{"id":2388,"date":"2017-06-06T22:02:22","date_gmt":"2017-06-06T21:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/06\/06\/a-crise-do-labour-party-e-a-batalha-de-jeremy-corbyn\/"},"modified":"2017-06-06T22:02:22","modified_gmt":"2017-06-06T21:02:22","slug":"a-crise-do-labour-party-e-a-batalha-de-jeremy-corbyn","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/06\/06\/a-crise-do-labour-party-e-a-batalha-de-jeremy-corbyn\/","title":{"rendered":"A crise do Labour Party e a batalha de Jeremy Corbyn"},"content":{"rendered":"\n<p>O principal partido de oposi\u00e7\u00e3o na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales ainda \u00e9, de longe, o Labour Party (Partido Trabalhista). Na Esc\u00f3cia, boa parte do espa\u00e7o do Labour \u00e9 ocupado pelo Partido Nacionalista Escoc\u00eas (SNP), que \u00e9 um partido com uma linha de centro-esquerda, por\u00e9m mais \u00e0 esquerda que o Labour antes da ascens\u00e3o de Jeremy Corbyn. J\u00e1 na Irlanda do Norte, esse espa\u00e7o tamb\u00e9m parece ter sido ocupado por organiza\u00e7\u00f5es anti-unionistas, principalmente o Sinn Fein (SF). Mas de um modo geral, sem a menor sombra de d\u00favida, o Labour \u00e9 o principal partido de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Entretanto, o Labour vive uma enorme crise com uma brutal guerra interna. Jeremy Corbyn chegou \u00e0 lideran\u00e7a como um fen\u00f4meno desde a base, contra toda a estrutura parlamentar e do aparato partid\u00e1rio. Desde ent\u00e3o, a principal tarefa dos caciques do Labour Party e seus aliados na m\u00eddia n\u00e3o foi outro, sen\u00e3o o de tentar desmoralizar e remover Corbyn para apresentar um nome mais \u201cconfi\u00e1vel\u201d \u00e0 burguesia. Principalmente perante \u00e0s fra\u00e7\u00f5es que est\u00e3o descontentes com a condu\u00e7\u00e3o do processo de Brexit pelo governo do Partido Conservador.<\/p>\n<p>Embora o peso de Corbyn ainda seja maior na vanguarda, ele ainda \u00e9 restrito nos setores mais amplos da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 que o ritmo das lutas sociais e da radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o evoluiu no mesmo ritmo que a ascens\u00e3o de Corbyn. Para um setor da classe trabalhadora, Corbyn ainda \u00e9 considerado \u201cmuito \u00e0 esquerda\u201d. Ali\u00e1s, \u00e9 sobre esse fen\u00f4meno que a estrutura tradicional do partido se apoia para desferir ataques di\u00e1rios contra Corbyn. Diga-se de passagem, esse setor vai muito al\u00e9m da ala direita dos \u201cBlairistas\u201d. Ela abrange os caciques do partido, as estruturas locais (CLP) e a imprensa, sendo o The Guardian um dos jornais dos mais atuantes.<\/p>\n<p>Essa campanha de ataques contra Corbyn j\u00e1 contou at\u00e9 mesmo com a participa\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Stephen Hawkins. Recentemente, todos os jornais tomaram a \u201cden\u00fancia\u201d feita por um importante parlamentar do Labour, de que haveria um compl\u00f4 \u2013 \u201centrismo\u201d \u2013 entre Corbyn, o Momentum, o Unite, o maior sindicato do pa\u00eds, al\u00e9m de outros sindicatos, para destruir o LP.<\/p>\n<p>Mas a for\u00e7a de Corbyn n\u00e3o pode ser subestimada. Ela vem de baixo. Isso j\u00e1 foi assim nas elei\u00e7\u00f5es para a escolha da lideran\u00e7a do Labor. Um de seus principais pilares, por exemplo, \u00e9 o movimento sindical, principalmente os sindicatos mais fortes e que est\u00e3o mais \u00e0 esquerda. Dentre eles, se encontra o maior sindicato do pa\u00eds, na verdade uma central sindical, o Unite.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es do Unite que se encerram no dia 19, a candidatura favorita \u00e9 a de Len McCluskey, aliado de Corbyn e candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. O nome da chapa \u00e9 United Left, um trocadilho com o nome do sindicato e a express\u00e3o \u201cesquerda unida\u201d. Muitas das principais organiza\u00e7\u00f5es da esquerda socialista apoiam McCluskey e tem membros na chapa.<\/p>\n<p>Assim, o entusiasmo \u00e9 uma marca presente do movimento pr\u00f3-Corbyn. Em recentes elei\u00e7\u00f5es complementares ocorridas em tr\u00eas distritos, o LP lan\u00e7ou candidatos anti-corbynistas. Mesmo assim, a campanha foi levada \u00e0 frente com uma enorme garra pelo Momentum e ativistas de esquerda. Ken Loach entrou de cabe\u00e7a na campanha. Uma <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/?s=ken+loach\" rel=\"noopener\">entrevista<\/a> com Loach publicada pelo The Guardian ilustra o que foi esta batalha.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>As persegui\u00e7\u00f5es e as cr\u00edticas a Corbyn<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de persegui\u00e7\u00f5es dentro do LP, principalmente contra ativistas de esquerda, continua. Utiliza-se como principal mote as acusa\u00e7\u00f5es de \u201cantissemitismo\u201d, quando na verdade trata-se de posi\u00e7\u00f5es contra o sionismo do Estado de Israel e a quest\u00e3o palestina, \u00e0s vezes at\u00e9 moderadas.<\/p>\n<p>A \u201cguerra civil\u201d no LP n\u00e3o se limita \u00e0 campanha contra Corbyn e seus poucos aliados no parlamento. Ela est\u00e1 em cada CLP (Labour Party do distrito), Conselhos Locais (munic\u00edpios) etc. Um caso ilustrativo \u00e9 o processo contra o ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone. Acusado de antissemita, quase foi expulso do LP h\u00e1 poucos dias. &nbsp;Livingstone \u00e9 um ativo apoiante de Corbyn e cr\u00edtico feroz do sionismo e da pol\u00edtica do Estado de Israel na Palestina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa, existem v\u00e1rias outras den\u00fancias de persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 ativistas de esquerda sob a mesma acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo, quando na verdade o que fazem s\u00e3o cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica do Estado de Israel na regi\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<p>Entretanto, Corbyn tem sido criticado por n\u00e3o enfrentar at\u00e9 o fim a estrutura do Labour e n\u00e3o defender esses ativistas com a energia necess\u00e1ria. Este, sem d\u00favida, \u00e9 um s\u00e9rio alerta que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De toda forma, vamos ver como terminar\u00e1 essa guerra. Se Theresa May e o Partido Conservador n\u00e3o nadam de bra\u00e7adas na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e no quesito estabilidade interna, o LP n\u00e3o vive uma situa\u00e7\u00e3o muito diferente. A estrutura trabalhista quer ocupar o espa\u00e7o aberto pelos conservadores para representar importantes setores do grande capital imperialista, especialmente o financeiro, que n\u00e3o est\u00e1 contente com a condu\u00e7\u00e3o do Brexit. Entretanto, Corbyn n\u00e3o \u00e9 nem de longe o perfil ideal para isso.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja um revolucion\u00e1rio, Corbyn adota um perfil de esquerda. Ele defende as greves e os movimentos sociais, fazendo-se presente em diversas atividades: com\u00edcios com ferrovi\u00e1rios em greve, participa\u00e7\u00e3o na marcha do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, etc. Defende tamb\u00e9m a renacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas privatizadas desde os anos Thatcher, a taxa\u00e7\u00e3o de ricos e fortunas, um sal\u00e1rio m\u00e1ximo e aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, direitos de imigrantes e minorias, e, obviamente, se coloca categoricamente contra os cortes e as pol\u00edticas de austeridade. No momento do an\u00fancio do acionar do Artigo 50 que deu in\u00edcio ao Brexit no \u00faltimo dia 29 de mar\u00e7o, Corbyn, fez um discurso contundente que teve repercuss\u00e3o do mesmo n\u00edvel do da Primeira Ministra Theresa May.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 descartado, portanto, que tenha \u00eaxito o esfor\u00e7o para remov\u00ea-lo da lideran\u00e7a do partido e colocar em seu lugar uma lideran\u00e7a \u201cpalat\u00e1vel\u201d como candidato a primeiro ministro nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Mas essa \u00e9 ainda uma luta em curso. Com a turbul\u00eancia e as incertezas que rondar\u00e3o o Reino Unido a partir do acionar do Brexit, tudo pode acontecer. Caso siga o curso ascendente da retomada das lutas no pais, o futuro de Corbyn depender\u00e1, acima de tudo, do pr\u00f3prio Corbyn. Ou melhor, de sua decis\u00e3o de enfrentar at\u00e9 o fim o establishment do Labour.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Artigo de Vicente Marconi (S\u00e3o Paulo, Brasil) no <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/05\/15\/reino-unido-campanhas-tomam-as-ruas-vote-labour-jeremy-corbyn\/\" rel=\"noopener\">EsquerdaOnline.com.br<\/a><br \/><\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O principal partido de oposi\u00e7\u00e3o na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales ainda \u00e9, de longe, o Labour Party (Partido Trabalhista). Na Esc\u00f3cia, boa parte do espa\u00e7o do Labour \u00e9 ocupado pelo Partido Nacionalista Escoc\u00eas (SNP), que \u00e9 um partido com uma linha de centro-esquerda, por\u00e9m mais \u00e0 esquerda que o Labour antes da ascens\u00e3o de Jeremy Corbyn. 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