{"id":2419,"date":"2017-07-13T10:14:40","date_gmt":"2017-07-13T09:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/13\/acusacao-de-17-policias-e-a-esquadra-de-alfragide\/"},"modified":"2017-07-13T10:14:40","modified_gmt":"2017-07-13T09:14:40","slug":"acusacao-de-17-policias-e-a-esquadra-de-alfragide","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/13\/acusacao-de-17-policias-e-a-esquadra-de-alfragide\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcias acusados de racismo, tortura e sequestro."},"content":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou a 5 de fevereiro de 2015. A pol\u00edcia entra no Bairro Cova da Moura, na Amadora, e come\u00e7a a revistar todos os moradores indiscriminadamente.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Um jovem que decide n\u00e3o fugir, \u00e9 apanhado e revistado pela pol\u00edcia. Apesar deste n\u00e3o ter resistido, \u00e9 alvo de agress\u00f5es e mais tarde levado para a esquadra. Pelo meio, outros moradores foram alvo de bastonadas e balas de borracha quando tentavam impedir que o jovem fosse agredido e detido. Sem sucesso. De seguida, colaboradores da Associa\u00e7\u00e3o Moinho da Juventude deslocaram-se \u00e0 esquadra para prestarem apoio ao jovem e apresentarem queixa pelas agress\u00f5es a que, tanto os jovens, como outros moradores do bairro, tinham sido sujeitos. De imediato foram detidos, brutalmente espancados, <strong>acabando por ficar sequestrados pela pol\u00edcia durante 2 dias<\/strong>. Para justificar estas agress\u00f5es, a PSP alega que houve uma tentativa de invas\u00e3o da esquadra. Algo que \u00e9 completamente falso. <\/p>\n<p>No seguimento destas agress\u00f5es, e depois dos jovens terem sido ilibados, foi ent\u00e3o instaurado um processo pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, com o objectivo de investigar estas agress\u00f5es completamente desproporcionais.<\/p>\n<p>Passados 2 anos, anteontem, o Minist\u00e9rio P\u00fablico acusou ent\u00e3o, toda a esquadra da PSP de Alfragide, de racismo, \u00f3dio, tortura e sequestro.<\/p>\n<p><strong>Este \u00e9 um caso isolado?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Quem vive nos sub\u00farbios das grandes cidades, sobretudo da Grande Lisboa, sabe bem como \u00e9 a actua\u00e7\u00e3o por parte da PSP. A prepot\u00eancia e viol\u00eancia andam de m\u00e3os dadas com a impunidade.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia \u00e9 estruturalmente racista, machista, LGBTf\u00f3bica e ciganof\u00f3bica, tendo em conta que \u00e9 respons\u00e1vel por defender um sistema que se alimenta e que sobrevive gra\u00e7as \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e a estas mesmas opress\u00f5es.<\/p>\n<p>Como tal, \u00e9 habitual nos bairros pobres, onde a maioria dos moradores s\u00e3o trabalhadores negros e imigrantes, a pol\u00edcia actuar de forma desproporcional e com extrema viol\u00eancia. Nestes locais impera a impunidade, este n\u00e3o \u00e9 o primeiro caso em que se viola os mais elementares valores dos direitos humanos. N\u00e3o podemos esquecer as mortes de v\u00e1rios jovens negros que viviam nos sub\u00farbios de Lisboa como por exemplo o Manuel Pereira (Toni) (2002), Elson Sanches (Kuku) (2007) e Nuno Robrigues (Mc Snake) (2010). Em todos estes casos n\u00e3o houve condena\u00e7\u00e3o do policia. Esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 demonstra que na sociedade portuguesa e nas institui\u00e7\u00f5es em geral, nomeadamente na Justi\u00e7a, existe um profundo racismo, o que oculta um debate s\u00e9rio e frontal sobre racismo, viol\u00eancia policial e exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>Mas os pol\u00edcias foram acusados\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Certo, mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00f3 avan\u00e7ou com esta investiga\u00e7\u00e3o e com a posterior acusa\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 luta de quem n\u00e3o se cala e se insurge contra este comportamento da PSP. Os movimentos anti-racistas conseguiram fazer uma mobiliza\u00e7\u00e3o pelo fim da viol\u00eancia policial e contra o racismo que pressionou a justi\u00e7a a que desta vez houvesse consequ\u00eancias. Contudo importa lembrar que ainda s\u00f3 houve uma acusa\u00e7\u00e3o. Os pol\u00edcias ainda n\u00e3o foram sequer formalmente acusados, muito menos julgados e condenados. Assim sendo, consideramos imperativo que o Minist\u00e9rio P\u00fablico desta vez v\u00e1 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Todos temos direito a viver descansados. Todos temos direito a ser tratados de forma digna.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Basta de viol\u00eancia!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><\/strong><span style=\"font-weight: bold;\">Basta de racismo!<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Jo\u00e3o Veloso<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou a 5 de fevereiro de 2015. 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