{"id":2708,"date":"2018-04-14T15:11:34","date_gmt":"2018-04-14T14:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/04\/14\/eua-promove-ataques-aereos-a-siria-chega-de-intervencao-paz-para-o-povo-sirio\/"},"modified":"2018-04-14T15:11:34","modified_gmt":"2018-04-14T14:11:34","slug":"eua-promove-ataques-aereos-a-siria-chega-de-intervencao-paz-para-o-povo-sirio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/04\/14\/eua-promove-ataques-aereos-a-siria-chega-de-intervencao-paz-para-o-povo-sirio\/","title":{"rendered":"EUA promove ataques a\u00e9reos \u00e0 S\u00edria: Chega de interven\u00e7\u00e3o! Paz para o povo S\u00edrio!"},"content":{"rendered":"<p>Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que suas for\u00e7as armadas haviam come\u00e7ado o bombardeio sobre a S\u00edria, em alian\u00e7a com a Fran\u00e7a e o Reino Unido. A raz\u00e3o seria um alegado ataque com armas qu\u00edmicas pelo regime de Assad na regi\u00e3o de Gouta Oriental, no sub\u00farbio de Damasco de Douma no s\u00e1bado passado.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Esse desenlace seguiu-se a uma semana de impasse que se refletiu no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, em que a R\u00fassia vetou qualquer resolu\u00e7\u00e3o que responsabilizasse o regime de Assad pelos alegados ataques realizados no s\u00e1bado passado. <\/p>\n<p>O regime de Assad \u00e9 sanguin\u00e1rio e \u00e9 respons\u00e1vel por centenas de milhares de mortos, desde quando resolveu atacar militarmente o levante popular h\u00e1 sete anos. No entanto,\u00a0n\u00e3o est\u00e1 claro se as acusa\u00e7\u00f5es do ataque com armas qu\u00edmicas s\u00e3o verdadeiras, o que n\u00e3o torna o governo menos criminoso. Os precedentes americanos permitem duvidar da veracidade de suas alega\u00e7\u00f5es, junto com franceses e brit\u00e2nicos, haja vista que a desculpa para a invas\u00e3o do Iraque em 2003 foi a suposta posse de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa pelo regime de Sadam Houssein, o que se demonstrou falso e custou centenas de milhares de v\u00edtimas e a destrui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Pot\u00eancias mundiais disputam o futuro da S\u00edria e regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Durante toda a semana, as amea\u00e7as americanas e a resposta russa colocaram em primeiro plano a disputa entre as duas pot\u00eancias mundiais, atingindo seu grau mais alto na regi\u00e3o em muitos anos.<\/p>\n<p>Houve e h\u00e1 um intenso debate interno na classe dominante americana sobre os alcances do ataque, em particular sobre a possibilidade de precipitar a queda do regime, o que foi o temor americano desde o come\u00e7o da rebeli\u00e3o contra Assad. Mas o receio essencial \u00e9 o de que a resposta russa possa ampliar os enfrentamentos j\u00e1 existentes na arena mundial.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es que foram emitidas nesta noite pelo Secret\u00e1rio de Defesa dos EUA e pelos demais generais do Pent\u00e1gono especificam que os ataques n\u00e3o se reduziram a um s\u00f3 lugar, como no ano passado, mas em v\u00e1rios alvos na regi\u00e3o de Damasco e de Homs, que utilizaram mais do dobro de m\u00edsseis do que no ano passado e que, \u201cpor enquanto\u201d, n\u00e3o continuariam. Segundo os generais do Pent\u00e1gono, os russos teriam sido avisados do ataque para evitar choques no espa\u00e7o a\u00e9reo s\u00edrio, sem especificar onde iriam atacar, como haviam feito no ano passado. Al\u00e9m disso, aparentemente, n\u00e3o houve ataques a bases do Hezbolah, nem a for\u00e7as militares iranianas na S\u00edria. Segundo o secret\u00e1rio de Defesa dos EUA, James Mattis,\u00a0\u201cenviamos uma clara mensagem para Assad e seus comandantes assassinos que eles n\u00e3o deveriam perpetrar outro ataque com armas qu\u00edmicas, do qual eles ser\u00e3o responsabilizados\u201d.<\/p>\n<p>Mais uma vez o povo s\u00edrio se v\u00ea entre uma ditadura brutal que \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela morte de centenas de milhares de pessoas e por transformar milh\u00f5es de s\u00edrios em refugiados e as pot\u00eancias mundiais que lutam por ampliar ou manter a influ\u00eancia e poder na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Poss\u00edveis reflexos na situa\u00e7\u00e3o mundial<\/strong><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o ter\u00e1 grande repercuss\u00e3o mundial, cujos alcances n\u00e3o se pode prever ainda. Como sempre, a a\u00e7\u00e3o militar possui sua din\u00e2mica pr\u00f3pria, mesmo que seja determinada pela pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria cada vez mais clara de Assad na guerra civil, desde a queda de Aleppo em dezembro de 2016, significou uma mudan\u00e7a importante na balan\u00e7a de for\u00e7as, regional e global. A R\u00fassia, que participa do conflito por raz\u00f5es pr\u00f3prias e n\u00e3o ditadas por qualquer solidariedade ideol\u00f3gica, foi decisiva para essa vit\u00f3ria. Conseguiu um papel in\u00e9dito na regi\u00e3o, com outros aliados poderosos, como o Ir\u00e3, al\u00e9m da influ\u00eancia por meio deste no Iraque. Na S\u00edria, possuem bases terrestres, a\u00e9reas e navais. Por outro lado, sua proemin\u00eancia mundial no \u00faltimo per\u00edodo incluiu uma exibi\u00e7\u00e3o de supostos m\u00edsseis super-avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o poderia desencadear um conflito de maiores propor\u00e7\u00f5es entre Israel e Ir\u00e3. O estado sionista vem aumentando seu grau de ataques na S\u00edria, tendo bombardeado nesta semana uma base em que havia soldados e oficiais iranianos e est\u00e1 em estado de alerta m\u00e1ximo para uma guerra com o Ir\u00e3, que, ainda que teoricamente limitada, poderia ter propor\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis. Ao mesmo tempo, o estado sionista realizou alguns ataques em Gaza e amea\u00e7a uma nova sanguin\u00e1ria opera\u00e7\u00e3o nos moldes do que fez em 2009, 2012 e 2014 se continuarem as manifesta\u00e7\u00f5es de massas pelo direito do retorno em suas fronteiras.<\/p>\n<p>O outro conflito que pode ser influenciado pelo ataque americano \u00e9 o que existe entre a Turquia e os curdos, que presenciou nos \u00faltimos meses um contra-ataque turco, retomando parte da regi\u00e3o s\u00edria ocupada pelos curdos durante a guerra civil.<\/p>\n<p>A China, por seu lado, programou para o dia 18 deste m\u00eas um grande exerc\u00edcio militar com muni\u00e7\u00e3o real no estreito de Taiwan, o ponto mais conflitivo em seus enfrentamentos com os Estado Unidos. Isso foi interpretado pela imprensa chinesa como uma sinaliza\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 R\u00fassia, obrigando os americanos a se preocupar mais com o seu declarado principal objetivo mundial, que \u00e9 a conten\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p>As primeiras rea\u00e7\u00f5es russas, feitas pelo embaixador nos EUA, Anatoli Antonov, foram de que \u201chaver\u00e1 consequ\u00eancias aos ataques\u201d. No s\u00e1bado, Putin declarou que a a\u00e7\u00e3o era uma agress\u00e3o contra a S\u00edria, que provocaria uma nova onda de refugiados e que remeteria o assunto para o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Quaisquer que sejam os desdobramentos da a\u00e7\u00e3o americana, da rea\u00e7\u00e3o russa e da oposi\u00e7\u00e3o interna dentro dos pr\u00f3prios EUA, Reino Unido e Fran\u00e7a, o povo s\u00edrio n\u00e3o \u00e9 certamente a preocupa\u00e7\u00e3o dos atacantes desta noite, nem dos russos e seus aliados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Chega de interven\u00e7\u00e3o! Paz para o povo S\u00edrio!<\/strong><\/p>\n<p>Definitivamente os ataques dos EUA n\u00e3o s\u00e3o humanit\u00e1rios. A solu\u00e7\u00e3o para acabar com o sofrimento do povo s\u00edrio n\u00e3o vir\u00e1 dos ataques a\u00e9reos das pot\u00eancias que dominaram a regi\u00e3o por mais de um s\u00e9culo, nem dos russos que aumentaram sua influ\u00eancia na regi\u00e3o ultimamente. Nem do regime sanguin\u00e1rio de Assad. Somente a press\u00e3o externa e a solidariedade internacional podem ajudar a que a oposi\u00e7\u00e3o social e laica na S\u00edria se recomponha ou se reorganize de forma independente das for\u00e7as intervencionistas e\/ou sect\u00e1rias e consiga derrubar Assad e seu regime, sem o que n\u00e3o poder\u00e1 haver qualquer esperan\u00e7a de colocar um fim ao sofrimento do povo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Waldo Mermelstein, S\u00e3o Paulo\/SP &#8211; MAIS\/Esquerda Online<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Foto:\u00a0Hassan Ammar \/ AP<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que suas for\u00e7as armadas haviam come\u00e7ado o bombardeio sobre a S\u00edria, em alian\u00e7a com a Fran\u00e7a e o Reino Unido. 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