{"id":2627,"date":"2018-03-09T14:19:34","date_gmt":"2018-03-09T13:19:34","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/03\/09\/8m-um-dia-historico-e-preciso-dar-lhe-continuidade\/"},"modified":"2018-03-09T14:19:34","modified_gmt":"2018-03-09T13:19:34","slug":"8m-um-dia-historico-e-preciso-dar-lhe-continuidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/03\/09\/8m-um-dia-historico-e-preciso-dar-lhe-continuidade\/","title":{"rendered":"8M: Um dia hist\u00f3rico! \u00c9 preciso dar-lhe continuidade"},"content":{"rendered":"<p>O 8M de 2018 foi hist\u00f3rico. Por todo o mundo, em mais de 170 pa\u00edses, as mulheres tomaram as ruas. Desde a \u00cdndia \u00e0 Am\u00e9rica Latina, passando por Fran\u00e7a, Estado Espanhol, Irlanda, Afrin as mulheres marcaram o Dia Internacional da Mulher n\u00e3o como um dia de flores, maquilhagem e presentes, mas como um dia de luta, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de reivindica\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. A Greve Internacional de Mulheres, que j\u00e1 em 2017 se fez sentir, sacudiu o planeta e deixou bem claro que h\u00e1 muito que fazer.<\/p>\n<p>  <!--more-->  No Estado Espanhol mais de 5 milh\u00f5es de trabalhadoras\/es participaram na primeira greve \u201cfeminista\u201d, focando problemas como a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero, a viol\u00eancia dom\u00e9stica e a desigualdade salarial. As companheiras do Estado Espanhol organizaram, desde a greve internacional de mulheres de 2017, um chamado aos sindicatos para convocar uma greve. As mulheres paralisaram hospitais, bancos, escolas, universidades, os servi\u00e7os p\u00fablicos e at\u00e9 alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o. Foram convocadas mais de 120 manifesta\u00e7\u00f5es no pa\u00eds inteiro e as imagens que nos chegaram demonstram bem a for\u00e7a das mobiliza\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a as\/os trabalhadoras\/es foram chamados a abandonar os seus postos de trabalho \u00e0s 15h40, para evidenciar a desigualdade salarial sentida pelas mulheres. As trabalhadoras francesas recebem menos 24% que os seus colegas homens, pelo mesmo trabalho, sendo que os c\u00e1lculos demonstram que trabalham de gra\u00e7a a partir das 15.40 todos os dias.<\/p>\n<p>Em Mil\u00e3o as estudantes protestaram em frente aos hospitais contra os m\u00e9dicos que se recusam a fazer abortos legais e seguros. Na Argentina e na Am\u00e9rica Latina as ruas encheram-se contra os feminic\u00eddios, contra a ocupa\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro, contra o golpe reacion\u00e1rio da direita.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses onde n\u00e3o houve convocat\u00f3ria de greve por parte das estruturas sindicais, as mulheres chamaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o por outros meios e realizaram-se grandes manifesta\u00e7\u00f5es barulhentas, reivindicativas e poderosas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As li\u00e7\u00f5es do 8M<\/strong><\/p>\n<p>A resist\u00eancia das mulheres floresce. Sentimos na pele a opress\u00e3o e a desigualdade quotidiana. As nossas vidas s\u00e3o constantemente marcadas pela discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho, nas ruas, nas escolas e universidades e em casa. O Dia Internacional da Mulher \u00e9 uma data importante para dar visibilidade e for\u00e7a \u00e0 nossa luta, mas precisamos de muito mais.<\/p>\n<p>Queremos uma sociedade livre de opress\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia de g\u00e9nero. Queremos ir \u00e0 luta pelos nossos direitos e queremos do nosso lado os nossos colegas de trabalho, companheiros e familiares, porque a luta pelo fim da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o \u00e9 uma luta conjunta, por um mundo diferente.<\/p>\n<p>Em Portugal, as manifesta\u00e7\u00f5es foram grandes \u2013 v\u00e1rias cidades aderiram ao chamado internacional e encheram as ruas com as suas bandeiras e reivindica\u00e7\u00f5es. Misteriosamente, e apesar de, em Lisboa, terem estado mais de 2.000 pessoas nas ruas n\u00e3o apareceu nenhum \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social. Por c\u00e1, tamb\u00e9m quer\u00edamos uma greve, constru\u00edda desde a base, que para al\u00e9m do movimento social recolha tamb\u00e9m o apoio dos sindicatos e de todos partidos de esquerda. Por c\u00e1, tamb\u00e9m precisamos de um programa s\u00e9rio de combate ao machismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. A Geringon\u00e7a, nos dois anos de mandato, nada fez para melhorar a condi\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadores portuguesas. A precariedade e os baixos sal\u00e1rios, os hor\u00e1rios exaustivos, o desinvestimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos, o aumento da carga fiscal, os despedimentos das mulheres da Triumph e da Ricon s\u00e3o exemplos da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o que recai sobre as mulheres. Basta!<\/p>\n<p>Precisamos de pegar a for\u00e7a do 8M e aprofundar as lutas, dar-lhe continuidade. As nossas reivindica\u00e7\u00f5es precisam ser ouvidas e para tal necessitamos de unir for\u00e7as e construir um movimento feminista forte e combativo, anti-capitalista, das mulheres que trabalham e sentem directamente os efeitos dos cortes, do desinvestimento etc., um movimento constru\u00eddo nas ruas, nos locais de trabalho, nas universidades, nos bairros, um movimento feminista que se apoie na mobiliza\u00e7\u00e3o como forma de conquistar a sua emancipa\u00e7\u00e3o. A CGTP, assim como BE e PCP, como dire\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas de importantes setores da classe trabalhadora, devem assumir um papel mais activo na mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres e homens que todos os dias s\u00e3o submetidas \u00e0s mais prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho.<\/p>\n<p>O 8M foi incr\u00edvel e abanou o mundo. Que venham mais dias de luta, muita resist\u00eancia e muitas vit\u00f3rias, porque \u201ccaladas nos querem mas rebeldes nos ter\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 8M de 2018 foi hist\u00f3rico. Por todo o mundo, em mais de 170 pa\u00edses, as mulheres tomaram as ruas. Desde a \u00cdndia \u00e0 Am\u00e9rica Latina, passando por Fran\u00e7a, Estado Espanhol, Irlanda, Afrin as mulheres marcaram o Dia Internacional da Mulher n\u00e3o como um dia de flores, maquilhagem e presentes, mas como um dia de luta, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de reivindica\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. 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