as despesas de sua campanha com contribui\u00e7\u00f5es recebidas dos trabalhadores e de seus membros e simpatizantes. Esta \u00e9 a garantia de sua independ\u00eancia pol\u00edtica frente aos patr\u00f5es e seus governos, e isso \u00e9 o principal. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o em suas possibilidades de desenvolver uma grande campanha nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algo que, por outro lado, \u00e9 acentuado pela legisla\u00e7\u00e3o que discrimina os tempos gratuitos obrigat\u00f3rios outorgados na TV, segundo o n\u00famero de deputados que possua cada partido ou coaliz\u00e3o. O que significa que o PSTU recebe menos de um minuto a cada apresenta\u00e7\u00e3o (s\u00e3o 3 dias por semana) enquanto o PT ou o PSDB utilizam, respectivamente, cerca de 10 e 8 minutos a cada per\u00edodo. Ao contr\u00e1rio de pa\u00edses como Fran\u00e7a ou Portugal, em que os tempos se dividem por igual entre as candidaturas registadas, aqui os partidos minorit\u00e1rios s\u00e3o completamente discriminados.<\/p>\n<p>Essa mesma legisla\u00e7\u00e3o determina que, nos debates na TV dos candidatos presidenciais ou de cargos como governador, as emissoras de TV s\u00f3 devem convidar obrigatoriamente os partidos com representa\u00e7\u00e3o parlamentar. Poderiam convidar voluntariamente os demais candidatos, mas n\u00e3o o fazem. Ocorre que as redes de TV t\u00eam interesse em convidar somente as op\u00e7\u00f5es que consideram &#8220;razo\u00e1veis&#8221;. Assim sucedeu no debate da Rede Bandeirantes e deve ocorrer nos que se realizar\u00e3o na Record e na Globo. Dessa forma, discriminam claramente v\u00e1rios partidos de esquerda que, como o PSTU, o PCB ou o PCO, n\u00e3o podem participar desses debates.<\/p>\n<p>Por isso, diferentemente do PSOL que, por meio de Pl\u00ednio, ao ser convidado, reivindicou o car\u00e1cter democr\u00e1tico do debate da Rede Bandeirantes, o PSTU denuncia seu car\u00e1cter discriminat\u00f3rio e exige a participa\u00e7\u00e3o de todos os candidatos.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Z\u00e9 Maria e Lula<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Uma mesma origem, duas traject\u00f3rias<\/em><\/p>\n<p>As hist\u00f3rias de Lula e Z\u00e9 Maria t\u00eam uma origem comum: ambos iniciam suas trajet\u00f3rias como oper\u00e1rios metal\u00fargicos na regi\u00e3o do ABC (Grande S\u00e3o Paulo) e na explosiva onda de greves oper\u00e1rias contra a ditadura, no final da d\u00e9cada de 1970. Em algumas dessas greves, inclusive, foram presos juntos. \u00c9 o marco da funda\u00e7\u00e3o da CUT e do PT.<\/p>\n<p>Lula utilizou esse prest\u00edgio e essas organiza\u00e7\u00f5es, primeiro, para frear as lutas e, depois, para impulsionar sua ascens\u00e3o ao poder e governar para a burguesia.<\/p>\n<p>Por sua vez, Z\u00e9 Maria manteve-se fiel \u00e0 sua classe e \u00e0 sua luta. Em 1992, foi expulso do PT por opor-se ao giro cada vez mais \u00e0 direita do partido e \u00e0 proposta de governar junto com a burguesia. Em 1994, impulsionou a funda\u00e7\u00e3o do PSTU. Do mesmo modo, a partir de 2004, rompeu com a CUT, transformada em uma ag\u00eancia do governo de Lula, e impulsionou a constru\u00e7\u00e3o da Conlutas, em 2005, e da CSP-Conlutas, em junho passado.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Maria tamb\u00e9m continua fiel \u00e0s suas ideias socialistas, as quais defende, como \u00fanico candidato oper\u00e1rio neste processo eleitoral, com a mesma paix\u00e3o de 30 anos atr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es gerais no Brasil. 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