{"id":2534,"date":"2017-11-02T19:18:32","date_gmt":"2017-11-02T18:18:32","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/02\/acordo-be-ps-em-lisboa-nao-em-nosso-nome\/"},"modified":"2017-11-02T19:18:32","modified_gmt":"2017-11-02T18:18:32","slug":"acordo-be-ps-em-lisboa-nao-em-nosso-nome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/11\/02\/acordo-be-ps-em-lisboa-nao-em-nosso-nome\/","title":{"rendered":"Acordo BE-PS em Lisboa: n\u00e3o em nosso nome"},"content":{"rendered":"<p>A concelhia de Lisboa do BE aprovou, ontem (1 de novembro), o acordo p\u00f3s-eleitoral realizado entre o BE e o PS para a governa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Lisboa. O BE recebe em troca o cargo de vereador de Lisboa para a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e temas sociais.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Na impossibilidade de uma candidatura conjunta de PCP e BE \u00e0s elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, em Lisboa, o MAS apoiou a candidatura do BE, encabe\u00e7ada pelo Ricardo Robles. <strong>O nosso objetivo foi fortalecer a esquerda contra a direita e o PS, atrav\u00e9s do nosso apoio, mobiliza\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o e\/ou dinamiza\u00e7\u00e3o de candidaturas \u00e0 esquerda. <\/strong> <\/p>\n<p>Contudo, este acordo entre PS e BE, em Lisboa, vai no sentido inverso do objetivo que consideramos importante: o de fortalecer um polo alternativo \u00e0 direita e ao PS. Desta forma, repudiamos o acordo.<\/p>\n<p>A campanha do Ricardo Robles, em Lisboa, foi, ali\u00e1s, bem dura nos ataques ao candidato do PS. Denunciou que Medina iria \u201ccontinuar a privilegiar tudo, menos o que \u00e9 importante para as pessoas, aquilo que faz [de Lisboa] uma cidade\u201d<sup><a href=\"#_ftn1\">1<\/a><\/sup>, denunciou que o PS concede espa\u00e7o \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, tendo, como consequ\u00eancia, o aumento das rendas e a exclus\u00e3o de jovens e trabalhadores do centro da cidade. Denunciou ainda que o <strong>programa de \u201crendas acess\u00edveis\u201d apresentado por Medina, mais n\u00e3o era do que uma parceria p\u00fablico-privada <\/strong>que consistia em \u201centregar patrim\u00f3nio municipal a fundos imobili\u00e1rios privados que ficam com 30% de todas as casas, 2.500 casas. [os fundos] constroem e reabilitam, e depois ficam com as rendas durante 20, 25, 35 anos\u201d.<\/p>\n<p>O MAS rev\u00ea-se nestes ataques e denuncias a Medina e ao PS. Assim, consideramos que este acordo entre PS e BE \u00e9 contradit\u00f3rio com a campanha realizada por Ricardo Robles, em Lisboa.<\/p>\n<p>No final da campanha, Ricardo Robles come\u00e7ou a mostrar abertura a um entendimento com o PS, entendimento esse que o MAS tem feito quest\u00e3o de rejeitar. Ainda assim, a proposta da concelhia de Lisboa do BE \u00e9 ainda mais gravosa, pois configura um recuo sobre, a j\u00e1 de si errada, hip\u00f3tese de acordo com o PS. Ricardo Robles, questionado, no final da campanha, se enquanto vereador, estaria &#8220;dispon\u00edvel&#8221; para se &#8220;sentar e discutir solu\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda e assumir responsabilidades no executivo&#8221;, respondeu que isso s\u00f3 seria poss\u00edvel caso esse executivo garantisse \u201cpelo menos, a recupera\u00e7\u00e3o da Carris e do Metro, [garantisse] qualidade de servi\u00e7o p\u00fablico e [redu\u00e7\u00e3o de] tarifas, e [substitui\u00e7\u00e3o da] parceria p\u00fablico-privada de Fernando Medina [no sector imobili\u00e1rio, fazendo] um programa 100% p\u00fablico de 7.500 casas a custos controlados para quem quer viver em Lisboa&#8221;.<\/p>\n<p>Ora, ainda que o BE afirme que vai continuar a ser oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 PPP, a verdade \u00e9 que deixou de a colocar como limite, acabando por garantir o acordo e governa\u00e7\u00e3o do PS.<\/p>\n<p>O acordo tem ainda outros perigos pois faz refer\u00eancia \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de \u201cnovas creches em modelo cooperativo ou com entidades sem fins lucrativos\u201d, o que significa \u201cabrir a porta\u201d a creches privadas via IPSS, n\u00e3o havendo sequer uma men\u00e7\u00e3o que ter\u00e3o os seus pre\u00e7os controlados.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disto, o executivo de Medida pretende avan\u00e7ar com a municipaliza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, o que significa, na verdade, a sua privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os como a educa\u00e7\u00e3o, em geral, ou uma rede de creches, a pre\u00e7os controlados e acess\u00edveis, t\u00eam de ser encarados como os servi\u00e7os m\u00ednimos que o Estado est\u00e1 obrigado a assegurar, pelo que n\u00e3o se admite que um \u00fanico euro p\u00fablico seja direcionado para qualquer tipo de entidade que n\u00e3o seja p\u00fablica. N\u00e3o se admite igualmente que, atrav\u00e9s da governa\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica, se abra portas a qualquer tipo de privatiza\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os. O que deve ser feito, sim, \u00e9 exatamente o inverso. Tornar p\u00fablicos todos os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 maternidade e \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Acordos com o PS enfraquecem a esquerda e n\u00e3o travam austeridade!<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo o que foi assinalado, os acordos com o PS, tal como demonstraram os resultados das aut\u00e1rquicas, prejudicam a esquerda em favor do PS. \u00c9 o PS que sai refor\u00e7ado e fortalecido do acordo de governo que dura h\u00e1 2 anos. Podemos tamb\u00e9m recuar at\u00e9 2007, ano em que o acordo do BE com o PS, de Ant\u00f3nio Costa, em Lisboa, trouxe p\u00e9ssimas consequ\u00eancias. O PS obteve duas maiorias absolutas nas duas elei\u00e7\u00f5es seguintes (2009 e 2013) e o BE, no mesmo per\u00edodo, ficou sem vereador.<\/p>\n<p>Mais grave ainda \u00e9 que este acordo, em Lisboa, demonstra que os acordos entre BE e PS n\u00e3o s\u00e3o pontuais, com foi dito, em 2015, aquando do acordo com o Governo Costa, mas parecem ter passado a fazer parte da estrat\u00e9gia global do BE, podendo mesmo culminar num futuro Governo PS-BE.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de acordos com o PS \u00e9 errada pelas pol\u00edticas que este partido tem defendido ao longo dos \u00faltimos 40 anos de governa\u00e7\u00e3o, em altern\u00e2ncia com a direita (PSD\/CDS). Hoje em dia, o Governo PS, a n\u00edvel nacional, continua com uma pol\u00edtica restritiva, contr\u00e1ria aos interesses dos trabalhadores. Ainda recentemente sobre a trag\u00e9dia dos inc\u00eandios a solu\u00e7\u00e3o apresentada pelo Governo PS foi a nomea\u00e7\u00e3o de um <em>boy<\/em> da celulose para o &#8220;combate&#8221; aos inc\u00eandios. A n\u00edvel or\u00e7amental, o que se confirma \u00e9 uma pol\u00edtica em que a prioridade \u00e9 o d\u00e9fice, limitando ao m\u00ednimo o investimento p\u00fablico e, consequentemente, destruindo os servi\u00e7os p\u00fablicos m\u00ednimos que o Estado tem obriga\u00e7\u00e3o de assegurar. O OE2018 conduz \u00e0 continua\u00e7\u00e3o das cativa\u00e7\u00f5es na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, ao pagamento religioso da d\u00edvida p\u00fablica, ou seja, ao cumprimento ao mil\u00edmetro das regras europeias. \u00c9 exatamente daqui que t\u00eam surgido as justas greves a que assistimos nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Em Lisboa, como no pa\u00eds, o que \u00e9 preciso \u00e9 retomar as lutas pelos direitos que nos foram roubados! E para que isso aconte\u00e7a \u00e9 determinante que a esquerda se solte dos acordos com o PS. Romper com o PS e construir a mais ampla unidade \u00e0 esquerda, para lutar pelos nossos direitos, em todos os terrenos, \u00e9 o que se exige. E \u00e9 tamb\u00e9m por isto que o MAS tem lutado e continuar\u00e1 a lutar!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Notas<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/24.sapo.pt\/atualidade\/artigos\/ricardo-robles-medina-pede-uma-nova-maioria-absoluta-para-voltar-a-fazer-o-que-nao-fez\"><sup>1<\/sup> http:\/\/24.sapo.pt\/atualidade\/artigos\/ricardo-robles-medina-pede-uma-nova-maioria-absoluta-para-voltar-a-fazer-o-que-nao-fez<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A concelhia de Lisboa do BE aprovou, ontem (1 de novembro), o acordo p\u00f3s-eleitoral realizado entre o BE e o PS para a governa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Lisboa. 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