{"id":2536,"date":"2017-11-03T17:01:22","date_gmt":"2017-11-03T16:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/03\/100-anos-da-revolucao-russa-resgatar-no-passado-uma-promessa-de-futuro\/"},"modified":"2017-11-03T17:01:22","modified_gmt":"2017-11-03T16:01:22","slug":"100-anos-da-revolucao-russa-resgatar-no-passado-uma-promessa-de-futuro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/03\/100-anos-da-revolucao-russa-resgatar-no-passado-uma-promessa-de-futuro\/","title":{"rendered":"100 Anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa: resgatar no passado uma promessa de futuro"},"content":{"rendered":"<p>No centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa uma quest\u00e3o parece incontorn\u00e1vel: \u00e9 impens\u00e1vel retomar satisfatoriamente a refer\u00eancia hist\u00f3rica da mais profunda experi\u00eancia revolucion\u00e1ria e a que mais seriamente amea\u00e7ou a ordem do capital, sem compreender e abordar, ao mesmo tempo, o seu tr\u00e1gico desfecho.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Ao invocarmos o outubro russo, imediatamente emerge a incerteza perturbadora: n\u00e3o seria retomar um projeto e uma experi\u00eancia fracassados, como evidenciariam a queda do Muro de Berlim em 1989 e a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) em 1991? Esses acontecimentos t\u00eam a escala do fim de todo um per\u00edodo hist\u00f3rico e, com sua densidade, pesam sobre o tempo presente. Na cronologia do tempo ajustada \u00e0s viragens bruscas da hist\u00f3ria indicam, na express\u00e3o de Eric Hobsbawm, o fim do \u201cbreve s\u00e9culo XX\u201d que teria in\u00edcio em 1914 e t\u00e9rmino em 1991, \u201c<em>o per\u00edodo que come\u00e7a em Sarajevo e (como agora podemos tristemente reconhecer) tamb\u00e9m termina em Sarajevo, ou melhor, com o colapso dos regimes socialistas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, consequentemente, da metade oriental da Europa<\/em>\u201d.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a> <\/p>\n<p>De maneira geral os propagandistas do capital e a imprensa de mercado partem do fim para comprometer o in\u00edcio. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 e os processos do Leste Europeu, dos finais da d\u00e9cada de 1980 e in\u00edcio dos anos 1990, s\u00e3o tomados em bloco, numa linearidade espantosa que, de resto, precisa ignorar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o que predomina no senso comum \u00e9 a de que a tomada do poder pela classe trabalhadora, inaugurada pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa, fracassou; de que a ascens\u00e3o de St\u00e1lin e o regime por ele inaugurado, com toda a sua brutalidade, persegui\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es de opositores; com a subjuga\u00e7\u00e3o de povos inteiros eram o resultado natural do desenvolvimento linear do programa de Lenin e do Partido Bolchevique e a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o passaria de um \u201cgolpe\u201d. Nos casos mais insidiosos e superficiais, o fim da URSS representaria a \u201cevid\u00eancia\u201d da inviabilidade das pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es de Marx.<\/p>\n<p>Existem in\u00fameros fatos hist\u00f3ricos que contradizem essa abordagem. Um dos mais tr\u00e1gicos remete para a persegui\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, por parte do regime stalinista, na segunda metade dos anos 1920 e durante toda a d\u00e9cada de 1930, da quase totalidade dos dirigentes do Partido Bolchevique \u00e0 \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a> Poder\u00edamos tamb\u00e9m citar o esfor\u00e7o ingente, quase infinito, por parte da burocracia, de produzir falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, de desfigura\u00e7\u00e3o, supress\u00e3o de documentos e proscri\u00e7\u00e3o de livros que retratavam fatos e a participa\u00e7\u00e3o de personagens centrais no processo revolucion\u00e1rio.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a> Esse intento, aliado a extin\u00e7\u00e3o f\u00edsica de milhares de revolucion\u00e1rios que sobreviveram \u00e0 guerra civil, nada mais pretendia que, por outros meios, desfigurar a mem\u00f3ria coletiva e reconfigurar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o seriam esses dois aspectos evid\u00eancias mais que eloquentes da ruptura entre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e o regime que se estabeleceu em meados dos anos 1920 sob a condu\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin?<\/p>\n<p>Nesta exposi\u00e7\u00e3o, nos deteremos em uma quest\u00e3o que nos parece de grande import\u00e2ncia para a compreens\u00e3o da ruptura operada pela burocracia sovi\u00e9tica, personificada em St\u00e1lin, com a perspectiva original do Partido Bolchevique, com os l\u00edderes mais proeminentes da revolu\u00e7\u00e3o, como Lenin e Trotsky, mas, fundamentalmente, com premissas marxistas. Trata-se do preceito de que o socialismo, sendo um modo de produ\u00e7\u00e3o superior ao capitalismo, isto \u00e9, que \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o positiva de suas contradi\u00e7\u00f5es, parte, ao mesmo tempo, de suas realiza\u00e7\u00f5es. Sendo assim, \u00e9 inconceb\u00edvel para Marx \u2013 e para o posterior programa bolchevique original \u2013 qualquer possibilidade duradoura de supera\u00e7\u00e3o do capital que n\u00e3o tivesse, como ponto de partida, o pr\u00f3prio mercado mundial que \u2013 apesar da anarquia da produ\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia \u2013 j\u00e1 articulava a economia numa rede de bra\u00e7os, de mat\u00e9rias primas, produtos, servi\u00e7os e tecnologias em escala planet\u00e1ria. Aspectos fundamentais para a produtividade do trabalho e para a potencial satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma ruptura te\u00f3rica, sem consequ\u00eancias pol\u00edticas. Em verdade, a ruptura com a perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o internacional \u2013 ou, nas concep\u00e7\u00f5es de Trotsky, da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente \u2013 foi instrumento de luta pol\u00edtica, conscientemente manejada pela burocracia sovi\u00e9tica na luta no interior do Partido Bolchevique e na sociedade sovi\u00e9tica e que, ao fim, comprometeria a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o emerge flagrante: como e porque St\u00e1lin assumiu a dire\u00e7\u00e3o do Partido e, logo, do Estado Sovi\u00e9tico? Uma resposta simplista remeteria para jogos e intrigas em gabinetes ministeriais ou para as qualidades pessoais, se assim podemos nos expressar, do pr\u00f3prio St\u00e1lin. Trotsky, na obra em que analisa o processo de degenera\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a vit\u00f3ria de St\u00e1lin, argumenta que em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento da nascente economia sovi\u00e9tica e as contradi\u00e7\u00f5es sociais que persistiam, a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda \u2013 grupo que disputava os rumos do Partido Bolchevique e da pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o nos anos 1920 \u2013 oferecia analises mais precisas e antevia com muito maior \u00eaxito os dilemas do desenvolvimento econ\u00f4mico em oposi\u00e7\u00e3o ao que a camada de dirigentes, que se amoldava ao nascente estrato social burocr\u00e1tico, desenvolvia. N\u00e3o obstante, conforme o Revolucion\u00e1rio Russo:<\/p>\n<p>\u201c<em>Essa afirma\u00e7\u00e3o [de que a an\u00e1lise da \u2018Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda\u2019 era infinitamente mais justa] parece, inicialmente em contradi\u00e7\u00e3o com o simples fato de ter sido a fra\u00e7\u00e3o do partido menos capaz de prever e alcan\u00e7ar incessantes vit\u00f3rias, enquanto o grupo mais perspicaz caminhava de derrota em derrota. Essa obje\u00e7\u00e3o, que por si mesma se apresenta ao esp\u00edrito, s\u00f3 \u00e9 convincente para quem, ao aplicar o pensamento racional \u00e0 pol\u00edtica, n\u00e3o v\u00ea mais que um debate l\u00f3gico ou uma partida de xadrez. Ora, a luta pol\u00edtica \u00e9, no fundo, a dos interesses e das for\u00e7as, n\u00e3o dos argumentos. A qualidade dos dirigentes de modo algum \u00e9 indiferente aos \u00eaxitos dos combates, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator, nem mesmo o decisivo. Os campos advers\u00e1rios exigem, por outro lado, chefes \u00e0 sua imagem.\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote5sym\"><em><sup>5<\/sup><\/em><\/a><\/p>\n<p>Trotsky, portanto, desloca a an\u00e1lise para as raz\u00f5es materiais que sedimentaram as bases sociais que permitiu a vit\u00f3ria do projeto personificado em St\u00e1lin a partir de uma determinada correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. A ascens\u00e3o de St\u00e1lin \u00e9 resultado de car\u00eancias materiais e agudas contradi\u00e7\u00f5es que persistem na sociedade sovi\u00e9tica e que estimularam poderosas for\u00e7as sociais. A amea\u00e7a externa, o isolamento e o atraso herdado do passado envolvem a sociedade sovi\u00e9tica num c\u00edrculo de contradi\u00e7\u00f5es sociais que conduzem ao fortalecimento do Estado numa estrutura desp\u00f3tica, a partir da burocracia, para arbitrar os conflitos sociais nascidos da escassez.<\/p>\n<p>Em 1917, a R\u00fassia ingressou em sua segunda revolu\u00e7\u00e3o \u2013 a de outubro \u2013 porque as contradi\u00e7\u00f5es internas foram potencializadas ao extremo pela sua participa\u00e7\u00e3o na Primeira Guerra Mundial. Na alian\u00e7a militar da qual participou o imp\u00e9rio russo, em troca de capital e tecnologia da Fran\u00e7a e da Inglaterra, o czar oferecia \u2013 parafraseando a liturgia crist\u00e3 \u2013 o corpo e o sangue de seu povo. Numa popula\u00e7\u00e3o estimada em 150 milh\u00f5es de habitantes, foram mobilizados 15 milh\u00f5es de soldados.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a> Em torno de 4 milh\u00f5es foram feridos ou feitos prisioneiros e 1,5 milh\u00e3o foram mortos. Portanto, o pais que realizou a sua segunda revolu\u00e7\u00e3o no curto per\u00edodo de 8 meses, tinha sua economia destro\u00e7ada pela guerra. Os bra\u00e7os que plantavam e colhiam nos campos, que teciam e regulavam engrenagens nos centros urbanos foram deslocados para a guerra imperialista, cujos \u00fanicos interessados eram a aristocracia, os credores internacionais \u2013 franceses e ingleses principalmente \u2013 e a burguesia que viu no conflito a possibilidade de alavancar lucros.<\/p>\n<p>Entre os pa\u00edses imperialistas que participam da guerra, a R\u00fassia constitui, nas palavras de Lenin, o elo mais fr\u00e1gil. Com um enorme contingente de homens, carentes de instru\u00e7\u00e3o e cultura (a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o era analfabeta); com uma maioria camponesa que ainda utilizava instrumentos rudimentares; sem tecnologia e equipamentos, o atraso econ\u00f4mico relativo se manifesta tamb\u00e9m nos campos de batalha. Os estragos na estrutura econ\u00f4mica e no tecido social da R\u00fassia n\u00e3o foram insignificantes.<\/p>\n<p>Em 1917, Lenin \u2013 ainda em seu ex\u00edlio na Su\u00ed\u00e7a \u2013 toma conhecimento da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro. Antes que possa chegar em territ\u00f3rio russo, por meio de cinco cartas, escritas no in\u00edcio de mar\u00e7o, empreende uma an\u00e1lise perspicaz das for\u00e7as sociais que convergiram para o fevereiro russo e que conduziram a queda do czar.<sup> <\/sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a> Apreende com acuidade as contradi\u00e7\u00f5es sociais e a din\u00e2mica das for\u00e7as em movimento e faz dessa compreens\u00e3o um vigoroso instrumento para intervir no processo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>O horizonte de Lenin quanto \u00e0 escala da revolu\u00e7\u00e3o e o enquadramento das particularidades da R\u00fassia na conjuntura internacional aberta pela guerra s\u00e3o enunciados claramente no t\u00edtulo e nas duas primeiras frases da primeira carta, que concebe a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro como <em>\u201cA primeira etapa da primeira revolu\u00e7\u00e3o\u201d \/ \u201cA primeira revolu\u00e7\u00e3o gerada pela guerra mundial imperialista eclodiu. A primeira, mas certamente, n\u00e3o a \u00faltima\u201d.<\/em><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote8sym\"><em><sup>8<\/sup><\/em><\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s resgatar a import\u00e2ncia da experi\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o de 1905, ele prossegue:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>A burguesia n\u00e3o foi capaz de adiar por muito tempo a crise revolucion\u00e1ria gerada pela guerra. A crise cresce com for\u00e7a irresist\u00edvel em todos os pa\u00edses, come\u00e7ando pela Alemanha, a qual, na express\u00e3o de um observador que a visitou h\u00e1 pouco, atravessa uma \u2018fome genialmente organizada\u2019, e terminando pela Inglaterra e pela Fran\u00e7a, onde a fome se avizinha tamb\u00e9m e onde a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito menos \u2018genial\u2019. (\u2026)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 natural que na R\u00fassia Tsarista, onde a desorganiza\u00e7\u00e3o era a mais monstruosa e onde o proletariado \u00e9 o mais revolucion\u00e1rio\u00a0(n\u00e3o por causa das qualidades particulares, mas em virtude das tradi\u00e7\u00f5es vivas do \u2018ano cinco\u2019),\u00a0a crise revolucion\u00e1ria eclodisse mais cedo que em qualquer outro pa\u00eds\u201d<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro s\u00f3 poderia ser apreendida a partir das peculiaridades nacionais russas, amalgamadas e tencionadas pelo arranjo de for\u00e7as internacionais e pela sua imers\u00e3o na guerra imperialista. Cabe observar que, de imediato, Lenin vislumbra que o movimento de fevereiro n\u00e3o era, ainda, o ponto de chegada. Tampouco as fronteiras do imp\u00e9rio det\u00eam o horizonte revolucion\u00e1rio. A vista alcan\u00e7a e ultrapassa os limites do territ\u00f3rio Russo.<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a de Kerensky, o governo provis\u00f3rio que surge com a queda do czar, atado aos interesses da burguesia e dos credores externos que promovem a guerra e \u00e0 alian\u00e7a de classe com os grandes propriet\u00e1rios de terras, \u00e9 incapaz de solucionar os problemas que conduziram milhares de trabalhadores e camponeses ao movimento de fevereiro. Em outubro de 1917 o poder dos Sovietes se eleva contra a devasta\u00e7\u00e3o provocada pela guerra imperialista, para solucionar o grave problema da terra e o agravamento da fome. O poder sovi\u00e9tico \u00e9 sustentado pelos \u00fanicos setores sociais que n\u00e3o tinham nada a ganhar com a continuidade do conflito: os oper\u00e1rios e os camponeses. Os \u00faltimos, cabe observar, fonte recorrente para recomposi\u00e7\u00e3o de soldados no front. No dia 25 de outubro, enquanto s\u00e3o demovidos os \u00faltimos obst\u00e1culos do governo provis\u00f3rio, Lenin apresenta as primeiras medidas revolucion\u00e1rias na Reuni\u00e3o do Soviete de Deputados Oper\u00e1rios e Soldados de Petrogrado, dentre as quais constam:<\/p>\n<p>\u201c<em>(\u2026) O novo governo oper\u00e1rio e campon\u00eas propor\u00e1 imediatamente uma paz justa e democr\u00e1tica a todos os povos beligerantes.<\/em><\/p>\n<p><em>Abolir\u00e1 imediatamente a propriedade latifundi\u00e1ria da terra e entregar\u00e1 a terra aos camponeses. Criar\u00e1 o controle oper\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos produtos e estabelecer\u00e1 um controle de todo o povo sobre os bancos, juntamente com sua transforma\u00e7\u00e3o numa s\u00f3 empresa estatal. (\u2026)\u201d<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>O poder dos Sovietes se defrontou, imediatamente, com a sabotagem e a desorganiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e, logo, com a resist\u00eancia armada dos resqu\u00edcios da monarquia e da f\u00faria dos burgueses expropriados. Do apoio, assessoria e subs\u00eddios militares aos contrarrevolucion\u00e1rios, as pot\u00eancias capitalistas passaram \u00e0 interven\u00e7\u00e3o direta com o ex\u00e9rcito de 14 pa\u00edses. A a\u00e7\u00e3o militar foi acompanhada de um cerco econ\u00f4mico que impedia rela\u00e7\u00f5es comerciais e diplom\u00e1ticas, dificultando o acesso da R\u00fassia revolucion\u00e1ria \u00e0 produtos fundamentais para a sua sobreviv\u00eancia e para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foram tr\u00eas anos de uma cruenta guerra civil (1918-1920) e de isolamento sem precedentes. Se ao final da Primeira Guerra a condi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia j\u00e1 era dram\u00e1tica, com a guerra civil a situa\u00e7\u00e3o ganha aspectos amea\u00e7adores. Avaliando o quadro de mis\u00e9ria econ\u00f4mica como indutor de acumulo e diferencia\u00e7\u00e3o social que nutria a nascente burocracia no interior da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Trotsky relembra:<\/p>\n<p>\u201cNo terreno hist\u00f3rico da mis\u00e9ria, agravadas pelas devasta\u00e7\u00f5es das guerras imperialista e civil, a \u2018luta pela exist\u00eancia individual\u2019, longe de se atenuar nos anos seguintes, conheceu, por momentos, um agravamento sem precedentes: ser\u00e1 necess\u00e1rio relembrar que atos de canibalismo se reproduziram por duas vezes em certas regi\u00f5es do pa\u00eds?\u201d<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote11sym\"><sup>11<\/sup><\/a><\/p>\n<p>No per\u00edodo da Guerra Civil, a R\u00fassia se transformou, conforme o Dirigente do Ex\u00e9rcito Vermelho, numa \u201cfortaleza sitiada\u201d. As condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas eram de quase indig\u00eancia e, nesses termos, era imposs\u00edvel acumular privil\u00e9gios. Os melhores e mais abnegados militantes se mobilizaram para a guerra civil, prioridade para a sobreviv\u00eancia da pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o. A sociedade russa foi levada \u00e0 tens\u00e3o extrema. Dilacerada pelo conflito, tencionada a sobreviver isolada com a heran\u00e7a do relativo atraso hist\u00f3rico, acossada pelo cerco e pela fome, muitas vezes ficou no limiar da quase derrota. Nestas dif\u00edceis circunst\u00e2ncias, o Partido Bolchevique adotou medidas de exce\u00e7\u00e3o, todas a contragosto e com a esperan\u00e7a de logo poder suprimi-las. O pr\u00f3prio Partido Bolchevique, em seu X Congresso, iniciado em 8 de mar\u00e7o de 1921 \u2013 atravessado por grandiosas pol\u00eamicas decorrentes da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria do pa\u00eds \u2013 termina por votar uma resolu\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe as fra\u00e7\u00f5es em seu interior.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote12sym\"><sup>12<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A perspectiva dos Bolcheviques n\u00e3o era o isolamento. Tampouco que o Outubro ficasse restrito ao territ\u00f3rio russo. Acreditavam e batalharam firmemente para que a R\u00fassia, por suas caracter\u00edsticas peculiares, rompesse o elo da cadeia imperialista e iluminasse o caminho para que a classe trabalhadora de pa\u00edses capitalistas mais desenvolvidos marchasse na mesma dire\u00e7\u00e3o, permitindo o fim do isolamento, o fluxo de tecnologias, o interc\u00e2mbio de mat\u00e9rias-primas e a coopera\u00e7\u00e3o entre os povos. Esse horizonte \u00e9 antecipado por Trotsky que, muito antes de outubro de 1917, ainda em 1906, sustentava: \u201c<em>A Revolu\u00e7\u00e3o no Leste da Europa vai<\/em> <em>dotar o proletariado do Ocidente de idealismo revolucion\u00e1rio e desencadear nele o desejo de falar \u2018russo ao seu inimigo\u2026\u2019<\/em>\u201d.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote13sym\"><sup>13<\/sup><\/a> Isto \u00e9, de falar a l\u00edngua da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa perspectiva n\u00e3o era ut\u00f3pica ou deslocada da realidade. As contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo, elevado a sua fase imperialista, havia conduzido a matan\u00e7a da Primeira Guerra Mundial. Milhares de homens \u2013 vivos e mortos \u2013 apodreciam nas trincheiras. Por toda a Europa, a burguesia \u2013 elevando os seus interesses a interesses p\u00e1trios \u2013 fabricou a morte em escala industrial e invocou a quinta-ess\u00eancia da ci\u00eancia para produzir cad\u00e1veres e escombros.<\/p>\n<p>Em 1918\/1919 a classe trabalhadora alem\u00e3 confirma as esperan\u00e7as dos revolucion\u00e1rios russos e investe contra o poder do Kaiser, p\u00f5e fim ao antigo imp\u00e9rio alem\u00e3o, mas, na sequ\u00eancia de disputas em torno do estabelecimento de uma nova ordem social, \u00e9 derrotada. Prevalece a Rep\u00fablica de Weimar, Rosa Luxemburgo e Karl Liebiknecht s\u00e3o assassinados. Os trabalhadores alem\u00e3es se insurgem novamente em 1923 e, mais uma vez, a tomada do poder ser\u00e1 frustrada. Na Hungria, em finais de 1918 \u00e9 anunciado o fim da monarquia dos Habsburgos e a mudan\u00e7a do regime pol\u00edtico. O governo de coaliz\u00e3o moderado que surge \u00e9, imediatamente, confrontado com a amea\u00e7a de invas\u00e3o militar pelos pa\u00edses da Entente. A amea\u00e7a provoca, em mar\u00e7o de 1919, a unifica\u00e7\u00e3o dos socialistas e comunistas \u2013 os \u00faltimos rec\u00e9m libertos da pris\u00e3o -num novo governo revolucion\u00e1rio, de tipo sovi\u00e9tico. A Rep\u00fablica H\u00fangara dos Conselhos resistir\u00e1 at\u00e9 o final de julho \u2013 133 dias \u2013 quando o Ex\u00e9rcito Vermelho H\u00fangaro sucumbir\u00e1 \u00e0s for\u00e7as conservadoras estrangeiras. Em 1920 a monarquia ser\u00e1 restaurada.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, Inglaterra e It\u00e1lia uma colossal onda de greves antecipa a advert\u00eancia de perigo para a burguesia. Em 1919 e 1920, o movimento na It\u00e1lia \u2013 o \u201cBi\u00eanio Vermelho\u201d \u2013 mobiliza aproximadamente 2 milh\u00f5es de trabalhadores nas grandes cidades industriais que convergem para a ocupa\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas e o controle da produ\u00e7\u00e3o. Realizam, inclusive, uma greve geral que paralisou o pa\u00eds em julho de 1920 contra as agress\u00f5es imperialistas ao governo sovi\u00e9tico. No sul da It\u00e1lia, os camponeses tomam as grandes propriedades. Ainda que amplo e profundo, o movimento hesita e n\u00e3o alcan\u00e7a o poder. A burguesia ganha tempo, contra-ataca e imp\u00f5e uma violenta rea\u00e7\u00e3o dirigida pelos fascistas que, em 1922, realizar\u00e3o a Marcha sobre Roma liderada por Benito Mussolini.<\/p>\n<p>Por motivos diversos, as revolu\u00e7\u00f5es que irromperam na sequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Russa foram derrotadas. Apesar das derrotas em alguns casos e limita\u00e7\u00f5es em outros, esses movimentos foram fundamentais para desestabilizar a ofensiva militar contra a URSS. Contudo, o nascente Estado Sovi\u00e9tico permaneceu isolado.<\/p>\n<p>A segunda derrota do proletariado alem\u00e3o n\u00e3o foi apenas uma cat\u00e1strofe restrita \u00e0 Alemanha. Ela tamb\u00e9m alterou significativamente a psicologia das massas na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O povo russo apostou seriamente suas esperan\u00e7as e recursos na segunda revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Ela, mais uma vez, representava a possibilidade de romper o isolamento. Com a derrota, a ideia de se voltar para si, retornar para a grande extens\u00e3o territorial russa e seus pr\u00f3prios recursos, \u201cpreservar\u201d e reconstruir o pa\u00eds ganhou peso de massas. \u00c9 nessa toada que Trotsky avalia a dimens\u00e3o dessas derrotas no estado de \u00e2nimo das massas e sua influ\u00eancia na luta pol\u00edtica travada pela Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda:<\/p>\n<p>\u201c<em>(\u2026) Agora o que nos interessa, sobretudo, \u00e9 o instrutivo e incontest\u00e1vel fato das cont\u00ednuas derrotas da revolu\u00e7\u00e3o na Europa e na \u00c1sia, enfraquecendo a situa\u00e7\u00e3o internacional da URSS, terem fortalecido extraordinariamente a burocracia sovi\u00e9tica. Duas datas s\u00e3o significativas nessa s\u00e9rie hist\u00f3rica. Na segunda metade de 1923, a aten\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios sovi\u00e9ticos concentrou-se com paix\u00e3o na Alemanha, onde o proletariado parecia lan\u00e7ar m\u00e3o do poder; a retirada em p\u00e2nico do Partido Comunista Alem\u00e3o representou para as massas oper\u00e1rias da URSS uma penosa decep\u00e7\u00e3o. A burocracia sovi\u00e9tica desencadeou imediatamente a sua campanha contra a \u2018revolu\u00e7\u00e3o permanente\u2019 e infligiu \u00e0 Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda a sua primeira e cruel derrota. Em 1926-1927, a popula\u00e7\u00e3o da URSS recebeu um novo afluxo de esperan\u00e7a: todos os olhares se voltaram dessa vez para o Oriente, onde se desenrolava o drama da revolu\u00e7\u00e3o chinesa. No final de 1927, a revolu\u00e7\u00e3o chinesa foi torpedeada pelo carrasco Chiang-Kai-shek, a quem os dirigentes da Internacional Comunista tinham entregado literalmente os oper\u00e1rios e camponeses chineses. Uma onda gelada de decep\u00e7\u00e3o atravessou as massas da URSS. Ap\u00f3s uma campanha fren\u00e9tica na imprensa e em reuni\u00f5es, a burocracia decidiu-se enfim, em 1928, a prender massivamente os oposicionistas.\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote14sym\"><em><sup>14<\/sup><\/em><\/a><\/p>\n<p>Foi sob o impacto de uma sucess\u00e3o de levantes oper\u00e1rios e uma sequ\u00eancia de derrotas, sob a frustra\u00e7\u00e3o das esperan\u00e7as, renovada a cada recuo do proletariado de outros pa\u00edses, que o setor burocr\u00e1tico, relativamente fortalecido com a incipiente recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica proporcionada pela Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (NEP) e os primeiros resultados da planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, estreitou seus la\u00e7os de identidade em torno de interesses e vantagens materiais destacados da maioria do povo. Conforme Trotsky, at\u00e9 o ano de 1924 ningu\u00e9m concebia a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o do socialismo restrito ao territ\u00f3rio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A cria\u00e7\u00e3o da \u201cteoria do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds\u201d era, antes de tudo, instrumento de luta pol\u00edtica no interior do partido e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>No percurso da guerra civil, as for\u00e7as sociais e as reservas revolucion\u00e1rias se extinguiam, os sovietes foram se esvaziando. O Ex\u00e9rcito Vermelho, sob a lideran\u00e7a de Trotsky venceu, mas o partido, os sovietes e a classe trabalhadora n\u00e3o sa\u00edram inc\u00f3lumes do conflito. Quando conseguem alguma estabiliza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica e a economia inicia sua recupera\u00e7\u00e3o, o entendimento de que os Bolcheviques, apesar dos percal\u00e7os, se manter\u00e3o no poder conduz parcelas antes indecisas ao partido. A perda de valorosos combatentes na guerra civil termina com o in\u00edcio do ingresso dos setores antes vacilantes, hesitantes e de arrivistas no Partido e nos \u00f3rg\u00e3os do Estado. Esses setores sedimentar\u00e3o as bases sociais do novo e poderoso estrato social, a burocracia sovi\u00e9tica, que dar\u00e3o lastro ao conservadorismo e \u00e0 acomoda\u00e7\u00e3o, impondo limites e rupturas \u00e0 pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote15sym\"><sup>15<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Com a ascens\u00e3o de St\u00e1lin e o exterm\u00ednio dos opositores \u00e0 esquerda, a burocracia se cristaliza no poder e a manuten\u00e7\u00e3o do regime assegura a preserva\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios. A acomoda\u00e7\u00e3o sustentada pela \u201cteoria do socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d ganhar\u00e1 a colora\u00e7\u00e3o macabra do \u201cPacto de N\u00e3o Agress\u00e3o\u201d Hitler-St\u00e1lin, em 23 de agosto de 1939. Ser\u00e1 preservada na pol\u00edtica de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d com o capitalismo nos acordos de Yalta e Ptsdam em fevereiro e agosto de 1945 que estabelecem a divis\u00e3o do mundo em esferas de influ\u00eancia ao final da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Inicialmente, a R\u00fassia se manteve e foi nutrida pelas energias e for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o que tinham ra\u00edzes profundas nas massas populares e, em parte, porque uma onda de mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias atravessou toda a Europa e, ainda que n\u00e3o tenham produzido uma nova revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa, impediu uma nova investida militar que amea\u00e7aria os governos dos pr\u00f3prios pa\u00edses imperialistas. De toda forma, o impulso da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a libera\u00e7\u00e3o de energias sociais, a expropria\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a economia planificada, apoiada nos recursos e na extens\u00e3o do territ\u00f3rio russo, apesar da burocracia e do isolamento, permitiu enormes avan\u00e7os em todos os campos.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote16sym\"><sup>16<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Contudo, esses recursos e expans\u00e3o iniciais encontraram limites no tempo e no espa\u00e7o e confrontavam-se com o capitalismo que, ainda que tenha perdido o controle direto sobre essa parcela do globo, dispunha ainda do dom\u00ednio e comando da economia mundial. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com a pol\u00edtica de manuten\u00e7\u00e3o do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, n\u00e3o estava imune ao inevit\u00e1vel e necess\u00e1rio interc\u00e2mbio comercial com as pot\u00eancias capitalistas. Sob a l\u00f3gica de preservar privil\u00e9gios, esses acordos inclu\u00edam trocas desiguais que comprometiam as bases da pr\u00f3pria economia sovi\u00e9tica. Trotsky abordou a quest\u00e3o da sobreviv\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do desenvolvimento econ\u00f4mico precisamente na d\u00e9cada de 1930, num per\u00edodo de grande florescimento e exuberante desenvolvimento industrial da URSS e que contrastava com a imers\u00e3o dos pa\u00edses capitalistas na grande crise de 1929:<\/p>\n<p>\u201c<em>(\u2026) Os sucessos econ\u00f4micos da URSS permitem fixar-se, movimentar-se, armar-se e quando preciso, recuar e esperar, em uma palavra, manter-se. Mas pela sua pr\u00f3pria ess\u00eancia a quest\u00e3o \u2018Quem vencer\u00e1?\u2019, n\u00e3o s\u00f3 no sentido militar, mas, sobretudo, no sentido econ\u00f4mico, coloca-se diante da URSS no plano mundial. A interven\u00e7\u00e3o militar \u00e9 perigosa, mas a interven\u00e7\u00e3o das mercadorias baratas no comboio dos ex\u00e9rcitos capitalistas seria incomparavelmente mais nociva. (\u2026) Mas enquanto a URSS permanece isolada e, pior ainda, enquanto o proletariado europeu suporta as derrotas e recua, a for\u00e7a da sociedade sovi\u00e9tica mede-se em \u00faltima inst\u00e2ncia pela produtividade do trabalho, que, na economia de mercado, se manifesta em custos e pre\u00e7os. A diferen\u00e7a entre os pre\u00e7os internos e os pre\u00e7os do mercado mundial \u00e9 um dos principais indicativos da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Enquanto isso, fica proibido \u00e0 estat\u00edstica sovi\u00e9tica sequer levantar essa quest\u00e3o. Isso se deve ao fato de que, apesar das condi\u00e7\u00f5es de estagna\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o, o capitalismo mant\u00e9m uma enorme vantagem com rela\u00e7\u00e3o \u00e1 t\u00e9cnica, organiza\u00e7\u00e3o e cultura do trabalho.\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote17sym\"><em><sup>17<\/sup><\/em><\/a><\/p>\n<p>A an\u00e1lise do Revolucion\u00e1rio Russo \u00e9 fecunda. Lembremos que em 1936, quando veio \u00e0 luz esses estudos, o capitalismo encaminhava o mundo, mais uma vez, para uma nova e ainda mais destrutiva guerra, o fascismo e o nazismo foram acionados como recursos pela burguesia para interditar a possibilidade de novas revolu\u00e7\u00f5es. E, mesmo diante do enorme avan\u00e7o obtido pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no campo econ\u00f4mico, numa an\u00e1lise comparativa e de longo alcance, Trotsky \u00e9 assertivo: a amea\u00e7a militar \u00e9 real, mas o comboio das mercadorias baratas \u00e9 ainda mais amea\u00e7ador.<\/p>\n<p>Os \u00edndices de crescimento da URSS (abstraindo, evidentemente, os aspectos de como foram alcan\u00e7ados) registram, respectivamente, para o per\u00edodo 1928-1950, 10,8%; 1951-1960, 10,3%; 1961-1970, 7,2%; 1971-1980, 4,3%; 1981-1985, 3,2%.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote18sym\"><sup>18<\/sup><\/a> Os n\u00fameros, ainda que positivos, indicam a desacelera\u00e7\u00e3o da economia sovi\u00e9tica a partir dos anos 1970.<\/p>\n<p>Com os limites de ganhos, determinados pelos pr\u00f3prios limites de expans\u00e3o da economia planificada, pela restri\u00e7\u00e3o territorial e pela depend\u00eancia cada vez maior do mercado mundial, a burocracia viu-se na imin\u00eancia de n\u00e3o mais expandir e reproduzir seus privil\u00e9gios. Numa situa\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de mobilidade, a limita\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio converteu-se na base que sedimentou os interesses fundamentais da burocracia para converter privil\u00e9gios cada vez mais incertos na certeza da propriedade privada, ainda que isso significasse a incerteza da concorr\u00eancia com o retorno da anarquia no plano econ\u00f4mico. Na d\u00e9cada de 1980 optou, portanto, por converter seus privil\u00e9gios em propriedade privada. Trocou a sua condi\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel de casta burocr\u00e1tica pela certeza da propriedade privada. Os mecanismos pol\u00edtico e econ\u00f4mico utilizados foram a Glasnost \u2013 Transpar\u00eancia, no sentido de abertura \u2013 e a Perestroika \u2013 reestrutura\u00e7\u00e3o -, conduzidas pelo Secret\u00e1rio Geral do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (PCUS), Mikhail Gorbachev. Os modernos capitalistas russos surgiram das entranhas da pr\u00f3pria burocracia sovi\u00e9tica associada aos interesses do capital internacional.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa e as perspectivas socialistas foram profundas. Ainda que o stalinismo constitu\u00edsse uma ruptura significativa com os seus fundamentos, algumas das formas e express\u00f5es mais emblem\u00e1ticas do per\u00edodo revolucion\u00e1rio anterior permaneceram no l\u00e9xico, destitu\u00eddas, contudo, de todo o seu conte\u00fado e ess\u00eancias originais. As bases materiais da Revolu\u00e7\u00e3o Russa foram parcialmente preservadas na estatiza\u00e7\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4micas. As realiza\u00e7\u00f5es no campo da economia, da cultura, das ci\u00eancias, da educa\u00e7\u00e3o\u2026 n\u00e3o tem precedentes hist\u00f3ricos.<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote19sym\"><sup>19<\/sup><\/a> Os avan\u00e7os materiais conferidos por essas medidas, apesar da sabotagem que representava a pr\u00f3pria burocracia, subsistiram como refer\u00eancia material e, portanto, como inspira\u00e7\u00e3o concreta para o fim da explora\u00e7\u00e3o e para a emancipa\u00e7\u00e3o humana, embalaram lutas e sonhos por sete d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Cem anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista, da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, percorremos os seus caminhos e descaminhos para resgatar o projeto original e generoso dos seus realizadores: iluminar o horizonte para que os povos do mundo ponham fim a toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Enquanto houver um sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico de iniquidades, onde os que produzem a riqueza s\u00e3o relegados \u00e0 mis\u00e9ria, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, ainda que distante no tempo, permanecer\u00e1 como uma lembran\u00e7a de possibilidades, persistir\u00e1 como uma promessa de futuro e uma poderosa amea\u00e7a, como nos versos de Maiak\u00f3vski, um de seus ex\u00edmios cantores:<\/p>\n<p>\u201cCome anan\u00e1s, mastiga perdiz.<\/p>\n<p>Teu dia est\u00e1 prestes, burgu\u00eas.\u201d<a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote20sym\"><sup>20<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Adriano Carmelo Vitorino Z\u00e3o<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Notas<\/strong><\/em><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote1anc\">1<\/a><\/sup> Hobsbawm, Eric J. \u201cO Presente como Hist\u00f3ria\u201d, em Hobsbawm, Eric J. <em>Sobre Hist\u00f3ria<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Cid Knipel Moreira. S\u00e3o Paulo, Cia. das Letras, 1998, p. 244. Ver tamb\u00e9m, do mesmo autor, o pref\u00e1cio de <em>A era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX: 1914-1991<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Marcos Santarrita. S\u00e3o Paulo, Companhia da Letras, 2. ed. (6\u00aa impress\u00e3o), 1995, p. 7: \u201cAcho que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver o Breve S\u00e9culo XX \u2013 de 1914 at\u00e9 o fim da era sovi\u00e9tica \u2013 dentro de uma certa perspectiva hist\u00f3rica.\u201d<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote2anc\">2<\/a><\/sup> Victor Serge, no Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de 1938 de sua obra \u201cO Ano I da Revolu\u00e7\u00e3o Russa\u201d, indica que dentre os nomes que seriam encontrados nas p\u00e1ginas do livro, apenas Trotsky sobrevivia, perseguido e refugiado no M\u00e9xico. Ap\u00f3s descrever o destino da maioria, com exce\u00e7\u00e3o de L\u00eanin, Dzerjinski e Tchitcherin que haviam morrido antes, todo o restante dos que cumpriram algum papel importante no ano I da Revolu\u00e7\u00e3o haviam sido fuzilados, estavam em pris\u00e3o, proscritos ou tinham desaparecido nas pris\u00f5es at\u00e9 a data do pref\u00e1cio (1938). Ap\u00f3s nome\u00e1-los e indicar a \u201cpena\u201d a que foram submetidos, Serge observa: \u201cA vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, n\u00e3o custara muitas perdas aos vencedores; dez anos mais tarde, ao contr\u00e1rio, a rea\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, que conquistou o poder sem combate, aniquilou, submersa num mar de lama e sangue, toda uma gera\u00e7\u00e3o\u2026\u201d. Serge, Victor. O ano I da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Tradu\u00e7\u00e3o L\u00f3lio Louren\u00e7o de Oliveira. \u2013 S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007. pp. 28 e 29.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote3anc\">3<\/a> <\/sup>Para citar exemplo: o livro muito conhecido no Ocidente, do jornalista e militante John Reed, \u201cDez dias que abalaram o mundo\u201d, foi banido na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica por St\u00e1lin. Conforme Zuenir Ventura, \u201cNo livro de Reed, St\u00e1lin mal era mencionado, e Trotsky aparecia como uma figura heroica. O livro foi banido juntamente com seu her\u00f3i. Ap\u00f3s a morte de St\u00e1lin, o livro mereceu apenas uma relutante toler\u00e2ncia, dado que, enquanto outras v\u00edtimas do stalinismo podiam ser reabilitadas, ainda n\u00e3o se podia mencionar o nome de Trotsky, e sem esse n\u00e3o seria poss\u00edvel qualquer relato sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa\u201d. Ventura, Zuenir. Apresenta\u00e7\u00e3o. In: Reed, John. 10 dias que abalaram o mundo; tradu\u00e7\u00e3o Denise Tavares Gon\u00e7alves; pref\u00e1cio de Zuenir Ventura. S\u00e3o Pulo: Ediouro, 2002. P. 34.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote4anc\">4<\/a> <\/sup>Sobre essa quest\u00e3o h\u00e1 uma esclarecedora anota\u00e7\u00e3o de Marx realizada em A Ideologia Alem\u00e3. Ver Marx, Karl. Anota\u00e7\u00e3o do autor, apresentada na edi\u00e7\u00e3o como nota \u201cc\u201d, p. 38-39. In: Marx, Karl; Engels, Friedrich. <em>A ideologia alem\u00e3: cr\u00edtica da mais recente filosofia alem\u00e3 em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alem\u00e3o em seus diferentes profetas (1845-1846).<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Enderle, N\u00e9lio Schneider, Luciano Cavin iMartorano. S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2007.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote5anc\">5<\/a><\/sup> Trotsky, Leon. A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda. S\u00e3o Paulo, Editora Instituto Jos\u00e9 Luiz e Rosa Sundermann, 2005. P\u00e1gs. 105, 106.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote6anc\">6<\/a> <\/sup>Trotsky, Leon.<em> Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Diogo de Siqueira. S\u00e3o Paulo,Sundermann,2007. Tomo I, p . 35.De acordo com o seu primeiro censo realizado em 1897, a R\u00fassia contava com 129 milh\u00f5es de habitantes, dos quais 87% viviam no campo e 81,5% eram agricultores. Brou\u00e9, Pierre. <em>El partido bolchevique<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Ram\u00f3m Garcia Fernad\u00e9s. [s.l.] Editora Instituto Jos\u00e9 Lu\u00eds e Rosa Sundermann, [s.d.], p. 35<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote7anc\">7<\/a><\/sup> Segundo refer\u00eancia nas notas 1 e 2 das cartas de Lenin, organizadas em <em>As portas da Revolu\u00e7\u00e3o: Escritos de Lenin de 1917<\/em>, as primeiras quatro cartas foram escritas entre 7 e 12 (20 e 25) de mar\u00e7o; a quinta carta, n\u00e3o conclu\u00edda, foi escrita na v\u00e9spera da partida de Lenin da Sui\u00e7a, em 26 de mar\u00e7o (8 de abril) de 1917. As duas primeiras cartas foram enviadas para Alexandra Kollontai, em Oslo, no dia 9 (22) de mar\u00e7o, para serem encaminhadas a Petrogrado em 17 (30) de mar\u00e7o. Ver Zizek, Slavoj. <em>As portas da Revolu\u00e7\u00e3o: Escritos de Lenin de 1917.<\/em> Organiza\u00e7\u00e3o, introdu\u00e7\u00e3o e posf\u00e1cio de Slavoj Zizek, com tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Bernardo Peric\u00e1s e Fabr\u00edcio Rigout. Tradu\u00e7\u00e3o dos textos de Lenin: Daniela Jinkings. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2005, p. 25.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote8anc\">8<\/a> <\/sup>V.I. Lenin. \u201cCartas de Longe\u201d, em <em>As portas da Revolu\u00e7\u00e3o: Escritos de Lenin de 1917<\/em>. Op. cit., p. 25.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote9anc\">9<\/a> <\/sup>Idem, p. 29. (Destaques no original.)<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote10anc\">10<\/a><\/sup> Resolu\u00e7\u00e3o da Reuni\u00e3o do Soviete de Deputados Oper\u00e1rios e Soldados de Petrogrado, 25 de outubro (7 de novembro) de 1917. In: Zizek, Slavoj, \u00c0s Portas da Revolu\u00e7\u00e3o: sele\u00e7\u00e3o de escritos de Lenin de feveriro a outubro de 1917 \/ V. I. Lenin, Slavoj Zizec; tradu\u00e7\u00e3o dos textos de Slavoj Zizec, Luiz Bernardo Peric\u00e1s e Fabrizio Rigout, tradu\u00e7\u00e3o dos textos de Lenin, Daniela Jinkings. \u2013 S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2005.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote11anc\">11<\/a> <\/sup>Idem, p. 81. (Destaques no original.).<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote12anc\">12<\/a> <\/sup>Brou\u00e9, Pierre. Op. cit., p. 210. Sobre a imprensa<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote13anc\">13<\/a> <\/sup>Trotsky, Leon. \u201cTr\u00eas Concep\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, em <em>A revolu\u00e7\u00e3o permanente na R\u00fassia<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de A. Campos e J. Cabral Fernandes. 15. ed. Cole\u00e7\u00e3o Cl\u00e1ssicos Ant\u00eddoto n. 2. Lisboa, Ant\u00eddoto, 1977, p. 99.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote14anc\">14<\/a><\/sup> Trotsky, Leon. A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda. Op. Cit. P.109.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote15anc\">15<\/a> <\/sup>Em 1923, as contradi\u00e7\u00f5es da Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica e as press\u00f5es que exercem sobre o partido e o Estado j\u00e1 s\u00e3o evidentes. Lenin morre em 21 de janeiro de 1924 e, no mesmo ano, uma campanha de filia\u00e7\u00e3o denominada \u201crecrutamento de L\u00eanin\u201d incorpora mais de 200 mil filiados, engrossando em mais de 50% as fileiras do partido. Destes, 57 % s\u00e3o analfabetos e, conforme Brou\u00e9, \u201c<em>apesar de seu r\u00f3tulo, a campanha confirma uma profunda ruptura com os m\u00e9todos empregados por Lenin.<\/em>\u201d Brou\u00e9, Pierre. <em>El partido bolchevique<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Ram\u00f3mGarciaFernad\u00e9s. [s.l.], Editora Instituto Jos\u00e9 Lu\u00eds e Rosa Sundermann, [s.d.], p. 265-266. Sobre esse aspecto ver Trotsky, Leon. A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda. Op. Cit. Pp.113-119.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote16anc\">16<\/a> <\/sup>Em 1936, em sua obra a Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda, Op. Cit. Trotsky, cr\u00edtico da burocracia, apresenta a evolu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento industrial da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com sendo \u201csem precedentes na Hist\u00f3ria\u201d. P. 39. O primeiro cap\u00edtulo do livro \u00e9 dedicado \u00e0 an\u00e1lise comparativa do desenvolvimento industrial nas duas primeiras d\u00e9cadas do poder sovi\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote17anc\">17<\/a><\/sup> Idem, p. 46.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote18anc\">18<\/a><\/sup> Fontes: <em>Narodnoe Khozyaistvo SSSR<\/em>, diversos anos, e <em>Bol\u2019shaya Sovetskaya Entsiklopediya, <\/em>2. Ed., v. 29, p. 302.<em> Apud <\/em>Segrillo, Angelo. <em>O fim da URSS e a nova R\u00fassia: de Gorbachev ao p\u00f3s-Yeltsin<\/em>. Petr\u00f3polis (RJ), Vozes, 2000. p. 10.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote19anc\">19<\/a> <\/sup>O coeficiente de Gini variou, nos pa\u00edses do Leste Europeu, de \u00edndices mais igualit\u00e1rios no mundo para padr\u00f5es de pa\u00edses com a pior distribui\u00e7\u00e3o de renda, como a Guatemala e o Brasil. O coeficiente de Gini da R\u00fassia saltou de 0,26, em 1987-90, para 0,47 em 1996-98. Segrillo, Angelo. <em>R\u00fassia e Brasil em transforma\u00e7\u00e3o<\/em>: <em>uma breve hist\u00f3ria dos partidos russos e brasileiros na democratiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/em> Rio de Janeiro, 7Letras, 2005 P. 148. Como esclarece o autor, o coeficiente de Gini varia de zero a um, indicando <em>zero<\/em> \u2013 igualdade absoluta \u2013 e <em>um<\/em> \u2013 desigualdade absoluta \u2013 ou seja, quando uma \u00fanica pessoa det\u00e9m toda a renda do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"https:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=8181#sdfootnote20anc\">20<\/a><\/sup> Maiak\u00f3vski, Vlad\u00edmir: Maiak\u00f3vski \u2013 Poemas. Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos. Editora Perspectiva, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Pulo, 1997. Tradu\u00e7\u00e3o de Augusto de Campos. p. 82<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa uma quest\u00e3o parece incontorn\u00e1vel: \u00e9 impens\u00e1vel retomar satisfatoriamente a refer\u00eancia hist\u00f3rica da mais profunda experi\u00eancia revolucion\u00e1ria e a que mais seriamente amea\u00e7ou a ordem do capital, sem compreender e abordar, ao mesmo tempo, o seu tr\u00e1gico desfecho.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2535,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[1235,116,1242,114,115,714,2,1234,117],"class_list":["post-2536","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-1235","tag-alternativa","tag-bolchevique","tag-mas","tag-movimento","tag-outubro","tag-revolucao","tag-russa","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/soviete.jpg?fit=500%2C213","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2536\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2535"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}