{"id":2530,"date":"2017-10-31T11:30:08","date_gmt":"2017-10-31T10:30:08","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/10\/31\/notas-sobre-a-superacao-do-etapismo-em-lenin\/"},"modified":"2017-10-31T11:30:08","modified_gmt":"2017-10-31T10:30:08","slug":"notas-sobre-a-superacao-do-etapismo-em-lenin","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/10\/31\/notas-sobre-a-superacao-do-etapismo-em-lenin\/","title":{"rendered":"Notas sobre a supera\u00e7\u00e3o do etapismo em L\u00eanin"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre a concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o em L\u00eanin passou por in\u00fameras controversas. Entre elas, ganharam destaques duas quest\u00f5es. Quais os elementos de (des)continuidade entre a concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e os fundadores do marxismo? Qual a proximidade da teoria revolucion\u00e1ria de L\u00eanin e Trotsky?<\/p>\n<p>  <!--more-->  Os acontecimentos de 1905 na R\u00fassia deram origem a uma s\u00e9rie de interpreta\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter e as tarefas colocadas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o que se aproximava. Destacava-se entre essas interpreta\u00e7\u00f5es a de L\u00eanin, que sustentava a teoria segundo a qual a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o estabeleceria uma \u201cditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e camponeses\u201d, contrariando tanto a posi\u00e7\u00e3o dos mencheviques de que a revolu\u00e7\u00e3o seria dirigida pela burguesia, quanto a de Trotsky, que defendia o car\u00e1ter permanente da revolu\u00e7\u00e3o, que desembocaria na \u201cditadura do proletariado\u201d. Havia tamb\u00e9m outra teoria, defendia por Parvus, segundo a qual a revolu\u00e7\u00e3o seria democr\u00e1tico-burguesa, mas, igual a Trotsky, dirigida pelos oper\u00e1rios e com um partido n\u00e3o centralizado. <\/p>\n<p>O substitucionismo social, compreendido como o processo pelo qual uma classe social substitui uma outra nas tarefas hist\u00f3ricas colocadas em determinado momento hist\u00f3rico, era uma tese comum entre os revolucion\u00e1rios de ent\u00e3o, salvo os mencheviques, que estavam presos ao esquema de que uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa s\u00f3 poderia ser dirigida pela burguesia.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito da posi\u00e7\u00e3o bolchevique, L\u00eanin (1977), em sua brochura \u201cDuas t\u00e1ticas da social-democracia na presente revolu\u00e7\u00e3o\u201d, defendia que o eixo central era a derrubada revolucion\u00e1ria do czarismo. Os 3 elementos centrais de seu programa, conhecidos na \u00e9poca como as \u201ctr\u00eas baleias do bolchevismo\u201d (TROTSKY, 2007a, p. 297), eram: pela Rep\u00fablica democr\u00e1tica, confisco de terras dos nobres e redu\u00e7\u00e3o da jornada para 8 horas. Al\u00e9m disso, defendia uma ditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica do proletariado e do campon\u00eas, sendo os sujeitos sociais da revolu\u00e7\u00e3o o proletariado e os camponeses, em cujo eventual governo provis\u00f3rio n\u00e3o estaria descartado a participa\u00e7\u00e3o bolchevique em seu interior.<\/p>\n<p>Apesar de ser um cl\u00e1ssico, o livro \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d ainda guardava uma concep\u00e7\u00e3o de que na revolu\u00e7\u00e3o russa estava colocada apenas as tarefas democr\u00e1ticas, embora a classe dirigente n\u00e3o fosse, como presumiam os mencheviques, a burguesia, mas o proletariado e os camponeses. A essa concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica chamamos revolu\u00e7\u00e3o por etapas ou \u201cetapismo\u201d, que corresponde \u00e0 compreens\u00e3o segundo a qual uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica n\u00e3o pode, sen\u00e3o depois de um longo per\u00edodo, se transformar em revolu\u00e7\u00e3o socialista. Em outras palavras, \u00e9 a teoria que divide as revolu\u00e7\u00f5es burguesas e socialistas em dois momentos distintos, em duas etapas objetivamente separadas no tempo e no espa\u00e7o. A primeira etapa corresponderia \u00e0s tarefas democr\u00e1ticas, durante a qual o proletariado se firmaria como classe social e politicamente organizada, para posteriormente lutar pelo poder.<\/p>\n<p>Para compreender a posi\u00e7\u00e3o de L\u00eanin na querela te\u00f3rica, \u00e9 preciso voltar os olhos para Marx e Engels, de quem se inspirou para elaborar sua teoria revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A influ\u00eancia de Marx e Engels<\/strong><\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel nos limites deste texto discutir todas as vicissitudes pelas quais passaram Marx e Engels ao longo de suas elabora\u00e7\u00f5es, queremos demarcar alguns elementos presentes no processo de formula\u00e7\u00e3o de sua concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o e como elas influenciaram L\u00eanin.<\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 importante assinalar que nem Marx e nem Engels criaram uma teoria sistematizada e acabada de revolu\u00e7\u00e3o. Suas posi\u00e7\u00f5es sofreram ao logo dos tempos oscila\u00e7\u00f5es, foram se enriquecendo com a realidade, com as experi\u00eancias te\u00f3ricas, pr\u00e1ticas e hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>As primeiras elabora\u00e7\u00f5es de Marx e Engels ainda estavam presas a um esquema claramente etapista de revolu\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia segundo a qual as revolu\u00e7\u00f5es come\u00e7ariam nos pa\u00edses mais industrializados do Ocidente foi a principal marca dos fundadores do marxismo durante muitos anos. Para eles, o desenvolvimento do capitalismo industrial e a revolu\u00e7\u00e3o burguesa seriam as etapas preliminares e obrigat\u00f3rias que todo processo hist\u00f3rico deveria passar antes da luta do proletariado pelo socialismo. Essa concep\u00e7\u00e3o estava baseada na id\u00e9ia de que o surgimento de uma nova forma\u00e7\u00e3o social estaria condicionado em \u00faltima inst\u00e2ncia ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Nas palavras de Marx (1983, p. 25), uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as for\u00e7as produtivas que ela \u00e9 capaz de conter\u201d.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o de etapismo econ\u00f4mico acompanhou as elabora\u00e7\u00f5es de Marx e Engels durante muitos anos. Basta ver que mesmo em 1895, Engels (1990, p. 512) ainda afirmava que a hist\u00f3ria \u201cmostrou claramente que nessa altura o n\u00edvel do desenvolvimento econ\u00f4mico de modo algum estava amadurecido para a elimina\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista\u201d.<\/p>\n<p>Marx e Engels durante muitos anos defenderam uma concep\u00e7\u00e3o etapista de revolu\u00e7\u00e3o. Para eles, as forma\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o poderiam surgir se os fundamentos econ\u00f4micos que as sustentavam n\u00e3o tivessem ainda se esgotado historicamente.<\/p>\n<p>Entretanto, do ponto de vista da luta pelo poder, os fundadores do marxismo tamb\u00e9m enriqueceram sua teoria com as experi\u00eancias reais da luta de classes. A revolu\u00e7\u00e3o francesa seguramente incidiu sobre essas elabora\u00e7\u00f5es. Mas, da mesma forma que essa revolu\u00e7\u00e3o foi uma refer\u00eancia, ela tamb\u00e9m abriu uma grande interroga\u00e7\u00e3o: seria poss\u00edvel ela se repetir na Europa?<\/p>\n<p>Depois da revolu\u00e7\u00e3o Inglesa, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1848 colocou finalmente um ponto final na id\u00e9ia de que a burguesia pudesse ainda cumprir um papel revolucion\u00e1rio. Marx e Engels, ent\u00e3o, passam a desenvolver a id\u00e9ia de \u201crevolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d. Em que consistia essa id\u00e9ia? A express\u00e3o apareceu pela primeira vez em 1844, no livro \u201cA Quest\u00e3o Judaica\u201d, como parte de uma discuss\u00e3o sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, mas que n\u00e3o guarda qualquer significado com suas elabora\u00e7\u00f5es posteriores. Depois disso, a id\u00e9ia de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d, que n\u00e3o cessaria at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o mundial, foi se esbo\u00e7ando nas obras de Marx e Engels em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. No pr\u00f3prio Manifesto Comunista surge a id\u00e9ia de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o universal\u201d, finalizando com o antol\u00f3gico chamado sintetizado na palavra de ordem: \u201cprolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos\u201d (MARX; ENGELS, 2007, p. 109). Mas a defini\u00e7\u00e3o mais acabada sobre \u201crevolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d encontraremos na Mensagem do Comit\u00ea Central \u00e0 Liga dos Comunistas, de 1850, onde Marx e Engels (1978, p. 281) afirmam<\/p>\n<p><em>[\u2026] o nosso interesse e a nossa tarefa s\u00e3o tornar permanente a revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 que todas as classes mais ou menos possuidoras estejam afastadas da domina\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que o poder de Estado tenha sido conquistado pelo proletariado, que a associa\u00e7\u00e3o dos prolet\u00e1rios, n\u00e3o s\u00f3 num pa\u00eds, mas em todos os pa\u00edses dominantes do mundo inteiro, tenha avan\u00e7ado a tal ponto que tenha cessado a concorr\u00eancia dos prolet\u00e1rios nesses pa\u00edses e que, pelo menos, estejam concentradas nas m\u00e3os dos prolet\u00e1rios as for\u00e7as produtivas decisivas.<\/em><\/p>\n<p>A cada experi\u00eancia da luta de classes Marx e Engels tiravam as conclus\u00f5es sobre o avan\u00e7o do proletariado, da pequena-burguesia e da cada vez mais evidente incapacidade da burguesia de cumprir um papel progressivo na hist\u00f3ria. Mas foi depois da revolu\u00e7\u00e3o de 1848 que Marx come\u00e7ou a concluir que a covarde burguesia preferia o com\u00e9rcio sob a sombra de uma manta real a protagonizar uma luta contra a monarquia \u00e0 frente de despossu\u00eddos pra quem uma revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 teria data pra come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Alertando para essa incapacidade revolucion\u00e1ria da burguesia, Marx e Engels passam a cogitar a hip\u00f3tese do substitucionismo social, ou seja, de que uma classe fa\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o no lugar de outra. Por exemplo, na \u201cMensagem \u00e0 Liga\u201d, Marx e Engels (1978) destacam o papel que a pequena burguesia poderia cumprir na revolu\u00e7\u00e3o em coaliz\u00e3o com o proletariado. Mesmo assim, acreditavam que tal coaliz\u00e3o favoreceria mais \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do programa da pequena-burguesia do que do proletariado.<\/p>\n<p>Para Marx e Engels (1978), a revolu\u00e7\u00e3o de 1848 deixou pelo menos duas li\u00e7\u00f5es importantes. A primeira \u00e9 de que a revolu\u00e7\u00e3o deveria ser mundial. A segunda foi admitir que uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa fosse dirigida por outras classes sociais, em especial pela pequena-burguesia em coaliz\u00e3o com o proletariado.<\/p>\n<p>Mesmo admitindo que as revolu\u00e7\u00f5es burguesas fossem dirigidas por outras classes, Marx ainda trabalhava como hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel que a revolu\u00e7\u00e3o socialista fosse realizada nos pa\u00edses mais industrializados. Isso n\u00e3o significava, entretanto, que descartava que outras revolu\u00e7\u00f5es fossem realizadas ou mesmo come\u00e7assem em pa\u00edses menos desenvolvidos. Por exemplo, em 1853, Marx (1973), comentando a revolu\u00e7\u00e3o na China, sustentou a tese de que aquelas revolu\u00e7\u00f5es fossem de alguma maneira se voltar contra a Inglaterra. Ele come\u00e7a ent\u00e3o a embaralhar a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o permanente como se fosse uma esp\u00e9cie de \u201crevolu\u00e7\u00e3o reverberada\u201d. A revolu\u00e7\u00e3o chinesa incidindo sobre a Inglaterra que, por sua vez, reverberaria \u00e0 Europa. Nas palavras de Marx (1973, p. 12), \u201cagora que a Inglaterra originou a revolu\u00e7\u00e3o na China, a quest\u00e3o est\u00e1 em saber como \u00e9 que, a seu tempo, essa revolu\u00e7\u00e3o atuar\u00e1 de volta sobre a Inglaterra e, atrav\u00e9s da Inglaterra, sobre a Europa\u201d.<\/p>\n<p>Essa tese \u00e9 retomada posteriormente no pref\u00e1cio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o russa do \u201cManifesto Comunista\u201d, escrita em 1882, quando ent\u00e3o Marx e Engels (2003, p. 9) admitem que \u201cse a Revolu\u00e7\u00e3o Russa constituir-se no sinal para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria no Ocidente, de modo que uma complemente a outra, a atual propriedade comum da terra na R\u00fassia servir\u00e1 de ponto de partida para a evolu\u00e7\u00e3o comunista\u201d.<\/p>\n<p>Essa passagem \u00e9 chave para compreender que Marx e Engels nunca descartaram que revolu\u00e7\u00f5es pudessem ocorrer (antes, inclusive) em pa\u00edses de modo de produ\u00e7\u00e3o atrasados. Por isso, \u00e9 parcial a conclus\u00e3o de Moreno (1992) segundo a qual Marx colocava o problema da revolu\u00e7\u00e3o apenas do ponto de vista nacional, ou apenas \u201cs\u00f3 para um ou dois pa\u00edses\u201d (p. 25). Ao contr\u00e1rio disso, Marx e Engels embaralharam v\u00e1rias possibilidades de revolu\u00e7\u00f5es mundiais, algumas inclusive simult\u00e2neas ou com \u201cefeito pingue-pongue\u201d. Eles analisavam a realidade do ponto de vista de sua totalidade e n\u00e3o descartavam o efeito que uma revolu\u00e7\u00e3o poderia ter nos demais pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que Marx e Engels s\u00f3 admitiam que pa\u00edses de capitalismo tardio dessem um salto hist\u00f3rico se fossem socorridos pela vit\u00f3ria do proletariado europeu vitorioso.<\/p>\n<p>Por que Marx e Engels condicionaram o processo revolucion\u00e1rio na R\u00fassia ou na China (e especialmente na Irlanda) ao processo revolucion\u00e1rio europeu? Precisamente porque n\u00e3o tinham em mente que revolu\u00e7\u00f5es em pa\u00edses de economia asi\u00e1tica ou tardia pudessem saltar, por si s\u00f3s, as fases do desenvolvimento hist\u00f3rico. Somente com a ajuda do proletariado vitorioso dos pa\u00edses de economia desenvolvida seria poss\u00edvel, pelo menos do ponto de vista te\u00f3rico, esse salto hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Portanto, Marx e Engels desenvolveram uma id\u00e9ia de revolu\u00e7\u00e3o permanente que n\u00e3o descartava que o proletariado, em conjunto com a pequena-burguesia, tivesse que tomar em suas m\u00e3os as tarefas democr\u00e1ticas incompletas pela burguesia. Tamb\u00e9m n\u00e3o descartavam que as revolu\u00e7\u00f5es ocorressem primeiramente em pa\u00edses de forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tardia. Mas ponderavam que no caso das revolu\u00e7\u00f5es em economias tardias a \u00fanica possibilidade de dar um salto hist\u00f3rico estava condicionada \u00e0 vit\u00f3ria do proletariado europeu. E quando tratavam da possibilidade do proletariado em coaliz\u00e3o com a pequena-burguesia tomarem a frente nas revolu\u00e7\u00f5es burguesas, opinavam que o programa dessa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria do proletariado. Engels (1983, p. 303) chegou mesmo a sustentar, em 1853, que caso o proletariado fosse obrigado a \u201cfazer experi\u00eancias e saltos comunistas\u201d \u201cantes de sua \u00e9poca normal\u201d, seria considerado \u201cprematuro\u201d e estaria provavelmente condenado ao fracasso.<\/p>\n<p>Por mais que admitissem saltos hist\u00f3ricos, Marx e Engels ainda eram ref\u00e9ns da id\u00e9ia segundo a qual as revolu\u00e7\u00f5es socialistas n\u00e3o poderiam prescindir das revolu\u00e7\u00f5es burguesas, e que estas ocorreriam provavelmente primeiro nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado. Mas admitiram que, por mais que se iniciassem nos pa\u00edses do Ocidente Europeu, as pr\u00f3ximas revolu\u00e7\u00f5es burguesas corriam o risco de serem dirigidas n\u00e3o pela burguesia, mas pelo proletariado ou pela pequena-burguesia.<\/p>\n<p>Junto com o internacionalismo, foi essa id\u00e9ia de uma classe fazer a revolu\u00e7\u00e3o no lugar de outra que L\u00eanin herdou de Marx e Engels. Ao que tudo indica, os mencheviques n\u00e3o leram ou simplesmente desprezaram esses alertas de Marx e Engels sobre as possibilidades do substitucionismo social. N\u00e3o s\u00f3 os mencheviques na R\u00fassia, como os principais te\u00f3ricos da II Internacional ainda estavam presos \u00e0 id\u00e9ia de que apenas a burguesia faria sua revolu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, que as revolu\u00e7\u00f5es socialistas s\u00f3 poderiam existir nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>L\u00eanin, ao contr\u00e1rio, admitiu, como Marx e Engels, que a revolu\u00e7\u00e3o burguesa num pa\u00eds de economia tardia poderia ser realizada pelos camponeses em coaliz\u00e3o com os oper\u00e1rios. Mas, fiel ao esquema inicial de Marx e Engels, L\u00eanin acreditava que, por mais que a revolu\u00e7\u00e3o fosse dirigida pelos oper\u00e1rios e camponeses, n\u00e3o poderia saltar de uma etapa capitalista para uma socialista. Ele sabia que a maioria da popula\u00e7\u00e3o era camponesa e ainda n\u00e3o estava claro o papel que o proletariado cumpriria na dire\u00e7\u00e3o das lutas e no pr\u00f3prio governo, caso a insurrei\u00e7\u00e3o fosse vitoriosa.<\/p>\n<p>Por isso est\u00e1 correta a caracteriza\u00e7\u00e3o de Moreno de que tanto os mencheviques quanto L\u00eanin herdaram do pensamento de Marx partes distintas de sua concep\u00e7\u00e3o. Os mencheviques a id\u00e9ia de que a revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia \u201cn\u00e3o pode ser nem socialista, nem oper\u00e1ria e nem camponesa\u201d, e L\u00eanin a id\u00e9ia de que \u201cainda que a din\u00e2mica de classe n\u00e3o seja burguesa [\u2026] n\u00e3o se pode superar a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa porque o pa\u00eds \u00e9 atrasado\u201d(MORENO, 1992, p.25).<\/p>\n<p>Assim como Marx e Engels, L\u00eanin tamb\u00e9m defendia a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que o proletariado fosse vitorioso e at\u00e9 que a revolu\u00e7\u00e3o se espalhasse pelo resto do mundo. De fato, do ponto de vista hist\u00f3rico, L\u00eanin acumulou uma leitura mais profunda da realidade. Assim como Marx e Engels, L\u00eanin tamb\u00e9m admitia a possibilidade de uma concatena\u00e7\u00e3o de tarefas hist\u00f3ricas, mas dava como pouco prov\u00e1vel que na R\u00fassia atrasada uma revolu\u00e7\u00e3o pudesse saltar de \u201cetapas\u201d sem uma revolu\u00e7\u00e3o triunfante na Europa.<\/p>\n<p>Em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d, L\u00eanin sintetiza o que herdou de Marx e Engels com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><em>naturalmente, numa situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica concreta entrela\u00e7am-se os elementos do passado e do futuro, um caminho confunde-se com o outro. [\u2026] Mas isto n\u00e3o nos impede minimamente de distinguir l\u00f3gica e historicamente os grandes per\u00edodos do desenvolvimento. Pois todos n\u00f3s contrapomos a revolu\u00e7\u00e3o burguesa e a socialista, todos n\u00f3s insistimos incondicionalmente na necessidade de estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o rigorosa entre as mesmas, mas poder-se-\u00e1 negar que, na hist\u00f3ria, elementos isolados, particulares, de uma e outra revolu\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am? N\u00e3o registra a \u00e9poca das revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas na Europa uma s\u00e9rie de movimentos socialistas e tentativas socialistas? E a futura revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa n\u00e3o ter\u00e1 ainda muito e muito que fazer para completar o que ficou incompleto no terreno da democracia?. <\/em>(LENIN, 1977, p. 76).<\/p>\n<p>Como se pode notar, mesmo quando L\u00eanin defende uma poss\u00edvel articula\u00e7\u00e3o de tarefas hist\u00f3ricas, ele n\u00e3o defende como mais prov\u00e1vel a revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia, motivo pelo qual fala dessa possibilidade na \u201cEuropa\u201d, provavelmente se referindo aos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Desta forma, Marx e Engelis influenciaram Lenin em tr\u00eas aspectos. Primeiro, com a ideia de que os camponeses e o proletariado pudessem levar a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica adiante. Segundo, com a id\u00e9ia de que a revolu\u00e7\u00e3o russa fosse o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o mundial. Terceiro, com a id\u00e9ia de que a revolu\u00e7\u00e3o socialista seria mais prov\u00e1vel nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o permanente que Marx e Engels desenvolveram, por brilhante que fosse, ainda era bastante incipiente e parcial. Para eles, ou os pa\u00edses de capitalismo tardio seriam auxiliados pelas revolu\u00e7\u00f5es vitoriosas dos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado ou teriam que atravessar um longo per\u00edodo de desenvolvimento capitalista. A id\u00e9ia de revolu\u00e7\u00e3o permanente para Marx e Engels, tal como L\u00eanin herdou, n\u00e3o significava que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica se transformaria em socialista, mas que a luta do proletariado deveria continuar mesmo sob o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas at\u00e9 que o proletariado, em algum momento hist\u00f3rico, pudesse chegar ao poder.<\/p>\n<p>Tanto Marx, quanto Engels e L\u00eanin ainda pensavam numa revolu\u00e7\u00e3o dividida em duas etapas: a burguesa e a socialista. O continu\u00edsmo revolucion\u00e1rio n\u00e3o significava a transforma\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em socialista, mas t\u00e3o somente a continuidade da luta de classes \u201cininterrupta\u201d at\u00e9 que o proletariado tomasse o poder. L\u00eanin provavelmente tinha em mente a hip\u00f3tese de Marx e Engels de que, uma vez iniciada a revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia, seria apenas o estopim para que a Europa viesse em seu socorro com outra revolu\u00e7\u00e3o. Embora descartassem como prov\u00e1vel a luta pelo socialismo na R\u00fassia, a id\u00e9ia de revolu\u00e7\u00e3o em L\u00eanin estava diretamente ligada \u00e0 id\u00e9ia de revolu\u00e7\u00e3o mundial. E isso n\u00e3o mudou mesmo depois da tomada do poder pelo proletariado.<\/p>\n<p>Mas, se L\u00eanin n\u00e3o prognosticou uma revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, o que queria dizer com \u201cditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica do proletariado e dos camponeses\u201d?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A \u201cf\u00f3rmula alg\u00e9brica\u201d de L\u00eanin<\/strong><\/p>\n<p>Em seu livro \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d, L\u00eanin (1977, p. 17), sintetizou da seguinte maneira sua concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><em>o grau de desenvolvimento econ\u00f4mico da R\u00fassia (condi\u00e7\u00e3o objetiva) e o grau de consci\u00eancia e de organiza\u00e7\u00e3o das massas do proletariado (condi\u00e7\u00e3o subjetiva, indissoluvelmente ligada \u00e0 objetiva) tornam imposs\u00edvel a liberta\u00e7\u00e3o imediata e completa da classe oper\u00e1ria. S\u00f3 os mais ignorantes podem n\u00e3o tomar em considera\u00e7\u00e3o o car\u00e1ter burgu\u00eas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que est\u00e1 a processar-se; s\u00f3 os mais c\u00e2ndidos otimistas podem esquecer como as massas oper\u00e1rias conhecem ainda pouco os fins do socialismo e os m\u00e9todos para realiza-lo.<\/em><\/p>\n<p>Ou seja, L\u00eanin previa toda uma etapa de desenvolvimento do capitalismo, desenvolvendo tanto os aspectos \u201cobjetivos\u201d quanto os \u201csubjetivos\u201d que pavimentariam o caminho at\u00e9 a luta pelo socialismo. E chamava de \u201cc\u00e2ndidos otimistas\u201d aqueles que apostavam na transforma\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em socialista.<\/p>\n<p>Em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d L\u00eanin embaralhou pelo menos dois desdobramentos que poderiam surgir da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. O primeiro, mais incerto, era sobre o papel dos camponeses. N\u00e3o estava claro para L\u00eanin o papel que poderiam cumprir na revolu\u00e7\u00e3o, se teriam maior ou menor peso, maior ou menor relev\u00e2ncia na dire\u00e7\u00e3o da insurrei\u00e7\u00e3o ou se seguiriam a burguesia ou o proletariado ao cabo do processo. L\u00eanin n\u00e3o acreditava que o campon\u00eas pudesse cumprir um papel independente e de dire\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 sustentava em 1899 no \u201cProjeto de Programa\u201d do POSDR, \u201c[\u2026] seria absurdo apresentar ao campon\u00eas como ao portador do movimento revolucion\u00e1rio\u201d (LENIN, 1981, p. 243). A hip\u00f3tese que L\u00eanin deixou em aberto foi sobre a din\u00e2mica que os camponeses poderiam assumir durante a revolu\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 correta a interpreta\u00e7\u00e3o segundo a qual em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d a f\u00f3rmula de L\u00eanin era mais aberta e flex\u00edvel. Trotsky (2011, p. 215) a qualificou de uma \u201cf\u00f3rmula alg\u00e9brica\u201d, que, segundo definiu<\/p>\n<p><em>na medida em que [L\u00eanin] deixava suspensa a quest\u00e3o do mecanismo pol\u00edtico da uni\u00e3o dos oper\u00e1rios e dos camponeses, a f\u00f3rmula da ditadura democr\u00e1tica continuava a ser [\u2026] uma f\u00f3rmula alg\u00e9brica que permitia a previs\u00e3o de futuras interpreta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas muito diversas.<\/em><\/p>\n<p>Para Trotsky (2011, p. 215), a teoria de L\u00eanin deixava em aberto as possibilidades, sustentando que<\/p>\n<p><em>durante longos anos, L\u00eanin se recusou a decidir previamente qual seria organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do partido e do Estado sob a ditadura do proletariado e dos camponeses, embora pusesse em primeiro plano a colabora\u00e7\u00e3o dessas duas classes, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 id\u00e9ia de alian\u00e7a com a burguesia liberal.<\/em><\/p>\n<p>Marx e Engels, como vimos, j\u00e1 haviam cogitado a possibilidade de uma alian\u00e7a entre o proletariado e a pequena-burguesia durante uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Agora, esse dilema hist\u00f3rico estava colocado na pr\u00e1tica. L\u00eanin optou pela prud\u00eancia. Como se tratava da primeira alian\u00e7a do g\u00eanero na hist\u00f3ria, L\u00eanin preferiu deixar em aberto as possibilidades.<\/p>\n<p>Essa \u201cf\u00f3rmula alg\u00e9brica\u201d s\u00f3 se justificava pela incerteza sobre o papel do campon\u00eas na din\u00e2mica do processo. O que L\u00eanin tinha certeza era de que deveria disputar os camponeses, tirando-os da influ\u00eancia burguesa.<\/p>\n<p>O segundo desdobramento que L\u00eanin cogitou em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d tinha a ver n\u00e3o com um fator interno, mas externo. O destino da revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia estava indissoluvelmente ligado ao destino da luta pelo poder na Europa, especialmente na Alemanha. L\u00eanin estabelecia uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o estreita entre as duas revolu\u00e7\u00f5es que praticamente condicionou uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 outra. Em suas palavras<\/p>\n<p><em>[\u2026] n\u00e3o devemos temer (como teme Martinov) a vit\u00f3ria completa da social-democracia na revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, isto \u00e9, a ditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica do proletariado e do campon\u00eas, pois tal vit\u00f3ria dar-nos-\u00e1 a possibilidade de levantar a Europa, e o proletariado socialista europeu, depois de ter sacudido o jugo da burguesia, ajudar-nos-\u00e1, por sua vez, a realizar a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/em> (LENIN, 1977. p. 74).<\/p>\n<p>A influ\u00eancia de Marx e Engels sobre L\u00eanin \u00e9 evidente. O desdobramento que a teoria de L\u00eanin sugere \u00e9 que, diferente da R\u00fassia, na Europa as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas j\u00e1 estavam maduras para a luta pelo socialismo. Que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na R\u00fassia poderia at\u00e9 ser um estopim para a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa, mas a revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia ainda dependia dos \u00eaxitos do proletariado europeu.<\/p>\n<p>Em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d a \u201cf\u00f3rmula alg\u00e9brica\u201d de L\u00eanin pressupunha dois desdobramentos. O primeiro tinha a ver com o papel do campon\u00eas. O segundo com a revolu\u00e7\u00e3o na Europa. Como sintetizou Trotsky (2011, p. 247-248)<\/p>\n<p><em>eis o pensamento de L\u00eanin: n\u00e3o quero tratar da quest\u00e3o de saber at\u00e9 onde ir\u00e1 nossa revolu\u00e7\u00e3o, ou se o proletariado russo pode chegar ao poder antes do proletariado da Europa; n\u00e3o examino as perspectivas que ent\u00e3o se abririam para o socialismo, mas, na quest\u00e3o capital da atitude do proletariado para com os camponeses e a burguesia liberal [\u2026].<\/em><\/p>\n<p>O que o livro \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d n\u00e3o deixa d\u00favidas \u00e9 de que L\u00eanin pretendia continuar o combate pelo socialismo depois do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Mas s\u00f3 depois dela.\u00a0O livro guarda uma particular import\u00e2ncia porque ele \u00e9 parte de um processo de amadurecimento do revolucion\u00e1rio russo, com todas as contradi\u00e7\u00f5es que ainda palpitavam em suas elabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como sustentou Trotsky (2011, p. 217), \u201c\u00e9 licito admitir que, at\u00e9 certo momento, o car\u00e1ter alg\u00e9brico tenha sido o seu lado forte, mas, ao mesmo tempo, foi o seu ponto fraco, cujos perigos t\u00e3o claramente se manifestaram, entre n\u00f3s, depois de fevereiro de 1917, e nos custaram, mais tarde, a cat\u00e1strofe na China\u201d.<\/p>\n<p>A teoria revolucion\u00e1ria de L\u00eanin expressa em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d foi elaborada de forma cuidadosa, prudente e leal \u00e0 sua metodologia de que toda an\u00e1lise concreta deve partir de situa\u00e7\u00f5es concretas. A despeito desse cuidado metodol\u00f3gico, a realidade n\u00e3o confirmou essa primeira elabora\u00e7\u00e3o de L\u00eanin.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o por etapas e ininterrupta<\/strong><\/p>\n<p>Como se sabe, os mencheviques defendiam que a primeira etapa da revolu\u00e7\u00e3o fosse necessariamente burguesa e dirigida pela burguesia, depois da qual haveria um longo per\u00edodo de desenvolvimento capitalista, durante o qual os oper\u00e1rios pudessem se transformar em for\u00e7a numericamente superior. L\u00eanin defendia outra concep\u00e7\u00e3o, de que a luta deveria continuar at\u00e9 a vit\u00f3ria do socialismo, de forma ininterrupta. E essa compreens\u00e3o j\u00e1 estava presente no pensamento de L\u00eanin antes mesmo de escrever \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d. Por exemplo, j\u00e1 no texto \u201cAs tarefas democr\u00e1ticas do proletariado revolucion\u00e1rio\u201d, escrito em junho de 1905, L\u00eanin (1982, p. 280) sustentava que<\/p>\n<p><em>a burguesia, considerada como um todo \u00e9 incapaz de lutar com decis\u00e3o contra a autocracia: teme perder nessa luta sua propriedade, que a encadeia \u00e0 sociedade existente; teme a atua\u00e7\u00e3o demasiado revolucion\u00e1ria dos oper\u00e1rios, que jamais se deter\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, porque aspiram \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/em><\/p>\n<p>Isso mostra que L\u00eanin j\u00e1 compreendia os nexos que poderiam ser estabelecidos entre a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e a socialista, motivados pela incapacidade da burguesia em realizar a revolu\u00e7\u00e3o e a necessidade do proletariado em conduzi-la adiante at\u00e9 entrar em franca rota de colis\u00e3o com a propriedade privada. L\u00eanin, em oposi\u00e7\u00e3o aos mencheviques, desenvolve uma compreens\u00e3o muito mais dial\u00e9tica da realidade, estabelecendo os elementos de ruptura e continuidade que existem num processo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d, defendia a continuidade da luta pelo socialismo, t\u00e3o logo fosse estabelecida a democracia burguesa. Seu racioc\u00ednio sobre a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o foi encerrado com o seguinte chamado<\/p>\n<p><em>A cabe\u00e7a de todo o povo e em particular do campon\u00eas \u2014 pela liberdade total, pela revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica consequente, pela rep\u00fablica! A cabe\u00e7a de todos os trabalhadores e explorados \u2014 pelo socialismo!. <\/em>(LENIN, 1977, p. 102).<\/p>\n<p>O fio de continuidade entre Marx, Engels e L\u00eanin era o de que a luta pelo socialismo n\u00e3o poderia ser interrompida enquanto o proletariado n\u00e3o triunfasse. Mas, por que L\u00eanin ent\u00e3o n\u00e3o defendia, como Trotsky, a revolu\u00e7\u00e3o permanente? Como disse Trotsky, em resposta aos stalinistas, \u201co pensamento oficial de hoje n\u00e3o se d\u00e1 ao trabalho de examinar as contradi\u00e7\u00f5es de L\u00eanin [\u2026] e que s\u00e3o, ora externas e passageiras, ora reais, mas derivando sempre do pr\u00f3prio fundo do problema\u201d (TROTSKY, 2011, p. 220).<\/p>\n<p>E qual seria essa raz\u00e3o de fundo? Com toda genialidade e universalidade de seu pensamento, L\u00eanin ainda n\u00e3o havia se divorciado completamente da vis\u00e3o etapista, segundo a qual a revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o viria sen\u00e3o depois de um per\u00edodo de desenvolvimento capitalista. Se L\u00eanin defendia que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia parar na etapa democr\u00e1tica, tamb\u00e9m em nenhum momento defende a tese de que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica se transformaria em socialista.<\/p>\n<p>O fato de defender que, uma vez conclu\u00edda uma revolu\u00e7\u00e3o o proletariado se preparasse para outra, n\u00e3o significa que previu que essa mec\u00e2nica ocorreria durante a revolu\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, L\u00eanin julgava \u201cimposs\u00edvel a liberta\u00e7\u00e3o completa do proletariado\u201d, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas ainda n\u00e3o estavam maduras. E tachava de \u201cotimistas mais c\u00e2ndidos\u201d os que opinavam o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por mais que L\u00eanin defendesse a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o, por mais que emprestasse um car\u00e1ter ininterrupto a ela e que defendesse resolutamente que a \u201cditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica\u201d seria apenas a premissa para a luta pelo socialismo, seu progn\u00f3stico ainda estava influenciado pelo esquema etapista.<\/p>\n<p>Portanto, L\u00eanin n\u00e3o acreditava \u2013 ou pelo menos dava como muito pouco prov\u00e1vel \u2013 que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica se convertesse em socialista. Neste sentido, a teoria de L\u00eanin neste per\u00edodo est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima da concep\u00e7\u00e3o de Marx e Engels. Existia, portanto, uma profunda diferen\u00e7a entre o \u201ccontinu\u00edsmo revolucion\u00e1rio\u201d defendido por Marx, Engels e L\u00eanin em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d, do que defendia Trotsky na revolu\u00e7\u00e3o permanente. Por mais que Trotsky tenha se inspirado na teoria de revolu\u00e7\u00e3o permanente ou ininterrupta de Marx e Engels, a verdade \u00e9 que uma \u00e9 distinta da outra. Como sustentou o pr\u00f3prio L\u00eanin, citado por Trotsky (2011, p. 248), \u201cantes da revolu\u00e7\u00e3o de 1905, Trotsky criou uma teoria original e particularmente significativa hoje, a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente [\u2026]\u201d.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o se reduz o tema a um problema sem\u00e2ntico, um dos elementos centrais que caracterizam a revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky \u00e9 precisamente seu fator ininterrupto. Trotsky afirmava que seria permanente e ininterrupta porque, dadas as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica conduziria \u00e0 ditadura do proletariado. Para L\u00eanin, n\u00e3o. S\u00f3 depois de um determinado per\u00edodo, necessariamente capitalista, ainda que sob um governo revolucion\u00e1rio provisional, \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es estariam dadas para a luta pelo socialismo. Por isso sustentou que \u201ctempo vir\u00e1 \u2014 quando tiver terminado a luta contra a autocracia russa, quando tiver passado na R\u00fassia a \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica [\u2026]. Pensaremos, ent\u00e3o, diretamente, na ditadura socialista do proletariado [\u2026]\u201d (LENIN, 1977, p. 77).<\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, os tempos na pol\u00edtica tem sua import\u00e2ncia. O que Trotsky previu como parte do mesmo processo, L\u00eanin separou em dois. O que Trotsky prognosticou como parte da mesma din\u00e2mica, L\u00eanin dividiu em duas etapas distintas. Para Trotsky a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica era o in\u00edcio da socialista. Para L\u00eanin, neste momento, o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o socialista nos pa\u00edses avan\u00e7ados da Europa. Foi essa separa\u00e7\u00e3o em duas partes que mais tarde, depois da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro, muitos bolcheviques se agarraram para defender o governo provis\u00f3rio na R\u00fassia. Como observou Trotsky (2007b, p. 33-34)<\/p>\n<p><em>[\u2026] o per\u00edodo consecutivo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro poderia ser considerado quer como um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o, de desenvolvimento ou de conclus\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, quer como um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. O primeiro ponto de vista n\u00e3o s\u00f3 foi adotado pelos mencheviques e os socialistas-revolucion\u00e1rios, como por um certo n\u00famero de dirigentes bolcheviques.<\/em><\/p>\n<p>O que determina o car\u00e1ter ininterrupto \u00e9 o todo e n\u00e3o a soma das partes. Pensar a revolu\u00e7\u00e3o em duas etapas, separadas em fases distintas \u00e9 diferente de pens\u00e1-las como parte do mesmo processo. O limite da teoria de L\u00eanin, que herdou de Marx e Engels, foi precisamente o de separar dois processos que faziam parte do mesmo conjunto.<\/p>\n<p>O que Trotsky fez foi sistematizar, dar coer\u00eancia e levar at\u00e9 as \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias a id\u00e9ia de revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta e permanente de Marx e Engels. Ele n\u00e3o somente concluiu que o mais prov\u00e1vel seria que as tarefas democr\u00e1ticas se combinassem com as tarefas socialistas, como deu um fundamento cient\u00edfico para esse processo, utilizando a lei do desenvolvimento desigual e combinado pra explica-la.<\/p>\n<p>O que era uma possibilidade em Marx, Engels e at\u00e9 em L\u00eanin, Trotsky tratou como o mais prov\u00e1vel. A hip\u00f3tese te\u00f3rica elaborada por Marx e Engels, segundo a qual seria poss\u00edvel uma ruptura e um encadeamento dial\u00e9tico entre duas etapas distintas do desenvolvimento hist\u00f3rico, Trotsky aprofundou e levantou como a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses de economia tardia. Fez disso sua teoria, com leis e hip\u00f3teses que ao fim se comprovaram pela revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Por isso, apesar da semelhan\u00e7a de forma, a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky \u00e9 uma supera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica da teoria de revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta ou permanente de Marx e Engels. S\u00f3 mais tarde L\u00eanin se aproximaria dessa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>L\u00eanin supera concep\u00e7\u00e3o etapista<\/strong><\/p>\n<p>Em abril de 1917 L\u00eanin escreve suas famosas \u201cTeses de Abril\u201d, na qual defende aberta e irredutivelmente a tomada do poder pelos <em>sovietes<\/em>. O que se passou? Teria L\u00eanin se convertido em trotsquista, como muitos o chamaram na \u00e9poca? Ou foi obrigado a antecipar o que em sua concep\u00e7\u00e3o de continu\u00edsmo revolucion\u00e1rio s\u00f3 estava previsto para bem mais tarde? O que mudou na vida de L\u00eanin ou na realidade que o levou a abandonar seu esquema etapista?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de hip\u00f3teses acerca dessa mudan\u00e7a nos rumos da teoria de L\u00eanin.<\/p>\n<p>Uma primeira hip\u00f3tese \u00e9 a que insiste na mudan\u00e7a da orienta\u00e7\u00e3o de L\u00eanin ap\u00f3s seus estudos da dial\u00e9tica de Hegel e a erup\u00e7\u00e3o da Primeira Guerra Mundial. De fato, estes dois elementos incidiram fortemente nas elabora\u00e7\u00f5es de L\u00eanin.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, durante seu ex\u00edlio na Su\u00ed\u00e7a, L\u00eanin elabora o que ficou conhecido como \u201cCadernos sobre a dial\u00e9tica de Hegel\u201d, expressando o resultado de seu encontro cr\u00edtico com a filosofia que para ele seria imprescind\u00edvel para a compreens\u00e3o de \u201cO Capital\u201d de Marx.<\/p>\n<p>L\u00eanin leu \u201cA ci\u00eancia da l\u00f3gica\u201d de Hegel entre setembro e dezembro de 1914. Como assinalaram Lefebvre e Guterman (2011, p. 9), \u201cno momento em que tantos intelectuais entraram a servi\u00e7o da pol\u00edcia pol\u00edtica dos c\u00e9rebros, Lenin, solit\u00e1rio no mundo, sustentava uma vis\u00e3o universal, uma concep\u00e7\u00e3o l\u00f3gica da exist\u00eancia \u2013 e sua vis\u00e3o prepara a sua a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De fato, a leitura de Hegel provocou uma inflex\u00e3o na leitura sobre a dial\u00e9tica, distinta do que defendera em textos anteriores. Mas teria sido suficiente esse fato, em conjunto com o impacto da Guerra Mundial, para L\u00eanin rever sua teoria revolucion\u00e1ria?<\/p>\n<p>Presume-se que esses dois elementos, por mais diretamente que tenham afetado a obra de L\u00eanin, n\u00e3o foram suficientes para que ele revesse suas posi\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o na Russia. Foram seguramente partes de um processo de amadurecimento do dirigente russo, mas n\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>Por exemplo, em 1915, um ano ap\u00f3s suas leituras de Hegel, a prop\u00f3sito da pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios frente \u00e0 guerra, L\u00eanin (1983, p. 170-171) sustentava que<\/p>\n<p><em>a guerra civil a que exorta a socialdemocracia revolucion\u00e1ria na \u00e9poca presente \u00e9 a luta do proletariado com as armas na m\u00e3o contra a burguesia, pela expropria\u00e7\u00e3o da classe dos capitalistas nos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados, pela revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na R\u00fassia (rep\u00fablica democr\u00e1tica, jornada de oito horas e confisca\u00e7\u00e3o das terras dos latifundi\u00e1rios), pela rep\u00fablica nos pa\u00edses mon\u00e1rquicos atrasados em geral, etc.<\/em><\/p>\n<p>L\u00eanin, mesmo em 1915, um ano ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, ainda fazia uma diferencia\u00e7\u00e3o das revolu\u00e7\u00f5es \u201csocialistas\u201d nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado, e das \u201crevolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d nos pa\u00edses de economia tardia.<\/p>\n<p>Em outubro de 1915, volta \u00e0 tese defendida por Marx e Engels de que, impossibilitadas historicamente de se transformarem em socialistas, as revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nos pa\u00edses de economia pr\u00e9-capitalista ou asi\u00e1tica poderiam pelo menos cumprir o papel de irradiar a revolu\u00e7\u00e3o socialista nos pa\u00edses de economia capitalista avan\u00e7ada. E, quem sabe, retornar at\u00e9 elas. Assim, \u201c\u00e9 objetivo do proletariado da R\u00fassia levar a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa na R\u00fassia a suas \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias com o fim de incendiar a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa\u201d (L\u00caNIN, 1984, p. 52).<\/p>\n<p>N\u00e3o somente Lenin defende que a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 mais prov\u00e1vel nos pa\u00edses da Europa, como defende que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na R\u00fassia \u00e9 praticamente um \u201cestopim\u201d, um meio pra revolu\u00e7\u00e3o socialista europ\u00e9ia. A influ\u00eancia de Marx e Engels sobre L\u00eanin reaparece sem disfarces.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que coloca a revolu\u00e7\u00e3o socialista como mais prov\u00e1vel nos pa\u00edses de economia capitalista avan\u00e7ada atravessar\u00e1 todas as elabora\u00e7\u00f5es de L\u00eanin no per\u00edodo de 1915. Neste ano n\u00e3o h\u00e1 nada de novo que comprove a tese segundo a qual foram os estudos de Hegel e a eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial que permitiram a supera\u00e7\u00e3o do etapismo em L\u00eanin.<\/p>\n<p>Uma outra hip\u00f3tese \u00e9 a de que houve uma inflex\u00e3o no pensamento de L\u00eanin no ano de 1916, quando ent\u00e3o s\u00e3o elaborados seus estudos que resultaram na publica\u00e7\u00e3o de \u201cImperialismo, fase superior do capitalismo\u201d.<\/p>\n<p>O problema da quest\u00e3o nacional e colonial surge neste per\u00edodo como uma das preocupa\u00e7\u00f5es centrais de L\u00eanin. E o estudo da dial\u00e9tica tamb\u00e9m parece pulsar entre as elabora\u00e7\u00f5es do dirigente russo. Como afirmou em um de seus textos a prop\u00f3sito das guerras nacionais<\/p>\n<p><em>est\u00e1 claro que a tese fundamental da dial\u00e9tica marxista consiste em que todas as fronteiras, tanto na natureza como na sociedade, s\u00e3o relativas e vari\u00e1veis, que n\u00e3o existe nem um s\u00f3 fen\u00f4meno que n\u00e3o possa, em determinadas condi\u00e7\u00f5es, transformar-se em sua ant\u00edtese. Uma guerra nacional se transformar em imperialista ou vice-versa. <\/em>(LENIN, 1985b, p. 5).<\/p>\n<p>S\u00e3o freq\u00fcentes, em 1916, passagens nas obras de L\u00eanin com argumentos antecedidos por explica\u00e7\u00f5es contendo as leis da dial\u00e9tica de Hegel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s \u201cImperialismo, fase superior do capitalismo\u201d, L\u00eanin passa a retomar com for\u00e7a a tese de Marx e Engels sobre uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o reverberada\u201d. No caso, seriam guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional que poderiam levar a guerras imperialistas ou o contr\u00e1rio. E tamb\u00e9m guerras democr\u00e1ticas nos pa\u00edses coloniais de liberta\u00e7\u00e3o nacional que levariam a revolu\u00e7\u00f5es socialistas nos pa\u00edses avan\u00e7ados. Como sustentou Lenin (1985a, p. 58), \u201ca dial\u00e9tica da hist\u00f3ria \u00e9 tal que as pequenas na\u00e7\u00f5es, impotentes como fator independente na luta contra o imperialismo, desempenham seu papel como um dos fermentos ou bacilos que ajudam a que entre em cena a verdadeira for\u00e7a contra o imperialismo: o proletariado socialista\u201d.<\/p>\n<p>L\u00eanin retoma mais uma vez a tese de revolu\u00e7\u00e3o permanente semelhante \u00e0 que Marx e Engels debateram acerca da luta anti-colonial da China contra a Inglaterra. Tanto numa como noutra situa\u00e7\u00e3o a hip\u00f3tese defendida seria de que lutas insurrecionais, guerras ou revolu\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses oprimidos poderiam reverberar nos pa\u00edses opressores revolu\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias que levassem \u00e0 luta pelo socialismo, pondo um fim na opress\u00e3o de um pa\u00eds de capitalismo avan\u00e7ado contra o do pa\u00eds colonizado. A diferen\u00e7a reside no fato de que enquanto para Marx e Engels essa fosse uma hip\u00f3tese, L\u00eanin sustenta que na fase imperialista as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional seriam \u201cinevit\u00e1veis\u201d. Como afirmou, \u201cna \u00e9poca do imperialismo n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o prov\u00e1veis, sen\u00e3o inevit\u00e1veis, as guerras nacionais das col\u00f4nias e semi-col\u00f4nias\u201d (LENIN, 1985a, p. 58).<\/p>\n<p>Portanto, a partir de 1916, L\u00eanin passa a localizar a situa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia no marco do imperialismo mundial. Desta forma, as tarefas democr\u00e1ticas de liberta\u00e7\u00e3o nacional passam a ser vistas tamb\u00e9m como parte da luta pelo poder por parte do proletariado. Mas, por mais que se aproxime da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky, L\u00eanin ainda n\u00e3o d\u00e1 como prov\u00e1vel a revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, colocando essa possibilidade apenas para os pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado. Por exemplo, quase no final de 1916, L\u00eanin (1985c, p. 117) ainda sustentava que \u201co socialismo ser\u00e1 realizado pela a\u00e7\u00e3o unida dos prolet\u00e1rios, mas n\u00e3o de todos os pa\u00edses, sen\u00e3o de uma minoria deles que tem chegado ao grau de desenvolvimento do capitalismo avan\u00e7ado\u201d.<\/p>\n<p>Assim, mesmo defendendo que a revolu\u00e7\u00e3o seria mundial, L\u00eanin n\u00e3o coloca o problema da revolu\u00e7\u00e3o socialista na ordem do dia para os pa\u00edses coloniais. O que, sim, ele defende \u00e9 que a tarefa democr\u00e1tica de liberta\u00e7\u00e3o nacional nos pa\u00edses colonizados poderia irradiar a luta pelo socialismo nos pa\u00edses de capitalismo maduro. Revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nos pa\u00edses coloniais que impulsionam revolu\u00e7\u00f5es socialistas em pa\u00edses colonizadores, tal \u00e9 a ideia de revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta em L\u00eanin.<\/p>\n<p>Tudo indica, portanto, que a supera\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula \u201cditadura revolucion\u00e1ria democr\u00e1tica do proletariado e camponeses\u201d s\u00f3 foi superada mesmo depois dos acontecimentos de fevereiro de 1917.<\/p>\n<p>Seguramente os estudos sobre a dial\u00e9tica de Hegel ajudaram-no a ter uma vis\u00e3o mais global sobre o problema da revolu\u00e7\u00e3o mundial. A eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial descortinou as contradi\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses colonizados e colonizadores. O estudo do imperialismo permitiu prever como inevit\u00e1vel o que at\u00e9 ent\u00e3o era apenas uma hip\u00f3tese. Mas provavelmente foram os pr\u00f3prios acontecimentos na R\u00fassia que emprestaram os elementos que faltavam para L\u00eanin superar sua vis\u00e3o etapista na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese \u00e9 levantada pelo pr\u00f3prio Trotsky (2007a, p. 300), que sustentava que L\u00eanin \u201cn\u00e3o substituiu a f\u00f3rmula da ditadura democr\u00e1tica por qualquer outra f\u00f3rmula, mesmo condicional ou hipot\u00e9tica, at\u00e9 o in\u00edcio mesmo da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro\u201d.<\/p>\n<p>Objetivamente falando, a luta pela queda do czarismo confirmou o papel covarde que a burguesia teria na revolu\u00e7\u00e3o. Por um lado mostrou os limites da teoria dos mencheviques. Por outro, mostrou que as massas poderiam mais.<\/p>\n<p>O ressurgimento dos <em>sovietes<\/em> foi outro elemento importante que abriu uma situa\u00e7\u00e3o de duplo poder que inviabilizava solu\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias. Com a subida do governo provis\u00f3rio, n\u00e3o estava mais colocada a quest\u00e3o de participar desde fora ou de dentro do governo. A quest\u00e3o estava colocada entre entregar o poder \u00e0 burguesia ou aos <em>sovietes<\/em>. A dualidade n\u00e3o permitia solu\u00e7\u00e3o de compromisso. Como disse Trotsky (2007a, p. 298), \u201cningu\u00e9m tinha previsto este regime\u201d.<\/p>\n<p>Esse parece ter sido o elemento decisivo que levou L\u00eanin a mudar totalmente sua pol\u00edtica anterior. Ao inv\u00e9s de um, surgiram dois regimes na R\u00fassia. Um formado pelo governo provis\u00f3rio e, o outro, pelos <em>sovietes<\/em>.<\/p>\n<p>O papel dos camponeses tamb\u00e9m ficou claro, j\u00e1 que, mesmo sendo maioria na popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguiram cumprir um papel de independ\u00eancia e de dire\u00e7\u00e3o do processo. Cabia ao proletariado essa tarefa.<\/p>\n<p>L\u00eanin ent\u00e3o concluiu que as tarefas democr\u00e1ticas, em especial a reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o poderiam mais ser realizadas nos marcos do regime democr\u00e1tico. Elas s\u00f3 poderiam ser realizadas nos marcos da ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>A metodologia de \u201can\u00e1lise concreta de situa\u00e7\u00f5es concretas\u201d contribuiu para que L\u00eanin revisasse sua f\u00f3rmula presente em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d. As famosas \u201cTeses de abril\u201d n\u00e3o foram s\u00f3 um ajuste, mas uma mudan\u00e7a de qualidade na orienta\u00e7\u00e3o do partido bolchevique.<\/p>\n<p>Embora L\u00eanin nunca tivesse reconhecido em palavras sua ades\u00e3o \u00e0 teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, as \u201cTeses de abril\u201d o aproximam mais das formula\u00e7\u00f5es de Trotsky que as de Marx e Engels. Por algum motivo a alcunha de \u201ctrotsquista\u201d sobre L\u00eanin.<\/p>\n<p>\u00c9 nas \u201cTeses\u201d que L\u00eanin transforma em muito prov\u00e1vel o que at\u00e9 ent\u00e3o estava certo apenas para os pa\u00edses imperialistas. Tal mudan\u00e7a n\u00e3o ocorreu sem preju\u00edzos. Inadvertidos, muitos bolcheviques, presos ainda ao esquema etapista, defendiam a participa\u00e7\u00e3o no governo provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Como dissemos, a metodologia de \u201can\u00e1lise concreta\u201d tem a virtude de permitir com que a realidade e n\u00e3o os esquemas ditem os passos da pol\u00edtica. Mas, por ser muito aberta, tamb\u00e9m d\u00e1 margens para indecis\u00f5es. Como de uma certa maneira todos lan\u00e7aram seus progn\u00f3sticos, muitos bolcheviques n\u00e3o tiveram a mesma capacidade de L\u00eanin. Ficaram ref\u00e9ns de uma concep\u00e7\u00e3o desenvolvida desde a primavera de 1905.<\/p>\n<p>Enfim, estima-se que a supera\u00e7\u00e3o do etapismo de L\u00eanin se deu efetivamente em abril, como o reconhece o pr\u00f3prio Trotsky<sup><a href=\"http:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=4719#_ftn1\">1<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito aqui, mas h\u00e1 um debate se a \u201cditadura democr\u00e1tica\u201d de L\u00eanin chegou a ser confirmada, quando isso ocorreu e em quais condi\u00e7\u00f5es. O pr\u00f3prio Trotsky (2007a, p. 298) levanta a hip\u00f3tese de que \u201cap\u00f3s a vit\u00f3ria da insurrei\u00e7\u00e3o, os oper\u00e1rios e soldados eram senhores da situa\u00e7\u00e3o. Neste sentido, parecia poss\u00edvel dizer que uma ditadura democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e camponeses foi estabelecida\u201d. Trotsky coloca essa hip\u00f3tese, mas como uma situa\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago entre a insurrei\u00e7\u00e3o e o estabelecimento da ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>Com as revolu\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-guerra, Moreno (1992) introduziu outro tema relacionado \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. N\u00e3o somente o proletariado poderia substituir a burguesia nas revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, como a pequena-burguesia poderia substituir o proletariado nas revolu\u00e7\u00f5es socialistas. E, diferente do que previu Trotsky, esse tipo de revolu\u00e7\u00e3o foi a regra, enquanto a de \u201coutubro\u201d na R\u00fassia, foi a exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, para Moreno, mesmo no caso em que a pequena-burguesia tomou a dire\u00e7\u00e3o do processo, n\u00e3o significou que o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o fosse burgu\u00eas, posto que suas dire\u00e7\u00f5es, pela \u201cfalta de amadurecimento da classe trabalhadora e por necessidade\u201d, foram obrigadas a fazer a \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica primeiro e socialista depois\u201d (MORENO, 1992, p. 43).<\/p>\n<p>Moreno descortinou uma novidade hist\u00f3rica. N\u00e3o a de que esse processo engendrou uma \u201cditadura democr\u00e1tica\u201d, mas que pela primeira vez na hist\u00f3ria uma revolu\u00e7\u00e3o socialista foi levada a cabo pela pequena-burguesia. Mesmo admitindo que uma dire\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa, por sua natureza social, n\u00e3o poderia realizar \u201co poder oper\u00e1rio, democr\u00e1tico, etc\u201d, Moreno (1992, p. 43) abriu um novo debate sobre o papel que poderia ou n\u00e3o cumprir a pequena-burguesia numa revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do ponto de vista hist\u00f3rico, a preocupa\u00e7\u00e3o de L\u00eanin quanto ao papel que poderia cumprir a pequena-burguesia na revolu\u00e7\u00e3o era perfeitamente leg\u00edtimo. Por isso ele deixou em aberto essa possibilidade. \u00c9 verdade que L\u00eanin n\u00e3o cogitou que a pequena-burguesia faria uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no lugar da classe oper\u00e1ria, mas o fato de usar uma \u201cf\u00f3rmula alg\u00e9brica\u201d o permitiu ser mais flex\u00edvel a prop\u00f3sito de um poss\u00edvel protagonismo revolucion\u00e1rio da pequena-burguesia em detrimento do proletariado. Esse protagonismo da pequena-burguesia n\u00e3o se confirmou na Russia, mas nem por isso deixou de se confirmar na hist\u00f3ria. O que n\u00e3o se confirmou foi o tipo de regime originado do processo revolucion\u00e1rio. E se o foi, de forma quase mete\u00f3rica.<\/p>\n<p>Com as revolu\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-guerra, foi aberta a seguinte disjuntiva: ou as revolu\u00e7\u00f5es dirigidas pela pequena-burguesia se transformaram na ante-sala da revolu\u00e7\u00e3o socialista ou definharam. A hist\u00f3ria est\u00e1 dando seu veredicto, com a restaura\u00e7\u00e3o dos ex-estados oper\u00e1rios. Mas a hip\u00f3tese te\u00f3rica que L\u00eanin levantou em \u201cDuas t\u00e1ticas\u201d sobre o papel que poderia cumprir a pequena-burguesia na revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi invalidada pela hist\u00f3ria, embora n\u00e3o tenha sido confirmada na R\u00fassia. Da mesma forma, a ideia de uma revolu\u00e7\u00e3o por etapas tamb\u00e9m n\u00e3o foi confirmada.<\/p>\n<p>Por mais importante que seja para a literatura marxista, a concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o defendida por L\u00eanin antes de 1917 foi superada pelos acontecimentos hist\u00f3ricos. A preocupa\u00e7\u00e3o em localizar essa concep\u00e7\u00e3o etapista de L\u00eanin no marco da evolu\u00e7\u00e3o do pensamento revolucion\u00e1rio, est\u00e1 justificada pela compreens\u00e3o de que mesmo ele abandonou suas antigas posi\u00e7\u00f5es, precisamente porque foram superadas pela realidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de discutir a supremacia te\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 de L\u00eanin, mas de acompanhar a din\u00e2mica do processo, os saltos nas elabora\u00e7\u00f5es, as contradi\u00e7\u00f5es e os elementos de (des)continuidade que L\u00eanin estabeleceu com as teorias que o antecederam, de Marx e Engels. Somente assim se pode captar o processo de forma\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o da teoria revolucion\u00e1ria de L\u00eanin e seu amadurecimento como incontest\u00e1vel dirigente da maior revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria da hist\u00f3ria. Mesmo porque, como sustentou Moreno (1992, p. 30), embora \u201cos bolcheviques, em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito social, n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o perfeitos como Parvus e Trotsky\u201d tiveram o m\u00e9rito de que, \u201ctomando os dois fatores, s\u00e3o os que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da verdade, porque os outros negam totalmente o partido\u201d.<\/p>\n<p>O objetivo de discutir a supera\u00e7\u00e3o do etapismo em L\u00eanin consiste em apreender a din\u00e2mica de sua elabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para valorizar seus limites, mas para real\u00e7ar o alcance de sua metodologia de \u201can\u00e1lise concreta de situa\u00e7\u00f5es concretas\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Durval Wanderbroock Junior<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">ENGELS, Friedrich. \u201cEngels to Joseph Weydemeyer\u201d. Marx\/Engels Collected Works (MECW), v. 39, 1983, p. 303.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">ENGELS, Friedrich. \u201cIntroduction to The Class Struggles in France 1848 to 1850\u201d. Marx\/Engels Collected Works (MECW), v. 27, 1990, p. 506-524.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LEFEBVRE, Henri; GUTERMAN, Norbert. \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o dos Cadernos sobre a dial\u00e9tica de Hegel\u201d. In Vladimir Ilyich Lenin. Cadernos sobre dial\u00e9tica de Hegel. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 2011.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cBalance de la discusi\u00f3n sobre la autodeterminaci\u00f3n\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 30 (Julio de 1916-febrero de 1917), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1985a, p. 17-61.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cConferencia de las secciones del POSDR en el extranjero\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 26 (marzo de 1915), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1983, p. 170-171.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. <em>Duas T\u00e1cticas da Social-Democracia na Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica<\/em>. Obras Escolhidas, Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es Avante!, 1977.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cEl primer paso\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 27 (octubre de 1915), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1984, p. 52-71.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cEl Proyecto de Programa de Nuestro Partido\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 4 (1898-abril de 1901), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1981, p. 225-255.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cLas tareas democr\u00e1ticas del proletariado revolucion\u00e1rio\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 10 (marzo-junio de 1905), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1982, p. 280-287.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cSobre el folleto Junius\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 30 (Julio de 1916-febrero de 1917), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1985b, p. 1-16.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">LENIN, Vladimir Ilyich. \u201cSobre la caricatura del marxismo y el \u2018economismo imperialista\u2019\u201d. Obras Completas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Tomo 30 (Julio de 1916-febrero de 1917), Editorial Progreso, Mosc\u00fa, 1985c, p. 81-137.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MARX, Karl. <em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. 2 ed. S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1983.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. \u201cAddress of the Central Committee to the Communist League\u201d. Marx\/Engels Collected Works (MECW), v. 10, 1978. p. 277-287.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. <em>O Manifesto Comunista e Princ\u00edpios do Comunismo<\/em>. S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2007.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MARX, Karl.; ENGELS, Friedrich. \u201cPref\u00e1cio \u00e0 Edi\u00e7\u00e3o Russa de 1882\u201d. In: Karl Marx; Friedrich Engels, O Manifesto Comunista. Cole\u00e7\u00e3o 10, S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2003.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. <em>Sobre el colonialismo<\/em>. C\u00f3rdoba, Cuadernos de Passado y Presente, 1973.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MORENO, Nahuel. <em>Escuela de Cuadros<\/em>. Coleccion Ineditos. Buenos Aires, Ediciones Crux, 1992.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">TROTSKY, Leon. <em>A Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente<\/em>. S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2011.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">TROTSKY, Leon. <em>Hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o russa<\/em>. Tomo 1, Parte 1, S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2007a.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">TROTSKY, Leon. <em>Li\u00e7\u00f5es de Outubro<\/em>. S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2007b.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><br \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup><a href=\"http:\/\/blog.esquerdaonline.com\/?p=4719#_ftnref1\">1<\/a><\/sup> Segundo Trotsky (2007a, p. 300), a mudan\u00e7a no esquema de L\u00eanin se deu \u201cpela primeira vez em suas teses de 4 de abril\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre a concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o em L\u00eanin passou por in\u00fameras controversas. Entre elas, ganharam destaques duas quest\u00f5es. Quais os elementos de (des)continuidade entre a concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e os fundadores do marxismo? Qual a proximidade da teoria revolucion\u00e1ria de L\u00eanin e Trotsky?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2529,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[1235,116,1237,1119,114,115,2,1234,117,1118],"class_list":["post-2530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-1235","tag-alternativa","tag-etapismo","tag-lenin","tag-mas","tag-movimento","tag-revolucao","tag-russa","tag-socialista","tag-trotsky"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/psdr.jpg?fit=500%2C368","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2529"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}