{"id":276,"date":"2010-07-31T16:24:33","date_gmt":"2010-07-31T15:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/07\/31\/wikileaks-reforca-campanha-pelo-fim-da-guerra-no-afeganistao\/"},"modified":"2010-07-31T16:24:33","modified_gmt":"2010-07-31T15:24:33","slug":"wikileaks-reforca-campanha-pelo-fim-da-guerra-no-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/07\/31\/wikileaks-reforca-campanha-pelo-fim-da-guerra-no-afeganistao\/","title":{"rendered":"WikiLeaks refor\u00e7a campanha pelo fim da guerra no Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-275\" style=\"margin: 10px 10px 3px; vertical-align: top;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/afeganistoparasite.jpg?w=600\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/afeganistoparasite.jpg?w=597 597w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/afeganistoparasite.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/afeganistoparasite.jpg?resize=480%2C270 480w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/p>\n<p>Dias antes da divulga\u00e7\u00e3o pela imprensa internacional, no fim de Julho, de 91.731 documentos secretos sobre a guerra no Afeganist\u00e3o, a comprovar que as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o da Nato est\u00e3o a ser derrotadas no terreno e desmascaradas pelos seus pr\u00f3prios combatentes, o governo portugu\u00eas anuncia a amplia\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a militar neste pa\u00eds. A pedido do governo Obama, o governo PS\/S\u00f3crates decidiu aumentar de 160 para 253 o n\u00famero de militares no Afeganist\u00e3o. J\u00e1 em Janeiro deste ano, o governo tinha anunciado o refor\u00e7o das verbas previstas no Or\u00e7amento de Estado destinadas \u00e0s miss\u00f5es militares portuguesas no estrangeiro. O completar do 9\u00ba ano da invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o pelos Estados Unidos, no dia 7 de Outubro, e a contra-cimeira anti-Nato, marcada para os dias 15 a 21 de Novembro pr\u00f3ximos, em Lisboa, s\u00e3o uma excelente oportunidade para refor\u00e7ar a campanha pela retirada de Portugal da Nato e das tropas portuguesas no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  Dezenas de milhares de civis, entre homens, mulheres e crian\u00e7as, j\u00e1 foram mortos no Afeganist\u00e3o desde a invas\u00e3o militar dos Estados Unidos, a 7 de Outubro de 2001. A maioria foi v\u00edtima dos ataques das tropas da Nato, designadas por ISAF (International Security Assistance Force), composta por cerca de 119.000 homens de 41 pa\u00edses, dos quais cerca de 2\/3 s\u00e3o americanos (cerca de 78.000). Esse foi o caso do bombardeamento na aldeia de Garani, no Afeganist\u00e3o, em Maio de 2009, quando 140 civis teriam sido mortos, entre os quais muitas crian\u00e7as. <\/p>\n<p>Um v\u00eddeo com imagens desse massacre poder\u00e1 estar dispon\u00edvel em breve no site WikiLeaks , o mesmo que repassou aos jornais <em>Guardian<\/em>, <em>New York Times<\/em> e <em>Der Spiegel<\/em> os tais 91.731 documentos secretos sobre a guerra no Afeganist\u00e3o que est\u00e3o a deixar a administra\u00e7\u00e3o Obama em estado de choque. Esses documentos s\u00e3o relat\u00f3rios detalhados feitos entre Janeiro de 2004 a Dezembro de 2009 a comprovar, desta vez com fontes oficiais, que centenas de centenas de civis afeg\u00e3os foram mortos em mais de 140 incidentes que as tropas da Nato t\u00eam negado e que os americanos e os seus aliados est\u00e3o a perder a guerra contra os talib\u00e3s. Estes, apoiados pelos servi\u00e7os secretos paquistaneses, estariam mais fortes do que no in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o, apesar de os americanos at\u00e9 possu\u00edrem uma unidade especial para assassinar talib\u00e3s sem qualquer trav\u00e3o legal.<\/p>\n<p>Segundo o <em>New York Times<\/em>: &#8220;Os documentos ilustram, com abund\u00e2ncia de detalhes, o modo como os Estados Unidos gastaram quase 300 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares na guerra no Afeganist\u00e3o para os talib\u00e3s se encontrarem hoje mais fortes do que em qualquer outro momento desde 2001&#8221;. Esta \u00e9 considerada a maior fuga de informa\u00e7\u00e3o militar nos Estados Unidos. Numa entrevista \u00e0 <em>Der Spiegel<\/em>, o fundador do site, o australiano Julian Assange, declarou: &#8220;Estes ficheiros s\u00e3o a mais global descri\u00e7\u00e3o de uma guerra no decurso de uma guerra. (&#8230;) Mudar\u00e3o a nossa perspectiva, n\u00e3o apenas sobre a guerra no Afeganist\u00e3o, mas sobre todas as guerras modernas&#8221;. E concluiu: &#8220;Adoro esmagar patifes&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Acto her\u00f3ico<\/strong><\/p>\n<p>Um dos suspeitos, segundo o governo dos EUA, de repassar esses documentos ao site WikiLeaks  \u00e9 o soldado Bradley Manning, um jovem norte-americano de apenas 22 anos. Teria sido ele, de acordo com a ISAF, o respons\u00e1vel pela entrega, ao mesmo site WikiLeaks, de um v\u00eddeo a mostrar o bombardeamento ocorrido a 12 de Julho de 2007 num sub\u00farbio de Bagdad, Iraque, em que dois helic\u00f3pteros Apache dos EUA dispararam e mataram cerca de 12 pessoas, entre as quais dois jornalistas da Reuters. Esse v\u00eddeo, baptizado &#8220;Collateral murder&#8221;, com imagens colhidas pela c\u00e2mara de um dos helic\u00f3pteros, desmentiu a vers\u00e3o oficial de que o incidente teria sido provocado por um combate contra rebeldes iraquianos.<\/p>\n<p>Em Abril de 2010, este v\u00eddeo estava no site WikiLeaks; em Maio, o soldado Manning foi detido no Kuwait e, a 29 de Julho, transferido para um pris\u00e3o militar na Virg\u00ednia, EUA. Julian Assange n\u00e3o assume, como \u00e9 l\u00f3gico ter liga\u00e7\u00f5es com o soldado Manning. Seja como for, caso Manning seja realmente respons\u00e1vel pela revela\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos sobre o Iraque e Afeganist\u00e3o, ou dos documentos secretos, est\u00e1 a prestar um grande servi\u00e7o \u00e0 luta contra a opress\u00e3o e a ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o e do Iraque. Facto semelhante aconteceu durante a guerra do Vietname, com a revela\u00e7\u00e3o dos &#8220;Pap\u00e9is do Pent\u00e1gono&#8221;, documentos secretos do governo dos EUA sobre a guerra, retirados e entregues ao jornal <em>The New York Times<\/em> por um funcion\u00e1rio do Pent\u00e1gono, Daniel Ellsberg. E tamb\u00e9m no Caso Watergate, com o informador &#8220;Garganta Profunda&#8221;, na verdade Mark Felt, subdirector do FBI.<\/p>\n<p><strong>Reac\u00e7\u00e3o da Casa Branca<\/strong><\/p>\n<p>O governo Obama e o Pent\u00e1gono adoptaram a t\u00e1ctica de tentar desvalorizar os documentos revelados pelo WikiLeaks, alegando que j\u00e1 eram factos sabidos. N\u00e3o \u00e9 verdade. A revela\u00e7\u00e3o dos documentos teve o efeito de uma hecatombe na Casa Branca, pois deixou patente a fragilidade do sistema de seguran\u00e7a dos EUA. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que o soldado Manning est\u00e1 preso e o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, &#8220;implorou&#8221; a Julian Assange que n\u00e3o divulgue os milhares de documentos que ainda tem em seu poder \u2013 a reproduzir negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de bastidores &#8220;quase criminosas&#8221; \u2013 alegando que comprometem a seguran\u00e7a nacional e colocam em risco a vida dos informantes afeg\u00e3os e soldados do EUA. Obama chegou a ir \u00e0 TV para explicar o caso.<\/p>\n<p>O presidente norte-americano alega que os documentos divulgados referem-se a um per\u00edodo anterior \u00e0 sua chegada ao poder, mas a verdade \u00e9 que os factos revelados condenam a actual pol\u00edtica da Casa Branca, isto \u00e9, a sua, que \u00e9 a de refor\u00e7ar a presen\u00e7a militar do ISAF no pa\u00eds, com o argumento de que desta forma mais cedo sairiam daquele atoleiro. Os factos tamb\u00e9m jogam por terra a t\u00e1ctica divulgada pelos EUA de transferir a responsabilidade da ocupa\u00e7\u00e3o para o Paquist\u00e3o, cujo servi\u00e7o secreto, o ISI, est\u00e1 fortemente envolvido na manuten\u00e7\u00e3o e armamento dos talib\u00e3s, que, como todos sabem, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o conjunta da CIA e do pr\u00f3prio ISI.<\/p>\n<p>Em Dezembro de 2009, Obama anunciou um refor\u00e7o de 30 mil soldados no Afeganist\u00e3o e, no fim de Julho deste ano, o Congresso aprovou o financiamento desse aumento de tropas, mais 33 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares para as guerras americanas, cuja maior parte ir\u00e1 para a frente afeg\u00e3. S\u00f3 que houve, tamb\u00e9m nesse caso, &#8220;efeitos colaterais&#8221; provocados pelos documentos do site WikiLeaks, pois 102 deputados democratas votaram contra a medida, o triplo dos 32 democratas que votaram contra o financiamento da guerra em 2009. Obama teve de se apoiar nos republicanos para poder ver o financiamento aprovado. &#8220;A divulga\u00e7\u00e3o dos documentos da guerra secreta no WikiLeaks  deu-nos 92 mil raz\u00f5es para acabar com a guerra. Escolham uma&#8221;, disse o deputado democrata Dennis Kucinich.<\/p>\n<p>Os documentos revelados no WikiLeaks  refor\u00e7am as raz\u00f5es para exigirmos o fim imediato da ocupa\u00e7\u00e3o militar do Afeganist\u00e3o. A convic\u00e7\u00e3o de que esta \u00e9 uma guerra perdida, in\u00fatil e criminosa cresce avassaladoramente nos EUA e nos demais pa\u00edses que participam da ocupa\u00e7\u00e3o e fortalece a campanha anti-guerra. Nos EUA, uma sondagem recente mostra que 76% dos americanos defende uma retirada militar completa, o mais tardar at\u00e9 ao Ver\u00e3o do pr\u00f3ximo ano, independentemente da situa\u00e7\u00e3o militar no terreno.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o crescimento do n\u00famero de baixas da ISAF \u2013 quase 2 mil soldados mortos, a metade nos dois \u00faltimos anos \u2013 que demonstra que a guerra est\u00e1 a correr mal para os EUA e aliados, \u00e9 tamb\u00e9m o facto destes n\u00e3o poderem confiar mais nos seus pr\u00f3prios soldados. A demiss\u00e3o do general Stanley McChrystal do comando do ISAF por ter criticado Obama e o vice-presidente Joe Biden foi uma demonstra\u00e7\u00e3o da profunda desmoraliza\u00e7\u00e3o das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o. A divulga\u00e7\u00e3o dos documentos e dos v\u00eddeos no site WikiLeaks, tenha sido Manning ou quaisquer outros militares os autores desse vazamento de informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o desse facto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias antes da divulga\u00e7\u00e3o pela imprensa internacional, no fim de Julho, de 91.731 documentos secretos sobre a guerra no Afeganist\u00e3o, a comprovar que as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o da Nato est\u00e3o a ser derrotadas no terreno e desmascaradas pelos seus pr\u00f3prios combatentes, o governo portugu\u00eas anuncia a amplia\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a militar neste pa\u00eds. A pedido do governo Obama, o governo PS\/S\u00f3crates decidiu aumentar de 160 para 253 o n\u00famero de militares no Afeganist\u00e3o. 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