{"id":2501,"date":"2017-10-02T20:04:26","date_gmt":"2017-10-02T19:04:26","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/10\/02\/eleicoes-autarquicas-derrota-do-psd-e-impasse-a-esquerda\/"},"modified":"2017-10-02T20:04:26","modified_gmt":"2017-10-02T19:04:26","slug":"eleicoes-autarquicas-derrota-do-psd-e-impasse-a-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/10\/02\/eleicoes-autarquicas-derrota-do-psd-e-impasse-a-esquerda\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas: derrota do PSD e impasse \u00e0 esquerda"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es foram aut\u00e1rquicas, mas a leitura de resultados \u00e9, para todos, nacional. Inevitavelmente estas elei\u00e7\u00f5es ser\u00e3o lidas como um referendo ao governo PS e ao apoio prestado por PCP e BE, assim como \u00e0 performance da oposi\u00e7\u00e3o de direita.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O PS aparece como o grande vencedor: no total ganhou mais 9 Presid\u00eancias de C\u00e2mara e 22 maiorias absolutas, crescendo de de 36,4% para 38%, no total. Ant\u00f3nio Costa fez quest\u00e3o de ser o grande protagonista da noite: ainda que n\u00e3o o diga, viu este resultado como mais um passo na dire\u00e7\u00e3o da maioria absoluta. <\/p>\n<p>Mais que a vit\u00f3ria do PS, foi a derrota do PSD que marcou a noite. Se no PS, o resultado \u00e9 lido como um plebiscito a Ant\u00f3nio Costa, no PSD acontece o mesmo face a Passos Coelho. A derrocada do PSD \u00e9 enorme: perdeu 20 C\u00e2maras e em Lisboa e no Porto ficou na casa dos 10%. Teresa Leal Coelho, vista como bra\u00e7o-direito do ex-primeiro ministro, foi largamente ultrapassada pelo CDS em Lisboa, e mesmo no Porto, a candidatura improvisada do PS teve quase tr\u00eas vezes mais votos que o PSD.<\/p>\n<p>\u00c0 esquerda os resultados s\u00e3o contradit\u00f3rias, mas, numa contagem geral, refletem, no m\u00ednimo, um impasse. A CDU, e portanto, o PCP, \u00e9, ao lado de Passos Coelho, a grande derrotada da noite. Isso foi at\u00e9 assumido, de forma in\u00e9dita, por Jer\u00f3nimo de Sousa. Ap\u00f3s ficar atr\u00e1s do BE nas legislativas de 2015 e de dar um grande trope\u00e7\u00e3o nas presidenciais de 2016, o PCP agora v\u00ea-se derrotado num terreno que lhe \u00e9 mais favor\u00e1vel, o do trabalho local. A CDU perdeu 10 C\u00e2maras, em particular alguns basti\u00f5es, como Almada, Beja ou Barreiro. Perdeu-os todos para o PS. Perdeu ainda 10 maiorias absolutas e 40 verea\u00e7\u00f5es. S\u00f3 o resultado de Jo\u00e3o Ferreira em Lisboa, que subiu cerca de 2000 mil votos face a 2013, serve de ligeiro consolo.<\/p>\n<p>O BE consegue sair melhor destas elei\u00e7\u00f5es, mas aqu\u00e9m dos objetivos assumidos. Um partido quase sem tradi\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica, passou de 8 para 11 vereadores do no pa\u00eds. Nas Freguesias, a subida foi de 138 para 212 eleitos. O \u201csalto\u201d que Catarina Martins anunciou n\u00e3o se deu. Ainda que tenha uma import\u00e2ncia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica crescente em todo o pa\u00eds, o BE confirmou-se um partido essencialmente parlamentar, do ponto de vista org\u00e2nico. Isso n\u00e3o pode ser colmatado apenas por boas campanhas aut\u00e1rquicas de quatro em quatro anos. A elei\u00e7\u00e3o de Ricardo Robles em Lisboa \u00e9 uma importante vit\u00f3ria, que deve servir para impulsionar lutas na cidade, organizadas pela base, em torno dos grandes temas da campanha: transportes, habita\u00e7\u00e3o ou as creches p\u00fablicas. Por\u00e9m isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel caso se conforme uma \u201cmini-geringon\u00e7a\u201d com Medina, como parece pretender o PS.<\/p>\n<p><strong>MAS, uma participa\u00e7\u00e3o 100% \u00e0 esquerda<\/strong><\/p>\n<p>O MAS esteve empenhado nestas elei\u00e7\u00f5es em diversas cidades. Vimos a possibilidade e necessidade de evitar que a previs\u00edvel queda da direita fosse capitalizada pelo PS, e o seu governo. Porque estamos certos que, quanto mais o PS se fortale\u00e7a, mais espa\u00e7o de manobra ter\u00e1 para continuar as suas pol\u00edticas, restritivas para os trabalhadores, a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o, e favor\u00e1veis \u00e0 banca e \u00e0s grandes empresas como a Altice ou Autoeuropa, que atacam os trabalhadores impunemente. Defendemos, nesse sentido, que PCP e BE lan\u00e7assem candidaturas unit\u00e1rias, assinalado uma perspetiva independente da direita e do governo. Como isso n\u00e3o sucedeu, participamos de diversas candidaturas, para refor\u00e7ar a esquerda, contra a direita e o PS. O nosso objetivo era dirigir-nos aos trabalhadores e aos eleitores da esquerda para denunciar os ataques feitos pela direita e pelo PS, n\u00e3o s\u00f3 no terreno local, apoiar as lutas em curso \u2013 como a da Autoeuropa ou dos SMTUC de Coimbra \u2013 e defender uma perspetiva de esquerda, independente do PS, apoiada num programa anti-capitalista. Fizemo-lo de diferentes maneiras: com uma candidatura pr\u00f3pria do MAS em Barcelos, integrando as listas do movimento Cidad\u00e3os por Coimbra ou apoiando as candidaturas do BE em Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira, dando uma principal for\u00e7a aos seus candidatos sindicalistas e trabalhadores.<\/p>\n<p>Orgulhamo-nos especialmente da candidatura e do resultado do Vasco Santos em Barcelos, a \u00fanica candidatura do MAS nestas elei\u00e7\u00f5es. Foi, nesse Concelho, a candidatura que fez a diferen\u00e7a. Pela voz de um auxiliar de a\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, dirigente sindical e lutador dos bairros sociais daquela cidade, o MAS demonstrou como \u00e9 poss\u00edvel fazer, tamb\u00e9m neste terreno, uma pol\u00edtica para os trabalhadores, com propostas anti-capitalistas, como a remunicipaliza\u00e7\u00e3o das \u00c1guas de Barcelos, sem qualquer indemniza\u00e7\u00e3o. O resultado de 1,29% \u00e9 modesto mas muito importante, praticamente a par dos resultados da CDU e do BE em Barcelos.<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es iniciais<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de \u201cGeringon\u00e7a\u201d, o terreno pol\u00edtico parece estar a mudar. O momento inicial, de expectativa e de \u201cdevolu\u00e7\u00e3o de rendimentos\u201d esgotou-se e quem o capitalizou foi essencialmente o PS. O clima de crescimento econ\u00f3mico, que segue as tendenciais internacionais, refor\u00e7a esse f\u00f4lego de Ant\u00f3nio Costa. Por\u00e9m, ao mesmo tempo que recome\u00e7am as lutas e as greves, a esquerda parece estagnar. A ligeira subida do BE n\u00e3o compensa a queda da CDU e ambos parecem chocar contra uma parede que eles mesmo ergueram: o prest\u00edgio do Governo e de Ant\u00f3nio Costa. Prest\u00edgio imerecido, diga-se, dado que no essencial, a vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o, em especial dos trabalhadores, pouco mudou. Por isso come\u00e7am a sair \u00e0 rua.<\/p>\n<p>As vota\u00e7\u00f5es do PS mostram que a sua for\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tanta como Ant\u00f3nio Costa quer que pare\u00e7a. Por exemplo em Lisboa, o PS perde 10 mil votos e a maioria absoluta, essencialmente para a sua esquerda. No Porto, o PS rompeu com Rui Moreira, mas este refor\u00e7ou-se, tornando-se mais independente do PS. As nove C\u00e2maras ganhas pelo PS, t\u00e3o pouco constituem um n\u00famero assinal\u00e1vel. A for\u00e7a do PS e o sucesso de Costa consiste, essencialmente, na inexist\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 altura. Ainda que, nestas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, BE e PCP, tenham atacado de forma muitas vezes certeira as autarquias do PS, como em Lisboa, nunca deixaram de defender a governa\u00e7\u00e3o do PS no pa\u00eds e preparam-se para aprovar mais um Or\u00e7amento de Estado restritivo. \u00c9 certo que fazem cr\u00edticas pela esquerda ao Governo, mas se passaram dois anos e meio a elogiar a solu\u00e7\u00e3o de governo capitaneada por Costa, porque motivo esperavam que os eleitores os votassem na esquerda?<\/p>\n<p>Confirma-se tamb\u00e9m que a queda do PSD n\u00e3o \u00e9 moment\u00e2nea, mas estrutural e que se abre um momento de reorganiza\u00e7\u00e3o da direita. Isso fica evidente com a vota\u00e7\u00e3o no CDS em Lisboa. Mas tamb\u00e9m fica evidente que, no seio das novas movimenta\u00e7\u00f5es \u00e0 direita, surgir\u00e3o variantes mais radicais, como Andr\u00e9 Ventura, cujo discurso xen\u00f3fobo permitiu uma subida do PSD em Loures \u2013 ainda que modesta, em total contraste com o resto do pa\u00eds. Sobretudo fica evidente que a amea\u00e7a do regresso da direita ao poder e de Passos Coelho em particular, est\u00e1 arredada para j\u00e1. A esquerda perde assim a principal justifica\u00e7\u00e3o para a sua alian\u00e7a com o PS. Na verdade, agora que o PSD est\u00e1 em crise e que ainda vai demorar a recompor-se, \u00e9 o momento ideal para ajustar contas com o Governo e lutar na rua por tudo o que ainda h\u00e1 por fazer. S\u00f3 assim se pode impedir o refor\u00e7o do PS \u00e0 custa da esquerda, recuperar sal\u00e1rios e direitos laborais, e, ao mesmo tempo, impedir que uma nova direita cres\u00e7a, n\u00e3o por m\u00e9rito pr\u00f3prio mas por lhe ter sido entregue todo o terreno da oposi\u00e7\u00e3o ao Governo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es foram aut\u00e1rquicas, mas a leitura de resultados \u00e9, para todos, nacional. 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