{"id":2833,"date":"2018-06-11T18:08:14","date_gmt":"2018-06-11T17:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/11\/luta-feminista-abala-o-chile\/"},"modified":"2018-06-11T18:08:14","modified_gmt":"2018-06-11T17:08:14","slug":"luta-feminista-abala-o-chile","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/11\/luta-feminista-abala-o-chile\/","title":{"rendered":"Luta feminista abala o Chile"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>No dia 06 de junho, uma nova marcha contra a viol\u00eancia machista e por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista reuniu 100 mil pessoas na capital do Chile, Santiago, segundo os organizadores. Esta quarta mobiliza\u00e7\u00e3o foi\u00a0 chamada por federa\u00e7\u00f5es estudantis e pela Coordena\u00e7\u00e3o Feminista Universit\u00e1ria. J\u00e1 s\u00e3o dois meses de mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis contra viol\u00eancias sexuais nas universidades. O movimento se espalhou pelo pa\u00eds e \u00e9 considerado a maior rebeli\u00e3o feminista no Chile.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2832\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/chilefem.jpg?resize=300%2C169\" width=\"300\" height=\"169\" alt=\"chilefem\" style=\"margin: 5px; float: left;\" \/>Desde o m\u00eas de abril, milhares de jovens chilenas se mobilizaram para denunciar o abuso sexual e todas as formas de machismo que sofrem diariamente. Mais de 20 universidades est\u00e3o atualmente ocupadas e paralisadas parcialmente. Uma primeira marcha com 150 mil pessoas aconteceu em 16 de maio, organizada por 40 assembleias de estudantes feministas. Foi seguida de outra em Valpara\u00edso, no 01 de junho, nos arredores do Congresso Nacional, onde o presidente Pi\u00f1era pronunciava seu discurso anual frente ao Parlamento. <\/p>\n<p>Enormes bandeiras cobriram as fachadas das mais prestigiosas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do pa\u00eds. Entre os slogans lia-se:\u00a0\u201cN\u00e3o ao ass\u00e9dio sexual e \u00e0 impunidade\u201d,\u00a0\u201ceduca\u00e7\u00e3o sexual p\u00fablica, feminista e de g\u00eanero\u201d,\u00a0\u201cEduca\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista para eles pararem de nos matar\u201d,\u00a0\u201cas meninas nunca devem ter medo de serem inteligentes\u201d. Tantas mensagens para denunciar o sexismo e dezenas de casos de ass\u00e9dio sexual ignorados pelas autoridades e que comprovam que a viol\u00eancia de g\u00eanero est\u00e1 enraizada na sala de aula.<\/p>\n<p>O movimento iniciou-se na Universidade Austral do Chile, no sul do pa\u00eds, com a den\u00fancia de duas estudantes contra seus professores, por abusos sexuais, continuou na Universidade de Santiago\u00a0 com den\u00fancias similares contra um professor, ex presidente do Tribunal Constitucional.\u00a0 Essas den\u00fancias repercutiram pelas redes como uma caixa de Pandora e milhares de jovens se identificaram com elas; o movimento se espalhou como um rastilho de p\u00f3lvora. As estudantes exigem o estabelecimento de um protocolo a ser aplicado em caso de ass\u00e9dio sexual, bem como a puni\u00e7\u00e3o dos agressores, uma pol\u00edtica de preven\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia zero para certos comportamentos, desenvolver uma lei de viol\u00eancia de g\u00eanero. Outras exig\u00eancias foram adicionadas: legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, contra a desigualdade salarial, contra feminic\u00eddios brutais.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o que veio a luz agora, vem de longe: surge do movimento,\u00a0\u201cNem uma a menos\u201d\u00a0e\u00a0 do movimento estudantil a favor da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de 2011 e, em 2015; as primeiras assembleias contra abusos de professores ilustres. Em 2016, nasceu a COFEU, Comiss\u00e3o de g\u00eanero da Confedera\u00e7\u00e3o dos estudantes do Chile, que coordena hoje o movimento. Como muitos outros pa\u00edses, o Chile \u00e9 um pa\u00eds machista.\u00a0 Em 2017, houve 36 feminic\u00eddios e 96 tentativas de assassinato de mulheres. No mesmo ano, foram registradas 22.540 den\u00fancias de abuso sexual, quase tr\u00eas a cada hora, segundo dados da promotoria chilena. 63% das mulheres afirmam que se sentiram discriminadas ou violadas em algum momento, n\u00famero ainda maior entre mulheres de 18 a 35 anos. 91% da popula\u00e7\u00e3o afirma que \u00e9 necess\u00e1rio fazer mudan\u00e7as para alcan\u00e7ar a igualdade. A mobiliza\u00e7\u00e3o atual tem um amplo apoio popular de 71%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Valentina Gatica, presidente da FEUACH Valdivia, os regulamentos existentes\u00a0 n\u00e3o est\u00e3o sendo suficientes para garantir a seguran\u00e7a das mulheres da comunidade universit\u00e1ria:\u00a0\u201cOs casos aumentaram tanto que, infelizmente, n\u00e3o t\u00eam sido poss\u00edvel acompanhar os casos e os processos t\u00eam sido muito irregulares\u201d. Muitas companheiras que fizeram denuncias ainda est\u00e3o tendo que conviver com aqueles que as atacaram. Por outro lado, h\u00e1 uma dissimula\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na universidade em casos contra funcion\u00e1rios p\u00fablicos. A vis\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias \u00e9 reeducar os professores, n\u00e3o chegar e expuls\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA coisa mais importante para se atingir o que as estudantes est\u00e3o reivindicando, no sentido de parar a viol\u00eancia e ass\u00e9dio sexual que sofrem, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-sexista, e isso teria que come\u00e7ar desde a mais tenra inf\u00e2ncia\u201d\u00a0comentou Teresa Vald\u00e9s, coordenadora do Observat\u00f3rio do G\u00eanero e Equidade. \u201cA demanda por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-sexista apela para a necessidade de se entender a educa\u00e7\u00e3o com um novo projeto, que exige outro modo de pensar e relacionar-se com o interior dos espa\u00e7os educacionais e com a sociedade como um todo.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Agenda de g\u00eanero?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O governo, pego de surpresa, em um primeiro momento minimizou os fatos, at\u00e9 que a ministra dos Direitos da Mulher, Isabel Pla, lembrou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o no Chile para situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, de ass\u00e9dio sexual, estupro ou feminic\u00eddio permanecerem impunes\u201d. O governo convidou reitores e estudiosas da viol\u00eancia contra as mulheres para analisar o problema, mas n\u00e3o chamou as alunas. Frente ao crescimento e apoio popular do movimento, for\u00e7ado a reagir, o presidente Sebastian Pi\u00f1era apresentou dia \u00a027 de maio uma \u201cAgenda de g\u00eanero\u201d com um conjunto de 12 propostas para lutar contra as desigualdades, como incluir a igualdade de g\u00eanero na CPE (Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Estado) e proporcionar condi\u00e7\u00f5es para uma maior integra\u00e7\u00e3o das mulheres no trabalho. Mas nenhuma responde \u00e0s demandas levantadas pelo movimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Agora, queremos a ren\u00fancia do ministro da Educa\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O descontentamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cagenda de g\u00eanero\u201d foi imediato. Cristina Luna, respons\u00e1vel pelo Coordenadora Feminista da Universidade (Codeu) da regi\u00e3o de Valpara\u00edso, enfatizou:\u00a0\u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-sexista, n\u00e3o ouvimos nada\u201d. \u201cO piso para iniciar as conversa\u00e7\u00f5es, agora, \u00e9 a ren\u00fancia de Gerardo Varela, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, que recebeu duras cr\u00edticas por minimizar o ass\u00e9dio \u00e0s mulheres.\u00a0Precisamos de um interlocutor que entenda as demandas que estamos propondo e que n\u00e3o as considere como pequenas humilha\u00e7\u00f5es que recebemos nas salas de aula e na sociedade em geral\u201d,\u00a0concluiu Luna.<\/p>\n<p>O ressurgimento das lutas feministas segue uma tend\u00eancia mundial, mas se combina no Chile e na Am\u00e9rica Latina (como as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abortolegal.com.ar\/\">lutas pelo aborto<\/a> legal, seguro e gratuito, na Argentina por exemplo) com o peso hist\u00f3rico de uma educa\u00e7\u00e3o muito conservadora e machista, em um pa\u00eds onde as quest\u00f5es feministas n\u00e3o faziam parte tradicionalmente da agenda p\u00fablica. A 50 anos de Maio de 1968 esta rebeli\u00e3o surge com a for\u00e7a de uma nova gera\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m do tema do ass\u00e9dio sexual, busca uma mudan\u00e7a na estrutura social. O feminismo, como movimento hist\u00f3rico em busca da igualdade entre homens e mulheres, est\u00e1 se renovando com a gera\u00e7\u00e3o de jovens que invadiram as ruas e os\u00a0campi\u00a0universit\u00e1rios. Um feminismo rejuvenescido que abre portas e espa\u00e7os para problemas urgentes que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo no subsolo. Esse novo #MeToo chileno precisa de toda a nossa solidariedade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Joana Benario, S\u00e3o Paulo\/SP\u00a0\u2013 Esquerda Online<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>PARA SABER MAIS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"> Emol.com \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.emol.com\/noticias\/Nacional\/2018\/06\/02\/908435\/Movimientos-feministas-convocan-a-nueva-marcha-\">http:\/\/www.emol.com\/noticias\/Nacional\/2018\/06\/02\/908435\/Movimientos-feministas-convocan-a-nueva-marcha-<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/...\/2018\/...\/au-chili-des-centaines-d-etudiantes-occupent-des-uni\">https:\/\/www.lemonde.fr\/\u2026\/2018\/\u2026\/au-chili-des-centaines-d-etudiantes-occupent-des-uni<\/a>\u2026<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.elmostrador.cl\/noticias\/opinion\/2018\/05\/26\/agenda-de-genero-vigilar-y-castigar\/\"><span style=\"font-size: 10pt;\">http:\/\/www.elmostrador.cl\/noticias\/opinion\/2018\/05\/26\/agenda-de-genero-vigilar-y-castigar\/<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vcchile.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Presidente-Pi%C3%B1era-present%C3%B3-12-puntos-en-Agenda-de-Equidad-de-G%C3%A9nero-2.jpg\"><span style=\"font-size: 10pt;\">www.vcchile.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Presidente-Pi\u00f1era-present\u00f3-12-puntos-en-Agenda-de-Equidad-de-G\u00e9nero-2.jpg<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Fotos: Felipe Vargas, El Mercurio,\u00a0 Fuente: Emol.com<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 06 de junho, uma nova marcha contra a viol\u00eancia machista e por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista reuniu 100 mil pessoas na capital do Chile, Santiago, segundo os organizadores. 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