{"id":2478,"date":"2017-09-16T13:00:01","date_gmt":"2017-09-16T12:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/09\/16\/enfermeiros-dizem-basta\/"},"modified":"2017-09-16T13:00:01","modified_gmt":"2017-09-16T12:00:01","slug":"enfermeiros-dizem-basta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/09\/16\/enfermeiros-dizem-basta\/","title":{"rendered":"Enfermeiros dizem BASTA!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Houve na semana que passou uma greve de cinco dias no sector de enfermagem, ouviram-se milhares de enfermeiros \u00e0 frente dos hospitais de todo o pa\u00eds a dizer basta.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Disseram basta a serem uma profiss\u00e3o sem carreira definida, a n\u00e3o verem reconhecidas as compet\u00eancias de especialistas, a terem de custear a sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, ao desprezo do Governo pela classe e disseram basta \u00e0s amea\u00e7as do ministro. <\/p>\n<p>Durante muitos anos a profiss\u00e3o de enfermagem tem sido desvalorizada e o descontentamento destes trabalhadores, j\u00e1 h\u00e1 muito sentido, irrompeu na semana que passou com a convoca\u00e7\u00e3o de uma greve de cinco dias pela FENSE, que engloba o Sindicato Independente de Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE). \u00c9 bom lembrar que ainda h\u00e1 bem pouco tempo os enfermeiros do nosso pa\u00eds, apesar de possu\u00edrem licenciatura de 4 anos, eram pagos como tendo um bacharelato de 3 anos. A contra gosto, o PS em 2009 acordou em rever os sal\u00e1rios destes profissionais e comparar os mesmos aos sal\u00e1rios de todos os outros que prestam fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e possuem licenciatura. Esta revis\u00e3o foi feita de forma faseada mas parou por ai. Enquanto todas as outras carreiras na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica t\u00eam progress\u00e3o, com a enfermagem n\u00e3o se passa o mesmo. Quer isto dizer que quem trabalha h\u00e1 15 anos como enfermeiro ganha o mesmo que um colega que acabe de entrar para as mesmas fun\u00e7\u00f5es. Este n\u00e3o \u00e9 o cen\u00e1rio nas outras \u00e1reas da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, seja numa reparti\u00e7\u00e3o de finan\u00e7as, numa escola ou na seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p>Nesta greve, uma das reivindica\u00e7\u00f5es centrais que os enfermeiros est\u00e3o a exigir \u00e9 que a sua profiss\u00e3o seja tratada da mesma forma como as demais profiss\u00f5es na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nem mais nem menos. Os enfermeiros querem tamb\u00e9m por fim \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a que permite haver uns a fazer 35h semanais e outros 40h. Querem que as 35h por semana sejam aplicadas a todos os enfermeiros e que n\u00e3o haja contratos individuais com 40h, com semanas que tantas vezes se estendem at\u00e9 \u00e0s 50h.<\/p>\n<p>Outra exig\u00eancia desta greve \u00e9 que os enfermeiros especialistas vejam as sua compet\u00eancias reconhecidas e remuneradas de acordo com as mesmas. Estes profissionais tiveram que pagar a especializa\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio bolso, enquanto trabalhavam\u00a0 e muitas vezes com recurso a cr\u00e9dito, o qual ainda est\u00e3o a abater. \u00c9-lhes exigido depois que apliquem esses conhecimentos na execu\u00e7\u00e3o das suas fun\u00e7\u00f5es. Conhecimentos esses indispens\u00e1veis para um SNS funcional e de qualidade. No entanto o estado n\u00e3o lhes quer ver reconhecidas essas compet\u00eancias mas apenas usufruir delas. Perguntam ent\u00e3o os enfermeiros para qu\u00ea investir na\u00a0 forma\u00e7\u00e3o? Pe\u00e7am a qualquer trabalhador, seja de que \u00e1rea for, para pagar do seu bolso cerca de 7000 euros para estudar, enquanto trabalha, e adquirir mais conhecimentos para depois aplic\u00e1-los em benef\u00edcio do patr\u00e3o e sem qualquer outra contrapartida. Conhecem algu\u00e9m que aceitasse?<\/p>\n<p>O estado tem sempre adiado a aplica\u00e7\u00e3o da igualdade de tratamento destes trabalhadores face a outros trabalhadores da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A FENSE estava a tentar negociar com o minist\u00e9rio de sa\u00fade um ACT (Acordo Colectivo de Trabalho) que contemplava a resolu\u00e7\u00e3o destes problemas mas n\u00e3o obteve resultados. Por outro lado o SEP (sindicato de Enfermeiros Portugueses) tem estado em negocia\u00e7\u00f5es para aprovar as propostas do seu caderno reivindicativo que \u00e9 o mesmo pelo menos desde 2015 onde prop\u00f5e manter a actual carreira que est\u00e1 congelada, os sal\u00e1rios desajustados e onde n\u00e3o consta a categoria de enfermeiro especialista. Este caderno reivindicativo est\u00e1 desactualizado e n\u00e3o interessa nem nunca interessou a nenhum enfermeiro. A reuni\u00e3o que decorreu no dia 12 j\u00e1 estava marcada desde 1 de Agosto, e por isso \u00e9 que o SEP alega que n\u00e3o fazia sentido convocar e apoiar esta greve. \u00c9 consensual entre os enfermeiros que estes preferem que seja negociado o ACT da FENSE,\u00a0 por isso a greve e a rejei\u00e7\u00e3o por parte da classe de que seja o SEP a representar os enfermeiros. Nem por isso o ministro convoca a FENSE, mantendo tudo como estava e convocando apenas o seu interlocutor preferido, o SEP. \u00c9 por terem a coragem de se erguer e lutar que\u00a0 t\u00eam sido amea\u00e7ados por parte do ministro da sa\u00fade em toda a comunica\u00e7\u00e3o social com processos disciplinares por faltas injustificadas, n\u00e3o \u00e9 por causa da greve ter sido alegadamente convocada de forma irregular, o que n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o \u00e0 greve de cerca de 85% durante os 5 dias e a participa\u00e7\u00e3o massiva destes trabalhadores vindos de todo o pa\u00eds em protestos em frente aos principais hospitais, mostram que a necessidade desta luta era h\u00e1 muito sentida nesta classe. Com certeza com mais intensidade ap\u00f3s anos de austeridade sobre o sector da sa\u00fade que obriga a que os profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade sejam levados \u00e0 exaust\u00e3o com degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es e materiais de trabalho e exig\u00eancia de cada vez mais horas de trabalho por semana. Num pa\u00eds que \u201cexporta\u201d enfermeiros \u00e9 inconceb\u00edvel que estejamos abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE. Em Portugal temos 6 enfermeiros para cada mil habitantes ao passo que a m\u00e9dia nos pa\u00edses observados nesta organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o 9.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es governamentais, ao longo deste \u00faltimos 10 anos, t\u00eam privilegiado salvar institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias com s\u00e9rios preju\u00edzos nas contas p\u00fablicas e consequente aumento dos juros da d\u00edvida do estado.T\u00eam privilegiado recorrer a PPP&#8217;s e empresas privadas para gerir a sa\u00fade, como tamb\u00e9m se v\u00ea noutros sectores, providenciado rendas principescas a conselhos de administra\u00e7\u00e3o e accionistas sem qualquer prova que estes gerem melhor os recursos p\u00fablicos. Quem n\u00e3o se lembra do caso do hospital Amadora-Sintra em que a administra\u00e7\u00e3o, ligada ao grupo Mello, foi afastada por gest\u00e3o danosa. A este mesmo grupo foi depois entregue a gest\u00e3o do hospital de Braga. Devemos esperar resultados diferentes? H\u00e1 mais 9 PPP&#8217;s como esta em que o custo estimado ser\u00e1 de mais de 8 mil milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta luta pode ser um indicador daquilo que fervilha por debaixo do aparente estado de acalmia pois a realidade da vida das pessoas n\u00e3o corresponde ao discurso do Governo. A greve da Auto Europa, os protestos de professores e agora a greve dos enfermeiros parecem mostrar um princ\u00edpio de ruptura na estabilidade social que a geringon\u00e7a pretendia conseguir. A recupera\u00e7\u00e3o de rendimentos tem sido claramente insuficiente e a austeridade n\u00e3o acabou, apenas est\u00e1 mais camuflada O PS j\u00e1 manifestou pouca vontade em negociar com os sectores que querem recuperar rendimentos, reiterando isso para o or\u00e7amento de estado com o \u201cn\u00e3o querer dar passos maiores do que a pernas\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, BE e PCP, atrelados ao PS por esta solu\u00e7\u00e3o governativa t\u00eam deixado muito a desejar pois s\u00f3 quando se apercebem da dimens\u00e3o e e impacto destas lutas \u00e9 que d\u00e3o o seu apoio, mostrando-se muito t\u00edmidos em criticar o Governo e em apoiar incondicionalmente lutas que exigem condi\u00e7\u00f5es de trabalho,\u00a0 recupera\u00e7\u00e3o de rendimentos e defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, objectivos que segundo eles\u00a0 s\u00e3o objectivo da geringon\u00e7a.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria desta greve depende da for\u00e7a e mobiliza\u00e7\u00e3o dos enfermeiros pois s\u00f3 isso pode vencer este bra\u00e7o de ferro com o Governo e garantir que as suas reivindica\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito ignoradas possam ser conquistadas. Muitas das formas de protesto observadas esta semana por parte dos enfermeiros t\u00eam sido convocadas e organizadas por eles, sem recurso aos sindicatos portanto \u00e9 indispens\u00e1vel que os enfermeiros confiem e mantenham a sua uni\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desenlace da greve ainda est\u00e1 por concluir. O SEP tentando correr atr\u00e1s do preju\u00edzo, e ap\u00f3s duas reuni\u00f5es infrut\u00edferas com o governo, decidiu marcar uma greve de 3 dias para o in\u00edcio de Outubro. Estando a classe de enfermagem galvanizada da maneira que est\u00e1, que viu refor\u00e7ada a sua voz ap\u00f3s 5 dias de luta onde enfermeiros de todo o pa\u00eds se concentraram em frente dos maiores hospitais e que culminaram num protesto de milhares em frente a S.Bento, \u00e9 bem poss\u00edvel que em Outubro se agite de novo o marasmo que as lutas dos sectores da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica ca\u00edram, ap\u00f3s dois anos de geringon\u00e7a.<\/p>\n<p>Seria importante que outros sectores p\u00fablicos, todos fortemente penalizados nos \u00faltimos anos com os cortes nos sal\u00e1rios, juntassem a sua voz para exigirem a reposi\u00e7\u00e3o dos rendimentos, faz cada vez mais sentido uma greve geral de toda a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, toda ela atacada pelos mesmos problemas. Por exemplo, fala-se duma greve dos m\u00e9dicos e n\u00e3o faz sentido as duas profiss\u00f5es fazerem greves separadas se o problema que os afecta \u00e9 comum e deriva da mesma situa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, os cortes sistem\u00e1ticos nos servi\u00e7os p\u00fablicos neste caso na \u00e1rea da sa\u00fade com s\u00e9rios preju\u00edzos na qualidade dos mesmos.<\/p>\n<p>Pela sua justa luta e no exemplo que t\u00eam dado aos demais sectores \u00e9 indispens\u00e1vel que os enfermeiros mantenham a sua uni\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o para serem vitoriosos nas suas demandas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O MAS est\u00e1 solid\u00e1rio com a greve dos enfermeiros.<\/p>\n<p><strong>Em defesa do SNS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Cria\u00e7\u00e3o de uma nova carreira, com sal\u00e1rios equiparados aos outros licenciados da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Aplica\u00e7\u00e3o efectiva das 35 horas para todos os enfermeiros<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve na semana que passou uma greve de cinco dias no sector de enfermagem, ouviram-se milhares de enfermeiros \u00e0 frente dos hospitais de todo o pa\u00eds a dizer basta.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2477,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[33],"tags":[116,520,1103,276,182,1197,737,114,115,609,247,117],"class_list":["post-2478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-trabalhadores","tag-alternativa","tag-be","tag-enfermeiros","tag-governo","tag-greve","tag-horarios","tag-manifestacao","tag-mas","tag-movimento","tag-pcp","tag-ps","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/basta.jpg?fit=750%2C500","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2477"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}