{"id":2817,"date":"2018-06-06T09:57:39","date_gmt":"2018-06-06T08:57:39","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/06\/como-tsipras-com-a-ajuda-de-varoufakis-virou-costas-ao-programa-do-syriza-3o-parte\/"},"modified":"2018-06-06T09:57:39","modified_gmt":"2018-06-06T08:57:39","slug":"como-tsipras-com-a-ajuda-de-varoufakis-virou-costas-ao-programa-do-syriza-3o-parte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/06\/como-tsipras-com-a-ajuda-de-varoufakis-virou-costas-ao-programa-do-syriza-3o-parte\/","title":{"rendered":"Como Tsipras, com a ajuda de Varoufakis, virou costas ao programa do Syriza (3\u00aa Parte)"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>Yanis Varoufakis data de 2011 a sua colabora\u00e7\u00e3o com Alexis Tsipras e respectivo alter ego, Nikos Pappas. Esta colabora\u00e7\u00e3o alargou-se progressivamente, a partir de 2013, a Yanis Dragasakis (que viria a ser vice-primeiro-ministro em 2015). Uma constante nas rela\u00e7\u00f5es entre Varoufakis e Tsipras: Yanis Varoufakis pede insistentemente para modificar a orienta\u00e7\u00e3o adoptada pelo Syriza. Varoufakis afirma que Tsipras-Pappas-Dragasakis queriam eles pr\u00f3prios, nitidamente, adoptar uma orienta\u00e7\u00e3o diferente, mais moderada do que a decidida pelo partido.<\/p>\n<p>  <!--more-->  A narra\u00e7\u00e3o feita por Varoufakis \u00e9 v\u00edvida. Atrav\u00e9s do seu testemunho vemos como, em sucessivas etapas cruciais, s\u00e3o feitas escolhas nas costas do Syriza, com desprezo pelos princ\u00edpios democr\u00e1ticos elementares. <\/p>\n<p>Varoufakis atribui a si mesmo um papel fundamental e de facto exerceu uma grande influ\u00eancia na linha adoptada pelo trio Tsipras-Pappas-Dragasakis. \u00c9 igualmente certo que Tsipras e Pappas procuraram estabelecer, fora do Syriza, rela\u00e7\u00f5es mais ou menos estreitas com certas pessoas e institui\u00e7\u00f5es, a fim de levarem a cabo uma pol\u00edtica que se foi afastando cada vez mais da orienta\u00e7\u00e3o adoptada pelo Syriza. Varoufakis n\u00e3o foi a \u00fanica pessoa a ser contactada, mas a dado momento Tsipras e Pappas consideraram que ele era a pessoa indicada para negociar com as institui\u00e7\u00f5es europeias e o FMI.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">In\u00edcio de 2011: primeiros contactos de Varoufakis com Tsipras e Pappas<\/span><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2811\" style=\"margin: 0px 10px 0px 0px; float: left;\" alt=\"pappas\" height=\"264\" width=\"205\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pappas.jpg?resize=205%2C264\" \/>Varoufakis descreve o seu primeiro encontro com Alexis Tsipras e Nikos Pappas em in\u00edcios de 2011. Pappas encontra-se com ele num pequeno hotel-restaurante pr\u00f3ximo da sede do Syriza.<\/p>\n<p>\u00abQuando cheguei ao hotel, Alexis e Pappas j\u00e1 tinham encomendado o almo\u00e7o. Alexis tinha uma voz calorosa, um sorriso sincero e o aperto de m\u00e3o de um eventual amigo. Pappas tinha um olhar brilhante e uma voz mais alta. [\u2026] Era evidente que ele soprava ao ouvido do jovem pr\u00edncipe e que lhe servia ao mesmo tempo de guia, de freio e de aguilh\u00e3o; esta impress\u00e3o permaneceu em mim ao longo dos anos tumultuosos que se seguiram: dois homens jovens, da mesma idade mas com temperamentos diferentes, que agiam e pensavam como um s\u00f3 homem.\u00bb\u00a0[<a title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 3, p.\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-1\">1<\/a>]<\/p>\n<p>Varoufakis explica que Tsipras hesitava sobre a orienta\u00e7\u00e3o a tomar quanto a uma eventual sa\u00edda da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Zona-euro\">zona euro<\/a>.<\/p>\n<p>\u00abDesde 2011 que o Syriza estava dividido perante a este problema: dever-se-ia apoiar oficialmente o Grexit (sair da zona euro, mas n\u00e3o necessariamente da Uni\u00e3o Europeia)? A atitude de Tsipras pareceu-me simultaneamente desenvolta e imatura. O seu objectivo era dominar as tend\u00eancias rivais no seio do partido, mais do que alcan\u00e7ar uma opini\u00e3o clara e pessoal. A julgar pelos olhares c\u00famplices de Pappas, era evidente que este partilhava o meu ponto de vista. Contava comigo para o ajudar a impedir o l\u00edder de acalentar a ideia do Grexit.<\/p>\n<p>Dei o meu melhor para impressionar Alexis e convenc\u00ea-lo de que propor o Grexit era um erro t\u00e3o grave como o de n\u00e3o se preparar para essa eventualidade. Critiquei o Syriza por se comprometer de \u00e2nimo leve [\u2026].\u00bb<\/p>\n<p>Tsipras apresentou a Varoufakis a ideia de amea\u00e7ar os dirigentes europeus com uma sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona euro, caso eles recusassem rever a pol\u00edtica do Memorando. Varoufakis respondeu-lhe que era preciso evitar sair da zona euro, pois era poss\u00edvel, atrav\u00e9s da negocia\u00e7\u00e3o, obter uma solu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 Gr\u00e9cia, nomeadamente uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Tsipras retorquiu que v\u00e1rios economistas de nomeada, como Paul Krugman, afirmavam que a Gr\u00e9cia passaria melhor sem o euro.<\/p>\n<p>Varoufakis prossegue o seu relato: \u00abRespondi-lhe que ter\u00edamos passado bem melhor se jamais tiv\u00e9ssemos entrado para a zona euro, mas n\u00e3o termos entrado era uma coisa, sair era outra. [\u2026] Para o persuadir a abandonar esse racioc\u00ednio pregui\u00e7oso, desenhei-lhe o quadro do que nos esperava em caso de Grexit. Contrariamente \u00e0 Argentina, que renunciou \u00e0 paridade entre o peso e o d\u00f3lar, a Gr\u00e9cia n\u00e3o tinha moeda e notas pr\u00f3prias em circula\u00e7\u00e3o.\u00bb Para o convencer, Varoufakis faz notar a Tsipras que: \u00abCriar uma nova moeda leva meses.\u00bb<\/p>\n<p>Na realidade, este argumento, que foi por diversas vezes retomado por Varoufakis e por outros opositores \u00e0 sa\u00edda do euro, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido. De facto, era poss\u00edvel adoptar uma nova moeda usando notas de euro marcadas \u2013 as caixas autom\u00e1ticas dos bancos forneceriam notas de euro previamente marcadas com um selo. Assim o explicou nomeadamente Galbraith numa carta ao seu amigo Varoufakis, em Julho\/2015.\u00a0[<a title=\"Ver o texto desta carta em James K. Galbraith, Crise grecque, trag\u00e9die\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-2\">2<\/a>]<\/p>\n<p>Na realidade, o que Varoufakis pretendia era convencer Tsipras quanto \u00e0 possibilidade de permanecer na zona euro e ao mesmo tempo romper com a pol\u00edtica anti-social aplicada at\u00e9 a\u00ed: \u00abexigiremos uma renegocia\u00e7\u00e3o que implicar\u00e1 um new deal para a Gr\u00e9cia e que nos permitir\u00e1 ter uma economia social vi\u00e1vel no seio da zona euro; se a UE e o FMI recusarem negociar, n\u00e3o aceitaremos nem mais um c\u00eantimo de empr\u00e9stimo envenenado pago pelos contribuintes europeus. E se eles em resposta nos expulsarem do euro, o que teria custos consider\u00e1veis para eles e para n\u00f3s, deix\u00e1-los escolher a pol\u00edtica do quanto pior, melhor.\u00bb<\/p>\n<p>Por conseguinte, para Varoufakis n\u00e3o era preciso preparar a sa\u00edda da zona euro; e se um dia isso acontecesse, seria a pior das solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Varoufakis prossegue:<\/p>\n<p>\u00abPappas meneava a cabe\u00e7a com entusiasmo, mas Tsipras parecia alheado, at\u00e9 que o obriguei a abandonar o seu sil\u00eancio. A sua resposta confirmou-me que ele estava mais preocupado com as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a dentro do Syriza do que em agarrar o touro pelos cornos a prop\u00f3sito do Grexit. N\u00e3o me deixei impressionar. O nosso encontro estava a chegar ao fim, e, correndo o risco de parecer paternalista, dei-lhe um conselho ben\u00e9volo, n\u00e3o solicitado, que nada tinha a ver com o assunto. Ele podia ter levado a mal.<\/p>\n<p>\u2013 Alexis, se queres ser primeiro-ministro, tens de aprender a falar ingl\u00eas. Tira um curso, \u00e9 essencial.\u00bb<\/p>\n<p>Quando Varoufakis regressou a casa, a esposa, Dana\u00e9, perguntou-lhe como se tinha passado o encontro e ele respondeu: \u00abO tipo \u00e9 simp\u00e1tico, mas n\u00e3o me parece que tenha o estofo necess\u00e1rio.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Varoufakis, a auditoria da d\u00edvida e a suspens\u00e3o do pagamento<\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2812\" style=\"margin: 0px; float: left;\" alt=\"dragasakis_alexis_pappas\" height=\"335\" width=\"500\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dragasakis_alexis_pappas.jpg?resize=500%2C335\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dragasakis_alexis_pappas.jpg?w=630 630w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dragasakis_alexis_pappas.jpg?resize=300%2C201 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dragasakis_alexis_pappas.jpg?resize=480%2C322 480w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em><br style=\"clear: both;\" \/><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Da esquerda para a direita: Yanis Dragasakis, Alexis Tsipras, Nikos Pappas<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Na sua narrativa dos acontecimentos de 2011, Varoufakis nunca menciona a importante iniciativa da auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida, na qual recusou participar.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00fatil relembrar que as posi\u00e7\u00f5es do CADTM come\u00e7aram a ser conhecidas na Gr\u00e9cia a partir de 2010. V\u00e1rias entrevistas foram publicadas na imprensa grega. Por exemplo, a revista grega Epikaira publicou uma longa entrevista comigo, realizada por Leonidas Vatikiotis, jornalista e militante pol\u00edtico de extrema esquerda muito\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Activo,1235\">activo<\/a>. A\u00ed explico as causas da explos\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Divida-publica\">d\u00edvida p\u00fablica<\/a> grega e de que forma a experi\u00eancia do Equador poderia inspirar a Gr\u00e9cia, em termos de comiss\u00e3o de auditoria e suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida. \u00c0 laia de conclus\u00e3o, \u00e0 pergunta \u00abQue deve a Gr\u00e9cia fazer?\u00bb, respondi: \u00abO meu conselho categ\u00f3rico \u00e9 que abram os livros de contas! Examinem de forma transparente e perante a sociedade civil todos os contratos do Estado \u2013 dos maiores, como por exemplo os recentes Jogos Ol\u00edmpicos, at\u00e9 aos mais pequenos \u2013 e descubram que parte da d\u00edvida \u00e9 fruto da corrup\u00e7\u00e3o, e por consequ\u00eancia ilegal e odiosa segundo o jarg\u00e3o internacional, e denunciem-na!\u00bb\u00a0[<a title=\"\u00abOuvrez les livres de comptes de la dette publique!\u00bb, http:\/\/cadtm.org\/Ouvrez-les-\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-3\">3<\/a>]<\/p>\n<p>Por seu lado, em numerosos artigos largamente difundidos na Gr\u00e9cia pela imprensa e pelas redes sociais, o economista Costas Lapavitsas tamb\u00e9m defendia activamente a necessidade de criar uma comiss\u00e3o de auditoria. Um dos seus textos afirmava: \u00abUma Comiss\u00e3o internacional de auditoria poderia desempenhar um papel catalisador, contribuindo para a transpar\u00eancia necess\u00e1ria. Essa comiss\u00e3o internacional, composta por peritos em auditoria das finan\u00e7as p\u00fablicas, economistas, sindicalistas, representantes dos movimentos sociais, deve ser totalmente independente dos partidos pol\u00edticos. Deve apoiar-se em numerosas organiza\u00e7\u00f5es que permitir\u00e3o mobilizar vastas camadas sociais. Assim come\u00e7aria a tornar-se realidade a participa\u00e7\u00e3o popular necess\u00e1ria face \u00e0 quest\u00e3o da d\u00edvida\u00bb (artigo publicado a 5 de Dezembro de 2010 pelo di\u00e1rio\u00a0Eleftherotypia).\u00a0[<a title=\"http:\/\/cadtm.org\/Commission-Internationale-d-audit\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-4\">4<\/a>]<\/p>\n<p>A 9 de Janeiro de 2011, o\u00a0Ethnos tis Kyriakis, terceiro jornal di\u00e1rio grego em volume de tiragem (\u00e0 \u00e9poca), entrevistou-me sob o t\u00edtulo \u00abN\u00e3o est\u00e1 certo reembolsar d\u00edvidas ileg\u00edtimas. Os povos da Europa tamb\u00e9m t\u00eam o direito de controlar os seus credores\u00bb.\u00a0[<a title=\"Em 2011 o Ethnos tis Kyriakis, de centro-esquerda, era o terceiro jornal\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-5\">5<\/a>]\u00a0O jornal explicava que \u00abO trabalho da Comiss\u00e3o do Equador foi recentemente mencionado no Parlamento pela deputada Sofia Sakorafa\u00bb.<\/p>\n<p>De facto, Sofia Sakorafa, que rompeu com o Pasok quando este aceitou o memorando de 2010, tinha feito uma interven\u00e7\u00e3o em Dezembro de 2010 no Parlamento, para propor a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de auditoria da d\u00edvida grega, inspirando-se ma experi\u00eancia equatoriana. O Parlamento n\u00e3o aprovou. Costas Lapavitsas, que residia em Londres, onde leccionava e cujas propostas tinham um eco consider\u00e1vel na Gr\u00e9cia, entrou ent\u00e3o em contacto comigo e prop\u00f4s-me colaborar no lan\u00e7amento de uma iniciativa internacional para a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de auditoria; aceitei imediatamente.<\/p>\n<p>Simultaneamente, Giorgos Mitralias, do CADTM grego, entrou em contacto com Leonidas Vatikiotis, que era muito activo, para se avan\u00e7ar no terreno, na Gr\u00e9cia, com a cria\u00e7\u00e3o dessa comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Costas Lapavitsas consultou-me sobre o conte\u00fado do apelo internacional de apoio \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o; fiz algumas altera\u00e7\u00f5es. Depois disto, come\u00e7\u00e1mos a procurar apoios entre as personalidades suscept\u00edveis de nos ajudarem a aumentar o brado e a credibilidade da iniciativa. Encarreguei-me de reunir o m\u00e1ximo de assinaturas de personalidades internacionais a favor da constitui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de auditoria. Eu conhecia v\u00e1rias personalidades h\u00e1 muitos anos, como por exemplo Noam Chomsky, com quem me mantinha em contacto sobre a quest\u00e3o da d\u00edvida desde 1998; Jean Ziegler, nessa \u00e9poca relator das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o; Tariq Ali, al\u00e9m de numerosos economistas, \u2026<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2813\" style=\"margin-right: 10px; float: left;\" alt=\"debtocracy\" height=\"325\" width=\"252\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/debtocracy.jpg?resize=252%2C325\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/debtocracy.jpg?w=252 252w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/debtocracy.jpg?resize=233%2C300 233w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/>Na minha busca de assinaturas apenas me deparei com uma recusa: a de James Galbraith. Conversei com ele ao longo de muitos anos, desde as confer\u00eancias sobre a globaliza\u00e7\u00e3o financeira, onde nos encontr\u00e1mos. Mais tarde vim a conhecer uma parte da explica\u00e7\u00e3o dessa recusa, quando Yanis Varoufakis explicou publicamente a sua recusa de subscrever o apelo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de auditoria.\u00a0[<a title=\"er em grego: \u03a3\u03c7\u03cc\u03bb\u03b9\u03b1\u0393\u03b9\u03ac\u03bd\u03b7\u03c2 \u0392\u03b1\u03c1\u03bf\u03c5\u03c6\u03ac\u03ba\u03b7\u03c2 Debtocracy : \u0393\u03b9\u03b1\u03c4\u03af \u03b4\u03b5\u03bd \u03c3\u03c5\u03bd\u03c5\u03c0\u03ad\u03b3\u03c1\u03b1\u03c8\u03b1 . , publicado\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-6\">6<\/a>]\u00a0Conta ele que foi contactado por Galbraith, que lhe perguntou se devia assinar o apelo ou n\u00e3o. Varoufakis declara que o recomendou a n\u00e3o subscrever. Numa longa carta, Y. Varoufakis justifica a sua recusa de apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de auditoria cidad\u00e3 (ELE). A\u00ed declara ele que se a Gr\u00e9cia suspendesse o pagamento da d\u00edvida, teria de sair da zona euro e regressaria \u00e0 Idade da Pedra. Afirma que, fora isso, as pessoas que tomaram essa iniciativa s\u00e3o muito simp\u00e1ticas e bem intencionadas e que ele pr\u00f3prio em princ\u00edpio \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 auditoria, mas que, nas circunst\u00e2ncias em que a Gr\u00e9cia se encontra, n\u00e3o \u00e9 uma iniciativa oportuna. Nesse longo texto Varoufakis apresenta tamb\u00e9m a sua opini\u00e3o cr\u00edtica acerca do document\u00e1rio\u00a0Debtocracy.<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 2011 foi lan\u00e7ado o comit\u00e9 grego de auditoria da d\u00edvida (ELE). Resultou de grandes esfor\u00e7os de converg\u00eancia entre pessoas que mal se conheciam ou nem se conheciam de todo semanas ou meses antes. O processo de cria\u00e7\u00e3o foi estimulado pela amplid\u00e3o da crise grega.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio\u00a0Debtocracy, difundido a partir de Abril\/2011 e no qual Hugo Arias (economista equatoriano que foi um dos principais animadores da comiss\u00e3o de auditoria criada em 2007 pelo presidente Rafael Correa) e eu pr\u00f3prio intervimos longamente, deu um grande eco \u00e0 proposta de auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida e \u00e0 necessidade e \u00e0 legitimidade de anular a parte ileg\u00edtima e odiosa da d\u00edvida.\u00a0[<a title=\"Ver a prop\u00f3sito de Debtocracy: \u00abD\u00edvida: os gregos e a Debtocracy\u00bb,\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-7\">7<\/a>]\u00a0Nas primeiras 6 semanas de difus\u00e3o na Internet,\u00a0Debtocracy\u00a0foi descarregado por mais de um milh\u00e3o de gregos.<\/p>\n<p>Entre as personalidades gregas que assinaram o apelo em 2011, encontramos Euclide Tsakalotos (que viria a ser ministro das Finan\u00e7as no governo de Tsipras, em substitui\u00e7\u00e3o de Yanis Varoufakis, a partir de in\u00edcios de Julho\/2015; manteve a pasta no segundo governo de Tsipras, que tomou posse em finais de Setembro\/2015), Panagiotis Lafazanis (um dos principais dirigentes da plataforma de esquerda dentro do Syriza, ministro da Energia no governo de Tsipras entre Janeiro e 16 de Julho de 2015, l\u00edder da Unidade Popular, criada em finais de Agosto\/2015 pelo sector que abandonou o Syriza em oposi\u00e7\u00e3o ao 3.\u00ba Memorando), Nadia Valavani (membro da plataforma de esquerda, vice-ministra das Finan\u00e7as de 27 de Janeiro a 15 de Julho de 2015, membro da Unidade Popular), Sofia Sakorafa (eleita eurodeputada em Maio\/2014; manteve o lugar como independente a partir de Setembro de 2015, por discordar da capitula\u00e7\u00e3o), Georges Katrougalos (vice-ministro da Reforma Administrativa de Janeiro\/2015 a Julho\/2015, passando a ministro do Trabalho a partir de Agosto\/2015; reconduzido nas mesmas fun\u00e7\u00f5es no 2.\u00ba governo de Alexis Tsipras), Notis Marias (eleito eurodeputado em Maio 2014 pela lista do partido independentista de direita Anel, manteve-se como independente a partir de Janeiro\/2015).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2814\" style=\"margin-right: 10px; float: left;\" alt=\"oxi\" height=\"313\" width=\"500\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/oxi.jpg?resize=500%2C313\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/oxi.jpg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/oxi.jpg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/oxi.jpg?resize=480%2C301 480w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Varoufakis tamb\u00e9m n\u00e3o menciona a confer\u00eancia internacional realizada em Atenas em Mar\u00e7o\/2011 pelo Synaspismos (principal componente do Syriza, presidida por Alexis Tsipras) e pelo Partido da Esquerda Europeia, na qual, contudo, ele pr\u00f3prio participou. Nessa confer\u00eancia usaram da palavra Alexis Tsipras, Oskar Lafontaine (ex-ministro social-democrata das Finan\u00e7as na Alemanha, um dos fundadores do Die Linke), Pierre Laurent (dirigente do PCF e do Partido da Esquerda Europeia), Mariana Mort\u00e1gua (do Bloco de Esquerda), Euclide Tsakalotos, Yannis Dragasakis, eu pr\u00f3prio e v\u00e1rios outros convidados. A minha interven\u00e7\u00e3o nessa confer\u00eancia incidiu sobre as causas da crise, a import\u00e2ncia vital de reduzir radicalmente a d\u00edvida por meio de medidas de anula\u00e7\u00e3o ligadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma auditoria da d\u00edvida com participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.\u00a0[<a title=\"Ver o diaporama da minha exposi\u00e7\u00e3o: \u00abEric Toussaint, Greece: Symbol of\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-8\">8<\/a>]<\/p>\n<p>Estavam presentes 600 ou 700 participantes e diversas comunica\u00e7\u00f5es constam num livro publicado em ingl\u00eas pelo Instituto Nikos Poulantzas, intitulado\u00a0The Political Economy of Public Debt and Austerity in the EU\u00a0[<a title=\"Elena Papadopoulou and Gabriel Sakellaridis (eds.), The Political Economy\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-9\">9<\/a>].<\/p>\n<p>Menciono esta confer\u00eancia para mostrar que nessa \u00e9poca era natural\u00edssimo p\u00f4r no programa uma interven\u00e7\u00e3o sobre a necessidade da auditoria da d\u00edvida, tema totalmente desprezado por Varoufakis, tanto na orienta\u00e7\u00e3o que defendeu, como na sua narra\u00e7\u00e3o dos acontecimentos de 2011.<\/p>\n<p>Em Maio\/2011 a confer\u00eancia internacional de apoio \u00e0 auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida grega, que decorreu em Atenas, teve franco sucesso, com uma aflu\u00eancia de quase 3000 pessoas durante tr\u00eas dias. O CADTM fez parte das organiza\u00e7\u00f5es que convocaram esta reuni\u00e3o. Durante a confer\u00eancia coordenei o primeiro painel de discuss\u00e3o, no qual participaram nomeadamente Nadia Valavani\u00a0[<a title=\"Nadia Valavani \u00e9 uma personalidade p\u00fablica grega respeitada, nomeadamente\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-10\">10<\/a>], que foi mais tarde vice-ministra das Finan\u00e7as do governo Tsipras I, e Leonidas Vatikiotis. O CADTM contribuiu, juntamente com os organizadores gregos e outros movimentos n\u00e3o gregos, para convencer um n\u00famero significativo de organiza\u00e7\u00f5es europeias a apoiarem a confer\u00eancia e a aprovarem uma declara\u00e7\u00e3o colectiva que permanece v\u00e1lida:<\/p>\n<table style=\"width: 0px;\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p><strong>Declara\u00e7\u00e3o da   Confer\u00eancia de Atenas sobre d\u00edvida e austeridade aprovada em Maio\/2011   (excertos)<\/strong><\/p>\n<p>Apelamos a que apoiem:<\/p>\n<p>\u2022 Uma auditoria democr\u00e1tica das d\u00edvidas como passo concreto em direc\u00e7\u00e3o \u00e0   justi\u00e7a em mat\u00e9ria de endividamento. As auditorias da d\u00edvida com participa\u00e7\u00e3o   da sociedade civil e do movimento sindical, \u00e0 semelhan\u00e7a da Auditoria Cidad\u00e3   da D\u00edvida de Brasil, permitem determinar que partes da d\u00edvida s\u00e3o ilegais,   ileg\u00edtimas, odiosas ou simplesmente insustent\u00e1veis. Oferecem aos   trabalhadores o conhecimento e a autoridade necess\u00e1rios para recusar o   pagamento da d\u00edvida ileg\u00edtima. Incentivam igualmente a responsabilidade, a   presta\u00e7\u00e3o de contas e a transpar\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o do sector p\u00fablico.   Exprimimos a nossa solidariedade para com as auditorias da Gr\u00e9cia e da   Irlanda e estamos prontos a prestar ajuda em termos pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u2022 Respostas soberanas e democr\u00e1ticas \u00e0 crise da d\u00edvida. Os governos devem   responder em primeiro lugar perante o seu povo, e n\u00e3o perante as institui\u00e7\u00f5es   da UE ou do FMI. Os povos de pa\u00edses como a Gr\u00e9cia devem decidir sobre as   pol\u00edticas que mais conv\u00eam \u00e0 sua retoma econ\u00f3mica e \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das suas   necessidades sociais. Os Estados soberanos t\u00eam o poder de impor morat\u00f3rias ao   reembolso quando a d\u00edvida possa destruir os meios de subsist\u00eancia dos   trabalhadores. A experi\u00eancia do Equador em 2008-09 e da Isl\u00e2ndia em 2010-11   demonstra a viabilidade de trazer respostas radicais e soberanas ao problema   da d\u00edvida, incluindo o rep\u00fadio da parte ileg\u00edtima. Ali\u00e1s, a cessa\u00e7\u00e3o dos   pagamentos justificada num estado de necessidade \u00e9 reconhecida legalmente por   resolu\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>\u2022 Uma reestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e redistribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um endividamento. O   predom\u00ednio das pol\u00edticas neoliberais e o poder da finan\u00e7a internacional deram   origem ao crescimento fraco, ao aumento das desigualdades e a crises   sucessivamente mais graves, ao mesmo tempo que minavam os processos   democr\u00e1ticos. \u00c9 imperativo alterar os fundamentos das economias, atrav\u00e9s de   programas de transi\u00e7\u00e3o que incluam mecanismos de controlo dos capitais, a   regulamenta\u00e7\u00e3o estrita dos bancos e at\u00e9 a sua transfer\u00eancia para o sector   p\u00fablico, pol\u00edticas industriais que assentem em investimento p\u00fablico, o   controlo p\u00fablico dos sectores estrat\u00e9gicos da economia e o respeito pelo meio   ambiente.<\/p>\n<p>O primeiro objectivo deve consistir em proteger e aumentar o emprego. \u00c9   tamb\u00e9m crucial que os pa\u00edses adoptem pol\u00edticas redistributivas radicais. A   base de tributa\u00e7\u00e3o deve ser alargada e progressiva, taxando o capital e os   ricos, de forma a permitir a mobiliza\u00e7\u00e3o dos recursos internos como   alternativa ao endividamento. A redistribui\u00e7\u00e3o deve incluir a restaura\u00e7\u00e3o dos   servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o, de transporte e das pens\u00f5es de   reforma, bem como inverter a tend\u00eancia de descida dos sal\u00e1rios. Trata-se de   dar os primeiros passos para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades e aspira\u00e7\u00f5es dos   trabalhadores, atrav\u00e9s de medidas que al\u00e9m disso invertam a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as   em detrimento do grande capital e das institui\u00e7\u00f5es financeiras. Estas medidas   permitiriam aos povos da Europa, e em geral aos de todo o mundo, um controlo   maior sobre os seus meios de subsist\u00eancia, as suas vidas e os seus processos   pol\u00edticos. Ofereceriam igualmente esperan\u00e7a \u00e0 juventude da Europa, cujo   futuro se afigura hoje bastante sombrio, com escassez de emprego, sal\u00e1rios   baixos e aus\u00eancia de perspectivas. Por todas estas raz\u00f5es, \u00e9 do melhor   interesse dos trabalhadores de todo o mundo apoiar a luta contra a d\u00edvida da   Gr\u00e9cia, da Irlanda, de Portugal e de outros pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>Atenas, 8 Maio 2011<\/p>\n<p>a declara\u00e7\u00e3o vem assinada por:<\/p>\n<p>Iniciativa para uma Comiss\u00e3o de Auditoria Grega (ELE), European Network on   Debt and Development (Eurodad), Comiss\u00e3o para a Anula\u00e7\u00e3o da D\u00edvida do   Terceiro Mundo (CADTM), The Bretton Woods Project, Reseach on Money and   Finance da Gr\u00e1-Bretanha, Debt and Development Coalition da Gr\u00e3-Bretanha,   Ireland Afri \u2013 Action from Ireland, WEED \u2013 Economy Environment Development,   Jubilee Debt Campaign, Observatorio de la Deuda en la Globalizaci\u00f3n   (Espanha).<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em> Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Declaracao-da-Conferencia-de\">http:\/\/www.cadtm.org\/Declaracao-da-Conferencia-de<\/a><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Aquando de uma conversa entre mim e Varoufakis em 9 Novembro 2016 em Atenas\u00a0[<a title=\"Daniel Munevar tamb\u00e9m participou nesta discuss\u00e3o. Fez parte da equipa de\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-11\">11<\/a>], perguntei-lhe porque n\u00e3o tinha apoiado a iniciativa da auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida a partir de 2011. Respondeu-me que a iniciativa n\u00e3o era boa, porque punha em causa a legitimidade e a legalidade da d\u00edvida. Segundo ele, n\u00e3o se devia p\u00f4r em causa a legalidade ou a legitimidade da d\u00edvida grega.<\/p>\n<p>Varoufakis adoptou uma posi\u00e7\u00e3o tacanha de economista que s\u00f3 v\u00ea a d\u00edvida em termos de sustentabilidade financeira e de acesso \u00e0s fontes de financiamento. N\u00e3o conseguiu perceber a import\u00e2ncia da auditoria cidad\u00e3. Embora no seu livro insista sobre a import\u00e2ncia do movimento de ocupa\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as p\u00fablicas que ocorreu em Junho-Julho\/2011 na Gr\u00e9cia, n\u00e3o se apercebeu do entusiasmo que a iniciativa da auditoria cidad\u00e3 angariou durante esse poderoso movimento.<\/p>\n<p>Fui testemunha directa da recusa de Varoufakis em apoiar a auditoria cidad\u00e3 em 2011 e constatei a sua capacidade de convencer James Galbraith a n\u00e3o assinar o apelo internacional que t\u00ednhamos lan\u00e7ado juntamente com Costas Lapavitsas. Depois de ler atentamente o livro de Varoufakis, fiquei convencido de que ele ter\u00e1 intervindo activamente para convencer Tsipras, pelo menos a partir de Maio-Junho\/2012, a abandonar o apoio \u00e0 auditoria da d\u00edvida e \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida durante a realiza\u00e7\u00e3o da auditoria.<\/p>\n<p>Dentro da direc\u00e7\u00e3o do Syriza e do grupo de conselheiros econ\u00f3micos de Tsipras, v\u00e1rias pessoas se opunham igualmente \u00e0 auditoria da d\u00edvida e \u00e0 suspens\u00e3o do pagamento. Yannis Dragasakis, um dos respons\u00e1veis do Syriza em mat\u00e9rias econ\u00f3micas (viria a ser vice-primeiro-ministro dos governos de Tsipras I e II) n\u00e3o era favor\u00e1vel, conforme declarou a Giorgos Mitralias, quando este tentou convenc\u00ea-lo, a partir de 2010, a apoiar a perspectiva da cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de auditoria. Georges Stathakis, que fazia parte da equipa de economistas que rodeava Tsipras, tinha por seu lado declarado \u00e0 imprensa que n\u00e3o havia raz\u00f5es para levantar a quest\u00e3o da d\u00edvida odiosa no caso da Gr\u00e9cia, por a parte odiosa da d\u00edvida n\u00e3o representar mais de 5\u00a0% da d\u00edvida total. Stathakis foi ministro da Economia no governo de Tsipras I e durante um ano no governo Tsipras II, passando em Setembro 2016 a ministro da Energia e do Ambiente.<\/p>\n<p> <strong>Finais de 2011: refor\u00e7o da colabora\u00e7\u00e3o de Varoufakis com Tsipras e Pappas<\/strong><\/p>\n<p>Em finais de 2011 Varoufakis voltou a ser convidado por Pappas para uma nova conversa.<\/p>\n<p>\u00abEste segundo encontro, como sucederia com os seguintes, surpreendeu-me bastante: Alexis estava transformado. Tinham-se acabado as complac\u00eancias, as lutas internas do Syriza que o obcecavam e o desprendimento em rela\u00e7\u00e3o ao Grexit. Tinha feito o seu trabalho de casa [\u2026]. Chegou mesmo a anunciar-me com orgulho que tinha contratado um professor de ingl\u00eas e que estava a fazer progressos. [\u2026] A vantagem mais evidente destas discuss\u00f5es foi a clarifica\u00e7\u00e3o e o apuramento do nosso objectivo comum.\u00bb<\/p>\n<p> <strong>2012: Varoufakis ajuda Tsipras a encontrar eco nos meios democr\u00e1ticos dos EUA<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis, que nessa altura trabalhava nos EUA, tentou abrir as portas a Tsipras nos meios do Partido Democrata.<\/p>\n<p>Varoufakis explica que a estada de Tsipras no Texas \u00ab[lhe] permitiu construir uma ponte entre Washington e [os seus] novos amigos do Syriza, que n\u00e3o eram aliados naturais dos EUA\u00bb. Explica ele: \u00abComo era prov\u00e1vel que um governo do Syriza provocasse um confronto violento com a Alemanha, a Comiss\u00e3o Europeia e o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Banco-central-europeu-BCE\">BCE<\/a>, a \u00faltima coisa de que Alexis e Pappas precisavam era de ter pela frente a uma administra\u00e7\u00e3o norte-americana hostil. De 2012 a 2015, gra\u00e7as \u00e0 ajuda de James Galbraith e respectiva rede de contactos, fiz quanto pude para convencer os l\u00edderes de opini\u00e3o norte-americanos e a administra\u00e7\u00e3o Obama de que nada tinham a temer de um eventual governo Syriza, cuja prioridade era libertar a Gr\u00e9cia de uma d\u00edvida esmagadora.\u00bb<\/p>\n<p> <strong>Varoufakis contra o programa eleitoral do Syriza de Maio-Junho\/2012<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis resume a sua posi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u00abEu queria que o Syriza apresentasse um programa simples, progressista, pr\u00f3-europeu, coerente e n\u00e3o populista, uma base sobre a qual se pudesse construir a imagem de um governo cred\u00edvel, que negociaria um novo plano com a UE e o FMI. Alexis e Pappas pendiam para um plano pol\u00edtico diferente, que optimizasse os ganhos eleitorais a curto prazo, \u00e0 custa (quanto a mim) da coer\u00eancia l\u00f3gica a longo prazo. Em 2012, quando tomei conhecimento da pol\u00edtica econ\u00f3mica do manifesto eleitoral do Syriza, fiquei de tal forma irritado que n\u00e3o consegui l\u00ea-lo at\u00e9 ao fim. No dia seguinte um jornalista da televis\u00e3o grega pediu-me um coment\u00e1rio. Disse-lhe que tendia a apoiar o Syriza, mas que s\u00f3 votaria nele se pudesse modificar o programa econ\u00f3mico.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Que tinha o programa eleitoral do Syriza de t\u00e3o irritante para Varoufakis?<\/strong><\/p>\n<p><strong>O programa do Syriza em 40 pontos para as elei\u00e7\u00f5es de Maio\/2012<\/strong><\/p>\n<p>O programa do Syriza era claramente radical e desdobrava-se em 40 pontos. O primeiro ponto dizia respeito \u00e0 d\u00edvida e come\u00e7ava assim: Auditoria da d\u00edvida p\u00fablica, renegocia\u00e7\u00e3o dos juros a pagar e suspens\u00e3o dos pagamentos at\u00e9 \u00e0 retoma do crescimento econ\u00f3mico e da cria\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>Entre outras propostas, coloco em destaque, ao lado de uma s\u00e9rie de medidas de urg\u00eancia para fazer face \u00e0 crise humanit\u00e1ria: aumento do imposto sobre os rendimentos superiores a 500 000 euros, com reten\u00e7\u00e3o na fonte de 75\u00a0%; aumento dos impostos sobre as grandes empresas;\u00a0<strong>aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios financeiros da Igreja e dos armadores<\/strong>; redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das despesas militares; aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, de forma a voltar a coloc\u00e1-lo ao n\u00edvel de antes do Memorando de 2010 (ou seja, 740 \u20ac mensais); utiliza\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios do Governo, dos bancos e da Igreja para os sem-abrigo;\u00a0<strong>nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos; nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas que foram privatizadas nos sectores estrat\u00e9gicos para o crescimento do pa\u00eds<\/strong>; medidas para restaurar os direitos dos trabalhadores e melhor\u00e1-los; adop\u00e7\u00e3o de reformas constitucionais para garantir a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado;\u00a0<strong>realiza\u00e7\u00e3o de referendos sobre os tratados e outros acordos com a Europa<\/strong>; aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios dos deputados; suspens\u00e3o da imunidade para os ministros e autoriza\u00e7\u00e3o para os tribunais levantarem processos contra membros do Governo; medidas de protec\u00e7\u00e3o aos refugiados e migrantes; aumento do financiamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, de forma a aproxim\u00e1-los da m\u00e9dia europeia (a m\u00e9dia europeia \u00e9 de 6\u00a0% do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/PIB-Produto-interno-bruto\">PIB<\/a>, enquanto na Gr\u00e9cia era de 3\u00a0%); gratuitidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos de cuidados de sa\u00fade; nacionaliza\u00e7\u00e3o dos hospitais privados; elimina\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do sector privado no sistema nacional de sa\u00fade; retirada das tropas gregas do Afeganist\u00e3o e dos Balc\u00e3s;\u00a0<strong>aboli\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o militar com Israel<\/strong>; apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967; negocia\u00e7\u00e3o de um acordo est\u00e1vel com a Turquia; e\u00a0<em>last but not least<\/em>:\u00a0<strong>encerramento de todas as bases militares estrangeiras residentes na Gr\u00e9cia e sa\u00edda da OTAN<\/strong>.\u00a0[<a title=\"Fonte:  (vers\u00e3o  a partir do ingl\u00eas).\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-12\">12<\/a>]<\/p>\n<p>Com este programa, o Syriza, que lhe acrescenta a palavra de ordem \u00abNenhum sacrif\u00edcio pelo euro\u00bb, v\u00ea os seus resultados eleitorais multiplicados por 4 entre 2009 e Maio\/2012, passando de 4\u00a0% para 16\u00a0%.<\/p>\n<p>O programa do Syriza de 2012 \u00e9 muito interessante e \u00fatil. Cont\u00e9m as principais medidas que \u00e9 preciso aplicar de facto.<br \/> Tinha no entanto dois pontos fracos:\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o faz uma hierarquiza\u00e7\u00e3o dos 40 pontos, quando seria preciso saber o que um governo deveria fazer em primeiro lugar (digamos nos 100 ou 200 primeiros dias). O programa n\u00e3o \u00e9 apresentado de forma operacional. Ora \u00e9 importante apresentar um roteiro que especifique a forma como o governo prev\u00ea realizar os objectivos fixados. No caso vertente tamb\u00e9m era importante apresentar um plano A e um plano B. O plano A \u00e9 o primeiro a ser aplicado e o plano B \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o de recurso para o caso de diversos obst\u00e1culos impedirem a aplica\u00e7\u00e3o do plano A. Exemplo: o plano A prop\u00f5e uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel da d\u00edvida, por meio de acordos amig\u00e1veis com os credores (era isto que propunha o plano de Tessal\u00f3nica, aprovado em 2014 \u2013 ver adiante). Caso os credores recusem uma redu\u00e7\u00e3o radical da d\u00edvida, h\u00e1 que apontar em linhas gerais o que far\u00e1 o governo no quadro de um plano B (suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, auditoria da d\u00edvida com participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, medidas visando o rep\u00fadio da d\u00edvida \u2013 ver adiante).\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 afirmada a necessidade de reformas constitucionais, mas sem dizer se \u00e9 preciso convocar elei\u00e7\u00f5es gerais para eleger uma assembleia constituinte. Ora \u00e9 muito importante pronunciar-se sobre a forma de realizar reformas constitucionais. S\u00e3o coisas muito diferentes formar uma maioria qualificada dentro do Parlamento ou iniciar dilig\u00eancias abertas a toda a sociedade, passando pela convoca\u00e7\u00e3o de uma assembleia constituinte.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de Maio\/2012 na Gr\u00e9cia n\u00e3o permitiam a um partido ou a uma coliga\u00e7\u00e3o de partidos constituir governo, o que levou a novas elei\u00e7\u00f5es em Junho\/2012. Entre as duas elei\u00e7\u00f5es, Tsipras avan\u00e7a 5 propostas concretas para encetar negocia\u00e7\u00f5es com os partidos que se opunham \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Troika,767\">Troika<\/a> (com excep\u00e7\u00e3o do Aurora Dourada, que, apesar contr\u00e1rio ao Memorando, \u00e9 exclu\u00eddo): 1. aboli\u00e7\u00e3o de todas as medidas anti-sociais (incluindo a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e das reformas); 2. aboli\u00e7\u00e3o de todas as medidas que reduziram os direitos dos trabalhadores em mat\u00e9ria de protec\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o; 3. aboli\u00e7\u00e3o imediata da imunidade dos deputados e reforma do sistema eleitoral; 4. auditoria dos bancos gregos;\u00a0<strong>5. constitui\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o internacional de auditoria da d\u00edvida, combinada com a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida at\u00e9 \u00e0 conclus\u00e3o dos trabalhos dessa comiss\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de Junho\/2012 o Syriza obteve 26,5\u00a0% dos votos com esta orienta\u00e7\u00e3o radical que punha em causa Varoufakis.<\/p>\n<p> <strong>Apesar de Varoufakis discordar do programa do Syriza de 2012, Tsipras e Pappas pedem-lhe que redija um programa de governo<\/strong><\/p>\n<p>Entre as duas elei\u00e7\u00f5es, Varoufakis voltou a ser contactado por Pappas e realizou-se novo encontro com Tsipras. Pappas declara-lhe:<\/p>\n<p>\u00ab \u2013 Nota bem que, se ganharmos, \u00e9s tu quem vai estar encarregue de negociar com a UE e o FMI!\u00bb<\/p>\n<p>Pappas pede a Varoufakis que prepare um documento onde sejam explicadas as linhas gerais da melhor estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o, caso o Syriza ganhasse as elei\u00e7\u00f5es de 17 de Junho, da\u00ed a tr\u00eas semanas.<\/p>\n<p>Varoufakis mete m\u00e3os \u00e0 obra nessa mesma noite e desenvolve a ideia de que o capital dos bancos gregos deve sujeitar-se ao controlo europeu.\u00a0<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2815\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/indignados_syntagma.jpg?resize=500%2C302\" width=\"500\" height=\"302\" alt=\"indignados_syntagma\" style=\"margin-right: 10px; float: left;\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/indignados_syntagma.jpg?w=637 637w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/indignados_syntagma.jpg?resize=300%2C181 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/indignados_syntagma.jpg?resize=480%2C290 480w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Segundo Varoufakis, era conveniente transformar \u00abos contribuintes europeus em propriet\u00e1rios dos bancos gregos: de facto os bancos deixariam de estar sob a responsabilidade do Estado, passando a ser detidos pelo povo europeu, pedindo-se \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias que os gerissem em seu nome. Era a \u00fanica maneira de restaurar a confian\u00e7a nos bancos\u00bb. Conforme foi referido na primeira parte desta s\u00e9rie, ao propor a transfer\u00eancia para a UE das ac\u00e7\u00f5es detidas pelos poderes p\u00fablicos gregos nos bancos do pa\u00eds, Varoufakis deu mais um passo dram\u00e1tico em direc\u00e7\u00e3o ao completo abandono da soberania.<\/p>\n<p>Segundo Varoufakis, isto facilitaria a reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Acrescentou ainda uma segunda proposta: \u00abEm segundo lugar, todos os reembolsos da d\u00edvida \u00e0 UE e ao FMI deveriam depender de uma condi\u00e7\u00e3o: que a retoma do pa\u00eds seja uma condi\u00e7\u00e3o m\u00ednima reconhecida. \u00c9 a \u00fanica maneira de fazer com que a economia nacional volte a arrancar.\u00bb<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que para Varoufakis a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, acima referida, fazia parte da negocia\u00e7\u00e3o. Essa suspens\u00e3o teria de ser autorizada pelos credores \u2013 n\u00e3o era, portanto, um acto soberano. Varoufakis prossegue a evoca\u00e7\u00e3o da sua quimera: \u00abSe fossem activadas em conjunto, estas duas alavancas da reestrutura\u00e7\u00e3o anunciariam uma nova era: a UE e o FMI deixariam de ser como Ebenezer Scrooge, o avaro do\u00a0Conto de Natal\u00a0de Dickens. Passariam a ser verdadeiros parceiros, empenhados em promover o restabelecimento da Gr\u00e9cia, sem o qual os seus empr\u00e9stimos seriam, de todas as maneiras, largamente reduzidos.\u00bb<\/p>\n<p>Em vez de suspender unilateralmente o pagamento da d\u00edvida, Varoufakis prop\u00f4s a recusa de novos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Creditos,1248\">cr\u00e9ditos<\/a>: \u00abse voc\u00eas estiverem dispostos a propor condi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis e sensatas, mas recusarem novos empr\u00e9stimos [\u2026], a UE e o FMI aceitar\u00e3o sentar-se \u00e0 mesa connosco \u2013 sair-lhes-ia demasiado cara a recusa, financeira e politicamente\u00bb.<\/p>\n<p> <strong>Tsipras fica na d\u00favida sobre a proposta de Varoufakis quanto aos bancos gregos<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tu queres que eu anuncie que entregamos de bandeja os bancos gregos aos estrangeiros? Como queres tu que eu venda essa ideia ao Syriza?\u00bb, perguntou-lhe Tsipras numa reuni\u00e3o ulterior, na sede do partido.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 isso mesmo que deves fazer. [\u2026]<\/p>\n<p>Alexis aceitou. O que n\u00e3o significa que a ideia lhe agradasse. Tanto mais quanto o comit\u00e9 central do Syriza tendia naturalmente para a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos.\u00bb<\/p>\n<p>Ainda assim, Tsipras objectou que \u00abum governo sem qualquer poder sobre os bancos comerciais activos na Gr\u00e9cia jamais poder\u00e1 levar a cabo uma pol\u00edtica industrial nem um plano de desenvolvimento e reconstru\u00e7\u00e3o.\u00a0Como havemos de fazer o comit\u00e9 central engolir esta p\u00edlula?\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis, vendo que \u00abtinha escapado um ponto\u00bb a Tsipras, retorquiu: \u00abComo n\u00f3s somos verdadeiros internacionalistas e verdadeiros europeus progressistas, arrancaremos os bancos falidos aos gregos corruptos, para os confiar ao europeu comum, aos cidad\u00e3os que injectaram o seu dinheiro nesses bancos.\u00bb<\/p>\n<p>Os contactos descritos por Varoufakis decorreram ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es gerais de 6 de Maio de 2012.<\/p>\n<p>Dada a impossibilidade de constituir governo, foram convocadas novas elei\u00e7\u00f5es gerais para 17 de Junho de 2012.<\/p>\n<p>Varoufakis explica que, ao ouvir o discurso de Tsipras de 24 de Maio, no qual este exp\u00f4s em pormenor a pol\u00edtica econ\u00f3mica do Syriza, deu-se conta que havia um abismo entre o que tinha sido proposto e o que poderia efectivamente ser posto em pr\u00e1tica na zona euro. \u00abPassada uma hora enviei um email arrasador a Alexis e a Pappas, sublinhando todas as falhas de constru\u00e7\u00e3o das suas promessas [\u2026].\u00bb<\/p>\n<p> <strong>Tsipras d\u00e1 uma guinada \u00e0 direita que o aproxima um pouco mais de Varoufakis ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de Maio-Junho\/2012<\/strong><\/p>\n<p>Acrescento ao relato de Varoufakis o meu pr\u00f3prio testemunho, baseado num contacto directo com Tsipras em Outubro\/2012.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o de poucos meses, o empenho em realizar uma auditoria \u00e0 d\u00edvida e suspender o pagamento durante a sua realiza\u00e7\u00e3o desapareu progressivamente do discurso de Tsipras e de outros dirigentes do Syriza. Isto passou-se de forma discreta, de modo que a quinta medida proposta por Tsipras em Maio\/2012 acabou substitu\u00edda pela proposta de reunir uma confer\u00eancia europeia para, nomeadamente, reduzir a d\u00edvida grega.<\/p>\n<p>Ao longo de uma entrevista com Tsipras, em in\u00edcios de Outubro\/2012, as minhas suspeitas sobre a sua mudan\u00e7a de rumo confirmaram-se. Dois dias antes o Wall Street Journal tinha publicado as notas secretas da reuni\u00e3o do FMI de 9 de Maio de 2010, que indicavam explicitamente que uma dezena de membros da direc\u00e7\u00e3o do FMI (composta por 24 membros) era contra o Memorando, partindo do princ\u00edpio que n\u00e3o tinha pernas para andar, porque se tratava do resgate de bancos franceses e alem\u00e3es e n\u00e3o de um plano de ajuda \u00e0 Gr\u00e9cia. Eu disse a Tsipras e ao seu conselheiro econ\u00f3mico: \u00abVoc\u00eas t\u00eam aqui um argumento s\u00f3lido para irem contra o FMI, porque se temos a prova de que o FMI sabia que o seu programa n\u00e3o tinha pernas para andar e se sabia que a d\u00edvida n\u00e3o era sustent\u00e1vel, temos nas m\u00e3os o selo de\u00a0ilegitimidade e ilegalidade da d\u00edvida.\u00bb\u00a0Tsipras respondeu-me: \u00abMas repara \u2026 o FMI est\u00e1 apenas a distanciar-se da Comiss\u00e3o Europeia.\u00bb Percebi logo que ele pensava que o FMI podia ser um aliado do Syriza, no caso de o Syriza aceder ao governo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m disse a Tsipras que tinha verificado que ele tinha deixado de falar das cinco propostas que apresentara como priorit\u00e1rias ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de Maio\/2012 e que a quest\u00e3o da auditoria j\u00e1 n\u00e3o era colocada. Respondeu-me sem convic\u00e7\u00e3o que mantinha as cinco propostas e que n\u00e3o havia motivos para discutirmos por causa disso.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Tsipras e eu demos uma confer\u00eancia p\u00fablica perante 3000 pessoas, por ocasi\u00e3o do primeiro festival de juventude do Syriza. Dei-me conta de que o meu discurso, que insistia na necessidade de adoptar uma orienta\u00e7\u00e3o radical \u00e0 escala europeia, n\u00e3o lhe caiu no goto.\u00a0[<a title=\"Voir \u00c9ric Toussaint : \u00abO povo grego encontra-se hoje no epicentro da crise do\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-13\">13<\/a>]<\/p>\n<p>Estou convencido que s\u00f3 depois das elei\u00e7\u00f5es de Maio-Junho\/2012 Tsipras e Pappas apostaram definitivamente em Varoufakis para fazer parte do Governo. At\u00e9 a\u00ed, encontravam-se com ele para sondar ideias e depois iam reflectir os dois sobre a maneira de se emanciparem das decis\u00f5es do Syriza.<\/p>\n<p> <strong>Varoufakis regressa ao tema da sua colabora\u00e7\u00e3o com Tsipras e Pappas em in\u00edcios de 2013<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis conta que redigiu o discurso que Tsipras pronunciou na Brookings Institution, um think tank sediado em Washington e muito pr\u00f3ximo dos Democratas. Varoufakis resume o discurso a dois pontos. Em primeiro lugar, o Syriza era um partido pr\u00f3-europeu que tudo faria para que a Gr\u00e9cia permanecesse na zona euro; para permanecer na zona euro e para que esta sobrevivesse, era necess\u00e1rio um novo plano cuja prioridade das prioridades era a reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, seguida de reformas que minassem o poderio da oligarquia grega sobre a economia. Em segundo lugar, os EUA nada tinham a recear da pol\u00edtica econ\u00f3mica ou estrangeira de um eventual governo Syriza.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Varoufakis regressa ao tema da sua colabora\u00e7\u00e3o com Tsipras e Pappas em in\u00edcios de 2013<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis conta que redigiu o discurso que Tsipras pronunciou na Brookings Institution, um think tank sediado em Washington e muito pr\u00f3ximo dos Democratas. Varoufakis resume o discurso a dois pontos. Em primeiro lugar, o Syriza era um partido pr\u00f3-europeu que tudo faria para que a Gr\u00e9cia permanecesse na zona euro; para permanecer na zona euro e para que esta sobrevivesse, era necess\u00e1rio um novo plano cuja prioridade das prioridades era a reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, seguida de reformas que minassem o poderio da oligarquia grega sobre a economia. Em segundo lugar, os EUA nada tinham a recear da pol\u00edtica econ\u00f3mica ou estrangeira de um eventual governo Syriza.<\/p>\n<p>Esta orienta\u00e7\u00e3o defendida por Varoufakis e assumida por Tsipras estava em clara oposi\u00e7\u00e3o ao programa do Syriza, que prometia a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da OTAN.<\/p>\n<p> <strong>Varoufakis encontra-se com a equipa de economistas do Syriza em Maio\/2013<\/strong><\/p>\n<p>Em Maio de 2013, em Atenas, Varoufakis trava conhecimento com a equipa de economistas de Tsipras.<\/p>\n<p>\u00abAl\u00e9m de Pappas e de Dragasakis, ministro da Finan\u00e7as fantasma, a equipa inclu\u00eda dois outros deputados do Syriza que eu conhecia e de quem gostava muito: Euclide Tsakalotos, colega e amigo da Universidade de Atenas, e George Stathakis, professor de economia na Universidade de Creta.\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis explica que lhes apresentou a proposta de programa que Tsipras lhe tinha encomendado.<\/p>\n<p>\u00abEntraram todos em parafuso, o que significava que eu tinha conseguido dissuadir Alexis de ter em vista o Grexit e de o agitar como amea\u00e7a. Perdi muitos amigos de esquerda no seio do Syriza, que nunca me perdoaram por ter contribu\u00eddo para excluir o Grexit dos objectivos do Syriza. Em contrapartida, o c\u00edrculo pr\u00f3ximo de economistas de Alexis levava a peito encontrar uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel no seio da zona euro.\u00bb<\/p>\n<p> <strong>Uma nova \u00abconfer\u00eancia de Londres\u00bb? A esperan\u00e7a de coopera\u00e7\u00e3o internacional versus \u00ab<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Accao\">ac\u00e7\u00e3o<\/a> soberana unilateral\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Volto a dar-vos um testemunho pessoal, relativo \u00e0 segunda reuni\u00e3o de trabalho que tive com Tsipras. Desenrolou-se em Atenas em fins de Outubro, no seu escrit\u00f3rio de deputado, no edif\u00edcio do Parlamento grego. Uma das iniciativas que Alexis Tsipras tinha em vista era a convoca\u00e7\u00e3o de uma confer\u00eancia internacional sobre a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, a realizar em Atenas em Mar\u00e7o de 2014. Tsipras, pressionado por Sofia Sakorafa, que era deputada do Syriza desde 2012, voltou a encontrar-se comigo em Outubro de 2013 e pediu-me para convencer uma s\u00e9rie de personalidades internacionais a aceitarem o convite para essa confer\u00eancia. Fiz uma lista de participantes e discutimos com Alexis Tsipras, Sofia Sakorafa e Dimitri Vitsas, secret\u00e1rio-geral do Syriza nessa \u00e9poca. Propus que se convidassem para a confer\u00eancia personalidades como Rafael Correa, Diego Borja (ex-director do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Banco-central,1236\">Banco Central<\/a> do Equador), Joseph Stiglitz, Noam Chomsky, Susan George, David Graeber, Naomi Klein\u2026 assim como alguns membros da comiss\u00e3o de auditoria da d\u00edvida equatoriana que tinham trabalhado comigo em 2007 e 2008. Notei que, na lista que apresentei, Rafael Correa n\u00e3o lhe interessava nada. Em contrapartida queria o ex-presidente do Brasil, Lula, e a presidente da Argentina, Cristina Fernandez. Para ele o Equador era demasiado radical. E, claro est\u00e1, queria Joseph Stiglitz e James Galbraith, o que se justifica. Mas na cabe\u00e7a dele n\u00e3o era para criar uma comiss\u00e3o de auditoria, era para convocar os diversos pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Europeia para uma confer\u00eancia europeia sobre a d\u00edvida, \u00e0 imagem do Acordo de Londres de 1953, quando os vencedores da Segunda Guerra Mundial concederam \u00e0 Alemanha Ocidental uma redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida muito consider\u00e1vel e condi\u00e7\u00f5es de reembolso muito vantajosas. Disse-lhe que n\u00e3o havia hip\u00f3tese de alcan\u00e7ar semelhante coisa. Como dirigente do Syriza, ele tinha perfeita legitimidade para avan\u00e7ar com um tal plano A, mas era impens\u00e1vel que Draghi, Hollande, Merkel, Rajoy consentissem. Disse-lhe que era necess\u00e1rio um plano B, do qual deveria constar a comiss\u00e3o de auditoria. Afirmei o mesmo na imprensa grega. Eis um excerto da minha entrevista, publicada pelo\u00a0Quotidien des R\u00e9dacteurs, pr\u00f3ximo do Syriza, em Outubro\/2014, quase no mesmo dia em que teve lugar a reuni\u00e3o com Tsipras. O jornalista tinha-me perguntado o que pensava eu da confer\u00eancia europeia sobre a d\u00edvida, proposta por Alexis Tsipras e inspirada na Confer\u00eancia de Londres de 1953, ao que respondi: \u00abTrata-se de uma iniciativa leg\u00edtima [\u2026] mas ningu\u00e9m ser\u00e1 capaz de convencer os governos das principais economias europeias e as institui\u00e7\u00f5es da UE a faz\u00ea-lo. O meu conselho \u00e9 este: o \u00faltimo dec\u00e9nio mostrou-nos que \u00e9 poss\u00edvel chegar a solu\u00e7\u00f5es equilibradas aplicando actos soberanos unilaterais. \u00c9 preciso desobedecer aos credores que reclamam o pagamento de uma d\u00edvida ileg\u00edtima e imp\u00f5em pol\u00edticas que violam os direitos humanos fundamentais, entre os quais se contam os direitos econ\u00f3micos e sociais das popula\u00e7\u00f5es. Penso que a Gr\u00e9cia tem argumentos s\u00f3lidos para agir e para formar um governo que seja apoiado pelos cidad\u00e3os e que explore as possibilidades nesse sentido. Um governo popular desse tipo e de esquerda poderia organizar uma comiss\u00e3o de auditoria da d\u00edvida, com larga participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, que permitiria determinar que parte da d\u00edvida \u00e9 ilegal e odiosa, suspender unilateralmente os pagamentos e repudiar de seguida a d\u00edvida identificada como ileg\u00edtima, odiosa ou ilegal.\u00bb\u00a0[<a title=\"Ver \u00abO apelo de Alexis Tsipras para uma Confer\u00eancia Internacional sobre a\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-14\">14<\/a>]<\/p>\n<p>Por fim, Alexis Tsipras prop\u00f4s-me que preparasse com ele e com Pierre Laurent, \u00e0 \u00e9poca presidente do Partido da Esquerda Europeia, uma confer\u00eancia europeia em que um dos temas seria a d\u00edvida. A confer\u00eancia deveria decorrer em Mar\u00e7o\/2014 em Atenas. N\u00e3o chegou a concretizar-se porque, numa reuni\u00e3o efectuada em Dezembro\/2013 em Madrid, o Partido da Esquerda Europeia decidiu convocar uma confer\u00eancia a realizar em Bruxelas, em vez de Atenas, na Primavera de 2014.<\/p>\n<p>Aquando da confer\u00eancia de Bruxelas, que teve muito poucas repercuss\u00f5es e onde estavam presentes, entre outros, Alexis Tsipras, Pierre Laurent, Gabi Zimmer (membro do Die Linke e presidente do grupo parlamentar GUE\/NGL no Parlamento europeu), participei como conferencista num painel, juntamente com Euclide Tsakalotos, que viria ser ministro das Finan\u00e7as de Alexis Tsipras a partir de Julho\/2015.\u00a0[<a title=\"Euclide Tsakalotos, que em 2014 era professor de economia no Reino Unido,\u00a0(...)\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nb2-15\">15<\/a>]\u00a0Dei-me conta nesse instante que Tsakalotos n\u00e3o era nada favor\u00e1vel a um plano B para a d\u00edvida, os bancos, a fiscalidade. O seu plano consistia em negociar a qualquer pre\u00e7o com as institui\u00e7\u00f5es europeias, para obter uma redu\u00e7\u00e3o da austeridade, sem recorrer \u00e0 suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida e \u00e0 auditoria. Na mesma confer\u00eancia voltei a argumentar a favor de um plano B que inclu\u00edsse a auditoria e a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a necessidade de um plano B n\u00e3o data no entanto de 2015, remonta claramente aos anos 2013-2014. O n\u00facleo dirigente que rodeava Tsipras decidiu excluir a prepara\u00e7\u00e3o de um plano B e agarrou-se com unhas e dentes a um plano A irrealiz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Regressemos \u00e0 narrativa apresentada por Varoufakis. Alguns dias ap\u00f3s o encontro que tive em Atenas com Tsipras, este dirigiu-se ao Texas, para um semin\u00e1rio organizado por Varoufakis e pelo seu amigo e colega James Galbraith.<\/p>\n<p> <strong>Novembro\/2013: Varoufakis organiza a ida de Tsipras \u00e0 Universidade Lyndon B. Johnson, em Austin, no Texas<\/strong><\/p>\n<p>\u00abEm Novembro\/2013, Jamie e eu organiz\u00e1mos um col\u00f3quio de dois dias na Universidade do Texas, sob o tema \u201c\u00c9 poss\u00edvel salvar a zona euro?\u201d. Esperava-se que Alexis, Pappas e Stathakis, muito aguardados, interviessem. O objectivo era apresentar os tr\u00eas dirigentes do Syriza a algumas figuras das elites europeia e americana, a dirigentes dos sindicatos, professores universit\u00e1rios e jornalistas. [\u2026]<\/p>\n<p>Durante o col\u00f3quio, Pappas e Tsipras assistiram a um debate particularmente acalorado entre a minha pessoa e Heiner Flassbeck, um economista alem\u00e3o de esquerda, antigo ministro das Finan\u00e7as do governo de Schroeder. Flassbeck afirmava ser imposs\u00edvel a Gr\u00e9cia libertar-se da pris\u00e3o da d\u00edvida e ao mesmo tempo manter-se na zona euro. Um governo Syriza deveria visar o Grexit, ou pelo menos era esta a melhor amea\u00e7a a brandir contra os credores \u2013 de resto era tamb\u00e9m este o ponto de vista da Plataforma de Esquerda, uma fac\u00e7\u00e3o do Syriza que contava entre os seus membros com um ter\u00e7o do comit\u00e9 central do partido. Nesse dia, em Austin, fiquei convencido de que Alexis n\u00e3o estava de acordo com esta an\u00e1lise; se algu\u00e9m viesse a amea\u00e7ar o pa\u00eds de Grexit, seria Troika, n\u00e3o o Syriza.\u00bb<\/p>\n<p> <strong>Junho\/2014: novo encontro com a equipa de economistas de Tsipras<\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-2816\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dragasakis.jpg?resize=251%2C228\" width=\"251\" height=\"228\" alt=\"dragasakis\" style=\"margin-right: 10px; float: left;\" \/>\u00abNesse m\u00eas de Junho de 2014, regressado \u00e0 Gr\u00e9cia para umas f\u00e9rias de Ver\u00e3o, encontrei-me com Alexis e com a sua trupe de economistas, para os avisar de que uma nova amea\u00e7a se perfilava.\u00bb Varoufakis explica que os alertou contra a ac\u00e7\u00e3o que o BCE tencionava levar a cabo a partir do in\u00edcio de 2015: fechar o fornecimento de liquidez aos bancos de certos pa\u00edses da zona euro e apenas lhes conceder liquidez de urg\u00eancia. Este acto visava particularmente a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>\u00abDois dias mais tarde voltei a encontrar-me com Alexis e Pappas.<\/p>\n<p>\u2013 Tens consci\u00eancia de que \u00e9s a \u00fanica pessoa capaz de supervisionar a estrat\u00e9gia que prop\u00f5es? Est\u00e1s preparado?\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis continua: \u00abUma semana mais tarde, Wassily Kafouros, um amigo dos meus tempos de estudante em Inglaterra, lan\u00e7ou novas d\u00favidas no meu esp\u00edrito. Segundo ele, eu era a \u00faltima pessoa a ignorar que Dragasakis era muito pr\u00f3ximo dos banqueiros.<\/p>\n<p>\u2013 Tens provas disso, Wassily?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o tenho provas, mas \u00e9 sabido que ele mant\u00e9m excelentes rela\u00e7\u00f5es com os banqueiros, desde que ingressou no partido.<\/p>\n<p>Pensei que se tratava de uma acusa\u00e7\u00e3o infundada.\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis mostra clararamente desconhecer o Syriza e os seus dirigentes. De facto, Dragasakis mantinha h\u00e1 anos la\u00e7os com os banqueiros. Tinha at\u00e9 administrado um banco de dimens\u00e3o m\u00e9dia. Era uma esp\u00e9cie de ponte entre Tsipras e os banqueiros. O Syriza era uma organiza\u00e7\u00e3o nova e por isso os seus l\u00edderes pol\u00edticos tinham relativamente poucas ra\u00edzes no aparelho de Estado \u2013 ao contr\u00e1rio, por exemplo, do Pasok, cuja hist\u00f3ria est\u00e1 ligada \u00e0 Rep\u00fablica e \u00e0 gest\u00e3o do aparelho de Estado. Antes de Janeiro\/2015, nenhum dirigente do Syriza tinha exercido fun\u00e7\u00f5es no Estado; o \u00fanico que tinha sido ministro a dada altura, durante alguns meses de 1989, era \u2026 Dragasakis (num governo de coliga\u00e7\u00e3o entre o partido de direita Nova Democracia e o Partido Comunista, KKE, do qual Dragasakis era membro \u00e0 \u00e9poca). Dragasakis era claramente contr\u00e1rio a que se tocasse nos interesses dos banqueiros privados gregos; era igualmente contr\u00e1rio \u00e0 auditoria da d\u00edvida e \u00e0 suspens\u00e3o do pagamento; era favor\u00e1vel \u00e0 perman\u00eancia na zona euro.<\/p>\n<p> <strong>Agosto\/2014: as d\u00favidas sobre Dragasakis e a vontade de mudar o programa do Syriza<\/strong><\/p>\n<p>Em Agosto\/2014 Varoufakis acaba por transmitir as suas d\u00favidas sobre Dragasakis.<\/p>\n<p>\u00abOlha, Alexis, ouvi dizer que Dragasakis \u00e9 extremamente pr\u00f3ximo dos bancos. E que, de maneira geral, embora fa\u00e7a de conta que quer encontrar uma sa\u00edda, prefere manter o statu quo.<br \/> Ele n\u00e3o me respondeu de imediato. Lan\u00e7ou um olhar para longe, na direc\u00e7\u00e3o do Peleponeso, antes de se voltar para responder:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o me parece. N\u00e3o penses nisso.<\/p>\n<p>Senti-me desconcertado pelo seu laconismo. Seria que ele tamb\u00e9m tinha d\u00favidas mas preferia acreditar na probidade de um camarada mais velho? Seria uma maneira de ignorar a minha pergunta? Ainda hoje n\u00e3o sei que pensar. Nessa ocasi\u00e3o disse-me que eu n\u00e3o tinha escolha: de todas as formas, caber-me-ia um papel essencial nas negocia\u00e7\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis garante a Tsipras que pode contar com ele, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: reserva-se o direito de intervir na elabora\u00e7\u00e3o do programa econ\u00f3mico do Syriza antes das elei\u00e7\u00f5es. Tsipras aceita.<\/p>\n<p> <strong>Varoufakis: contra o programa de Tessal\u00f3nica de Setembro\/2014<\/strong><\/p>\n<p>\u00abUm m\u00eas depois, estava eu em Austin quando me chegou a informa\u00e7\u00e3o de que Alexis tinha apresentado as linhas gerais da pol\u00edtica econ\u00f3mica do Syriza, num discurso em Tessal\u00f3nica. Surpreendido, procurei o texto e li-o. Senti-me assolado por uma vaga de nojo e indigna\u00e7\u00e3o.\u00bb Varoufakis faz uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica a criticar duramente o programa e convence-se de que terminara ali a colabora\u00e7\u00e3o com Tsipras.<\/p>\n<p>Eis sen\u00e3o quando, golpe de teatro: Pappas ao telefone, alegre como um passarinho, como se nada se tivesse passado, prop\u00f5e-lhe novo encontro. Varoufakis exprime o seu espanto e Pappas responde-lhe: \u00abEsquece isso, n\u00e3o interessa. O Programa de Tessal\u00f3nica foi um toque a rebate para as nossas tropas. Nada mais do que isso. Contamos contigo para p\u00f4r em p\u00e9 o verdadeiro programa econ\u00f3mico do Syriza.\u00bb Perante isto, Varoufakis aceita prosseguir a colabora\u00e7\u00e3o e acaba por ser ministro das Finan\u00e7as. Explica que na reuni\u00e3o onde deu o seu acordo ocorreu a seguinte conversa:<\/p>\n<p>\u00abComo sabem, tenho grandes reservas sobre o Programa de Tessal\u00f3nica. Ali\u00e1s, tenho mesmo muito pouca considera\u00e7\u00e3o por esse programa. Uma vez que foi apresentado ao povo grego como sendo a vossa profiss\u00e3o de f\u00e9 econ\u00f3mica, n\u00e3o vejo como poderia, honestamente, aceitar a responsabilidade de o p\u00f4r em marcha como ministro das Finan\u00e7as.<\/p>\n<p>Pappas aproveitou a ocasi\u00e3o para me reafirmar que em caso algum eu deveria considerar esse programa como uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Ali\u00e1s, tu nem sequer \u00e9s membro do Syriza.<\/p>\n<p>\u2013 De acordo, mas n\u00e3o esperam que eu me torne membro do partido se aceitar o cargo?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, de forma alguma \u2013 atalhou Alexis, cuja resposta j\u00e1 vinha muito bem estudada. \u2013 N\u00e3o pretendo que sejas membro do Syriza. N\u00e3o pretendo que te envolvas nas longas e tortuosas tomadas de decis\u00e3o do partido.\u00bb<\/p>\n<p> <strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis era um electr\u00e3o livre, sem influ\u00eancia dentro do Syriza (do qual n\u00e3o era membro). Tsipras considerava que poderia, em caso de necessidade, demiti-lo sem provocar grandes rumores dentro do partido. O perfil de Varoufakis correspondia ao casting definido por Tsipras e Pappas: economista universit\u00e1rio, brilhante, bom comunicador, capaz de conjugar a provoca\u00e7\u00e3o e a concilia\u00e7\u00e3o com um sorriso, com um dom\u00ednio perfeito da l\u00edngua inglesa.<\/p>\n<p>Alexis Tsipras decidiu funcionar num c\u00edrculo \u00e0 parte, nas costas do seu pr\u00f3prio partido, em vez de p\u00f4r em marcha a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decidida de forma colectiva no seio do Syriza e aprovada democraticamente pela popula\u00e7\u00e3o grega. A nomea\u00e7\u00e3o de Yanis Varoufakis para a pasta das Finan\u00e7as e a recomenda\u00e7\u00e3o de que ele n\u00e3o ingressasse no partido correspondem a uma l\u00f3gica de governa\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica, gra\u00e7as \u00e0 qual Varoufakis n\u00e3o respondia perante o Syriza nem perante os eleitores gregos, mas unicamente perante Alexis Tsipras e seu pequeno c\u00edrculo. \u00c9 evidente que a aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o popular e de mecanismos democr\u00e1ticos na elabora\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contrariava a necessidade, inerente a um governo de esquerda, de apelar \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular, de modo a p\u00f4r em pr\u00e1tica o programa pol\u00edtico radical gra\u00e7as ao qual Tsipras tinha sido eleito. A mem\u00f3ria dos acontecimentos entre 2011 e finais de 2014 \u00e9 indispens\u00e1vel para compreender o que se passou ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral do Syriza em Janeiro\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Fim da terceira parte da s\u00e9rie \u00abO relato da crise grega feito por Yanis Varoufakis: acabrunhante para ele pr\u00f3prio\u00bb<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong> <\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Eric Toussaint. Tradu\u00e7\u00e3o: Rui Viana Pereira<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-1\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-1\">1<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 3, p. 57. Todas as cita\u00e7\u00f5es prov\u00eam dos cap\u00edtulos 3 e 4. O livro ser\u00e1 publicado no Outono de 2017 em franc\u00eas, pelo editor Les Liens qui Lib\u00e8rent.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-2\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-2\">2<\/a>]\u00a0Ver o texto desta carta em James K. Galbraith, Crise grecque, trag\u00e9die europ\u00e9enne, Le Seuil, 2016,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.seuil.com\/ouvrage\/crise-grecque-tragedie-europeenne-james-k-galbraith\/9782021314847\">http:\/\/www.seuil.com\/ouvrage\/crise-grecque-tragedie-europeenne-james-k-galbraith\/9782021314847<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-3\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-3\">3<\/a>]\u00a0\u00abOuvrez les livres de comptes de la dette publique!\u00bb,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Ouvrez-les-livres-de-compte-de-la\">http:\/\/cadtm.org\/Ouvrez-les-livres-de-compte-de-la<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-4\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-4\">4<\/a>]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Commission-Internationale-d-audit\">http:\/\/cadtm.org\/Commission-Internationale-d-audit<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-5\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-5\">5<\/a>]\u00a0Em 2011 o Ethnos tis Kyriakis, de centro-esquerda, era o terceiro jornal di\u00e1rio grego em volume de tiragem (100 000 exemplares). Vers\u00e3o em grego da entrevista publicada a 9 de Janeiro de 2011:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ethnos.gr\/article.asp?ca..\">http:\/\/www.ethnos.gr\/article.asp?ca..<\/a>. Vers\u00e3o francesa:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Les-peuples-de-l-Europe-ont-aussi\">http:\/\/cadtm.org\/Les-peuples-de-l-Europe-ont-aussi<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-6\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-6\">6<\/a>]\u00a0er em grego: \u03a3\u03c7\u03cc\u03bb\u03b9\u03b1\u0393\u03b9\u03ac\u03bd\u03b7\u03c2 \u0392\u03b1\u03c1\u03bf\u03c5\u03c6\u03ac\u03ba\u03b7\u03c2 Debtocracy : \u0393\u03b9\u03b1\u03c4\u03af \u03b4\u03b5\u03bd \u03c3\u03c5\u03bd\u03c5\u03c0\u03ad\u03b3\u03c1\u03b1\u03c8\u03b1\u00a0<a href=\"http:\/\/www.protagon.gr\/?i=protagon...\">http:\/\/www.protagon.gr\/?i=protagon&#8230;<\/a>. , publicado a 11 de Abril de 2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-7\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-7\">7<\/a>]\u00a0Ver a prop\u00f3sito de\u00a0Debtocracy: \u00abD\u00edvida: os gregos e a Debtocracy\u00bb,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Divida-os-gregos-e-a-Deptocracy\">http:\/\/www.cadtm.org\/Divida-os-gregos-e-a-Deptocracy<\/a>, publicado a 13 de Julho de 2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-8\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-8\">8<\/a>]\u00a0Ver o diaporama da minha exposi\u00e7\u00e3o: \u00abEric Toussaint, Greece: Symbol of Illegitimate Debt\u00bb, publicado a 12 Mar\u00e7o 2011. As principais propostas decorrentes da minha apresenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o expressas no texto: \u00c9ric Toussaint, \u00abOito propostas urgentes para uma outra Europa\u00bb, publicado a 4 Abril 2011,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Oito-propostas-urgentes-para-uma\">http:\/\/www.cadtm.org\/Oito-propostas-urgentes-para-uma<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-9\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-9\">9<\/a>]\u00a0Elena Papadopoulou and Gabriel Sakellaridis (eds.), The Political Economy of Public Debt and Austerity in the EU, Athens: Nissos Publications 2012, 290 p., ISBN : 9-789609-535465<br \/> \u00c9 \u00fatil reproduzir o \u00edndice desse interessante livro, porque os nomes de actores chave do Syriza l\u00e1 aparecem:<br \/> Elena Papadopoulou, Gabriel Sakellaridis (Gabriel S. foi porta-voz do grupo parlamentar do Syriza no Parlamento grego em 2015. Demitiu-se em Dezembro 2015, por discordar da aplica\u00e7\u00e3o do 3.\u00ba Memorando. J\u00e1 n\u00e3o faz parte do Syriza):<br \/> Introduction. Section 1 &#8211; Understanding the European Debt Crisis in a Global Perspective<br \/> George Stathakis (George S. \u00e9 ministro da Economia no Governo de Tsipras 2; fazia parte da ala direita do Syriza e era totalmente contr\u00e1rio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da auditoria da d\u00edvida grega; em finais de 2015 a imprensa revelou que ele teria fugido a declarar ao fisco 1,8 million d eeuros e 38 bens imobili\u00e1rios): The World Public Debt Crisis. Brigitte Unger: Causes of the Debt Crisis: Greek Problem or Systemic Problem?<br \/> Euclide Tsakalotos (ministro das Finan\u00e7as a partir de Julho 2015): Crisis, Inequality and Capitalist Legitimacy. Dimitris Sotiropoulos: Thoughts on the On-going European Debt Crisis: A New Theoretical and Political Perspective<br \/> Section 2 \u2013 The Management of the Debt Crisis by the EU and the European Elites. Marica Frangakis: From Banking Crisis to Austerity in the EU \u2013 The Need for Solidarity. Jan Toporowski: Government Bonds and European Debt Markets. Riccardo Bellofiore: The Postman Always Rings Twice: The Euro Crisis inside the Global Crisis.<br \/> Section 3 \u2013 Facets of the Social and Political Consequences of the Crisis in Europe. Maria Karamessini: Global Economic Crisis and the European Union \u2013 Implications, Policies and Challenges\u00a0<br \/> Giovanna Vertova: Women on the Verge of a Nervous Breakdown: The Gender Impact of the Crisis. Elisabeth Gauthier: The Rule of the Markets: Democracy in Shambles<br \/> Section 4 \u2013 The PIGS as (Scape) Goats.<br \/> Portugal \u2013 Mariana Mort\u00e1gua<br \/> Ireland \u2013 Daniel Finn<br \/> Greece \u2013 Eric Toussaint<br \/> Spain \u2013 Javier Navascues<br \/> Hungary \u2013 Tamas Morva<br \/> Section 5 \u2013 Overcoming the Crisis: The Imperative of Alternative Proposals. Yannis Dragasakis (vice-primeiro-ministro dos governos Tsipras 1 e 2): A Radical Solution only through a Common Left European Strategy. Kunibert Raffer: Insolvency Protection and Fairness for Greece: Implementing the Raffer Proposal. Pedro P\u00e1ez P\u00e9rez: A Latin-American Perspective on Austerity Policies, Debt and the New Financial Architecture<br \/> Nicos Chountis (ex vice-ministre des relations avec les institutions europ\u00e9ennes dans le gouvernement Tsipras1, a \u00e9t\u00e9 d\u00e9missionn\u00e9 par Tsipras pour son refus de la capitulation et est eurod\u00e9put\u00e9 de l\u2019Unit\u00e9 Populaire depuis septembre 2015) : The Debt Crisis and the Alternative Strategies of the Left. Yanis Varoufakis (ministre des finances de janvier \u00e0 juillet 2015) : A Modest Proposal for Overcoming the Euro Crisis.<br \/> Section 6 \u2013 The Crucial Role of the European Left \u2013 Political Interventions. Alexis Tsipras: A European Solution for a European Problem: The Debt Crisis as a Social Crisis.<br \/> Pierre Laurent: People Should Not Pay for the Crisis of Capitalism.<br \/> O livro est\u00e1 dispon\u00edvel em PDF:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Public-Debt-and-Austerity-in-the\">http:\/\/www.cadtm.org\/Public-Debt-and-Austerity-in-the<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-10\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-10\">10<\/a>]\u00a0Nadia Valavani \u00e9 uma personalidade p\u00fablica grega respeitada, nomeadamente pela coragem que demonstrou na luta contra a ditadura dos coron\u00e9is. Apoia a Unidade Popular desde Agosto-Setembro 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-11\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-11\">11<\/a>]\u00a0Daniel Munevar tamb\u00e9m participou nesta discuss\u00e3o. Fez parte da equipa de conselheiros de Varoufakis quando este foi ministro das Finan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-12\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-12\">12<\/a>]\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/links.org.au\/node\/2888\">http:\/\/links.org.au\/node\/2888<\/a> (vers\u00e3o a partir do ingl\u00eas).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-13\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-13\">13<\/a>]\u00a0Voir \u00c9ric Toussaint : \u00abO povo grego encontra-se hoje no epicentro da crise do capitalismo\u00bb,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Eric-Toussaint-O-povo-grego\">http:\/\/www.cadtm.org\/Eric-Toussaint-O-povo-grego<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-14\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-14\">14<\/a>]\u00a0Ver \u00abO apelo de Alexis Tsipras para uma Confer\u00eancia Internacional sobre a d\u00edvida \u00e9 leg\u00edtimo\u00bb,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Eric-Toussaint-O-apelo-de-Alexis\">http:\/\/www.cadtm.org\/Eric-Toussaint-O-apelo-de-Alexis<\/a>, 23 Outubro 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a title=\"Notas 2-15\" href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Como-Tsipras-com-a-ajuda-de#nh2-15\">15<\/a>]\u00a0Euclide Tsakalotos, que em 2014 era professor de economia no Reino Unido, substituiu a partir de Julho\/2015 Varoufakis no posto de ministro das Finan\u00e7as. Continuava a ocupar essa fun\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de 2017, no governo de Tsipras II.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yanis Varoufakis data de 2011 a sua colabora\u00e7\u00e3o com Alexis Tsipras e respectivo alter ego, Nikos Pappas. Esta colabora\u00e7\u00e3o alargou-se progressivamente, a partir de 2013, a Yanis Dragasakis (que viria a ser vice-primeiro-ministro em 2015). Uma constante nas rela\u00e7\u00f5es entre Varoufakis e Tsipras: Yanis Varoufakis pede insistentemente para modificar a orienta\u00e7\u00e3o adoptada pelo Syriza. Varoufakis afirma que Tsipras-Pappas-Dragasakis queriam eles pr\u00f3prios, nitidamente, adoptar uma orienta\u00e7\u00e3o diferente, mais moderada do que a decidida pelo partido.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[116,148,1455,422,114,115,117,1448],"class_list":["post-2817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alternativa","tag-divida","tag-eric-toussaint","tag-grecia","tag-mas","tag-movimento","tag-socialista","tag-varoufakis"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tsipras_varoufakis.jpg?fit=450%2C314","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1833"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}