{"id":2810,"date":"2018-06-05T11:40:53","date_gmt":"2018-06-05T10:40:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/05\/estado-espanhol-a-queda-de-rajoy-e-o-novo-governo-psoe\/"},"modified":"2018-06-05T11:40:53","modified_gmt":"2018-06-05T10:40:53","slug":"estado-espanhol-a-queda-de-rajoy-e-o-novo-governo-psoe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/05\/estado-espanhol-a-queda-de-rajoy-e-o-novo-governo-psoe\/","title":{"rendered":"Espanha: a queda de Rajoy (PP) e o que esperar de um governo do PSOE"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/><\/p>\n<p>Em 8 dias, terminou um longo governo de quase 7 anos do Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy no estado espanhol. Logo ap\u00f3s ter logrado aprovar o or\u00e7amento de estado para o pr\u00f3ximo ano, que lhe garantia a governa\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao final da legislatura, rebentou a bomba da senten\u00e7a judicial sobre o processo G\u00fcrtel.<\/p>\n<p>  <!--more-->  A senten\u00e7a declarava culpados tanto o ex-tesoureiro do PP como o pr\u00f3prio PP dum esquema de corrup\u00e7\u00e3o e pagamentos paralelos a dirigentes de c\u00fapula deste partido, incluindo o pr\u00f3prio Rajoy. Um esquema em tudo parecido ao que lemos sobre a EDP, Manuel Pinho e afins. L\u00e1 como c\u00e1, como \u00e9 pr\u00f3prio e inerente ao capitalismo, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 parte integrante do sistema de neg\u00f3cios. L\u00e1 como c\u00e1 a porta girat\u00f3ria de pol\u00edticos que assumem cargos nas principais empresas e vice-versa \u00e9 o p\u00e3o nosso de cada dia. <\/p>\n<p>No entanto, explicar a queda de Rajoy apenas pela ac\u00e7\u00e3o e senten\u00e7a judicial por corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 tapar o sol com a peneira. Depois de um per\u00edodo de meses para formar um novo governo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2015, em que o PP perdeu milh\u00f5es de votos a par do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), Rajoy n\u00e3o teve descanso com constantes mobiliza\u00e7\u00f5es contra o seu governo, em especial a fort\u00edssima revolta pela autodetermina\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia na Catalunha.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ciudadanos<\/strong><\/p>\n<p>O processo catal\u00e3o afundou o PP nas sondagens e nas elei\u00e7\u00f5es catal\u00e3s em que ficou como \u00faltimo grupo parlamentar,&nbsp; no entanto, quem capitalizou esse desgaste n\u00e3o foi a tradicional altern\u00e2ncia do PSOE mas o novo partido de direita espanholista de nome Ciudadanos.<\/p>\n<p>Ciudadanos que, embora se afirmem europe\u00edstas, s\u00e3o uma direita nacionalista de cara lavada que se apresentam contra a corrup\u00e7\u00e3o. Foram os principais defensores da aplica\u00e7\u00e3o do artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o espanhola sobre a Catalunha. Quando Rajoy dizia \u201cmata\u201d, eles diziam \u201cesfola\u201d aos independentistas catal\u00e3es.<\/p>\n<p>Perante a condena\u00e7\u00e3o judicial do PP, o Ciudadanos queriam que se convocasse elei\u00e7\u00f5es desde j\u00e1, embalados pelo primeiro lugar que as sondagens lhes atribuem. Para eles s\u00f3 assim faria sentido aprovar uma mo\u00e7\u00e3o de censura. De outra forma, mesmo reprovando Rajoy, n\u00e3o estavam de acordo com que o PSOE assumisse o governo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Podemos<\/strong><\/p>\n<p>As \u00faltimas sondagens d\u00e3o ao Ciudadanos e ao Podemos, respectivamente, como primeira e segunda for\u00e7as pol\u00edticas. O Podemos percebeu que dentro do quadro mundial e europeu a vantagem em elei\u00e7\u00f5es imediatas seria do Ciudadanos ent\u00e3o fez de tudo para que o PSOE apresentasse uma mo\u00e7\u00e3o de censura e um governo para substituir o do PP. Colocaram a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es como segunda hip\u00f3tese, apenas para pressionar Pedro S\u00e1nchez, l\u00edder do PSOE, a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Com a Uni\u00e3o Europeia a tentar tapar a fissura do novo governo em It\u00e1lia, S\u00e1nchez, n\u00e3o teve outro rem\u00e9dio sen\u00e3o avan\u00e7ar ainda que sem a certeza de que a mo\u00e7\u00e3o de censura passasse. Para tal, necessitava, al\u00e9m dos votos do Podemos, dos votos dos independentistas catal\u00e3es e dos do partido da burguesia basca, o Partido Nacionalista Basco (PNV). Estes \u00faltimos foram os mais dif\u00edceis de de serem convencidos porque 8 dias antes tinham votado a favor do or\u00e7amento de Rajoy a troco de quase 600 milh\u00f5es de euros em investimento no Pa\u00eds Basco. Mas n\u00e3o apoiar a mo\u00e7\u00e3o de censura do PSOE colava-os \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e a um morto-vivo que era Rajoy. S\u00e1nchez facilitou-lhes a vida, declarando que n\u00e3o iria modificar o or\u00e7amento votado e que os investimentos para o Pa\u00eds Basco se manteriam. Com isso o PNV cedeu e retirou o apoio a Rajoy.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>PSOE e seu novo governo<\/strong><\/p>\n<p>O PSOE garantia assim, a aprova\u00e7\u00e3o da mo\u00e7\u00e3o de censura e o regresso ao governo espanhol, mantendo o or\u00e7amento aprovado pelo PP de Rajoy. \u00c0s vezes os astros alinham-se e no primeiro dia da discuss\u00e3o da mo\u00e7\u00e3o, o novo presidente catal\u00e3o, Quim Torra, anunciava a forma\u00e7\u00e3o de um governo da Catalunha sem qualquer dirigente que estivesse preso ou exilado devido \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do 155. Ora, esta era justamente a condi\u00e7\u00e3o de Rajoy para levantar sua aplica\u00e7\u00e3o. Assim, S\u00e1nchez assumiria o governo sem sequer ter que se preocupar de imediato com o tema da crise do governo catal\u00e3o, aberta com a vit\u00f3ria dos independistas em dezembro. Lembremos que o PSOE apoiou desde do in\u00edcio a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 155 sobre a Catalunha. Portanto, S\u00e1nchez, a princ\u00edpio, n\u00e3o queria destituir Rajoy. Havia sido, o principal aliado dele na maior crise do regime mon\u00e1rquico espanhol desde Franco.<\/p>\n<p>Entretanto, depois da instabilidade e dificuldade em formar governo na Alemanha, da instabilidade e da press\u00e3o dos mercados para moldar os neofascistas e neopopulistas que formam o novo governo em It\u00e1lia, da nova guerra comercial que Trump abriu com a UE, novas elei\u00e7\u00f5es no estado espanhol seriam mais uma dor de cabe\u00e7a, pois PP e PSOE provavelmente n\u00e3o seriam os dois partidos mais votados.<\/p>\n<p>S\u00e1nchez e o PSOE assumem assim o governo espanhol para manter o regime, e, concomitantemente, todo o sistema de privil\u00e9gios e corrup\u00e7\u00e3o que o sustenta. Ainda assim, os \u201cprogressistas\u201d c\u00e1 da pra\u00e7a lusitana bem como do resto da Europa j\u00e1 rejubilam com um novo governo \u201csocialista\u201d no velho continente. Mas este s\u00f3 servir\u00e1 para manter tudo no mesmo s\u00edtio. At\u00e9 mesmo o or\u00e7amento de Rajoy que cont\u00e9m o conjunto das principais pol\u00edticas para o estado espanhol. Outra inten\u00e7\u00e3o de S\u00e1nchez \u00e9 atrav\u00e9s do governo conseguir recuperar-se nas sondagens e retirar o protagonismo do Ciudadanos. Agora, o que n\u00e3o se consegue \u00e9 vislumbrar como far\u00e1 isso sem altera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O independentismo catal\u00e3o que apoiou a mo\u00e7\u00e3o de censura espera algum sinal de S\u00e1nchez, em especial sobre os dirigentes pol\u00edticos presos e exilados. Porventura criam ilus\u00f5es sobre a benevol\u00eancia do PSOE ap\u00f3s o terem ajudado a chegar ao governo. Infelizmente, essas ilus\u00f5es ser\u00e3o rapidamente desfeitas, bastando para tal recordar as declara\u00e7\u00f5es de um dos principais bar\u00f5es do PSOE durante o debate sobre a mo\u00e7\u00e3o de censura: &#8220;Neste momento o independentismo preocupa-me muito mais do que com o que tenha roubado o PP\u201d, afirmou Juan Ibarra.<\/p>\n<p>Resumidamente, a chegada do PSOE ao governo espanhol sem elei\u00e7\u00f5es serve no imediato para segurar e salvar um regime pol\u00edtico antidemocr\u00e1tico com fissuras por todos os lados, para tentar recuperar terreno eleitoral face ao Ciudadanos e ao Podemos, para continuar a press\u00e3o e opress\u00e3o sobre a Catalunha, para tentar alguma estabilidade na Uni\u00e3o Europeia e, por fim, para permitir que mais um or\u00e7amento de austeridade ditado pela FMI e Comiss\u00e3o Europeia se cumpra. Ou seja, manter os neg\u00f3cios do costume e com eles a corrup\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores e os povos do Estado Espanhol.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em>Daniel Pereira, Lisboa (Portugal)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 8 dias, terminou um longo governo de quase 7 anos do Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy no estado espanhol. 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