{"id":2625,"date":"2018-03-08T14:45:46","date_gmt":"2018-03-08T13:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/03\/08\/o-que-entendes-por-violencia-sobre-a-mulher\/"},"modified":"2018-03-08T14:45:46","modified_gmt":"2018-03-08T13:45:46","slug":"o-que-entendes-por-violencia-sobre-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/03\/08\/o-que-entendes-por-violencia-sobre-a-mulher\/","title":{"rendered":"O que entendes por viol\u00eancia sobre a mulher?"},"content":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros da ONU apontam que a cada dez minutos uma mulher \u00e9 assassinada por um homem que \u00e9 ou j\u00e1 foi seu companheiro e que uma em cada tr\u00eas mulheres sofreu agress\u00f5es ao longo da vida.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O que \u00e9 que estes dados nos dizem, que mulheres s\u00e3o assassinadas e agredidas por serem mulheres? Que, historicamente, todas n\u00f3s vivemos numa condi\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o ao homem, seja ele irm\u00e3o, pai, marido, colega de trabalho ou patr\u00e3o? Mas, se sabemos que existe uma grande desigualdade entre g\u00e9neros, porque \u00e9 que o problema se sustenta e em certos s\u00edtios do mundo se agrava? <\/p>\n<p>No ano referente a 2016 a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Apoio \u00e0 V\u00edtima (APAV) apoiou 9.347 v\u00edtimas de crimes e de outras formas de viol\u00eancia. Entre elas, 5.226 s\u00e3o mulheres, o que corresponde a uma m\u00e9dia de 100 mulheres atendidas por semana. Seguem-se os mais velhos, com 1.009 pessoas idosas a receberem ajuda da organiza\u00e7\u00e3o, e depois 826 crian\u00e7as e 826 homens.<\/p>\n<p>J\u00e1 no que respeita \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da v\u00edtima com o agressor ou autor de crime, continuam a prevalecer \u2013 sendo 59% do dos casos \u2013 as rela\u00e7\u00f5es de c\u00f4njuge, companheiro, ex-c\u00f4njuge, ex-companheiro, ex-namorado e namorado\/a.<\/p>\n<p>Segundo a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa, desde o ano 2000, viol\u00eancia dom\u00e9stica, al\u00e9m de ser um atentado \u00e0 dignidade do ser humano, \u00e9 um crime p\u00fablico, deixando de ser um acontecimento confinado apenas aos limites das paredes do lar familiar. Segundo a lei, o procedimento criminal n\u00e3o est\u00e1 dependente de queixa por parte da v\u00edtima, bastando uma den\u00fancia ou conhecimento do crime para ser aberto um processo. A realidade mostra-nos que a sociedade e o sistema judicial, muitas vezes, ainda trata a viol\u00eancia dom\u00e9stica como um acontecimento entre marido e mulher, em que, na maioria das vezes (77,4%), a den\u00fancia \u00e9 feita pelas v\u00edtimas e que uma pequena minoria (8,7%) \u00e9 feita por familiares ou vizinhos (dados RASI). \u00c9 importante notar o avan\u00e7o penal em termos legislativos, mas ser\u00e1 este avan\u00e7o suficiente na protec\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sobre a mulher?<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Relat\u00f3rio Anual de Seguran\u00e7a Interna (RASI) referentes ao ano de 2016, contabilizando um total de 27.935 inqu\u00e9ritos realizados, dos quais mais de 20 mil acabaram arquivados e apenas 4.163 deram origem a uma acusa\u00e7\u00e3o. Estes dados apontam a imprevisibilidade do sistema judicial, ficando muitas vezes \u00e0 merc\u00ea da sensibilidade dos profissionais que ditam o veredicto.<\/p>\n<p>Marcada por constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, culturais, econ\u00f3micas, politicas e sociais discriminat\u00f3rias e por desigualdade entre g\u00e9nero masculino e feminino, a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsica. \u00c9 psicol\u00f3gica, laboral, legislativa, educacional, judicial e institucional. Estamos conscientes que, quer seja devido \u00e0 sua classe social, cor, ra\u00e7a, nacionalidade ou a sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, existem mulheres que sofrem mais viol\u00eancia do que outras.<\/p>\n<p>A mulher deve ser bela, elegante, magra, ter cabelos bem cuidados, unhas bem tratadas, pele hidratada, corpo tonificado, estar em forma, no peso ideal e com curvas definidas.<\/p>\n<p>Deve ser uma mulher bem-sucedida no trabalho, casada e feliz, m\u00e3e extremosa e sempre perfeita, deve ser uma amante ardente e uma cozinheira ex\u00edmia.<\/p>\n<p>A mulher deve estar sempre atenta ao melhor da moda, \u00e0s tend\u00eancias dos cabelos e \u00e0s cores da maquilhagem.<\/p>\n<p>Todas estas constru\u00e7\u00f5es culturais exercem, diariamente, viol\u00eancia sobre a mulher, porque educar sob a atribui\u00e7\u00e3o de papeis de g\u00e9nero \u00e9 viol\u00eancia, educar para ser mulher \u00e9 viol\u00eancia!<\/p>\n<p>Em 2016 as mulheres da Isl\u00e2ndia foram not\u00edcia pelo mundo, todas as trabalhadoras sa\u00edram \u00e0 rua \u00e0s 14h38 em protesto contra a desigualdade salarial entre g\u00e9neros. Em compara\u00e7\u00e3o com os colegas homens, num dia de trabalho de oito horas, as mulheres islandesas come\u00e7am a trabalhar de gra\u00e7a a partir das 14h38.<\/p>\n<p>Um estudo da Eurostat, referente ao ano de 2015, exp\u00f5e que as mulheres em Portugal ganham, em m\u00e9dia, menos 17,8% que os homens em remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia mensal. Vamos fazer um exerc\u00edcio, para melhor compreender esta quest\u00e3o da desigualdade salarial. Devido \u00e0 esta disparidade, a partir do m\u00eas de Novembro, estamos na pr\u00e1tica a pagar para trabalhar, pois deixamos de ser pagas a partir do dia 24 de Outubro. Com acr\u00e9scimo \u00e0 desigualdade salarial podemos juntar a constru\u00e7\u00e3o cultural discriminat\u00f3ria da naturaliza\u00e7\u00e3o do papel da mulher como esposa e m\u00e3e, com dupla e tripla jornada de trabalho sem o seu reconhecimento e sem a devida remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino \u00e9 viol\u00eancia econ\u00f3mica, sendo necess\u00e1rio tornar vis\u00edvel que as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado s\u00e3o uma responsabilidade de toda a sociedade e que n\u00e3o devem ser as mulheres a assumir esse trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p>Desigualdade salarial pelo mesmo trabalho, baseado apenas e s\u00f3 porque somos mulheres, \u00e9 viol\u00eancia!<\/p>\n<p>Todas estas formas de viol\u00eancia continuam a ser toleradas pela nossa sociedade, a quem devemos reivindicar uma alternativa, onde todas as formas de viol\u00eancia machista sejam tiradas da invisibilidade e sejam, finalmente, punidas.<\/p>\n<p>De notar a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a viol\u00eancia sobre a mulher e a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, devendo o feminismo, como a realidade nos mostra, ser integrado numa no\u00e7\u00e3o de classe. Tudo o que oprime as mulheres numa base di\u00e1ria oprime as trabalhadoras com especial incid\u00eancia, porque ao capitalismo serve a perpetua\u00e7\u00e3o desta viol\u00eancia constante que explora e subjuga a mulher a cumprir um papel reprodutivo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a desigualdade entre g\u00e9neros serve \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do sistema capitalista pelo que s\u00f3 unidas e organizadas poderemos lutar pela nossa emancipa\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente compreender que a classe trabalhadora \u00e9 heterog\u00e9nea, al\u00e9m de branca e masculina, \u00e9 feminina, negra e LGBT!<\/p>\n<p><strong>Viva a luta das mulheres trabalhadoras!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva o 8 de Mar\u00e7o!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Juliana In\u00e1cio<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros da ONU apontam que a cada dez minutos uma mulher \u00e9 assassinada por um homem que \u00e9 ou j\u00e1 foi seu companheiro e que uma em cada tr\u00eas mulheres sofreu agress\u00f5es ao longo da vida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2624,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[68],"tags":[1057,116,371,114,115,368,117,211],"class_list":["post-2625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher","tag-8m","tag-alternativa","tag-feminismo","tag-mas","tag-movimento","tag-mulher","tag-socialista","tag-violencia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/violencia.jpg?fit=500%2C286","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2625\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2624"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}