{"id":2750,"date":"2018-05-04T10:44:05","date_gmt":"2018-05-04T09:44:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/04\/ate-quando-nos-vao-violentar\/"},"modified":"2018-05-04T10:44:05","modified_gmt":"2018-05-04T09:44:05","slug":"ate-quando-nos-vao-violentar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/04\/ate-quando-nos-vao-violentar\/","title":{"rendered":"At\u00e9 quando nos v\u00e3o violentar?"},"content":{"rendered":"<p>Saiu esta semana uma pequena not\u00edcia no Jornal Expresso <a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/multimedia\/259\/2018-05-03-Os-homens-continuam-a-matar-mulheres-1#gs.cFl72Rg\">[1]<\/a>, intitulado \u201cOs homens continuam a matar mulheres\u201d. Ainda que uma das conclus\u00f5es da not\u00edcia seja que os feminic\u00eddios em Portugal t\u00eam diminu\u00eddo (registaram-se 20 no ano de 2017, num universo de 475 desde 2004), a verdade \u00e9 que em todos os lugares do mundo as mulheres continuam a sofrer pelo simples facto de serem mulheres.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Cada vez mais surgem not\u00edcias alarmantes sobre casos de viol\u00eancia, como foi o caso \u201cLa Manada\u201d, no Estado Espanhol, em que v\u00e1rios homens violaram uma rapariga de 18 anos numa festa popular, em Pamplona. Na \u00cdndia, foi noticiada uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. Na Am\u00e9rica Latina, o assassinato de mulheres faz parte do quotidiano. Em Portugal, as queixas de viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00e3o muitas vezes mal resolvidas \u2013 como foi o caso do ac\u00f3rd\u00e3o do juiz no Porto, que atenuou a pena do agressor pelo facto de a mulher ter sido infiel \u2013 sob justifica\u00e7\u00f5es rid\u00edculas: \u201co adult\u00e9rio da mulher \u00e9 uma conduta que a sociedade sempre condenou (s\u00e3o as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as ad\u00falteras), e por isso [a sociedade] v\u00ea com alguma compreens\u00e3o a viol\u00eancia exercida pelo homem tra\u00eddo, vexado e humilhado pela mulher\u201d. <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2017\/10\/23\/leia-aqui-o-acordao-do-juiz-que-atenuou-agressao-por-causa-de-adulterio\/\">[2] <\/a> <\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o preocupantes e revelam que a viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 um verdadeiro flagelo social. Em Portugal, 80% das v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00e3o mulheres, sofrendo viol\u00eancia psicol\u00f3gica, emocional, f\u00edsica, social, econ\u00f3mica e sexual. As rela\u00e7\u00f5es abusivas ocorrem sobretudo em casais mais velhos, mas na juventude cada vez mais se naturaliza a viol\u00eancia no namoro, o controlo, o ass\u00e9dio, etc. e embora a viol\u00eancia dom\u00e9stica seja considerada crime desde 2000 (muito tardiamente na nossa opini\u00e3o!), as mulheres que apresentam queixa, muitas vezes, n\u00e3o v\u00eaem os seus casos resolvidos, continuando a ser perseguidas pelos seus agressores (algumas at\u00e9 assassinadas ap\u00f3s apresentarem queixa nas autoridades), estigmatizadas pelas autoridades e ridicularizadas pela justi\u00e7a. Fica \u00f3bvio que os mecanismos de protec\u00e7\u00e3o s\u00e3o insuficientes e muitas vezes inoperantes. Existem tamb\u00e9m in\u00fameros casos de viol\u00eancia que nem chegam a ser reportados, por medo das vitimas e tamb\u00e9m devido \u00e0 inefic\u00e1cia nos meios de protec\u00e7\u00e3o e de justi\u00e7a. As redes de apoio s\u00e3o escassas, as esquadras especializadas muitas vezes n\u00e3o funcionam correctamente e as casas abrigo tamb\u00e9m s\u00e3o problem\u00e1ticas, pela falta de condi\u00e7\u00f5es e pela pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o as mulheres que devem sair de suas casas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio que a perspectiva seja alterada, para uma puni\u00e7\u00e3o real dos agressores e uma protec\u00e7\u00e3o concreta das vitimas, para evitar situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e medo. O Governo PS deveria canalizar mais recursos financeiros para tratar as quest\u00f5es de viol\u00eancia de g\u00e9nero, investindo em mais e melhores esquadras especializadas, numa justi\u00e7a que proteja as vitimas e n\u00e3o se preocupe em encontrar desculpas para justificar as agress\u00f5es, numa reinser\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica das mulheres que sofreram \u00e0s m\u00e3os da viol\u00eancia machista!<\/p>\n<p><strong>Basta de justi\u00e7a machista!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Basta de impunidade!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Protec\u00e7\u00e3o das vitimas j\u00e1!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Rebeca Moore<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>1<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/multimedia\/259\/2018-05-03-Os-homens-continuam-a-matar-mulheres-1#gs.cFl72Rg\">http:\/\/expresso.sapo.pt\/multimedia\/259\/2018-05-03-Os-homens-continuam-a-matar-mulheres-1#gs.cFl72Rg<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>2<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/2017\/10\/23\/leia-aqui-o-acordao-do-juiz-que-atenuou-agressao-por-causa-de-adulterio\/\">https:\/\/observador.pt\/2017\/10\/23\/leia-aqui-o-acordao-do-juiz-que-atenuou-agressao-por-causa-de-adulterio\/<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiu esta semana uma pequena not\u00edcia no Jornal Expresso [1], intitulado \u201cOs homens continuam a matar mulheres\u201d. 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