{"id":2694,"date":"2018-04-06T17:40:02","date_gmt":"2018-04-06T16:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/04\/06\/siria-promessas-de-paz-so-tem-garantido-mais-guerra\/"},"modified":"2018-04-06T17:40:02","modified_gmt":"2018-04-06T16:40:02","slug":"siria-promessas-de-paz-so-tem-garantido-mais-guerra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/04\/06\/siria-promessas-de-paz-so-tem-garantido-mais-guerra\/","title":{"rendered":"S\u00edria: Promessas de \u201cpaz\u201d s\u00f3 t\u00eam garantido mais guerra"},"content":{"rendered":"<p>No passado dia 15 de Mar\u00e7o completaram-se sete anos desde o in\u00edcio do levante popular na S\u00edria contra Bashar Al-Assad. A repress\u00e3o aos protestos pac\u00edficos deu origem a uma guerra civil, sem fim \u00e0 vista, que j\u00e1 fez mais de 217 mil mortos civis, dos quais 93% s\u00e3o responsabilidade do regime e dos seus aliados (R\u00fassia, Ir\u00e3o e Hezbollah), sendo 18% destes mulheres e crian\u00e7as. No mesmo relat\u00f3rio, a Rede S\u00edria para os Direitos Humanos denuncia que 104.029 pessoas continuam presas arbitrariamente ou desapareceram nas pris\u00f5es de Assad\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Hoje, o regime canta vit\u00f3ria depois do mart\u00edrio que imp\u00f4s \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Ghouta Oriental. Cercado desde 2013, desde Novembro de 2017 que este sub\u00farbio de Damasco foi bombardeado quase diariamente, suspeitando-se que tenham sido utilizadas armas qu\u00edmicas, como o g\u00e1s cloro\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn2\">[2]<\/a>. S\u00f3 em Fevereiro de 2018 \u00e9 que o Ocidente e o Mundo acordaram para a carnificina imposta aos seus cerca de 400 mil habitantes, subindo desde logo o tom entre os pa\u00edses imperialistas. <\/p>\n<p>De um lado, os EUA exigiram uma tr\u00e9gua para a sa\u00edda dos civis e a entrega de ajuda humanit\u00e1ria, amea\u00e7ando atuar com mais for\u00e7a caso a mesma n\u00e3o fosse cumprida. Do outro, a R\u00fassia p\u00f4s em vigor uma \u201ctr\u00e9gua\u201d de cinco horas di\u00e1rias, raramente respeitada. A evacua\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser efetuada ap\u00f3s v\u00e1rios acordos entre o regime e a oposi\u00e7\u00e3o, mediados pela R\u00fassia. Depois de cerca de 1.600 mortos\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn3\">[3]<\/a> e dezenas de milhares de desalojados\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn4\">[4]<\/a>, o regime controla agora praticamente toda a \u00e1rea de Ghouta Oriental.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de Abril, t\u00eam sido anunciados os acordos finais com o movimento fundamentalista Jaysh al-Islam (Ex\u00e9rcito do Isl\u00e3o) para a evacua\u00e7\u00e3o de Douma\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn5\">[5]<\/a>, com a retirada de opositores para Jarablus e al-Bab, na regi\u00e3o de Alepo, e Idlib. Jarablus e al-Bab est\u00e3o atualmente sob o controlo da Turquia e de fa\u00e7\u00f5es aliadas reacion\u00e1rias do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria (ELS), tendo sido tomadas ao autoproclamado Estado Isl\u00e2mico (EI), em 2016, durante a opera\u00e7\u00e3o Escudo de Eufrates. Idlib \u00e9 o \u00faltimo grande basti\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m a principal regi\u00e3o onde est\u00e1 presente a Hay&#8217;at Tahrir al-Sham (Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o do Levante ou Comit\u00e9 de Liberta\u00e7\u00e3o do Levante \u2013 HTS), organiza\u00e7\u00e3o que pertencia \u00e0 Al-Qaeda, designada anteriormente por Frente Al-Nusra.<\/p>\n<p>Num encontro em Ancara, a 4 de Abril, R\u00fassia, Ir\u00e3o e Turquia voltaram a acordar o estabelecimento de \u201czonas de seguran\u00e7a\u201d para proteger os civis. J\u00e1 nas \u201cnegocia\u00e7\u00f5es de paz\u201d de Astana, em Setembro do ano passado, tinham sido estabelecidas quatro zonas que inclu\u00edam \u00e1reas como Ghouta Oriental, Idlib, Latakia, Alepo, Hama e Homs\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn6\">[6]<\/a>. Como se sabe, a \u201cpaz\u201d n\u00e3o durou muito. Al\u00e9m de Ghouta, o regime tem avan\u00e7ado nos sub\u00farbios de Hama, Idlib e Alepo, tendo causado cerca de 485.000 desalojados. Nestes combates foram tamb\u00e9m registadas 204 mortes nas \u00e1reas de Hama e Idlib e 49 mortes em Alepo\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia assassina de Assad n\u00e3o \u00e9 nova, foi a seguida em Homs, depois em Alepo e agora em Ghouta. Pelos avan\u00e7os do regime e tendo em conta as v\u00e3s promessas de paz anteriores, o mais prov\u00e1vel \u00e9 o massacre continuar enquanto houver oposi\u00e7\u00e3o no seu territ\u00f3rio. Nessas \u00e1reas, a popula\u00e7\u00e3o resiste como pode, tanto aos avan\u00e7os do regime, como \u00e0 a\u00e7\u00e3o de grupos armados fundamentalistas da oposi\u00e7\u00e3o, que tanto reprimem e matam ativistas democr\u00e1ticos como se combatem entre si, registando-se ainda hoje manifesta\u00e7\u00f5es civis\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>A guerra na S\u00edria est\u00e1 longe de chegar ao fim, ainda mais numa altura em que a Turquia abriu uma nova frente com a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Ramo de Oliveira\u201d lan\u00e7ada contra os curdos, o Partido da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica (PYD) e as Unidades de Prote\u00e7\u00e3o Popular (YPG), para derrotar qualquer aspira\u00e7\u00e3o de autonomia. Depois de Afrin, Erdogan amea\u00e7a expandir a sua opera\u00e7\u00e3o para outras localidades como Manbij. Resta saber qual ser\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, que apoiou as YPG no combate ao EI e tem tropas nessas \u00e1reas. Na \u00faltima semana Trump expressou por duas vezes a sua vontade de retirar as tropas americanas do pa\u00eds, tendo depois um porta-voz afirmado que os EUA iriam permanecer no pa\u00eds por mais algum tempo. Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos dias t\u00eam sido registadas movimenta\u00e7\u00f5es de tropas na cidade de Manbij e chegada de refor\u00e7os\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Depois%20do%20mart%C3%ADrio%252c%20mais%20promessas%20de%20paz.docx#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Na pilhagem da S\u00edria, por parte das pot\u00eancias regionais e globais, o principal interesse \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica determinante para o escoamento do g\u00e1s natural e do petr\u00f3leo da regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea que constitui o Curdist\u00e3o s\u00edrio, conhecida por Rojava, \u00e9 onde se encontram os principais po\u00e7os de petr\u00f3leo. Para a R\u00fassia, \u00e9 tamb\u00e9m o pa\u00eds que alberga a sua principal base a\u00e9rea na regi\u00e3o. Enquanto v\u00e3o falando de paz, as v\u00e1rias pot\u00eancias come\u00e7am a alinhar-se de forma a beneficiarem da reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Neste momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel derrubar Assad atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Uma eventual, ainda que muito pouco prov\u00e1vel, deposi\u00e7\u00e3o do regime por tropas ou ataques externos apenas colocaria outro regime desp\u00f3tico no seu lugar.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a situa\u00e7\u00e3o exige que os movimentos sociais se unam exigindo o fim da interven\u00e7\u00e3o de todas as pot\u00eancias globais e regionais na S\u00edria e na regi\u00e3o. Deve-se exigir que os pa\u00edses, nomeadamente, europeus, abram as suas portas aos refugiados e desenvolvam amplas pol\u00edticas de uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o social e laboral. Este \u00e9 o tipo de pol\u00edticas que permitir\u00e3o combater o crescente sentimento xen\u00f3fobo e racista, potenciado pela extrema-direita. S\u00f3 essa solidariedade internacional possibilitar\u00e1 que a oposi\u00e7\u00e3o social e laica na S\u00edria se recomponha e reorganize, de forma independente, como j\u00e1 o procura fazer no ex\u00edlio. S\u00f3 uma S\u00edria sem Assad trar\u00e1 paz a um povo que j\u00e1 enfrenta tantos anos de sofrimento.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>1\u00a0<\/sup><a href=\"http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/14\/51719\/\">http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/14\/51719\/<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>2\u00a0<\/sup><a href=\"http:\/\/www.allianceofmesocialists.org\/solidarity-afrin-al-ghouta-idlib-military-attacks\/\">http:\/\/www.allianceofmesocialists.org\/solidarity-afrin-al-ghouta-idlib-military-attacks\/<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>3<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newsdeeply.com\/syria\/executive-summaries\/2018\/04\/04\">https:\/\/www.newsdeeply.com\/syria\/executive-summaries\/2018\/04\/04<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>4<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/25\/51746\">http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/25\/51746<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>5<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88545\">http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88545<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>6<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2017\/09\/final-de-escalation-zones-agreed-astana-170915102811730.html\">https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2017\/09\/final-de-escalation-zones-agreed-astana-170915102811730.html<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>7<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/31\/51773\/\">http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/03\/31\/51773\/<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>8<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88522\">http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88522<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>9<\/sup>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88392\">http:\/\/www.syriahr.com\/en\/?p=88392<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 15 de Mar\u00e7o completaram-se sete anos desde o in\u00edcio do levante popular na S\u00edria contra Bashar Al-Assad. A repress\u00e3o aos protestos pac\u00edficos deu origem a uma guerra civil, sem fim \u00e0 vista, que j\u00e1 fez mais de 217 mil mortos civis, dos quais 93% s\u00e3o responsabilidade do regime e dos seus aliados (R\u00fassia, Ir\u00e3o e Hezbollah), sendo 18% destes mulheres e crian\u00e7as. No mesmo relat\u00f3rio, a Rede S\u00edria para os Direitos Humanos denuncia que 104.029 pessoas continuam presas arbitrariamente ou desapareceram nas pris\u00f5es de Assad\u00a0[1].<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2693,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[35],"tags":[1372,116,803,1373,805,272,114,1261,115,1262,271,117],"class_list":["post-2694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medio-oriente","tag-al","tag-alternativa","tag-assad","tag-curdistao","tag-curdos","tag-guerra","tag-mas","tag-medio","tag-movimento","tag-oriente","tag-siria","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/ghouta_douma.jpg?fit=500%2C281","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2694\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2693"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}