{"id":2580,"date":"2018-01-19T11:31:30","date_gmt":"2018-01-19T10:31:30","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/01\/19\/a-estrategia-do-syriza-na-grecia\/"},"modified":"2018-01-19T11:31:30","modified_gmt":"2018-01-19T10:31:30","slug":"a-estrategia-do-syriza-na-grecia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/01\/19\/a-estrategia-do-syriza-na-grecia\/","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia do Syriza na Gr\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<p>No passado dia 15 de janeiro, o Governo Syriza\/Anel aprovou mais um conjunto de medidas de austeridade que lhe foram solicitadas pelas institui\u00e7\u00f5es europeias (UE\/BCE) e o FMI. O Governo do Syriza\/Anel como bom aluno que se tornou acedeu ao pedido.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Uma das medidas aprovadas \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o \u00e0 lei da greve que visa dificultar a convoca\u00e7\u00e3o de greves. Isto porque as greves convocadas a n\u00edvel local passam a requerer um qu\u00f3rum de 50% +1, em vez de um ter\u00e7o dos trabalhadores sindicalizados. Na verdade, trata-se de uma lei anti greve. <\/p>\n<p>Saliento esta medida de forma simb\u00f3lica pelo passado do Syriza. Este \u00e9 um partido com tradi\u00e7\u00e3o no movimento de trabalhadores e que era constitu\u00eddo essencialmente por sindicalistas, trabalhadores(as) e jovens. Esta medida demonstra simbolicamente como o Syriza h\u00e1 muito passou para o outro lado da trincheira na luta de classes.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que se coloca as quest\u00f5es: A estrat\u00e9gia que o Syriza adotou era a \u00fanica poss\u00edvel? A estrat\u00e9gia da esquerda de aliar-se a partidos da classe dominante e \u00e0s suas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 correta?<\/p>\n<p>N\u00e3o nos parece. A hist\u00f3ria provou que n\u00e3o existe futuro para organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que n\u00e3o tem claro qual \u00e9 a sua estrat\u00e9gia. O caminho do mal menor e da concilia\u00e7\u00e3o das classes \u00e9 uma estrat\u00e9gia que tem condenado ao fracasso a constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira alternativa \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>O Syriza come\u00e7ou mal o caminho quando se coligou com um partido burgu\u00eas (Anel). Al\u00e9m disto, toda a sua estrat\u00e9gia foi concebida com o intuito de manter a Gr\u00e9cia dentro da zona euro \u201ccustasse o que custasse\u201d e em parceria com as institui\u00e7\u00f5es europeias e o FMI. Tirando os primeiros 6 meses em que o Governo Syriza\/Anel tentou negociar &#8211; embora dentro dos marcos da zona euro \u2013 n\u00e3o assinando de cruz logo o que lhe iam propondo. A partir do referendo que se realizou no Ver\u00e3o de 2015 e em que o povo grego disse n\u00e3o ao acordo &#8211; j\u00e1 de si muito mau para a Gr\u00e9cia &#8211; o Syryza fez o contr\u00e1rio do votado. Contudo, esta decis\u00e3o foi consequente com a sua estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o de classes e respeito pelos seus credores. Esta estrat\u00e9gia n\u00e3o poderia dar em outra coisa do que na total capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias e ao FMI e na consequente quebra das promessas que tinha apresentado ao povo grego.<\/p>\n<p>O recuo do Governo \u00e9 t\u00e3o gritante e humilhante que Alexis Tsipras, recentemente, em entrevista ao Di\u00e1rio de Noticias, chega ao ponto de salientar como grande diferen\u00e7a, entre os Governos anteriores (Nova Democracia e do PASOK) e o seu Governo, o timing quando \u00e9 assinado o acordo: \u201cTivemos pela primeira vez umas elei\u00e7\u00f5es depois de um dif\u00edcil acordo. Os anteriores governos decidiram sempre fazer os acordos s\u00f3 depois das elei\u00e7\u00f5es. N\u00f3s fizemos o oposto.\u201d<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de conciliar os interesses antag\u00f3nicos da classe dominante e dos trabalhadores(as) gregos(as) teve como consequ\u00eancia a aplica\u00e7\u00e3o de duros programas de austeridade &#8211; com cortes nas pens\u00f5es, flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, privatiza\u00e7\u00f5es etc. &#8211; que em nada diferem dos aplicados pelos Governos anteriores da Nova Democracia e PASOK.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia seguida pelo Syriza est\u00e1 bastante clara no recente livro intitulado \u201cComportem-se como adultos\u201d de Varoufakis. Este saiu do Governo em julho de 2015 e demonstra claramente que a estrat\u00e9gia era chegar a acordo com os credores para manter a Gr\u00e9cia dentro da zona euro. Apesar deste se tentar demarcar de Tsipras afirmando que entre a capitula\u00e7\u00e3o ao memorando e a sa\u00edda da zona euro preferia a \u00faltima. O problema \u00e9 que a l\u00f3gica de racioc\u00ednio que Varoufakis e o Governo levaram a Bruxelas era equivocada, porque partia da premissa de fazer \u201ctudo por tudo\u201d para entrar em acordo com os credores, ou seja, com a burguesia. A perspetiva nunca foi apoiar-se no lado de c\u00e1 da barricada, ou seja, na for\u00e7a e luta dos trabalhadores gregos e europeus. A perspetiva sempre foi que as institui\u00e7\u00f5es da classe dominante (UE, BCE e FMI) cedessem em algum ponto e que se continuasse a pagar uma dividia impag\u00e1vel aos credores. Ao inv\u00e9s a estrat\u00e9gia da burguesia foi clara desde o in\u00edcio, esmagar o povo grego. N\u00e3o fazer qualquer concess\u00e3o, ou seja, n\u00e3o negociar. Os credores sabiam bem qual a sua estrat\u00e9gia e apoiaram-se no seu campo, ou seja, nas diferentes burguesias para destruir a ousadia do povo grego. Ao Syriza faltou adotar a estrat\u00e9gia de confiar apenas e s\u00f3 na for\u00e7a e luta dos trabalhadores e apontar uma sa\u00edda a favor dos interesses dos trabalhadores que passaria pela sa\u00edda da zona euro e pela suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel adotar uma pol\u00edtica que defenda os interesses de classes diferentes (trabalhadores e burguesia). O Syriza aptou pelos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que chegamos ao ponto de um partido de tradi\u00e7\u00e3o operaria e trabalhadora aprovar uma medida anti greve. A aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 na verdade a consequ\u00eancia das iniciais op\u00e7\u00f5es contranaturas do Syriza de se aliar a um partido de direita (Anel) e \u00e0 UE e FMI na aplica\u00e7\u00e3o do programa destes, abandonado o seu.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o do Syriza a mero gestor do capitalismo, n\u00e3o existindo atualmente grande diferen\u00e7a entre o Syriza e por exemplo o PASOK. Assim fica colocada a possibilidade de a direita (Nova Democracia) voltar ao poder nas elei\u00e7\u00f5es 2019, pelo menos \u00e9 o que indicam as sondagens. Em resumo, a estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o de classes adotada pelo Syriza nada mais fez do que desmoralizar a esquerda em todo o mundo e sobretudo na Europa e fortalecer a direita.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Tiago Castelhano<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 15 de janeiro, o Governo Syriza\/Anel aprovou mais um conjunto de medidas de austeridade que lhe foram solicitadas pelas institui\u00e7\u00f5es europeias (UE\/BCE) e o FMI. 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