{"id":2749,"date":"2018-05-03T12:27:57","date_gmt":"2018-05-03T11:27:57","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/03\/maio-de-68-a-revolta-estudantil-que-abalou-a-franca\/"},"modified":"2018-05-03T12:27:57","modified_gmt":"2018-05-03T11:27:57","slug":"maio-de-68-a-revolta-estudantil-que-abalou-a-franca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/05\/03\/maio-de-68-a-revolta-estudantil-que-abalou-a-franca\/","title":{"rendered":"Maio de 68: a revolta estudantil que abalou a Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Com a parte Leste da Europa transformada em economias n\u00e3o capitalistas e com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o chinesa (1949) que colocou o mais populoso pa\u00eds do mundo sob um poder popular que expropriou os capitalistas e se libertou do dom\u00ednio imperialista, as convuls\u00f5es mundiais que se seguiram ao final da segunda guerra mundial desencadearam fortes movimentos sociais nos pa\u00edses capitalistas, particularmente entre a juventude, e os \u2018anos sessenta\u2019 do s\u00e9culo vinte foram expressam desse ascenso mundial de movimentos juvenis e estudantis.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O mundo colonial tinha iniciado lutas pela independ\u00eancia que, ao n\u00e3o serem de imediato negociadas e aceites pelas metr\u00f3poles imperialistas se transformaram em guerras coloniais. No caso da Fran\u00e7a, as guerras da Indochina Francesa\/Vietnam (1946\/1954) e da independ\u00eancia da Arg\u00e9lia (1954\/1962), bem como a segunda guerra do Vietnam (j\u00e1 entre Vietnam e EUA) foram geradoras de movimentos juvenis de solidariedade com os povos em luta, movimentos sempre reprimidos pelo regime gaullista (em vigor desde 1959). <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Da revolta estudantil \u00e0 revolta oper\u00e1ria<\/span><\/p>\n<p>Foi neste contexto internacional e nacional que se inseriu o Maio Franc\u00eas (1968), o primeiro grande movimento revolucion\u00e1rio desencadeado num pa\u00eds imperialista, mobilizando 10 milh\u00f5es de grevistas, com todas as m\u00e9dias e grandes empresas em agita\u00e7\u00e3o, com os funcion\u00e1rios p\u00fablicos em greve e com toda a juventude estudantil (liceal e universit\u00e1ria) em mobiliza\u00e7\u00f5es de rua.<\/p>\n<p>O in\u00edcio desta movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o policial contra uma reuni\u00e3o estudantil na Sorbonne. Durante alguns dias, uma escalada de repress\u00e3o e de resist\u00eancia mobiliza dezenas de milhares de estudantes universit\u00e1rios e liceais, bem como tem a solidariedade dos professores. Este per\u00edodo de manifesta\u00e7\u00f5es estudantis, confrontos com a pol\u00edcia, ocupa\u00e7\u00e3o de ruas do Quartier Latin e barricadas de auto-defesa tem uma semana de dura\u00e7\u00e3o (3 a 10 de Maio).<\/p>\n<p>A exist\u00eancia e o exemplo deste movimento de luta contra o governo gaullista desencadeia uma movimenta\u00e7\u00e3o reivindicativa na classe trabalhadora. E as dire\u00e7\u00f5es sindicais, da CGT e CFDT, s\u00e3o pressionadas a convocar uma greve geral de 24h, a 13 de Maio, a qual foi acompanhada de uma gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o em Paris.<\/p>\n<p>Com a entrada do movimento oper\u00e1rio na rebeli\u00e3o, foram os pr\u00f3prios trabalhadores, por fora das propostas da CGT, que come\u00e7aram a decidir na base das grandes empresas e em v\u00e1rios sectores entrar em greves ilimitadas, fazer ocupa\u00e7\u00f5es e participar em combativas manifesta\u00e7\u00f5es de rua, em conjunto com os estudantes. Este novo per\u00edodo de revolta prolonga-se at\u00e9 27 de Maio, altura em que mais de 10 milh\u00f5es de grevistas j\u00e1 paralisam toda a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesta data (27 de Maio) que governo, patr\u00f5es e CGT chegam a um protocolo de acordo para acabar com o movimento que j\u00e1 questionava o poder patronal e o regime pol\u00edtico, e negociarem as reivindica\u00e7\u00f5es, sector a sector. \u00c9 a partir desta data que as principais dire\u00e7\u00f5es sindicais (CGT) e o (\u00e0 \u00e9poca) principal partido influente na classe oper\u00e1ria (o Partido Comunista Franc\u00eas) passam a enfrentar o movimento revolucion\u00e1rio, a procurar dividi-lo e desmobiliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u00c9 com grande indigna\u00e7\u00e3o que os oper\u00e1rios das grandes empresas rejeitam os \u2018acordos\u2019 que a CGT prop\u00f5e, em vota\u00e7\u00f5es massivas nas assembleias de f\u00e1brica os oper\u00e1rios dizem n\u00e3o. Entra-se assim numa fase decisiva para o movimento e esta fase \u00e9 a de derrubar o governo e colocar uma nova pol\u00edtica favor\u00e1vel aos trabalhadores, ou ficar num impasse que acabar\u00e1 por salvar o poder gaullista. A CGT e o PCF por um lado, manifestam-se por uma outra pol\u00edtica e um governo de unidade democr\u00e1tica, mas recusam-se a exigir o derrube do governo De Gaulle\/Pompidou. Mas, por outro lado, op\u00f5em-se \u00e0s greves ilimitadas e chamam a retomar o trabalho e a negociar com os patr\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi pacificamente que o movimento recuou. A resist\u00eancia oper\u00e1ria e estudantil continuou em muitas grandes f\u00e1bricas e universidades e ao mesmo tempo que a CGT e o PCF dividiam o movimento, o governo manda reprimir violentamente os sectores em luta, originando numerosos feridos e algumas v\u00edtimas mortais entre oper\u00e1rios e estudantes.<\/p>\n<p>E, a 30 de Maio, a dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional e a proposta de elei\u00e7\u00f5es gerais antecipadas (convocadas para dias 23 e 30 de Junho) por De Gaulle, t\u00eam o aplauso do PCF e colocam os partidos parlamentares do governo e da oposi\u00e7\u00e3o favor\u00e1veis a essa sa\u00edda.<\/p>\n<p>A necess\u00e1ria unidade do movimento oper\u00e1rio e sindical com o movimento estudantil tinha levado uma machadada fatal protagonizada pelas dire\u00e7\u00f5es reformistas da CGT e do PCF e a inexist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias devidamente implantadas na classe trabalhadora tinham impossibilitado uma resposta pol\u00edtica alternativa e com apoio de massas. A grande combatividade de uma ampla vanguarda estudantil e oper\u00e1ria verificou-se insuficiente para dar continuidade a um combate que j\u00e1 questionava o poder capitalista nas empresas e o regime pol\u00edtico da V Rep\u00fablica. Perante essa aus\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na classe trabalhadora, as for\u00e7as reformistas fizeram o servi\u00e7o que tinham que fazer (e que haveria de os penalizar mais tarde, como aconteceu ao PCF que se tornou um partido residual e eleitoralmente menos expressivo do que os trotskistas). Esse servi\u00e7o foi o de enfrentar o movimento e canaliza-lo para a negocia\u00e7\u00e3o sindical e para as elei\u00e7\u00f5es gerais que salvaram da morte anunciada o regime presidencialista sa\u00eddo da V Rep\u00fablica e que, 50 anos depois, ainda hoje vigora em Fran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a parte Leste da Europa transformada em economias n\u00e3o capitalistas e com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o chinesa (1949) que colocou o mais populoso pa\u00eds do mundo sob um poder popular que expropriou os capitalistas e se libertou do dom\u00ednio imperialista, as convuls\u00f5es mundiais que se seguiram ao final da segunda guerra mundial desencadearam fortes movimentos sociais nos pa\u00edses capitalistas, particularmente entre a juventude, e os \u2018anos sessenta\u2019 do s\u00e9culo vinte foram expressam desse ascenso mundial de movimentos juvenis e estudantis.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2748,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[1409,116,352,523,114,115,162,117],"class_list":["post-2749","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-1409","tag-alternativa","tag-franca","tag-maio","tag-mas","tag-movimento","tag-revolucionario","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maio_68.jpg?fit=500%2C365","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2749\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2748"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}