{"id":2558,"date":"2017-11-29T18:36:43","date_gmt":"2017-11-29T17:36:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/29\/professores-quma-era-de-desrespeitoq\/"},"modified":"2017-11-29T18:36:43","modified_gmt":"2017-11-29T17:36:43","slug":"professores-quma-era-de-desrespeitoq","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/29\/professores-quma-era-de-desrespeitoq\/","title":{"rendered":"Professores: &#8220;Uma era de desrespeito&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quando eu era pequeno, nos anos 60, ensinaram-me a respeitar os professores, eles eram a figura de autoridade na sala de aula, habituavamo-nos a ver neles uma esp\u00e9cie de representantes do ditador, os chefes que tudo podiam. As regras eram indiscut\u00edveis e mal se pisava o risco, os castigos eram aplicados sem d\u00f3 nem piedade, incluindo os corporais.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Tamb\u00e9m nesse tempo, como agora, os sal\u00e1rios eram baixos e dizia-se que ser professor era um sacerd\u00f3cio, portanto, quem escolhia esta profiss\u00e3o alimentava-se sobretudo espiritualmente e estava estabelecido que era quanto bastava, mas pelo menos devia-se-lhe total respeito. Felizmente, esse tempo j\u00e1 l\u00e1 vai! <\/p>\n<p>Agora, principalmente desde o minist\u00e9rio de Maria de Lurdes Rodrigues, iniciou-se uma era de desrespeito que j\u00e1 se prolonga h\u00e1 uma d\u00e9cada. Os professores foram primeiramente vilipendiados quando se pretendeu dividi-los em titulares e n\u00e3o titulares, tentou-se (e conseguiu-se) dividir a classe. Pretendia-se criar uma esp\u00e9cie de aristocracia docente com base em crit\u00e9rios perfeitamente arbitr\u00e1rios ou absurdos e tinha-se em vista o supremo objetivo de p\u00f4r em pr\u00e1tica um sistema de avalia\u00e7\u00e3o que atropelava, inclusivamente, a gradua\u00e7\u00e3o e a hierarquia. O objetivo era avaliar sem olhar a meios e encontrar uma justifica\u00e7\u00e3o para que s\u00f3 alguns ascendessem na carreira, iniciando-se, dessa forma, um processo de proletariza\u00e7\u00e3o da classe que todos os governos t\u00eam promovido.<\/p>\n<p>Alterou-se a idade da reforma, sobrecarregaram-se os hor\u00e1rios, criou-se o caos na distin\u00e7\u00e3o entre componente lectiva e n\u00e3o lectiva, tentando-se vencer os professores pela exaust\u00e3o, inventaram-se sistemas de aposenta\u00e7\u00e3o antecipada (e quase for\u00e7ada) cheios de penaliza\u00e7\u00f5es. Era preciso colocar os mais velhos fora de jogo e com o m\u00ednimo de despesa poss\u00edvel\u2026<\/p>\n<p>Perseguiram-se os mais novos, submetendo-os \u00e0 inf\u00e2mia de um exame rid\u00edculo, passando-se a muitos um atestado de incompet\u00eancia e condenando-os ao desemprego.<\/p>\n<p>A carreira tornou-se uma miragem e a esmagadora maioria dos docentes n\u00e3o sobe de escal\u00e3o h\u00e1 mais de dez anos, sendo muitos aqueles que se eternizam na condi\u00e7\u00e3o de contratados.<\/p>\n<p>Perante todos esses ataques e apesar da insuficiente resposta por parte dos principais dirigentes sindicais (e de algumas trai\u00e7\u00f5es com acordos\/memorandos com governos), a classe docente n\u00e3o perdeu em toda a linha e conseguiu-se organizar minimamente pela base e desde 2008 v\u00e1rios movimentos de professores conseguiram rasgar memorandos (luta dos movimentos APEDE, MUP e PROMOVA em 2008\/2009) e ajudar decisivamente a derrotar provas ign\u00f3beis (Movimento Boicote&#038;Cerco em 2013\/2014).<\/p>\n<p>No entanto como quem tem governado o pa\u00eds est\u00e1 sobretudo ao servi\u00e7o dos grandes grupos financeiros (banca e grandes multinacionais) continuam a existir poderosos interesses em precarizar quem trabalha incluindo a classe docente (mas para isso \u00e9 preciso manchar a sua imagem perante a sociedade). Por isso n\u00e3o \u00e9 de estranhar que ultimamente, comentadores de todas as televis\u00f5es e de todos os jornais envenenam a opini\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o hesitam em difamar, insultam os professores que dizem ser uma \u201cra\u00e7a especial\u201d, uns \u201cmiser\u00e1veis\u201d\u2026<\/p>\n<p>At\u00e9 quando os professores v\u00e3o permitir tanta afronta?!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Lisboa, 28 de novembro de 2017<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <em><strong>C\u00e9sar Garcia<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu era pequeno, nos anos 60, ensinaram-me a respeitar os professores, eles eram a figura de autoridade na sala de aula, habituavamo-nos a ver neles uma esp\u00e9cie de representantes do ditador, os chefes que tudo podiam. 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