{"id":2806,"date":"2018-06-04T18:49:50","date_gmt":"2018-06-04T17:49:50","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/04\/o-discutivel-relato-de-varoufakis-sobre-as-origens-da-crise-grega-e-as-suas-espantosas-relacoes-com-a-classe-politica-2o-parte\/"},"modified":"2018-06-04T18:49:50","modified_gmt":"2018-06-04T17:49:50","slug":"o-discutivel-relato-de-varoufakis-sobre-as-origens-da-crise-grega-e-as-suas-espantosas-relacoes-com-a-classe-politica-2o-parte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/06\/04\/o-discutivel-relato-de-varoufakis-sobre-as-origens-da-crise-grega-e-as-suas-espantosas-relacoes-com-a-classe-politica-2o-parte\/","title":{"rendered":"O discut\u00edvel relato de Varoufakis sobre as origens da crise grega e as suas espantosas rela\u00e7\u00f5es com a classe pol\u00edtica (2\u00aa Parte)"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>No seu \u00faltimo livro\u00a0<a href=\"Adults%20in%20the%20Room\">Adults in the Room<\/a>(<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2017\/may\/15\/adults-in-room-battle-europes-deep-establishment-yanis-varoufakis-review\">https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2017\/may\/15\/adults-in-room-battle-europes-deep-establishment-yanis-varoufakis-review<\/a>), Yanis Varoufakis d\u00e1-nos a sua vers\u00e3o das raz\u00f5es que levaram \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o vergonhosa do governo de Tsipras em Julho de 2015. Analisa essencialmente o per\u00edodo de 2009-2015, embora tamb\u00e9m remeta para \u00e9pocas mais recuadas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Num primeiro artigo sobre este livro (<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/As-propostas-de-Varoufakis-que\">http:\/\/www.cadtm.org\/As-propostas-de-Varoufakis-que<\/a>), analisei de forma cr\u00edtica as propostas apresentadas por Varoufakis antes de ele participar no governo de Tsipras em Janeiro de 2015, mostrando que levavam \u00e0 derrota. Este segundo artigo incide nomeadamente sobre os la\u00e7os mantidos por Yanis Varoufakis com a classe pol\u00edtica dirigente grega (tanto o PASOK, historicamente ligado \u00e0 social-democracia, como o partido conservador Nova Democracia) ao longo de v\u00e1rios anos. <\/p>\n<p>Yanis Varoufakis destaca por diversas vezes o seu vasto leque de rela\u00e7\u00f5es nos meios pol\u00edticos gregos. Insiste na sua velha amizade com Yannis Stournaras (actual presidente do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Banco-central,1236\">banco central<\/a> grego, aliado de Draghi e dos banqueiros privados gregos e estrangeiros), as suas boas rela\u00e7\u00f5es em 2009 com George Papandreou (que lan\u00e7ou uma pol\u00edtica conducente ao primeiro Memorando), as suas rela\u00e7\u00f5es com Antonis Samaras (que dirigiu o Governo grego ap\u00f3s o segundo Memorando) e consagra uma grande parte dos 4 primeiros cap\u00edtulos do livro ao relato da constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es estreitas de colabora\u00e7\u00e3o e a certos momentos de cumplicidade com 3 dirigentes do Syriza. S\u00e3o eles Alexis Tsipras (que levou o povo grego ao terceiro Memorando), Nikos Pappas (alter ego\u00a0de Tsipras e que veio a ser ministro de Estado no Governo de Tsipras I), a se juntaria, de caminho, Yanis Dragasakis (antes de este se tornar vice-primeiro-ministro dos Governos Tsipras I e II). Nesta segunda parte abordarei o relato do in\u00edcio da crise grega, assim como as rela\u00e7\u00f5es de Varoufakis com a classe pol\u00edtica tradicional grega.<\/p>\n<p>Varoufakis denuncia os banqueiros gregos, mas a solu\u00e7\u00e3o que ele prop\u00f4s a Alexis Tsipras a partir de Junho de 2012 consistia em transferir a propriedade dos bancos gregos para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Varoufakis relata de maneira muito discut\u00edvel o encadeamento de acontecimentos que levou \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o do primeiro Memorando (em Maio de 2010). Procurando sempre defender-se, sustenta no entanto a narra\u00e7\u00e3o oficial, segundo a qual a causa da crise grega reside na incapacidade do Estado grego para fazer face \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Divida-publica\">d\u00edvida p\u00fablica<\/a>. Embora denuncie o estado lament\u00e1vel a que os bancos gregos chegaram\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb1\" title=\"Por meio lado analisei a crise dos bancos gregos em \u00ab Gr\u00e8ce : Les banques\u00a0(...)\">1<\/a>], declara que o Estado grego, incapaz de fazer face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, devia ter declarado fal\u00eancia. Descarta a possibilidade \u00aboferecida\u00bb ao Estado de se recusar a assumir as perdas dos bancos. O seu racioc\u00ednio sobre a fal\u00eancia do Estado grego assenta no argumento de que, segundo ele, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Passivo\">passivo<\/a> (= as d\u00edvidas) dos bancos privados \u00e9, queiramos ou n\u00e3o, um encargo do Estado. O passivo dos bancos privados era de tal forma elevado que o Estado grego era incapaz de lhe fazer face. No entanto, em diversos momentos hist\u00f3ricos, outros Estados recusaram assumir as perdas dos bancos privados. Assim fez a Isl\u00e2ndia a partir de 2008, quando o seu sector banc\u00e1rio privado se afundou, e saiu-se muito bem. Soube fazer frente, com \u00eaxito, \u00e0s amea\u00e7as da Gr\u00e3-Bretanha e da Holanda.\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb2\" title=\"\u00abO tribunal da EFTA (Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Livre Com\u00e9rcio) rejeita queixas do\u00a0(...)\">2<\/a>]<\/p>\n<p>N\u00e3o basta, para p\u00f4r fim ao debate, afirmar que a Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 a Isl\u00e2ndia, ou que a Gr\u00e9cia faz parte da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Zona-euro\">zona euro<\/a> e nela deve permanecer. Varoufakis adopta uma atitude na realidade conservadora do ponto de vista econ\u00f3mico e social. Denuncia os banqueiros gregos mas a solu\u00e7\u00e3o que prop\u00f4s a Alexis Tsipras a partir de Junho de 2012 consistia em transferir a propriedade dos bancos gregos para a Uni\u00e3o Europeia.\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb3\" title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 3, p.\u00a0(...)\">3<\/a>]<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 evidente que seria necess\u00e1rio p\u00f4r em causa o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, que tinha aumentado imenso, principalmente na d\u00e9cada de 1990, ao servi\u00e7o de objectivos ileg\u00edtimos (despesas militares excessivas, financiamento de benesses fiscais \u00e0s grandes empresas e aos mais ricos, financiamento, por via da d\u00edvida, da redu\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es sociais do patronato, etc.) ou do financiamento dessa d\u00edvida em condi\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas (taxas de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Juro\">juro<\/a> abusivas cobradas pelos bancos), tudo isto acompanhado de corrup\u00e7\u00e3o e outros factores de ilegalidade (ver cap\u00edtulo 1 do \u00abRapport pr\u00e9liminaire de la Commission pour la v\u00e9rit\u00e9 sur la dette publique grecque\u00bb).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Varoufakis e o governo de George Papandreou (PASOK) 2009-2011<\/strong><\/p>\n<p>\u00abNo Outono de 2009, um novo governo grego foi eleito, com a seguinte promessa: aumentar a despesa para ajudar o montante do rendimento nacional a reconstruir-se. S\u00f3 que o novo primeiro-ministro e o seu ministro das Finan\u00e7as, provenientes do partido social-democrata, o PASOK, n\u00e3o compreenderam. A fal\u00eancia do Estado j\u00e1 estava em curso, antes mesmo de eles pregarem o serm\u00e3o.\u00bb\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb4\" title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p.\u00a0(...)\">4<\/a>]<\/p>\n<p>\u00c9 falso afirmar que o Estado grego estava falido. Este discurso parafraseia os argumentos enganadores apresentados pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Troika,767\">Troika<\/a> e pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o dominantes. O que Varoufakis n\u00e3o diz, \u00e9 que Papandreou dramatizou a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e do d\u00e9fice p\u00fablico, em vez de obrigar os verdadeiros respons\u00e1veis \u2013 tanto os estrangeiros como os nacionais, ou seja, os accionistas privados, os administradores dos bancos, os bancos estrangeiros e outras sociedades financeiras que tinham contribu\u00eddo para gerar a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Bolha-especulativa\">bolha especulativa<\/a> \u2013 a pagarem os custos da crise banc\u00e1ria. O Governo de Papandreou mandou falsificar as estat\u00edsticas da d\u00edvida grega, n\u00e3o nos anos que precederam a crise, para a diminuir (como pretende a narrativa dominante), mas em 2009, para a ampliar. Isto foi claramente demonstrado pela Comiss\u00e3o para a Verdade sobre a D\u00edvida P\u00fablica Grega no seu relat\u00f3rio de Junho de 2015 (ver cap. II, p. 17, do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Rapport-preliminaire-de-la\">\u00ab\u00a0Rapport pr\u00e9liminaire de la Commission pour la v\u00e9rit\u00e9 sur la dette publique grecque\u00a0\u00bb<\/a>). Varoufakis n\u00e3o denuncia a falsifica\u00e7\u00e3o, dando por justas as afirma\u00e7\u00f5es de Papandreou e do seu ministro das Finan\u00e7as sobre os estado dram\u00e1tico das finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es legislativas de 4-Outubro-2009, o novo governo de George Papandreou procedeu, de forma totalmente ilegal, a uma revis\u00e3o das estat\u00edsticas, a fim de insuflar o d\u00e9fice e o montante da d\u00edvida durante o per\u00edodo anterior ao Memorando de 2010. O n\u00edvel do d\u00e9fice em 2009 sofreu v\u00e1rias revis\u00f5es em alta, passando de 11,9\u00a0% do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/PIB-Produto-interno-bruto\">PIB<\/a> numa primeira estimativa, para 15,8\u00a0% na \u00faltima. Andreas Georgiu, director em 2009-2010 do departamento grego de estat\u00edsticas ELSTAT (quando ainda ocupava um cargo no FMI) foi condenado em Agosto de 2017. Sob o t\u00edtulo \u00abNa Gr\u00e9cia, condena\u00e7\u00e3o do antigo chefe das estat\u00edsticas, que maquilhou os n\u00fameros do d\u00e9fice p\u00fablico\u00bb, eis o que diz o\u00a0Le Monde\u00a0na sua edi\u00e7\u00e3o de 1-Agosto-2017:<\/p>\n<p>\u00abAndreas Georgiu, antigo chefe do gabinete de estat\u00edstica grego, Elstat, que esteve no \u00e2mago da saga dos n\u00fameros falsos do d\u00e9fice p\u00fablico no in\u00edcio da crise da d\u00edvida, foi condenado, a 1 de Agosto, a dois anos de pris\u00e3o. O tribunal de Atenas deu-o como culpado de \u201cfaltar ao dever\u201d, segundo fonte judicial. Este antigo membro do FMI foi processado por se ter conluiado com o Eurostat (gabinete europeu de estat\u00edsticas, dependente da Comiss\u00e3o Europeia) a fim de exagerar os n\u00fameros do d\u00e9fice e da d\u00edvida p\u00fablica gregos para o ano de 2009. Presum\u00edvel prop\u00f3sito: facilitar a sujei\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a uma tutela, donde resultou, em 2010 o primeiro plano de ajuda internacional \u00e0 Gr\u00e9cia \u2013 que j\u00e1 vai no terceiro, em Agosto-2015.\u00bb\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb5\" title=\"Consultar artigo completo no Le Monde. Note-se que este tipo de artigo \u00e9\u00a0(...)\">5<\/a>]<\/p>\n<p>Contrariamente ao que Varoufakis afirma, os bancos privados n\u00e3o cortaram o cr\u00e9dito ao Estado grego em 2009;\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb6\" title=\"Publicarei um novo artigo sobre esta quest\u00e3o antes do final de 2017.\u00a0(...)\">6<\/a>]\u00a0o que foi interrompido, de facto, foi o cr\u00e9dito aos sectores privados gregos. No Outono de 2009 o Estado grego conseguiu angariar fundos sem dificuldade. A interrup\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito prestado pelos mercados financeiros ao Estado grego apenas ocorreu em 2010, depois de Papandreou ter dramatizado a situa\u00e7\u00e3o e no momento do primeiro Memorando.<\/p>\n<p>Varoufakis explica em diversos passos do cap\u00edtulo 2 que mantinha, apesar das diverg\u00eancias evidentes, boas rela\u00e7\u00f5es com Papandreou:<\/p>\n<p>\u00abEm Janeiro de 2010, durante uma entrevista na r\u00e1dio, preveni o primeiro-ministro, que eu conhecia pessoalmente <strong>e\u00a0com o qual tinha uma rela\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel<\/strong>, dizendo-lhe: \u201cFa\u00e7as o que fizeres, n\u00e3o v\u00e1s procurar empr\u00e9stimos ao Estado junto dos parceiros europeus para tentares, em v\u00e3o, evitar a bancarrota\u201d.\u00bb\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb7\" title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p.\u00a0(...)\">7<\/a>]<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo ponto tem raz\u00e3o Varoufakis: n\u00e3o era preciso pedir cr\u00e9dito \u00e0 Troika. Em contrapartida, erra quando afirma que o Estado grego devia ter declarado fal\u00eancia. A alternativa, oposta \u00e0 pol\u00edtica seguida por Papandr\u00e9ou e diversa da avan\u00e7ada por Varoufakis (= declara\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia do Estado) era n\u00e3o s\u00f3 poss\u00edvel mas tamb\u00e9m necess\u00e1ria. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral de 2009, obtida gra\u00e7as a uma campanha que denunciava as pol\u00edticas neoliberais adoptadas pela Nova Democracia, o governo de Papandr\u00e9ou \u2013 se quisesse respeitar a suas pr\u00f3prias promessas eleitorais \u2013 podia e devia ter socializado o sector banc\u00e1rio, organizando a fal\u00eancia ordenada dos bancos e protegendo os depositantes. V\u00e1rios exemplos hist\u00f3ricos atestam que essa fal\u00eancia era inteiramente compat\u00edvel com uma retoma r\u00e1pida de actividades financeiras ao servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Teria sido necess\u00e1rio procurar inspira\u00e7\u00e3o no que estava a ser feito na Isl\u00e2ndia desde 2008\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb8\" title=\"Renaud Vivien, Eva Joly, \u00ab Na Isl\u00e2ndia, os respons\u00e1veis pelo naufr\u00e1gio\u00a0(...)\">8<\/a>]\u00a0e no que tinha sido realizado na Su\u00e9cia e na Noruega nos anos 1990.\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb9\" title=\"Mayes, D. (2009). Banking crisis resolution policy - different country\u00a0(...)\">9<\/a>]\u00a0Papandr\u00e9ou preferiu seguir o exemplo escandaloso e catastr\u00f3fico do Governo irland\u00eas, que salvou os banqueiros em 2008 e em Novembro de 2010 aceitou um plano de ajuda europeia que teve consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para o povo irland\u00eas. Era preciso ir mais longe que a Isl\u00e2ndia e a Su\u00e9cia, optando por uma socializa\u00e7\u00e3o completa e definitiva do sector financeiro. Era preciso imputar aos bancos estrangeiros e aos accionistas privados gregos os custos provocados pela resolu\u00e7\u00e3o da crise banc\u00e1ria; e, al\u00e9m disso, levar a tribunal os respons\u00e1veis pelo desastre banc\u00e1rio. Esta iniciativa teria permitido \u00e0 Gr\u00e9cia evitar a sucess\u00e3o de memorandos que sujeitaram o povo grego a uma crise humanit\u00e1ria terr\u00edvel e humilhante, sem que apesar disso o sistema banc\u00e1rio grego tenha sido verdadeiramente sanado.<\/p>\n<p> <strong>Varoufakis e Antonis Samaras<\/strong><\/p>\n<p>Varoufakis refere por diversas vezes os seus contactos com personalidades destacadas da classe pol\u00edtica grega, tanto do PASOK como do principal partido conservador, a Nova Democracia.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos elogios prodigalizados por Samaras, outras pessoas no lugar de Varoufakis ter-se-iam interrogado: \u00abN\u00e3o ser\u00e1 inquietante receber elogios de um dos dirigentes chave do partido conservador?\u00bb N\u00e3o foi o caso de Varoufakis.<\/p>\n<p>\u00abUma tarde\u00a0<strong>[de 2011, N. do E.]<\/strong>, ao regressar a casa ap\u00f3s uma emiss\u00e3o da ERT, a r\u00e1dio e televis\u00e3o p\u00fablica gregas, o telefone fixo tocou. Ao atender reconheci a voz de Antonis Samaras, dirigente da Nova Democracia, o partido conservador, que, nessa \u00e9poca, representava a oposi\u00e7\u00e3o oficial. [\u2026] \u201cN\u00e3o nos conhecemos, sr. Varoufakis\u201d, disse-me ele, \u201cmas acabo de v\u00ea-lo na televis\u00e3o e senti necessidade de falar consigo. Acho que nunca ouvi propostas t\u00e3o profundas e tocantes num palco de televis\u00e3o. Quero agradecer-lhe as suas tomadas de posi\u00e7\u00e3o\u201d. Samaras n\u00e3o foi o \u00fanico membro do\u00a0establishment\u00a0grego que me contactou. A minha cruzada levou-me a ter numerosas discuss\u00f5es em privado com ministros socialistas, deputados conservadores da oposi\u00e7\u00e3o, dirigentes dos sindicatos e outros, que sentiam que eu fazia a diferen\u00e7a. A partir do momento em que lhes dei parte da minha an\u00e1lise, eles estiveram de acordo, todos sem excep\u00e7\u00e3o. (\u2026) Os conservadores, pelo menos at\u00e9 Novembro-2011, foram ainda mais audaciosos: como o seu dirigente, Antonis Samaras, tinha adoptado um ponto de vista anti-austeridade e anti-<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Recapitalizacao\">recapitaliza\u00e7\u00e3o<\/a>, estavam \u00e0 vontade para me seguirem.\u00bb\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb10\" title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p.\u00a0(...)\">10<\/a>]<\/p>\n<p> <strong>A amizade entre Stournaras e Varoufakis<\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2805\" style=\"margin: 5px; vertical-align: middle;\" alt=\"varoufakis_03\" height=\"264\" width=\"500\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/varoufakis_03.jpg?resize=500%2C264\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/varoufakis_03.jpg?w=500 500w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/varoufakis_03.jpg?resize=300%2C158 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/varoufakis_03.jpg?resize=480%2C253 480w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Varoufakis consagra pelo menos 4 p\u00e1ginas \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o de amizade com Yannis Stournaras.\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb11\" title=\"Y. Varoufakis, Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p. 68\u00a0(...)\">11<\/a>]Entre finais dos anos 1990 e a \u00e9poca dos memorandos, Yannis Stournaras passou-se do PASOK para a Nova Democracia. Varoufakis explica:<\/p>\n<p>\u00abFoi ele que convenceu Bruxelas e Berlim a integrar a Gr\u00e9cia na zona euro. Depois de o pa\u00eds ter sido admitido de pleno direito, em 2000, o primeiro-ministro, membro do PASOK, agradeceu-lhe oferecendo-lhe o cargo de director-geral e presidente do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Banco-comercial\">Banco Comercial<\/a> da Gr\u00e9cia.\u00a0[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nb12\" title=\"Este banco viria a mudar de nome; chama-se agora Emporiki e foi comprado\u00a0(...)\">12<\/a>]\u00a0Foi nessa \u00e9poca que nos conhecemos. Apesar de lhe ser escasso o tempo, Stournaras mostrou-se sempre dispon\u00edvel para ensinar com prazer e devo\u00e7\u00e3o. Os nossos pontos de vista sobre economia e pol\u00edtica divergiam, mas o seu empenho na universidade e as nossa afinidades naturais deram lugar a uma amizade profunda.\u00bb<\/p>\n<p>Ainda que \u00e0 \u00e9poca Varoufakis n\u00e3o ocupasse qualquer posi\u00e7\u00e3o oficial, mantinha rela\u00e7\u00f5es com dirigentes chave e algumas das suas ideias n\u00e3o eram rejeitadas pelos dirigentes conservadores, longe disso.<\/p>\n<p>Varoufakis conta que passaram juntos, no apartamento de Stournaras, a noite eleitoral de 4 de Outubro de 2009, que deu a vit\u00f3ria ao PASOK. Nessa \u00e9poca, Stournaras era um dos altos conselheiros dos \u00absocialistas\u00bb e tinha abra\u00e7ado a orienta\u00e7\u00e3o pr\u00f3-memorando de Papandreou. Varoufakis prossegue:<\/p>\n<p>\u00abEm 2010, ano crucial para a Gr\u00e9cia, Stournaras fez uma op\u00e7\u00e3o que surpreendeu muita gente, tornando-se presidente de um\u00a0think-tank\u00a0de economistas criado de raiz pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias da Gr\u00e9cia, a organiza\u00e7\u00e3o patronal mais poderosa e est\u00e1vel do pa\u00eds, tradicionalmente ligada \u00e0 Nova Democracia.\u00bb<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o afectou a amizade entre ambos. Um m\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es de Maio de 2012, Varoufakis, de passagem por Atenas, telefonou a Stournaras:<\/p>\n<p>\u00abencontrei-me com ele no dia seguinte no caf\u00e9 dum hotel situado perto da Acr\u00f3pole. Abra\u00e7\u00e1mo-nos [\u2026]. Depois pass\u00e1mos \u00e0s coisas s\u00e9rias e eu fiz-lhe um resumo das conversas que tive em Berlim com os representantes do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Banco-central-europeu-BCE\">BCE<\/a> e do Governo alem\u00e3o, com os jornalistas financeiros e outros. Mencionei tamb\u00e9m uma conversa que tive com George Soros. Este mostrou-se de acordo com a minha an\u00e1lise sobre a situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia e com o essencial das minhas propostas em mat\u00e9ria de pol\u00edtica econ\u00f3mica para a Europa em geral.\u00bb<\/p>\n<p>Varoufakis conta que Stournaras e ele n\u00e3o se puseram de acordo sobre a viabilidade do memorando, mas que se despediram com a promessa de conservarem intacta a amizade. As coisas azedaram quando Stournaras, meses mais tarde, acusou Varoufakis de especular com Soros sobre os t\u00edtulos da d\u00edvida grega. Foi nesse momento que a rela\u00e7\u00e3o entre ambos se interrompeu. Entretanto, Stournaras tinha-se tornado ministro da Competitividade (Maio-Junho-2012). Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de Junho-2012, Stournaras tornou-se ministro das Finan\u00e7as do Governo de Antonis Samaras. Depois, a partir de Junho-2014, Samaras colocou-o \u00e0 cabe\u00e7a do banco central grego, onde permanece ainda hoje.<\/p>\n<p>Dei-me ao trabalho de resumir a passagem do livro de Varoufakis, porque ela revela o \u00e0-vontade com que ele se dava nos meios da classe pol\u00edtica grega. Apesar de nessa \u00e9poca n\u00e3o ocupar nenhuma fun\u00e7\u00e3o oficial, mantinha rela\u00e7\u00f5es com dirigentes chave e algumas das suas ideias n\u00e3o eram rejeitadas pelos dirigentes conservadores, longe disso. Manifestamente, esse facto n\u00e3o o incomodava, como prova o facto de o alardear no seu livro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Eric Toussaint. Tradu\u00e7\u00e3o: Rui Viana Pereira<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh1\" title=\"Notas 1\">1<\/a>]\u00a0Por meio lado analisei a crise dos bancos gregos em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/Grece-Les-banques-sont-a-l-origine\">\u00ab\u00a0Gr\u00e8ce\u00a0: Les banques sont \u00e0 l\u2019origine de la crise\u00a0\u00bb<\/a>. Ver tamb\u00e9m Patrick Saurin,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/La-Crise-grecque-une-crise\">\u00ab\u00a0La \u201cCrise grecque\u201d une crise provoqu\u00e9e par les banques\u00a0\u00bb<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh2\" title=\"Notas 2\">2<\/a>]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-tribunal-da-EFTA-Associacao\">\u00abO tribunal da EFTA (Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Livre Com\u00e9rcio) rejeita queixas do \u00abIcesave\u00bb contra a Isl\u00e2ndia e os seus habitantes\u00bb<\/a>, publicado em 29-01-2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh3\" title=\"Notas 3\">3<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 3, p. 65. Voltarei a este tema num pr\u00f3ximo artigo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh4\" title=\"Notas 4\">4<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p. 31.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh5\" title=\"Notas 5\">5<\/a>]\u00a0Consultar artigo completo no\u00a0Le Monde. Note-se que este tipo de artigo \u00e9 muito raro no Le Monde. A imprensa conservadora grega (nomeadamente o di\u00e1rio\u00a0Kathimerini) sublinha o descontentamento da Comiss\u00e3o Europeia. A porta-voz da Comiss\u00e3o, Annika Breidthardt, declarou em 1-Agosto-2017 que a decis\u00e3o do tribunal n\u00e3o \u00e9 conforme \u00e0s decis\u00f5es precedentes da justi\u00e7a e reitera que \u00aba Comiss\u00e3o tem plena confian\u00e7a na exactid\u00e3o e fiabilidade dos dados do ELSTAT durante o per\u00edodo 2010-2015 e posteriormente\u00bb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh6\" title=\"Notas 6\">6<\/a>]\u00a0Publicarei um novo artigo sobre esta quest\u00e3o antes do final de 2017. demonstrarei que v\u00e1rios gr\u00e1ficos publicados pelos organismos oficiais, nomeadamente do FMI, s\u00e3o falsos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh7\" title=\"Notas 7\">7<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p. 31. Na p\u00e1gina seguinte Varoufakis escreve: \u00abConvicto de que a fal\u00eancia era inevit\u00e1vel, por mais \u00e1gua que deitemos na fervura, continuei a bater no prego. Por outro lado, o facto de eu ter redigido discursos para o primeiro-ministro Papandr\u00e9ou chamou a aten\u00e7\u00e3o da BBC e doutros \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o estrangeiros.\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh8\" title=\"Notas 8\">8<\/a>]\u00a0Renaud Vivien, Eva Joly,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/En-Islande-les-responsables-du\">\u00ab\u00a0Na Isl\u00e2ndia, os respons\u00e1veis pelo naufr\u00e1gio banc\u00e1rio n\u00e3o puderam comprar a jsuti\u00e7a\u00a0\u00bb<\/a>, 20-Fevereiro-2016 \u2013 ler em franc\u00eas ou ingl\u00eas ou espanhol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh9\" title=\"Notas 9\">9<\/a>]\u00a0Mayes, D. (2009).\u00a0Banking crisis resolution policy &#8211; different country experiences. Central Bank of Norway.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh10\" title=\"Notas 10\">10<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p. 38-39.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh11\" title=\"Notas 11\">11<\/a>]\u00a0Y. Varoufakis,\u00a0Adults in the Room, Bodley Head, London, 2017, cap. 2, p. 68 a 72.<\/span><\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/O-discutivel-relato-de-Varoufakis#nh12\" title=\"Notas 12\">12<\/a>]\u00a0Este banco viria a mudar de nome; chama-se agora Emporiki e foi comprado pelo banco franc\u00eas Cr\u00e9dit Agricole.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No seu \u00faltimo livro\u00a0Adults in the Room(https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2017\/may\/15\/adults-in-room-battle-europes-deep-establishment-yanis-varoufakis-review), Yanis Varoufakis d\u00e1-nos a sua vers\u00e3o das raz\u00f5es que levaram \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o vergonhosa do governo de Tsipras em Julho de 2015. Analisa essencialmente o per\u00edodo de 2009-2015, embora tamb\u00e9m remeta para \u00e9pocas mais recuadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[148,1452,422,1447,1448],"class_list":["post-2806","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-divida","tag-eric","tag-grecia","tag-toussaint","tag-varoufakis"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/varoufakis_02.jpg?fit=500%2C264","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2806\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2804"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}