{"id":2584,"date":"2018-01-30T15:43:16","date_gmt":"2018-01-30T14:43:16","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/01\/30\/um-feminismo-para-os-99-as-mulheres-entrarao-em-greve-em-2018\/"},"modified":"2018-01-30T15:43:16","modified_gmt":"2018-01-30T14:43:16","slug":"um-feminismo-para-os-99-as-mulheres-entrarao-em-greve-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/01\/30\/um-feminismo-para-os-99-as-mulheres-entrarao-em-greve-em-2018\/","title":{"rendered":"Um feminismo para os 99%: as mulheres entrar\u00e3o em greve em 2018"},"content":{"rendered":"<p>Em 8 de mar\u00e7o, entraremos em greve contra viol\u00eancia de g\u00eanero \u2013 contra homens que cometem viol\u00eancia e contra o sistema que os protege.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Ano passado, no 8 de mar\u00e7o, n\u00f3s, mulheres de todos os tipos, marchamos, paramos de trabalhar e tomamos as ruas em cinquenta pa\u00edses ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, nos manifestamos, marchamos, deixamos as lou\u00e7as para os homens em todas as grandes cidades desse pa\u00eds e em incont\u00e1veis cidades menores. N\u00f3s interrompemos o funcionamento de tr\u00eas distritos escolares para provar ao mundo, mais uma vez, que enquanto sustentamos a sociedade n\u00f3s tamb\u00e9m temos o poder de fech\u00e1-la. <\/p>\n<p>8 de mar\u00e7o est\u00e1 chegando novamente e as coisas pioraram para as mulheres nesse pa\u00eds<\/p>\n<p>Nesse um ano de governo Trump, n\u00e3o fomos apenas atacadas com abuso verbal e amea\u00e7as mis\u00f3ginas sob o disfarce de declara\u00e7\u00f5es oficiais, o regime Trump colocou em pr\u00e1tica pol\u00edticas que continuar\u00e3o tais ataques contra n\u00f3s de formas profundamente institucionais.<\/p>\n<p>As reformas tribut\u00e1rias e trabalhistas (Tax Cuts e Job Acts) ceifam isen\u00e7\u00f5es que beneficiam trabalhadores de sal\u00e1rios mais baixos cuja vasta maioria \u00e9 composta de mulheres. H\u00e1 planos para destruir o Medicaid e o Medicare, os dois \u00fanicos programas que restam nesse cruel cen\u00e1rio neoliberal que protegem os idosos e os pobres, os doentes e os deficientes, o planejamento familiar e as crian\u00e7as \u2013 e, portanto, as mulheres, as quais fazem a maior parte do trabalho de cuidados. E enquanto o ato nega assist\u00eancia m\u00e9dica para crian\u00e7as imigrantes, introduz poupan\u00e7a universit\u00e1ria para \u201ccrian\u00e7as n\u00e3o nascidas\u201d [nascituros], uma maneira arrepiante de estabelecer por decreto legal \u201cdireitos\u201d \u00e0s \u201ccrian\u00e7as n\u00e3o nascidas\u201d, desse modo, assaltando nosso direito fundamental de tomar decis\u00f5es sobre nosso pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>Mas essa n\u00e3o \u00e9 toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com todas essas frentes de guerra abertas contra n\u00f3s, n\u00e3o nos acovardamos. N\u00f3s devolvemos com luta.<\/p>\n<p>Quando, no outono passado, mulheres com visibilidade p\u00fablica e acesso \u00e0 m\u00eddia internacional decidiram romper o sil\u00eancio sobre ass\u00e9dio e viol\u00eancia sexual, as comportas foram finalmente abertas e uma torrente de den\u00fancias p\u00fablicas inundaram a rede.<\/p>\n<p>As campanhas #MeToo, #UsToo e #TimesUp tornaram vis\u00edvel aquilo que a maioria das mulheres j\u00e1 sabia: seja no ambiente de trabalho ou em casa, nas ruas ou nos campos, em pris\u00f5es ou em centros de deten\u00e7\u00f5es do ICE [Immigration and Customs Enforcement], a viol\u00eancia de g\u00eanero com seu efeito racista diferenciado assombra a vida cotidiana das mulheres.<\/p>\n<p>O que tamb\u00e9m se tornou claro \u00e9 que o sil\u00eancio p\u00fablico sobre algo que sempre soubemos, suportamos e lutamos contra, n\u00e3o existe apenas porque temos medo ou vergonha falar: o sil\u00eancio \u00e9 for\u00e7ado. O sil\u00eancio \u00e9 imposto por leis do Congresso que fazem as mulheres passar por quase um ano de aconselhamento obrigat\u00f3rio e media\u00e7\u00e3o se elas ousam prestar uma queixa oficial. Ele \u00e9 afetado pelo sistema de justi\u00e7a criminal que rotineiramente rejeita relatos de mulheres usando camadas adicionais de intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. Em campi universit\u00e1rios, administradores dispostos encontram meios \u201clegais\u201d inteligentes para proteger a institui\u00e7\u00e3o e o criminoso enquanto jogam as mulheres aos lobos. Os fundamentos racistas desses procedimentos legais exigem uma resposta.<\/p>\n<p>#MeToo, #UsToo e #TimesUp n\u00e3o apenas expuseram estupradores individuais e mis\u00f3ginos, elas rasgaram o v\u00e9u que escondia as institui\u00e7\u00f5es e estruturas que os autorizava.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia de g\u00eanero baseada em ra\u00e7a \u00e9 internacional, como deve ser a campanha contra ela. O imperialismo norte-americano, militarismo e colonialismo fomentam misoginia ao redor do mundo. N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que Harvey Weinstein, em seus longos anos tentando silenciar e aterrorizar mulheres, usou a empresa de seguran\u00e7a Black Cube, que \u00e9 feita de ex-agentes do Mossad [Instituto para Intelig\u00eancia e Opera\u00e7\u00f5es Especiais do Estado de Israel] e de outras ag\u00eancias de intelig\u00eancia de Israel. N\u00f3s sabemos que o mesmo estado que manda dinheiro a Israel para brutalizar a palestina Ahed Tamimi e sua fam\u00edlia tamb\u00e9m financia as pris\u00f5es em que mulheres afro-americanas como Sandra Bland e outras morreram.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 8 de mar\u00e7o n\u00f3s estraremos em greve contra a viol\u00eancia de g\u00eanero \u2013 contra os homens que cometem viol\u00eancia e contra o sistema que os protege.<\/p>\n<p>N\u00f3s acreditamos que n\u00e3o foi nenhum acidente que foram as nossas irm\u00e3s com posi\u00e7\u00e3o social destacada que primeiro tornaram vis\u00edvel aquilo que todas sab\u00edamos. A capacidade delas para isso foi mais forte do que a de nossas irm\u00e3s de sal\u00e1rios mais baixos, tantas vezes de cor, que limpam quartos naquele chique hotel de Chicago ou de nossa irm\u00e3 que colhe frutas nos campos da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>A vasta maioria de n\u00f3s n\u00e3o se manifesta porque nos falta poder coletivo em nosso ambiente de trabalho, e porque nos \u00e9 negado suportes sociais como assist\u00eancia m\u00e9dica gratuita, fora dele. O trabalho, com seu sal\u00e1rio baixo, com seu gerente assediador e seu chefe abusivo, com suas longas horas, se torna a \u00fanica coisa que tememos perder, porque \u00e9 a \u00fanica forma de prover comida a nossas fam\u00edlias e cuidados aos nossos doentes e enfermos.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o nos calamos. N\u00f3s somos for\u00e7adas pelo capitalismo a nos calar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 8 de mar\u00e7o n\u00f3s falaremos, pessoalmente, contra os abusadores individuais que tentaram arruinar nossas vidas, e n\u00f3s falaremos, coletivamente, contra a inseguran\u00e7a econ\u00f4mica que nos impede de falar.<\/p>\n<p>N\u00f3s entraremos em greve porque queremos expor nossos abusadores pessoais. E entraremos em greve porque precisamos de programas de bem-estar social e trabalhos com sal\u00e1rios dignos para alimentar nossas fam\u00edlias bem como do direito de nos sindicalizar, caso formos demitidas por nos manifestar contra seus abusos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 8 de mar\u00e7o n\u00f3s entraremos em greve contra o encarceramento em massa, a viol\u00eancia da pol\u00edcia e as patrulhas de fronteira, contra a supremacia branca e o rufar de tambores das guerras imperialistas norte-americanas, contra a pobreza e a viol\u00eancia estrutural mascarada que fecha nossas escolas e hospitais, envenena nossa \u00e1gua e comida e nos nega justi\u00e7a reprodutiva.<\/p>\n<p>E n\u00f3s entraremos em greve por direitos trabalhistas, direitos iguais para todos os imigrantes, igualdade salarial e sal\u00e1rio digno, porque a viol\u00eancia sexual no ambiente de trabalho \u00e9 permitida quando nos falta meios de defesa coletiva.<\/p>\n<p>8 de mar\u00e7o ser\u00e1 o dia do feminismo para os 99%: um dia de mobiliza\u00e7\u00e3o de mulheres negras e marrons, cis e bi, trabalhadores l\u00e9sbicas e trans, das pobres e de sal\u00e1rios baixos, das cuidadoras n\u00e3o pagas, das trabalhadoras sexuais e migrantes.<\/p>\n<p>Em 8 de mar\u00e7o, #EntramosEmGreve.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Linda Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Rosa Clemente, Angela Davis, Zillah Eisenstein, Liza Featherstone, Nancy Fraser, Barbara Smith, Keeanga-Yamahtta Taylor<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Publicado originalmente em ingl\u00eas: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/goo.gl\/jWGCK7\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/jWGCK7<\/a><br \/> Tradu\u00e7\u00e3o: Camila Ribeiro<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 8 de mar\u00e7o, entraremos em greve contra viol\u00eancia de g\u00eanero \u2013 contra homens que cometem viol\u00eancia e contra o sistema que os protege.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[1203,116,182,114,115,368,455,117],"class_list":["post-2584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-1203","tag-alternativa","tag-greve","tag-mas","tag-movimento","tag-mulher","tag-opressao","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/mulheres_greve_2018.jpg?fit=500%2C292","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2583"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}