{"id":245,"date":"2010-06-11T17:56:45","date_gmt":"2010-06-11T16:56:45","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/06\/11\/para-que-o-futebol-seja-do-povo\/"},"modified":"2010-06-11T17:56:45","modified_gmt":"2010-06-11T16:56:45","slug":"para-que-o-futebol-seja-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/06\/11\/para-que-o-futebol-seja-do-povo\/","title":{"rendered":"Para que o futebol seja do povo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-244\" style=\"margin: 10px 10px 5px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/mundialfutebol1.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/mundialfutebol1.jpg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/mundialfutebol1.jpg?resize=300%2C223 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/mundialfutebol1.jpg?resize=768%2C570 768w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/mundialfutebol1.jpg?resize=480%2C356 480w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>Acaba de come\u00e7ar o Campeonato do Mundo de futebol na \u00c1frica do Sul. O torneio mais importante do desporto mais popular do mundo. Mas aquilo que poderia ser uma festa de diferentes povos \u00e9, em vez disso, um imenso ve\u00edculo de aliena\u00e7\u00e3o, com mi\u00fados de 20 e tal anos que &#8220;valem&#8221; 96 milh\u00f5es de euros, empres\u00e1rios e magnatas a trocarem entre si milh\u00f5es que, como sempre, v\u00eam de quem trabalha. Mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim nem tem que ser sempre assim. <\/p>\n<p>O futebol n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o &#8220;\u00f3pio do povo&#8221;, podendo tamb\u00e9m ser &#8220;o suspiro do oprimido&#8221;. Nas bancadas de Old Trafford, est\u00e1dio do Manchester United, em vez do habitual vermelho, milhares usam orgulhosos cachec\u00f3is verde e amarelos, em honra ao equipamento original do clube que foi fundado em 1878 por trabalhadores ferrovi\u00e1rios e em protesto contra a administra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Glazer que dirige o clube. E nem as vit\u00f3rias dos \u00faltimos anos abafam o protesto dos adeptos que, segundo os seus c\u00e2nticos nas bancadas, querem o clube de volta.<\/p>\n<p><strong>Relvados vermelhos<\/strong><\/p>\n<p>E h\u00e1 v\u00e1rios exemplos de luta de classes nos relvados. Desde a her\u00f3ica equipa do D\u00ednamo de Kiev que, com o nome de FC Star, enfrentou em 1942 o Flakelf, uma equipa que representava a for\u00e7a a\u00e9rea alem\u00e3 em S\u00e3o Petersburgo para servir de exemplo da superioridade alem\u00e3. Foram previamente avisados que deveriam perder. No entanto, apesar de todas as amea\u00e7as, venceram 5-3 e, no \u00faltimo minuto, o avan\u00e7ado da equipa sovi\u00e9tica, ap\u00f3s fintar o guarda-redes alem\u00e3o, resolve voltar ao meio campo em vez de marcar golo, para maior humilha\u00e7\u00e3o nazi. O \u00e1rbitro, oficial das SS, acabou com o jogo imediatamente. Os jogadores foram torturados (um morreu sob tortura) e enviados para campos de concentra\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria acabou por entrar no imagin\u00e1rio de resist\u00eancia ao fascismo e ainda hoje, no est\u00e1dio do D\u00ednamo de Kiev, h\u00e1 uma placa que comemora essa equipa.<\/p>\n<p>Em 2006, a guerra civil na Costa do Marfim parou com o apuramento da sua selec\u00e7\u00e3o para o Mundial e, quando Diego Maradona derrubou a Inglaterra em 1986, foi como se a Argentina, durante 90 minutos, tivesse ganho a guerra nas Falkland.<br \/>Na \u00c1frica do Sul, a classe trabalhadora vai ver os seus \u00eddolos a jogarem \u00e0 bola. Com o mundo inteiro a ver, \u00e9 uma oportunidade \u00fanica para que se batalhe contra a pornogr\u00e1fica rela\u00e7\u00e3o entre o dinheiro e o futebol e que, num mundo que vive em guerra e com milh\u00f5es de explorados, se levantem as bandeiras da justi\u00e7a e da paz. Para que a bola, um dia, esteja do lado do povo.<\/p>\n<p><strong>Manuel Neves<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de come\u00e7ar o Campeonato do Mundo de futebol na \u00c1frica do Sul. O torneio mais importante do desporto mais popular do mundo. Mas aquilo que poderia ser uma festa de diferentes povos \u00e9, em vez disso, um imenso ve\u00edculo de aliena\u00e7\u00e3o, com mi\u00fados de 20 e tal anos que &#8220;valem&#8221; 96 milh\u00f5es de euros, empres\u00e1rios e magnatas a trocarem entre si milh\u00f5es que, como sempre, v\u00eam de quem trabalha. Mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim nem tem que ser sempre assim. O futebol n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o &#8220;\u00f3pio do povo&#8221;, podendo tamb\u00e9m ser &#8220;o suspiro do oprimido&#8221;. 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