{"id":2424,"date":"2017-07-14T15:36:54","date_gmt":"2017-07-14T14:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/14\/o-g20-2017-e-a-atual-situacao-politica-mundial\/"},"modified":"2017-07-14T15:36:54","modified_gmt":"2017-07-14T14:36:54","slug":"o-g20-2017-e-a-atual-situacao-politica-mundial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/14\/o-g20-2017-e-a-atual-situacao-politica-mundial\/","title":{"rendered":"O G20-2017 e a atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial"},"content":{"rendered":"<p>Nos dias 7 e 8 de julho, na cidade de Hamburgo, Alemanha, ocorreu a reuni\u00e3o do G20 de 2017. O grupo \u00e9 constitu\u00eddo pelas maiores potencias econ\u00f4micas do mundo: Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul, Argentina, Alemanha, Brasil, China, Canad\u00e1, Cor\u00e9ia do Sul, Estados Unidos, Inglaterra, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia Turquia e Uni\u00e3o Europeia. Juntos, representam 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global.   <!--more-->  <\/p>\n<p>O G20 foi criado em 1999, ap\u00f3s as sucessivas crises financeiras da d\u00e9cada de 1990. Inicialmente ele era constitu\u00eddo pelos ministros de finan\u00e7as e chefes dos bancos centrais dos pa\u00edses. Entretanto, a partir da reuni\u00e3o de 14-15 de novembro de 2008, depois da crise de 2007-2008, passou a ser formado pelos chefes de Estado ou de governo. Isso representou uma mudan\u00e7a significativa no papel do G-20, que passou a assumir a centralidade como f\u00f3rum de discuss\u00e3o sobre governan\u00e7a internacional antes ocupada pelo G7.<\/p>\n<p><strong>As tens\u00f5es que cercaram o f\u00f3rum de Hamburgo<\/strong><\/p>\n<p>Muitas expectativas e incertezas sobre a condu\u00e7\u00e3o da ordem mundial foram geradas em rela\u00e7\u00e3o ao encontro deste ano, principalmente devido ao turbulento contexto atual: interfer\u00eancia russa nas elei\u00e7\u00f5es norte-americanas, o Brexit e a divis\u00e3o intra-europeia, o aumento do conflito na pen\u00ednsula da Cor\u00e9ia, a retirada dos EUA do Acordo de Paris, a crise entre Ar\u00e1bia Saudita e Catar. Os dias que antecederam a reuni\u00e3o j\u00e1 expressavam essas novas tens\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>No dia 4, a Coreia do Norte dobrou a aposta e realizou com sucesso o primeiro teste com um m\u00edssil bal\u00edstico intercontinental. Com alcance de 5.550 km, esse ICBM pode alcan\u00e7ar o Alasca. Em resposta \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o de Pyongyang, EUA e Cor\u00e9ia do Sul realizaram m\u00faltiplos lan\u00e7amentos de m\u00edsseis no Mar do Jap\u00e3o, entre eles o modelo bal\u00edstico sulcoreano Hyunmoo-21 e o t\u00e1tico estadounidense ATACMS. O secret\u00e1rio de estado dos EUA, Rex Tyllerson, alertou para o aumento da escalada armamentista norte-coreana e voltou a pressionar a China para atuar de forma mais contundente na busca de uma sa\u00edda negociada para o desarmamento nuclear do pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 no dia 6 ocorreu a visita de Trump \u00e0 Pol\u00f4nia, governada desde 2015 por um dos maiores representantes da extrema direita no pa\u00eds, Andrzej Duda, ex-membro do Partido Lei e Justi\u00e7a e agora independente. Durante sua passagem, Trump discursou na Pra\u00e7a de Vars\u00f3via, s\u00edmbolo da resist\u00eancia aos nazis, onde exaltou as medidas restritivas \u00e0 entrada de imigrantes na Pol\u00f4nia e afirmou tamb\u00e9m estar trabalhando para \u201cproteger as fronteiras\u201d dos EUA. Al\u00e9m disso, elogiou o fato do pa\u00eds cumprir com sua contribui\u00e7\u00e3o de 2% do PIB para o fundo da OTAN, um recado \u00e0s principais pot\u00eancias europeias, em especial a Alemanha, \u00e0s quais Trump critica a baixa participa\u00e7\u00e3o nos gastos da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p>A visita de Trump \u00e0 Pol\u00f4nia n\u00e3o foi casual. Esse pa\u00eds tem o interesse de converter-se num centro log\u00edstico de g\u00e1s liquefeito exportado dos EUA a partir de investimentos norte-americanos, como \u00e9 o caso da constru\u00e7\u00e3o de um porto na sua costa setentrional. Isso conflita com o projeto de constru\u00e7\u00e3o do gasoduto Nord Stream 2 que abasteceria a Europa com g\u00e1s vindo da R\u00fassia para a Alemanha, cruzando o Mar B\u00e1ltico. Esse projeto permite desviar o g\u00e1s siberiano dos gasodutos terrestres o que prejudicaria os interesses econ\u00f4micos da Europa Oriental e Central. A Ucr\u00e2nia ficaria mais suscet\u00edvel \u00e0s chantagens da R\u00fassia. Por outro lado, os principais pa\u00edses europeus viram com preocupa\u00e7\u00e3o o fato de o Congresso norte-americano ter decidido ampliar as san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, particularmente porque ele prev\u00ea uma cl\u00e1usula que pode ser utilizada contra as empresas que participam do cons\u00f3rcio do gasoduto: al\u00e9m da Gazpron russa, a francesa Engie, a anglo-holandesa Shell, OMV de Austria e as alem\u00e3s Uniper y Wintershall (BASF).<\/p>\n<p>No mesmo dia 6, foi realizado um \u201cacordo de princ\u00edpio\u201d para a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de livre-com\u00e9rcio entre a Uni\u00e3o Europeia e o Jap\u00e3o, a segunda maior economia da \u00c1sia. A assinatura definitiva do Jefta, como \u00e9 chamado o Japan-EU Free-Trade Agreement, est\u00e1 prevista ainda para este ver\u00e3o. Para entrar em vigor, o tratado precisa ser confirmado pelos Parlamentos nacionais da UE. O novo acordo, sem d\u00favida, \u00e9 uma resposta \u00e0s iniciativas bilaterais e protecionistas de Trump, especialmente a retirada dos EUA do Tratado de Livre-Com\u00e9rcio Transpac\u00edfico (TPP). \u201c\u00c9 extremamente importante que Jap\u00e3o e Uni\u00e3o Europeia defendam o livre-com\u00e9rcio em um momento no qual o mundo enfrenta tend\u00eancias protecionistas\u201d, afirmou Abe. Da parte de Bruxelas, a ideia foi transmitir a imagem de l\u00edder mundial do livre-com\u00e9rcio. \u201cEnviamos juntos um sinal forte ao mundo em favor do com\u00e9rcio aberto e equilibrado. N\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o no protecionismo\u201d, disse o presidente da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, Jean-Claude Juncker.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A retomada das mobiliza\u00e7\u00f5es anti-globaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Outro epis\u00f3dio simb\u00f3lico n\u00e3o se relaciona aos conflitos entre as potencias imperialistas, mas entre estas e os movimentos sociais, uma luta entre os \u201cde cima\u201d e os \u201cde baixo\u201d. No mesmo dia 6, Hamburgo foi palco de grandes protestos contra o G20-17. Manifesta\u00e7\u00f5es anti-capitalistas em encontros internacionais j\u00e1 possuem bastante tradi\u00e7\u00e3o, como os 200 mil contra o G8 na It\u00e1lia, em 2001, e os atos radicalizados no G20 de Toronto, em 2010, que levaram a pris\u00e3o em massa de 1.100 pessoas. Desta vez, na segunda maior cidade da Alemanha, as maiores manifesta\u00e7\u00f5es anticapitalistas das \u00faltimas d\u00e9cadas iniciaram na quinta-feira e se estenderam at\u00e9 o fim do encontro, no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Os principais motes das manifesta\u00e7\u00f5es foram a abertura de fronteiras aos refugiados e contra o aquecimento global. Marcadas por forte repress\u00e3o, desde seu primeiro dia, em torno de 150 pessoas foram presas durante as manifesta\u00e7\u00f5es e 120, preventivamente. Um novo contingente de 20 mil policiais foi enviado depois da queima de viaturas na quinta-feira. S\u00e1bado, o ato em Hamburgo contava com mais de 50 mil e protestos se espalharam por outras cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As pautas do G20<\/strong><\/p>\n<p>Como n\u00e3o podia deixar de ser, o G20-2017 demonstrou as fissuras existentes na ordem capitalista atual. Quatro foram os principais pontos de tens\u00e3o entre as pot\u00eancias: crise clim\u00e1tica, com\u00e9rcio internacional, migra\u00e7\u00f5es e terrorismo. Apesar de muitos l\u00edderes terem afirmado que a produ\u00e7\u00e3o de um comunicado final un\u00e2nime foi uma vit\u00f3ria, as divis\u00f5es internas ao grupo estavam mais uma vez bastante expl\u00edcitas, embora por momentos tentou-se dissimul\u00e1-las.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Acordo de Paris, os 19 membros estiveram unidos contra a posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos de anular o acordo. Apesar da China e a \u00cdndia- hoje os maiores poluidores do planeta \u2013 terem manifestado firmemente a favor da aplica\u00e7\u00e3o das metas estabelecidas em Paris, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan afirmou que n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de ratificar o acordo no congresso de seu pa\u00eds. N\u00e3o est\u00e1 claro se isso de fato ir\u00e1 ocorrer, mas o fato indica que o discurso anti-meio ambiente de Donald Trump poder\u00e1 ressoar em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>J\u00e1 no tema relativo ao com\u00e9rcio internacional, as posi\u00e7\u00f5es estavam muito mais fragmentadas. Esta pauta sofreu bastante influ\u00eancia dos interesses norte-americanos, principalmente sobre dois pontos: combust\u00edveis f\u00f3sseis e a\u00e7o. Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, os EUA conseguiram tirar do comunicado final uma parte relativa \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis que se chocava com sua inten\u00e7\u00e3o de se retirar do Acordo de Paris. Quanto ao a\u00e7o, Trump vem afirmando que a ind\u00fastria norte-americana est\u00e1 sendo marginalizada pela produ\u00e7\u00e3o estrangeira e, provavelmente, dever\u00e1 impor um aumento de tarifas para importa\u00e7\u00e3o do produto no pa\u00eds. No comunicado final, ficou acordado o objetivo de redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o como forma de reduzir seu pre\u00e7o internacional, postergando assim uma prov\u00e1vel guerra comercial em alguns meses, quando aprovado o aumento tarif\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, mais uma vez os olhares estavam direcionados aos Estados Unidos. Desde as elei\u00e7\u00f5es de 2016, Trump vem prometendo aumentar o n\u00famero de deporta\u00e7\u00f5es de imigrantes sem documentos, reduzir a entrada de refugiados e construir um muro na fronteira com o M\u00e9xico. Isso ocorre em meio \u00e0 maior crise de refugiados da hist\u00f3ria desde a Segunda Guerra Mundial. Uma das principais iniciativas dos grupos pr\u00f3-direitos humanos no encontro foi endurecer o combate aos chamados \u201ctraficantes de refugiados\u201d, que constru\u00edram um neg\u00f3cio bilion\u00e1rio no norte da \u00c1frica e j\u00e1 chegaram a controlar partes do territ\u00f3rio l\u00edbio. Contudo, tanto esta iniciativa quanto outras n\u00e3o tiveram absolutamente nenhum progresso.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, o tema do terrorismo tamb\u00e9m teve grande centralidade devido aos recentes ataques ocorridos na Europa, principalmente Ingalterra. Logo no primeiro dia foi escrita uma declara\u00e7\u00e3o conjunta sobre o combate ao terror com \u00eanfase na preven\u00e7\u00e3o, principalmente no que concerne \u00e0 troca de informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e fiscaliza\u00e7\u00e3o da internet e redes sociais. O presidente da \u00cdndia aproveitou para ressaltar a presen\u00e7a de grupos terroristas em conluio com o Ex\u00e9rcito Isl\u00e2mico e Al-Qaeda que atuam em seu vizinho, Paquist\u00e3o, e reivindicou esfor\u00e7o internacional para combat\u00ea-los.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o Europeia e os EUA<\/strong><\/p>\n<p>Angela Merkel e Emmanuel Macron, da Alemanha e Fran\u00e7a, foram os principais opositores de Trump no encontro. Ressaltaram o caminho de isolamento que os EUA estavam trilhando ao anunciarem a n\u00e3o perman\u00eancia no Acordo de Paris sobre o clima, e que qualquer posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao multilateralismo n\u00e3o iria contar com a participa\u00e7\u00e3o de ambos.<\/p>\n<p>Apesar de Macron ter dito que acreditava que os EUA poderiam voltar atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o ao acordo clim\u00e1tico, Merkel afirmou n\u00e3o compartilhar do mesmo otimismo do franc\u00eas e outros l\u00edderes do G20, demonstrando ainda mais vigor na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Trump. A recente declara\u00e7\u00e3o do ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel, contra o boicote do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo ao Catar (apoiado pelos EUA) indica a amplia\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Na verdade, desde o \u00faltimo G7, em maio, a chanceler alem\u00e3 vem tentando se estabelecer como porta-voz da oposi\u00e7\u00e3o ao presidente norte-americano. Trump apoia abertamente o Brexit, e manifestou um apoio velado \u00e0 candidata xenof\u00f3bica e anti-Uni\u00e3o Europeia Marine Le Pen nas elei\u00e7\u00f5es francesas deste ano. Como o poder da Alemanha no continente depende da unidade da Uni\u00e3o Europeia, qualquer amea\u00e7a a essa institui\u00e7\u00e3o vai na contram\u00e3o de seus interesses geopol\u00edticos vitais. Por ser anfitri\u00e3, Merkel coordenou a pauta do encontro e propositalmente colocou como eixo os temas do aquecimento global, com\u00e9rcio internacional e migra\u00e7\u00f5es para constranger Trump politicamente.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Macron contra Le Pen e a recupera\u00e7\u00e3o de Merkel nas elei\u00e7\u00f5es municipais passadas permitiram a retomada da afirma\u00e7\u00e3o do eixo franco-alem\u00e3o na UE, deixando de lado, por ora, as alternativas tanto \u00e0 direita quanto \u00e0 esquerda. Num certo sentido o pr\u00f3prio debilitamento de Teresa May nas elei\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas enfraquece o Brexit e fortalece a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O distanciamento entre Trump e Merkel, mais que um conflito entre ambos, revela um distanciamento entre a Europa e os EUA. Logo depois do G7, Merkel afirmou que havia acabado o tempo em que a Europa podia depender de na\u00e7\u00f5es estrangeiras para garantir sua seguran\u00e7a, reavivando rumores sobre poss\u00edveis iniciativas de militariza\u00e7\u00e3o do bloco europeu, tal qual a Pol\u00edtica Europeia de Defesa e Seguran\u00e7a de 1999, boicotada na ocasi\u00e3o pelos EUA.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estados Unidos e R\u00fassia<\/strong><\/p>\n<p>Um dos momentos mais esperados do G20-2017 foi o primeiro encontro de Donald Trump desde que assumiu a presid\u00eancia com Vladimir Putin. As rela\u00e7\u00f5es entre Estados Unidos e R\u00fassia haviam chegado ao seu patamar mais baixo desde o fim da Guerra Fria durante o segundo governo Obama, principalmente em fun\u00e7\u00e3o das guerras na S\u00edria e Ucr\u00e2nia. Durante a campanha de 2016, Trump prop\u00f4s modificar essa rela\u00e7\u00e3o defendendo como um dos eixos de sua pol\u00edtica externa uma aproxima\u00e7\u00e3o entre Washington e Moscou.<\/p>\n<p>Entretanto, desde que foi eleito, Trump vem sofrendo fortes ataques contra essa orienta\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 lhe custou s\u00e9rios reveses. Neste momento ele est\u00e1 sendo investigado pelo FBI por uma suposta participa\u00e7\u00e3o de seu comit\u00ea de campanha na interfer\u00eancia da R\u00fassia nas elei\u00e7\u00f5es norte-americanas de 2016, fato que pode lhe custar o impeachment de acordo com alguns democratas. Frente a essas press\u00f5es, e como forma de amenizar as investiga\u00e7\u00f5es, nos \u00faltimos 6 meses o presidente norte-americano vem aplicando uma pol\u00edtica dura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, contrariando seu discurso de campanha. Ele tem se alinhado ao Grand Old Party (GOP) republicano e se\u00a0afastado do seu estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, defensor de uma aproxima\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia. Na Pol\u00f4nia, Trump chegou a exigir que os russos parassem de desestabilizar a Ucr\u00e2nia, bem como se aliar a regimes ditatoriais como S\u00edria e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Entretanto, o di\u00e1logo entre Putin e Trump no G20 n\u00e3o foi conflituoso como era de se esperar. Putin afirmou que o presidente norte-americano aceitou sua vers\u00e3o de que os russos n\u00e3o interferiram nas elei\u00e7\u00f5es de 2016, ainda que que o secret\u00e1rio de estado, Rex Tylerson, tenha admitido o contr\u00e1rio em entrevista coletiva de imprensa. A pr\u00f3pria embaixadora dos EUA na ONU, Nikky Hailey, confirmou que a R\u00fassia interveio nas elei\u00e7\u00f5es e que Putin estava negando apenas para encobrir sua culpa. Mesmo assim, a t\u00f4nica da conversa entre ambos presidentes foi de que os problemas passados deveriam ser esquecidos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O conflito S\u00edrio<\/strong><\/p>\n<p>O principal t\u00f3pico discutido entre Trump e Putin acabou sendo a quest\u00e3o S\u00edria. Na ocasi\u00e3o, anunciou-se um acordo de cessar fogo na regi\u00e3o sudoeste do pa\u00eds, pr\u00f3xima \u00e0 Jord\u00e2nia, cujo representante nas negocia\u00e7\u00f5es declarou ter sido um acordo tripartite entre EUA-R\u00fassia-Jord\u00e2nia, apesar de ter tamb\u00e9m contado com a participa\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n<p>Tyllerson aproveitou o momento para retomar a ideia sobre as possibilidades reais de coopera\u00e7\u00e3o entre EUA e R\u00fassia no cen\u00e1rio internacional. Suas diferen\u00e7as, segundo ele, \u00e9 que os Estados Unidos, ao contr\u00e1rio dos russos, n\u00e3o enxergam possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o do regime de Assad a longo prazo. Alertou que as outras zonas de conflito na S\u00edria n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para um cessar fogo o que implicaria numa continuidade de um conflito que j\u00e1 dura 6 anos.<\/p>\n<p>Apesar das partes terem procurado dar um ar amistoso \u00e0 conversa, \u00e9 dif\u00edcil crer que as rela\u00e7\u00f5es entre EUA e R\u00fassia ir\u00e3o de fato melhorar. A realidade \u00e9 que as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas: a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria est\u00e1 longe de ser resolvida; n\u00e3o existe nenhum acordo entre ambos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, onde se ampliam as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra os russos; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cor\u00e9ia do Norte, a R\u00fassia est\u00e1 alinhada \u00e0 pol\u00edtica da China na busca de uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica; etc.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A tentativa de Trump de colocar os interesses da Am\u00e9rica em primeiro lugar (\u201cAmerica Comes First\u201d) est\u00e1 levando ao afastamento dos EUA da Europa e amea\u00e7a descontruir a alian\u00e7a transatl\u00e2ntica, pe\u00e7a chave na sustenta\u00e7\u00e3o da ordem mundial do p\u00f3s-guerra. Como alternativa, Merkel se v\u00ea for\u00e7ada a se mover no sentido de uma Alemanha e Uni\u00e3o Europeia mais independente. Os acordos como a Ceta (UE-Canad\u00e1) e o Jefta (UE-Jap\u00e3o), al\u00e9m de suas recentes reuni\u00f5es com o presidente da China, e o primeiro-ministro da \u00cdndia, e mesmo sua viagem \u00e0 Argentina e ao M\u00e9xico, indicam isso.<\/p>\n<p>Por outro lado, sob influ\u00eancia do establishment republicano, Trump n\u00e3o consegue se reaproximar da R\u00fassia. Pelo contr\u00e1rio, apesar das rela\u00e7\u00f5es aparentemente cordiais no G20-17, os fatos indicam um aumento dos conflitos entre os dois pa\u00edses. Ao mesmo tempo, os EUA seguem com dificuldades para estabilizar as rela\u00e7\u00f5es com a China na perspectiva da estrat\u00e9gia de defender seus interesses em primeiro lugar. Entretanto, segue perseguindo seu objetivo de fortalecer suas rela\u00e7\u00f5es bilaterais como \u00e9 o caso do acordo da venda de armas para a Ar\u00e1bia Saudita e do g\u00e1s para a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esses fatos expressam o aumento dos conflitos entre as fra\u00e7\u00f5es da burguesia imperialista em cada pa\u00eds, bem como entre as pr\u00f3prias potencias imperialistas. O pano de fundo deste conflito crescente de interesses deve-se ao fato de que, passada quase uma d\u00e9cada, a economia mundial ainda n\u00e3o conseguiu entrar em um novo ciclo de crescimento superando definitivamente a crise econ\u00f4mica de 2007-2008. A incapacidade para reverter esse quadro indica um esgotamento do projeto da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e leva a um questionamento da atual ordem mundial, alimentando sa\u00eddas cada vez mais protecionistas e mesmo aut\u00e1rquicas.<\/p>\n<p>Esse quadro marca um novo momento na situa\u00e7\u00e3o mundial, dando um novo car\u00e1ter aos atuais conflitos, o que os tornam cada vez mais intensos. Ao mesmo tempo, as grandes e radicalizadas manifesta\u00e7\u00f5es ocorridas durante o G20 de Hamburgo expressam uma maior polariza\u00e7\u00e3o da luta entre as classes dominantes e os movimentos sociais. Em v\u00e1rios pa\u00edses e regi\u00f5es, a exemplo da Am\u00e9rica Latina, a classe trabalhadora entra cada vez mais em cena.<\/p>\n<p>Em 2018, o G20 ir\u00e1 acontecer na Argentina. \u00c9 tarefa de todas as lutadoras e lutadores da Am\u00e9rica do Sul se engajarem em uma resposta ainda maior que a dada em Hamburgo e avan\u00e7ar na luta anti-capitalista em nosso continente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Por Victor Wolfgang Kegel Amal, Brasil em <a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/07\/12\/o-g20-2017-e-a-atual-situacao-politica-mundial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EsquerdaOnline<\/a><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias 7 e 8 de julho, na cidade de Hamburgo, Alemanha, ocorreu a reuni\u00e3o do G20 de 2017. O grupo \u00e9 constitu\u00eddo pelas maiores potencias econ\u00f4micas do mundo: Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul, Argentina, Alemanha, Brasil, China, Canad\u00e1, Cor\u00e9ia do Sul, Estados Unidos, Inglaterra, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia Turquia e Uni\u00e3o Europeia. Juntos, representam 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[427,116,1158,269,1156,114,595,115,1157,117,1002],"class_list":["post-2424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-alemanha","tag-alternativa","tag-coreia","tag-eua","tag-g20","tag-mas","tag-merkel","tag-movimento","tag-ordem-mundial","tag-socialista","tag-trump"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/g202017.jpg?fit=670%2C377","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2424\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2423"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}