{"id":2390,"date":"2017-06-06T22:13:05","date_gmt":"2017-06-06T21:13:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/06\/06\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labourjeremy-corbyn\/"},"modified":"2017-06-06T22:13:05","modified_gmt":"2017-06-06T21:13:05","slug":"reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labourjeremy-corbyn","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/06\/06\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labourjeremy-corbyn\/","title":{"rendered":"REINO UNIDO: campanhas tomam as ruas. Vote Labour\/Jeremy Corbyn"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi dada a partida oficial para a campanha dos partidos nas Elei\u00e7\u00f5es Gerais (EG) marcadas para o dia 8 de junho. Os partidos definiram os candidatos de cada distrito. Os atos de lan\u00e7amento, com\u00edcios e manifestos vieram a seguir.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Vale lembrar que, no Reino Unido, o eleitor n\u00e3o vota diretamente no candidato a Primeiro Ministro (PM), mas no candidato a parlamentar de seu distrito. A elei\u00e7\u00e3o \u00e9 maiorit\u00e1ria em que se escolhe um parlamentar por distrito. O PM ser\u00e1 o l\u00edder do partido que obtiver maioria no Parlamento. O \u00fanico local onde o candidato a PM \u00e9 submetido \u00e0 elei\u00e7\u00e3o \u00e9 no seu pr\u00f3prio distrito, que ele (ou ela) tem de vencer para garantir a cadeira em Westminster (sede do Parlamento).<\/p>\n<p>As pesquisas eleitorais t\u00eam apontado um favoritismo que o Partido Conservador eleja a maioria das cadeiras e, com isso, sua atual l\u00edder, a PM Theresa May, seja reconduzida a um novo mandato. Na verdade, essa foi a estrat\u00e9gia utilizada por May ao convocar elei\u00e7\u00f5es com pouco mais de um m\u00eas de anteced\u00eancia: n\u00e3o dar tempo para a oposi\u00e7\u00e3o se organizar eleitoralmente e aproveitar o momento de verdadeira guerra civil no principal partido oposicionista, o Trabalhista (Labour Party \u2013 LP).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es locais em partes do pa\u00eds apontam tend\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio de maio, algumas regi\u00f5es do pa\u00eds viveram processos de elei\u00e7\u00f5es locais. O maior derrotado em todo o processo foi o partido de extrema-direita UKIP, que perdeu todos os assentos em conselhos locais e teve vota\u00e7\u00f5es baix\u00edssimas, inclusive em redutos onde esperava vencer. Praticamente todo esse espa\u00e7o foi ocupado pelo Partido Conservador, o que mostra que a guinada \u00e0 direita que os Tories cursaram desde o Brexit vem atraindo esse eleitorado.<\/p>\n<p>No norte da Inglaterra e Mid-Lands<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup> houve elei\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios conselhos locais. O Labour perdeu assentos em v\u00e1rias localidades, mas teve algumas importantes vit\u00f3rias, com destaque para o novo cargo de prefeito da \u201cGrande Liverpool\u201d<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/sup>. Mas fica o balan\u00e7o que os trabalhistas n\u00e3o conseguiram crescer sobre os escombros do UKIP (os Conservadores ocuparam, ou seja, \u00e9 um setor que permanece \u00e0 direita). Tamb\u00e9m fica ressaltado o desgaste de conselheiros do partido em suas bases. Em sua grande maioria s\u00e3o pol\u00edticos identificados com o estilo Blairista ou da direita do partido.<\/p>\n<p>Na Esc\u00f3cia, o grande vitorioso foi o Partido Nacionalista Escoc\u00eas (SNP), que nos \u00faltimos anos vem ocupando o espa\u00e7o \u00e0 esquerda deixado pelo Trabalhista Escoc\u00eas (Scottish Labour). O maior exemplo deste crescimento foi a municipalidade de Glasgow, maior cidade de Esc\u00f3cia e uma das maiores do Reino Unido. Nesta, o Labour perdeu a maioria pela primeira vez, desde 1980. Os Conservadores tiveram ganhos pontuais na Esc\u00f3cia, ocupando o espa\u00e7o pol\u00edtico \u00e0 direita no pa\u00eds, mas ainda seguem bem atr\u00e1s dos Trabalhistas e, principalmente, do SNP. No Pa\u00eds de Gales, atualmente governado com maioria e um PM<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/sup> Trabalhista, o partido tamb\u00e9m perdeu algumas cadeiras com crescimento do partido nacionalista Plaid Cymru.<\/p>\n<p>Em suma, mesmo n\u00e3o sendo um desastre, o resultado das elei\u00e7\u00f5es locais foi ruim para a esquerda brit\u00e2nica, especialmente para o LP<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/sup>. Se \u00e9 verdade que muitos debates se deram \u00e0 luz de discuss\u00f5es locais e n\u00e3o refletem o ambiente e a polariza\u00e7\u00e3o de uma Elei\u00e7\u00e3o Geral, sinalizou que um deslocamento \u00e0 esquerda, mesmo que eleitoralmente, n\u00e3o ocorreu no pa\u00eds pelo menos at\u00e9 esse momento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Partido Conservador: discurso de \u201cestabilidade e for\u00e7a\u201d p\u00f3s- Brexit<\/strong><\/p>\n<p>O governo do Partido Conservador vem enfrentando uma s\u00e9rie de problemas em sua condu\u00e7\u00e3o do Brexit. Primeiro, vale recordar que o partido se dividiu no Referendo, quando sua dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria apostou na perman\u00eancia, enquanto setores ligados a fra\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias da burguesia brit\u00e2nica dirigiram a campanha pela sa\u00edda do bloco. O resultado foi a derrota da equipe central que dirigia o partido e o governo \u2013 David Cameron e o \u201cGrupo de Notting Hill<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/sup>\u201d \u2013 e a ascens\u00e3o de um setor refletindo as fra\u00e7\u00f5es vitoriosas, resultando em um deslocamento ainda mais \u00e0 direita da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Theresa May chegou \u00e0 lideran\u00e7a dos Tories e ao cargo de PM, ap\u00f3s um acordo interno entre as distintas fra\u00e7\u00f5es no partido. Assumiu prometendo implementar o resultado do referendo \u2013 a sa\u00edda do pa\u00eds da UE \u2013 mas sem apresentar um modelo de como se daria o processo.<\/p>\n<p>Com a vit\u00f3ria de Trump nos EUA e a amea\u00e7a de uma onda de extrema-direita varrendo a Europa, May iniciou uma aproxima\u00e7\u00e3o com este discurso e come\u00e7ou a apontar para uma ruptura mais profunda com a UE, o chamado <em>hard Brexit<\/em>.<\/p>\n<p>Em janeiro, provavelmente apostando em vit\u00f3rias de partidos de extrema-direita na Holanda e Fran\u00e7a, onde eram at\u00e9 ent\u00e3o favoritos, <em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/01\/20\/governo-britanico-apresenta-seu-plano-para-o-brexit-aproximacao-ao-populismo-de-direita-e-bastante-imprecisoes\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">anunciou<\/span><\/a><\/em> que o controle da imigra\u00e7\u00e3o era mais importante que a perman\u00eancia no Mercado Comum Europeu. O favoritismo destas correntes n\u00e3o se confirmou. Os governos europeus n\u00e3o aceitaram suas exig\u00eancias quanto ao fim da livre movimenta\u00e7\u00e3o no bloco. Pelo contr\u00e1rio, reafirmaram as exig\u00eancias para a negocia\u00e7\u00e3o de sa\u00edda do Reino Unido.<\/p>\n<p>Quando May acionou o Artigo 50, dando in\u00edcio ao processo formal de sa\u00edda da UE, o clima no pa\u00eds era de que o governo n\u00e3o tinha um projeto definido de rela\u00e7\u00e3o com a Europa, nem de como operar as negocia\u00e7\u00f5es. A propaganda do Partido Conservador busca exatamente cobrir esse flanco. Diz que o pa\u00eds precisa se \u201cunificar\u201d e estar sob a batuta de um governo \u201cforte\u201d, com ampla maioria parlamentar, para que tenha autoridade na negocia\u00e7\u00e3o com Bruxelas e os governos europeus. Joga para escanteio temas important\u00edssimos na vida do pa\u00eds, como a crescente crise social e o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Deixa de lado tamb\u00e9m pontos com apelo populista de direita, como a rid\u00edcula defesa da volta da legaliza\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a \u00e0s raposas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A crise no Labour Party: a burocracia do Partido aceita entregar as Elei\u00e7\u00f5es Gerais para tentar derrotar Corbyn<\/strong><\/p>\n<p>Ao final das elei\u00e7\u00f5es locais, os caciques do LP e seus aliados na m\u00eddia alardeavam que o destino das Elei\u00e7\u00f5es Gerais estaria tra\u00e7ado com uma derrota hist\u00f3rica e humilhante que deveria ser creditada a Jeremy Corbyn.<\/p>\n<p>Tom Watson, o parlamentar que organizou a campanha frustrada de remover Corbyn da lideran\u00e7a \u2013 a bem da verdade acabou tendo o efeito inverso -, <em><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/politics\/2017\/may\/12\/tom-watson-labour-jeremy-corbyn-determined-to-stop-thatcher-style-tory-landslide\"><span style=\"text-decoration: underline;\">declarou<\/span><\/a><\/em> \u00e0 imprensa que os Conservadores ter\u00e3o a \u201cmaior vit\u00f3ria desde a era Tatcher\u201d. Na verdade, Watson e a estrutura tradicional do LP n\u00e3o apenas esperam, mas trabalham por isso.<\/p>\n<p>A escolha dos candidatos nos distritos n\u00e3o seguiu crit\u00e9rios democr\u00e1ticos de forma a envolver o ativismo das localidades e aumentar as chances da campanha. Pelo contr\u00e1rio, em muitos casos candidaturas foram \u201cempurradas\u201d de cima para baixo, retirando nomes de prefer\u00eancia majorit\u00e1ria por outros de fora da localidade, mais alinhados com os gabinetes que com as ruas. Insuflam em suas bases eleitorais que \u201cCorbyn \u00e9 muito radical, empurrando o partido \u00e0 derrota\u201d.<\/p>\n<p>O ex- PM Tony Blair <em><a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/2017\/05\/01\/tony-blair-announces-return-politics-hints-starting-new-anti\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">reapareceu<\/span><\/a><\/em> recentemente anunciando que voltaria \u00e0 cena pol\u00edtica \u2013 n\u00e3o nessas elei\u00e7\u00f5es por falta de \u201ctempo h\u00e1bil\u201d \u2013 para construir um \u201ccampo supra-partid\u00e1rio contra o hard-Brexit\u201d. O que a estrutura tradicional do LP quer \u00e9 que o partido se torne o porta-voz das fra\u00e7\u00f5es imperialistas descontentes com a condu\u00e7\u00e3o do Brexit, apresentando uma vers\u00e3o brit\u00e2nica da \u201calternativa Macron\u201d. Para isso, precisam destruir Jeremy Corbyn e todo o fen\u00f4meno de reorganiza\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda a ele associado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O programa \u201cvazado\u201d e o in\u00edcio das atividades de rua. O jogo ainda n\u00e3o acabou!<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 poucos dias, a Elei\u00e7\u00e3o Geral ainda era um tema morno no dia-a-dia do pa\u00eds. De fato, mesmo ap\u00f3s o an\u00fancio das EG pelo governo e sua confirma\u00e7\u00e3o no parlamento, as campanhas ainda n\u00e3o estavam na rua, o que favorecia o governo. Theresa May anunciou que n\u00e3o participar\u00e1 dos debates da TV e aposta em uma campanha sem polariza\u00e7\u00e3o para que seu discurso tenha mais efeito.<\/p>\n<p>No dia 9 de maio, a campanha de Corbyn foi oficialmente lan\u00e7ada, com um ato em Manchester. No dia 10, um com\u00edcio na cidade de York levou milhares de pessoas \u00e0s ruas, revivendo o clima de mobiliza\u00e7\u00f5es da campanha pela lideran\u00e7a do LP em 2016.<\/p>\n<p>No dia 11, um rascunho do programa do LP para as elei\u00e7\u00f5es \u201cvazou\u201d para a imprensa antes de sua aprova\u00e7\u00e3o pela Dire\u00e7\u00e3o Nacional do partido. O <em><a href=\"http:\/\/metro.co.uk\/2017\/05\/11\/key-policies-from-labours-leaked-manifesto-6629550\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">manifesto<\/span><\/a><\/em>, considerado o mais \u00e0 esquerda desde os anos 80, ainda que n\u00e3o seja socialista adota medidas bastante progressivas: reestatiza\u00e7\u00e3o das ferrovias e empresas privatizadas (correios, energia etc), aumento dos investimentos sociais (incluindo sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o), fim da cobran\u00e7a de taxas nas universidades, impostos progressivos para os mais ricos, um agressivo programa habitacional, \u201csal\u00e1rio m\u00e1ximo\u201d para executivos de empresas, maior presen\u00e7a do Estado em v\u00e1rios segmentos, fim dos contratos de trabalho precarizados, al\u00e9m de outras.<\/p>\n<p>O \u201cvazamento\u201d do manifesto com o programa Trabalhista parece ter sido, de fato, o tiro de largada do processo eleitoral. Em primeiro lugar, despertou a ira de caciques pol\u00edticos do partido que acusam uma manobra de Corbyn e um de seus principais aliados, John McDonnel, em lan\u00e7ar um programa que n\u00e3o seria aprovado nas inst\u00e2ncias partid\u00e1rias. Por outro lado, parece ter sido o combust\u00edvel que faltava para a campanha tomar as ruas.<\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/uk.businessinsider.com\/poll-huge-public-support-for-jeremy-corbyns-manifesto-promises-2017-5\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Pesquisas recentes<\/span><\/a><\/em> apontam que as propostas no manifesto do Labour t\u00eam alta aprova\u00e7\u00e3o popular, com todas as medidas descritas acima, com taxa superior a 50%.&nbsp;Mesmo que isso ainda n\u00e3o se reflita em uma virada nas inten\u00e7\u00f5es de voto para os trabalhistas, o Labour cresce nas pesquisas, diminuindo consideravelmente a diferen\u00e7a nos \u00faltimos dias. A figura abaixo mostra uma compila\u00e7\u00e3o de pesquisas de v\u00e1rias fontes (ao longo dos \u00faltimos dois anos), e d\u00e1 uma ideia desta <em><span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Opinion_polling_for_the_United_Kingdom_general_election,_2017\">tend\u00eancia<\/a>.<\/span><\/em><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" align=\"BOTTOM\" border=\"0\" height=\"180\" width=\"300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dd924avassjqi.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mapauk-300x180.png?resize=300%2C180\" name=\"objectos gr\u00e1ficos1\" \/><\/p>\n<p>A campanha de rua visivelmente toma f\u00f4lego. O <em>Momentum<\/em> est\u00e1 organizando treinamentos para as sess\u00f5es de <em>canvassing<\/em><sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[6]<\/a><\/sup>, e lan\u00e7ou uma <em><a href=\"https:\/\/mynearestmarginal.com\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">ferramenta online<\/span><\/a><\/em> para organizar as atividades, possibilitando a forma\u00e7\u00e3o de grupos, caronas, log\u00edstica etc.<\/p>\n<p>Ativistas de outros pa\u00edses est\u00e3o vindo \u00e0 Inglaterra voluntariamente para se incorporar \u00e0s atividades, com destaque para v\u00e1rios estadunidenses da campanha de Bernie Sanders. As principais correntes de esquerda socialista do pa\u00eds est\u00e3o chamando o voto em Jeremy Corbyn e no Labour Party nestas elei\u00e7\u00f5es gerais<sup><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[7]<\/a><\/sup>. Essa unidade \u00e9 important\u00edssima. H\u00e1 muito ela n\u00e3o acontece. Basta ver a fragmenta\u00e7\u00e3o da esquerda no referendo do Brexit.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se esta din\u00e2mica de crescimento ser\u00e1 suficiente para em poucas semanas desmontar o discurso dos Tories e virar o jogo no processo eleitoral. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos afirmar se haver\u00e1 um fen\u00f4meno ao estilo Mel\u00e9nchon nas elei\u00e7\u00f5es francesas, onde a candidatura de esquerda deu um salto em poucos dias. Mas o certo \u00e9 que hoje, a tarefa da classe trabalhadora, da juventude e minorias no Reino Unido \u00e9 entrar com tudo nesta campanha, potencializando ao m\u00e1ximo estas possibilidades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>E depois das elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo faltando poucas semanas para o processo eleitoral, ainda n\u00e3o se pode afirmar o quadro pol\u00edtico que ter\u00e1 o pa\u00eds ap\u00f3s a nova composi\u00e7\u00e3o de Westminster. Mesmo que hoje a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel ainda seja a vit\u00f3ria do Partido Conservador, ainda \u00e9 cedo para prever como a esquerda sair\u00e1 deste processo.<\/p>\n<p>Seja qual for o resultado \u00e9 necess\u00e1rio que se mantenha um p\u00f3lo de unidade da esquerda socialista. Foi esse p\u00f3lo que colocou nas Elei\u00e7\u00f5es Gerais um programa avan\u00e7ado, como n\u00e3o se via h\u00e1 d\u00e9cadas. Ele obriga um partido como o LP a ter \u2013 contra sua vontade e estrutura \u2013 uma figura como Corbyn encabe\u00e7ando sua \u201clista\u201d.<\/p>\n<p>Mas esse polo pode e precisaria ir ainda al\u00e9m. Seria importante que fosse um agente que atuasse para unificar as lutas de diferentes categorias e movimentos sociais. Seria importante tamb\u00e9m que continuasse apresentando de forma unificada um programa da classe trabalhadora que combatesse as medidas de austeridade, o racismo e a extrema-direita. As press\u00f5es ser\u00e3o enormes para que Corbyn recue e adote um perfil mais conciliador, ou que n\u00e3o implemente a fundo o programa de transforma\u00e7\u00e3o. E este polo de esquerda \u00e9 fundamental para que n\u00e3o existam retrocessos, mas sim avan\u00e7os, nesse combate. Isso tem tudo para ser, independente do resultado eleitoral, o grande legado das Elei\u00e7\u00f5es Gerais de 2017 no Reino Unido.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Por Vicente Marconi (Brasil \/ Londres, Inglaterra) em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/\" rel=\"noopener\">EsquerdaOnline.com.br<\/a><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Regi\u00e3o central do pa\u00eds, incluindo cidades importantes como Liverpool e Birmingham<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O candidato do Labour, n\u00e3o alinhado a Corbyn, venceu com ampla maioria (59%). Uma candidatura trotskista (Roger Bannister, do Partido Socialista, se\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica do CIT) obteve 2.4% dos votos<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> First Minister: Chefes dos parlamentos nacionais de Gales, Esc\u00f3cia e Irlanda do Norte, que possuem diferentes graus de uma relativa autonomia dentro do Reino Unido.<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Na Esc\u00f3cia o resultado pode ser considerado desastroso para os Trabalhistas, mas o espa\u00e7o foi principalmente ocupado pelo SNP.<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Setor interno do Partido Conservador, que esteve no centro do poder nos mandatos de Cameron, combinando liberalismo em assuntos comportamentais e de liberdades individuais com ortodoxia neoliberal na economia. <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Notting_Hill_set\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Notting_Hill_set<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[6]<\/a> Campanha feita de porta a porta, comum no Reino Unido<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[7]<\/a> al\u00e9m do Momentum e das correntes que fazem parte do LP, Left Unity, Socialist Party \/CIT e SWP<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi dada a partida oficial para a campanha dos partidos nas Elei\u00e7\u00f5es Gerais (EG) marcadas para o dia 8 de junho. Os partidos definiram os candidatos de cada distrito. Os atos de lan\u00e7amento, com\u00edcios e manifestos vieram a seguir.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2389,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[99],"tags":[116,1130,403,476,478,1116,114,1131,162,110],"class_list":["post-2390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eleicoesinglaterra2017","tag-alternativa","tag-corbyn","tag-eleicoes","tag-esquerda","tag-inglaterra","tag-mais","tag-mas","tag-momentum","tag-revolucionario","tag-socialismo"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/eleicoesuk_meetcorbyn.jpg?fit=450%2C253","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2390\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2389"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}