{"id":2351,"date":"2017-05-03T13:59:53","date_gmt":"2017-05-03T12:59:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/05\/03\/as-marchas-do-povo-pelo-clima-centenas-de-milhares-pela-justica-climatica\/"},"modified":"2017-05-03T13:59:53","modified_gmt":"2017-05-03T12:59:53","slug":"as-marchas-do-povo-pelo-clima-centenas-de-milhares-pela-justica-climatica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/05\/03\/as-marchas-do-povo-pelo-clima-centenas-de-milhares-pela-justica-climatica\/","title":{"rendered":"As Marchas do Povo pelo Clima: centenas de milhares pela justi\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>No passado dia 29 de Abril, a Marcha do Povo pelo Clima levou \u00e0s ruas centenas de milhares de pessoas, em 25 pa\u00edses, em defesa de justi\u00e7a clim\u00e1tica, contra o aquecimento global e outras consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas da economia capitalista.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O epicentro dos protestos foi nos EUA, onde houve protestos em mais de 370 cidades. Em Washington DC, entre 15 a 20 mil pessoas marcharam entre o Capit\u00f3lio e a Casa Branca<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftn1\"><sup><span style=\"font-size: 10pt;\">1<\/span><\/sup><\/a>. <\/p>\n<p>Embora de dimens\u00e3o menor, os protestos entenderam-se a outros pa\u00edses, incorporando em cada um deles, reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no terreno ambiental. Se em Londres os manifestantes assinalavam os riscos de um \u201chard Brexit\u201d em termos de desregulamenta\u00e7\u00e3o ambiental, em Lisboa os manifestantes exigiam do governo que cancelasse os v\u00e1rios projetos de prospe\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera que autorizou, assim como que pressionasse o governo do Estado Espanhol para encerrar a central nuclear de Almaraz.<\/p>\n<p>As Marchas pelo Clima come\u00e7aram em 2014, com objetivo de denunciar o aquecimento global e de pressionar as maiores pot\u00eancias econ\u00f3micas a comprometerem-se com a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, contribuindo para a assinatura dos acordos de Paris. Estes foram os primeiros acordos de incid\u00eancia clim\u00e1tica subscritos pelas principais potencias emissoras, que se comprometeram em baixar as emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n<p>A convocat\u00f3ria de 2017 partiu do \u201cMovimento do Povo pelo Clima\u201d e obteve a subscri\u00e7\u00e3o das mais diversas organiza\u00e7\u00f5es, que marcharam e apoiaram este movimento, desde ONG&#8217;s ou Igrejas, a partidos de esquerda e socialistas, sindicatos ou comunidades dos povos origin\u00e1rios norte-americanos. Se em 2014, a Marcha pressionou no sentido de algum tipo de acordo, como o que foi alcan\u00e7ado no Acordo de Paris, a verdade \u00e9 que desde cedo estes foram criticados por parte do movimento. Se por um lado, as metas de redu\u00e7\u00e3o de carbono eram insuficientes, por outro nada garantia que sequer esses esfor\u00e7os viessem a ser verdadeiramente alcan\u00e7ados. Uma cr\u00edtica que se demonstrou prof\u00e9tica: a elei\u00e7\u00e3o de Trump coloca em causa o pr\u00f3prio Acordo de Paris.<\/p>\n<p><strong>Barrar a ofensiva que agrava a crise clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, o presidente norte-americano sustenta que a influ\u00eancia humana no aquecimento global n\u00e3o est\u00e1 comprovada e chegou a dizer que tal n\u00e3o passaria de uma inven\u00e7\u00e3o da China para travar a economia do pa\u00eds. Trump prometeu retomar a extra\u00e7\u00e3o e combust\u00e3o de carv\u00e3o. A decis\u00e3o de Trump de suspender o \u201cPlano de Energia Limpa\u201d (EPA)<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftn2\"><sup><span style=\"font-size: 10pt;\">2<\/span><\/sup><\/a> institu\u00eddo por Obama e que restringia a emiss\u00e3o de gases por usinas a carv\u00e3o, demonstra sua disposi\u00e7\u00e3o de seguir em frente. Prometeu tamb\u00e9m retirar os EUA do Acordo de Paris. Se as metas estabelecidas no acordo s\u00e3o nitidamente insuficientes, e grande parte do movimento pela justi\u00e7a ambiental levante propostas mais avan\u00e7adas, as Marchas deste ano viram-se obrigadas a apontar baterias \u2013 literalmente \u2013 \u00e0 Casa Branca, para travar um retrocesso. N\u00e3o por acaso o dia da convocat\u00f3ria, o dia 29 de Abril, assinala cem dias da tomada de posse de Trump. \u00c9 tamb\u00e9m, em cem dias, a terceira grande manifesta\u00e7\u00e3o de massas contra Trump, depois dos protestos contra a tomada de posse e das manifesta\u00e7\u00f5es no dia 8 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios dos ativistas e organiza\u00e7\u00f5es chamam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o que v\u00e1rios dos planos de Trump j\u00e1 foram, pelo menos temporariamente, travados, como a expuls\u00e3o e imigrantes ou o chamado \u201cTrumpcare\u201d. Divis\u00f5es no establishment e na classe dominante norte-americana contribu\u00edram para isso, mas foi essencial a press\u00e3o dos movimentos de massas que responderam \u00e0 altura, em particular ocupando aeroportos e saindo \u00e0s ruas contra a expuls\u00e3o de emigrantes. Tamb\u00e9m neste caso, o movimento visa incidir sobre a indecis\u00e3o sobre os acordos que Paris, que atravessa o pr\u00f3prio Gabinete de Trump. Uma ala da Casa Branca, o sector nacionalista \u201chard core\u201d e \u201cnegacionista\u201d, quer romper com o Acordo de Paris, assim como a maioria dos acordos internacionais.\u00a0 J\u00e1 outra ala, os chamados \u201cglobalistas\u201d que visam mais um rearranjo na forma como se vem a dar o processo de globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal do que a sua ruptura, pressionam \u2013 tal como grande parte dos parceiros ocidentais dos EUA \u2013 para a manuten\u00e7\u00e3o dos acordos.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 certamente um assunto de menor import\u00e2ncia. <strong>O aquecimento global, junto com outras amea\u00e7as ecol\u00f3gicas ou clim\u00e1ticas, como a energia nuclear e a pr\u00f3pria guerra, s\u00e3o quest\u00f5es determinantes da nossa era. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, os fen\u00f3menos clim\u00e1ticas extremos, como cheias, tempestades ou secas, s\u00e3o j\u00e1 uma realidade, assim como cat\u00e1strofes nucleares como Fukushima. <\/strong>Os refugiados por causas ecol\u00f3gicas s\u00e3o j\u00e1 dezenas de milhares. Obviamente s\u00e3o os trabalhadores, os pobres, as mulheres, as crian\u00e7as, os negros e os ind\u00edgenas as mais afetadas. Quando Nova Orle\u00e3es foi atingida pelo furac\u00e3o Katrina, foi evidente que at\u00e9 nos desastres naturais, s\u00e3o quest\u00f5es raciais e de classe que determinam quem fica para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Uma sa\u00edda socialista<\/strong><\/p>\n<p>No futuro pr\u00f3ximo, a subida do n\u00edvel do mar pode tornar inabit\u00e1veis at\u00e9 mesmo cidades como Nova York, Rio de Janeiro ou Lisboa. A burguesia divide-se e h\u00e1 sectores que apostam largamente nas energias renov\u00e1veis, n\u00e3o por amor ao planeta, mas para disputar novos mercados e competir com os seus rivais. A China, por exemplo, ultrapassou recentemente os EUA como maior investidor em energias renov\u00e1veis, enquanto estes, pelo contr\u00e1rio, se tornaram pela primeira vez os maiores produtores de petr\u00f3leo mundiais, sobretudo ap\u00f3s a aposta da Administra\u00e7\u00e3o Obama no Fracking<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftn3\"><sup><span style=\"font-size: 10pt;\">3<\/span><\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9, por isso, essencial, que o movimento se alargue e radicalize. <strong>Ao mesmo tempo, num momento em que a disputa entre diferentes estados e sectores capitalistas, aumenta, \u00e9 essencial que a esquerda levante uma proposta independente, que defenda os interesses dos trabalhadores e dos povos, os interesses do planeta em que habitamos.<\/strong> \u00c9 cada vez mais evidente que o atual sistema econ\u00f3mico n\u00e3o pode produzir qualquer solu\u00e7\u00e3o para os problemas clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p> <strong> O capitalismo \u201cverde\u201d \u00e9 uma mentira. A justi\u00e7a clim\u00e1tica exige que os trabalhadores, os povos, os mais pobres e a maioria da popula\u00e7\u00e3o, possam gerir democraticamente o que se produz e o modo como se produz. Isso \u00e9 incompat\u00edvel com a economia de mercado e liberdade de capitais, com a chamada concorr\u00eancia capitalista e os seus monop\u00f3lios todo-poderosos.<\/strong> A justi\u00e7a clim\u00e1tica, para ser consequente, tem de colocar em causa o controlo de toda a economia global por uma \u00ednfima minoria de capitalistas. Por isso, a partir de dentro deste movimento crescente contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e9 necess\u00e1rio apontar uma alternativa socialista. \u00c9 necess\u00e1rio levantar propostas para a ado\u00e7\u00e3o de um modelo de energias renov\u00e1veis, de soberania e sustentabilidade alimentar, assente na mobilidade coletiva e n\u00e3o individual e da defesa dos ecossistemas como bem comum do planeta e da humanidade. Por\u00e9m isso implica que o dom\u00ednio capitalista da sociedade seja posto em causa. S\u00f3 um programa socialista pode resolver esta contradi\u00e7\u00e3o aguda entre a procura do lucro e a sustentabilidade do planeta. Talvez nunca antes a esquerda se tenha colocado perante um desafio que torne t\u00e3o evidente a necessidade de superar o capitalismo. <\/p>\n<div>\n<div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Manuel Afonso<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>NOTAS<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftnref1\"><sup>1<\/sup><\/a> Os dados sobre os n\u00fameros s\u00e3o d\u00edspares. Segundo a o movimento Peoples Climat Change foram 300 mil manifestantes em todo os EUA e 200 mil em Washington DC (peoplesclimate.org\/);<\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftnref2\"><sup>2<\/sup><\/a> O EPA foi anunciado em agosto de 2015. O pacote inclu\u00eda o corte de 32% na emiss\u00e3o de carbono por centrais termoel\u00e9tricas at\u00e9 2030 em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis de 2005. Al\u00e9m disso, incentivava o uso de fontes de energia renov\u00e1vel como a solar e a e\u00f3lica em substitui\u00e7\u00e3o a combust\u00edveis f\u00f3sseis. As centrais deveriam aumentar de 22% para 28% a parcela de fonte de energia limpa empregada. Cada Estado ter\u00e1 metas espec\u00edficas. Tratou-se da primeira vez que os Estados Unidos limitam a quantidade de carbono emitida por centrais termoel\u00e9tricas.<\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Diogo\/Downloads\/Marcha%20clima%2029%20de%20abril.doc#_ftnref3\"><sup>3<\/sup><\/a> Fraturamento hidr\u00e1ulico\u00a0\u00e9 um m\u00e9todo que possibilita a extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis l\u00edquidos e gasosos do subsolo. Tamb\u00e9m \u00e9 denominado\u00a0fratura hidr\u00e1ulica,\u00a0estimula\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica\u00a0ou pelo termo da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%C3%ADngua_inglesa\">l\u00edngua inglesa<\/a> <em>fracking<\/em>. (\u2026) existe um amplo consenso cient\u00edfico de que o fraturamento hidr\u00e1ulico oferece grandes riscos para o ambiente e para a sa\u00fade humana, e os protestos contra seu emprego t\u00eam crescido em todo o mundo. (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fraturamento_hidr%C3%A1ulico\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fraturamento_hidr%C3%A1ulico<\/a>)<\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 29 de Abril, a Marcha do Povo pelo Clima levou \u00e0s ruas centenas de milhares de pessoas, em 25 pa\u00edses, em defesa de justi\u00e7a clim\u00e1tica, contra o aquecimento global e outras consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas da economia capitalista.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[1091],"class_list":["post-2351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-peoples-climate-march-clima-obama-trump-alteracoes-climaticas-mas-movimento-alternativa-socialista-acordo-paris"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/climatemovement.jpg?fit=500%2C269","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2350"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}