{"id":2787,"date":"2018-05-24T12:57:28","date_gmt":"2018-05-24T11:57:28","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/24\/parem-de-nos-agredir\/"},"modified":"2018-05-24T12:57:28","modified_gmt":"2018-05-24T11:57:28","slug":"parem-de-nos-agredir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/24\/parem-de-nos-agredir\/","title":{"rendered":"Parem de nos agredir!"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>Esta semana, foi noticiado um estudo da UMAR sobre a viol\u00eancia de g\u00e9nero, em contexto acad\u00e9mico, mais especificamente na Universidade de Coimbra (UC). N\u00e3o \u00e9 por acaso que a UC \u00e9 referida. H\u00e1 v\u00e1rios anos que surgem, em Coimbra, den\u00fancias, campanhas e colectivos que querem que se fa\u00e7a luz sobre as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que ocorrem e que s\u00e3o quotidianamente ignoradas. \u00c9 importante referir que Coimbra n\u00e3o \u00e9 a excep\u00e7\u00e3o. Por todo o pa\u00eds e pelo mundo a viol\u00eancia de g\u00e9nero atinge n\u00fameros verdadeiramente assustadores, atravessando todas as faixas et\u00e1rias, evidenciando que n\u00f3s, mulheres, somos encaradas de forma diferente, tratadas de forma diferente. Por sermos mulheres. O nosso g\u00e9nero dita a nossa senten\u00e7a nesta sociedade machista.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Sobre o estudo, das inquiridas, 94% afirmou j\u00e1 ter sido alvo de algum tipo de ass\u00e9dio sexual, 21,7% de coer\u00e7\u00e3o sexual e 12,3% admitiram j\u00e1 terem sido violadas\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/agress%C3%B5es%20entre%20jovens.docx#_ftn1\">[1]<\/a>. Os n\u00fameros n\u00e3o mentem, estamos perante um problema grave, que n\u00e3o afecta s\u00f3 mulheres que trabalham, a viol\u00eancia \u00e9 gritante, normalizada e naturalizada, em todos os meios. A viol\u00eancia no namoro manifesta-se de v\u00e1rias formas, desde a invas\u00e3o da privacidade, controlo sobre as roupas, amigos e sa\u00eddas, rela\u00e7\u00f5es sexuais for\u00e7adas, agress\u00f5es f\u00edsicas, amea\u00e7as de morte, viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Existe tamb\u00e9m uma incompreens\u00e3o da complexidade da viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es, dizendo-se muitas vezes que \u201cas mulheres que se mant\u00eam nas rela\u00e7\u00f5es violentas s\u00e3o masoquistas\u201d ou ent\u00e3o que algumas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00e3o provocadas pelas mulheres\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/agress%C3%B5es%20entre%20jovens.docx#_ftn2\">[2]<\/a>. A culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima contribui, como sempre, para o silenciamento e reprodu\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos acontecimentos de viol\u00eancia sobre a mulher. <\/p>\n<p>Muitos dos casos nem chegam a ser denunciados porque h\u00e1 uma legitima\u00e7\u00e3o dos comportamentos agressivos, uma incompreens\u00e3o do que s\u00e3o comportamentos abusivos, gerando medo, vergonha e culpa nas v\u00edtimas. Os meios de den\u00fancia, de protec\u00e7\u00e3o e de justi\u00e7a s\u00e3o inexistentes, insuficientes e muitas vezes ineficazes, sendo que s\u00f3 uma em cada dez vitimas efectiva a queixa e recorre a apoios\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/agress%C3%B5es%20entre%20jovens.docx#_ftn3\">[3]<\/a>. As mulheres s\u00e3o silenciadas e apagadas, em todos os contextos. Apresentar queixa numa esquadra, mesmo que especializada, em vez de ser a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 todo um problema acrescido, onde as mulheres s\u00e3o sujeitas a perguntas como \u201cO que fizeste para o motivar?\u201d, \u201cPorque o fizeste?\u201d, \u201cO que tinhas vestido?\u201d ou ent\u00e3o \u201cconversem entre voc\u00eas que a situa\u00e7\u00e3o resolve-se, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de tanto alarido!\u201d. Quando chegamos \u00e0 justi\u00e7a, h\u00e1 possibilidade de ouvirmos cita\u00e7\u00f5es da B\u00edblia ou de pe\u00e7as medievais de teatro para ilibar o agressor.<\/p>\n<p>Precisamos de uma mudan\u00e7a de paradigma. Basta da coniv\u00eancia, do sil\u00eancio e da inefic\u00e1cia. Desde as universidades aos tribunais, passando pelas nossas casas e locais de trabalho, n\u00f3s, mulheres, precisamos de nos defender e ser defendidas.<\/p>\n<p>As universidades deviam ocupar a linha da frente do combate \u00e0s opress\u00f5es, desde as estruturas de representa\u00e7\u00e3o das\/os estudantes, como a Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica de Coimbra, \u00e0s direc\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es, denunciando o que est\u00e1 mal, mostrando a quem sofre que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas e que existe uma estrutura pronta para dar todo o tipo de apoio necess\u00e1rio. \u00c9 necess\u00e1rio levar a cabo um s\u00e9rio combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es que nos cercam e nos dividem, em for\u00e7a e em voz. Enfrentar a opress\u00e3o contra a mulher, o racismo, a xenofobia e a LGBTQI+fobia \u00e9 fulcral na conquista de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade.<\/p>\n<p>Devem existir estruturas e mecanismos especializados dentro das universidades que funcionem como um espa\u00e7o de apoio a todos e a todas que sofrem de opress\u00e3o e\/ou discrimina\u00e7\u00e3o (inclusive, prestar apoio jur\u00eddico \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que necessitem dele) e que se responsabilizem tamb\u00e9m pela organiza\u00e7\u00e3o de debates, campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o e espa\u00e7os de discuss\u00e3o. Estas estruturas, desde as Associa\u00e7\u00f5es de Estudantes a outros organismos institucionais, devem aderir e apoiar todos as causas, eventos e projectos de combate \u00e0s opress\u00f5es (Marcha LGBT, dias de consciencializa\u00e7\u00e3o, etc.), n\u00e3o para cumprir calend\u00e1rio, mas para se colocar do lado de quem \u00e9 oprimida\/o, num combate quotidiano e efectivo, nos corredores, pra\u00e7as, festas acad\u00e9micas a todo tipo de opress\u00e3o, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio que o Governo PS, apoiado pelo BE e PCP, cumpra com um programa efectivo de combate ao machismo. Pois n\u00e3o basta marcarem presen\u00e7a nas ruas no Dia Internacional da Mulher ou no Dia Contra a Viol\u00eancia sobre a Mulher e, de seguida, aprovarem conjuntamente sucessivos Or\u00e7amentos do Estado que cortam na Sa\u00fade, na Educa\u00e7\u00e3o e nos demais servi\u00e7os p\u00fablicos e n\u00e3o preveem qualquer investimento no combate \u00e0 viol\u00eancia sobre a Mulher. Basta de viol\u00eancia machista!<\/p>\n<div>\n<div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Rebeca Moore<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>1<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/local\/noticias\/coimbra\/coimbra\/interior\/94-das-universitarias-de-coimbra-ja-sofreram-assedio-sexual-9368588.html\">https:\/\/www.jn.pt\/local\/noticias\/coimbra\/coimbra\/interior\/94-das-universitarias-de-coimbra-ja-sofreram-assedio-sexual-9368588.html<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>2<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/02\/13\/sociedade\/noticia\/observatorio-uma-em-cada-10-vitimas-de-violencia-no-namoro-sofreu-ameacas-de-morte-1802946\">https:\/\/www.publico.pt\/2018\/02\/13\/sociedade\/noticia\/observatorio-uma-em-cada-10-vitimas-de-violencia-no-namoro-sofreu-ameacas-de-morte-1802946<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>3\u00a0<\/sup><a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/sociedade\/2017-11-23-Nove-em-cada-10-vitimas-de-violencia-domestica-nao-recorrem-a-apoios#gs.pD6=jPA\">http:\/\/expresso.sapo.pt\/sociedade\/2017-11-23-Nove-em-cada-10-vitimas-de-violencia-domestica-nao-recorrem-a-apoios#gs.pD6=jPA<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana, foi noticiado um estudo da UMAR sobre a viol\u00eancia de g\u00e9nero, em contexto acad\u00e9mico, mais especificamente na Universidade de Coimbra (UC). N\u00e3o \u00e9 por acaso que a UC \u00e9 referida. H\u00e1 v\u00e1rios anos que surgem, em Coimbra, den\u00fancias, campanhas e colectivos que querem que se fa\u00e7a luz sobre as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que ocorrem e que s\u00e3o quotidianamente ignoradas. \u00c9 importante referir que Coimbra n\u00e3o \u00e9 a excep\u00e7\u00e3o. Por todo o pa\u00eds e pelo mundo a viol\u00eancia de g\u00e9nero atinge n\u00fameros verdadeiramente assustadores, atravessando todas as faixas et\u00e1rias, evidenciando que n\u00f3s, mulheres, somos encaradas de forma diferente, tratadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2786,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[34],"tags":[116,299,370,114,115,117,1439,1051],"class_list":["post-2787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opressoes","tag-alternativa","tag-coimbra","tag-machismo","tag-mas","tag-movimento","tag-socialista","tag-umar","tag-universidade"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/machismo_coimbra.jpg?fit=500%2C332","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2786"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}