{"id":2349,"date":"2017-04-21T11:04:43","date_gmt":"2017-04-21T10:04:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/04\/21\/ganhar-o-poder-nao-apenas-o-governo\/"},"modified":"2017-04-21T11:04:43","modified_gmt":"2017-04-21T10:04:43","slug":"ganhar-o-poder-nao-apenas-o-governo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/04\/21\/ganhar-o-poder-nao-apenas-o-governo\/","title":{"rendered":"Ganhar o poder, n\u00e3o apenas o governo"},"content":{"rendered":"<p>Em 25 anos, os partidos de esquerda juntaram-se a amplos governos de coliga\u00e7\u00e3o e sa\u00edram sem nada para mostrar.<sup><span style=\"font-size: 10pt;\">1<\/span><\/sup><\/p>\n<p>  <!--more-->  Ser\u00e1 um atalho, se parece o \u00fanico caminho a seguir? Muitos partidos de esquerda na Europa hoje olham para a participa\u00e7\u00e3o em coliga\u00e7\u00f5es de centro-esquerda como a \u00fanica forma realista de conseguir reformas. Muitas vezes justificam a entrada nestes governos ao dizer que ter um partido de esquerda no governo se ir\u00e1 travar as medidas mais regressivas e impedir for\u00e7as reacion\u00e1rias de assumirem o poder. Estes partidos tamb\u00e9m acreditam que a participa\u00e7\u00e3o em governos ir\u00e1 aumentar a sua credibilidade aos olhos dos votantes e aderentes, refor\u00e7ando, em \u00faltima inst\u00e2ncia, as perspetivas de um governo pr\u00f3prio. <strong>Vinte e cinco anos de hist\u00f3ria, no entanto, sugerem que estas expectativas raramente se cumprem.<\/strong> <\/p>\n<p><strong>It\u00e1lia<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, a Refunda\u00e7\u00e3o Comunista italiana tornou-se um elemento importante da esquerda europeia. Inserida na longa tradi\u00e7\u00e3o comunista do pa\u00eds, cr\u00edtica da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, internamente diversa e plural, aberta a novas ideias, e profundamente enraizada nos movimentos sociais. A Refunda\u00e7\u00e3o apareceu para muitos como um modelo para novas forma\u00e7\u00f5es de esquerda radical pelo continente. Jogou um papel fundamental nos protestos anti-globaliza\u00e7\u00e3o de 2001, em G\u00e9nova, e deu um importante contributo para os movimentos anti-guerra que levaram 3 milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas de Roma em 15 de Fevereiro de 2003.<\/p>\n<p>No entanto, de 2006 a 2008, a Refunda\u00e7\u00e3o rendeu-se \u00e0 pol\u00edtica do mal menor, entrando numa coliga\u00e7\u00e3o de centro-esquerda para impedir Silvio Berlusconi de voltar ao poder. Uma vez no governo, o partido foi for\u00e7ado n\u00e3o apenas a defender cortes or\u00e7amentais aos quais se tinha oposto at\u00e9 ent\u00e3o, mas tamb\u00e9m a votar a favor de interven\u00e7\u00f5es militares no L\u00edbano e no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>A Refunda\u00e7\u00e3o expulsou dois deputados que continuadamente votaram contra a interven\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o governamental tornou o \u201cpartido dos movimentos\u201d numa organiza\u00e7\u00e3o que muitas vezes parecia opor-se a eles \u2013 o \u201cpartido das alternativas\u201d viu-se compelido a aplicar pol\u00edticas do \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d. As suas escassas tentativas de impulsionar reformas sociais progressivas passaram maioritariamente despercebidas.<\/p>\n<p>O desfecho provou ser catastr\u00f3fico: apenas dois anos depois, Berlusconi retoma o poder e a Refunda\u00e7\u00e3o perdeu todos os seus deputados \u2013 a primeira vez desde 1945 que o parlamento italiano n\u00e3o tinha qualquer for\u00e7a comunista representada.<\/p>\n<p>E tem vindo a piorar em todos os processos eleitorais desde ent\u00e3o. Tanto o partido como os movimentos sociais entraram numa depress\u00e3o pol\u00edtica de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Ver antigos aliados passar para o lado de l\u00e1 da barricada criou uma atmosfera de desconfian\u00e7a e sectarismo.<\/p>\n<p>A subsequente aliena\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico de grande parte da sociedade italiana maioritariamente \u2013 se n\u00e3o exclusivamente \u2013 beneficiou o partido de protesto de Beppe Grillo, o Movimento Cinco Estrelas. A passagem da Refunda\u00e7\u00e3o pelo governo descredibilizou-a tanto que j\u00e1 n\u00e3o consegue aproximar-se do descontentamento da maioria dos votantes.<\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Outro dos outrora grandes partidos da esquerda europeia ocidental, o Partido Comunista Franc\u00eas (PCF), enfrentou perdas similares ap\u00f3s ter entrado para o governo. Nas legislativas de 1997 o PCF conquistou 9.9% dos votos e juntou-se \u00e0 Esquerda Plural, uma coliga\u00e7\u00e3o chefiada pelo socialista Lionel Jospin.<\/p>\n<p>Este governo gozou de um relativo sucesso ao in\u00edcio, tendo conseguido importantes reformas, como a semana de 35 horas, recusando a submeter-se \u00e0 estrat\u00e9gia da Terceira Via que Schr\u00f6der e Blair estavam orquestrando.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiu, no entanto, romper com a estrutura neoliberal. Em ultima inst\u00e2ncia, implementou o mais completo plano de privatiza\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria recente e concordou em participar, junto da NATO, na guerra na S\u00e9rvia em 1999.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2002, o PCF colapsou, obtendo 4,8% dos votos. Dois anos depois voltou a cair para 4,3%. Recuperou ligeiramente gra\u00e7as \u00e0 sua alian\u00e7a com o partido de M\u00e9lenchon, quando conseguiu 6,9% &#8211; melhor, mas ainda bastante inferior aos seus resultados pr\u00e9-governo.<\/p>\n<p>A maior for\u00e7a de esquerda francesa descredibilizou-se ao participar num governo neoliberal, circunst\u00e2ncia que permitiu \u00e0 Frente Nacional (FN) tornar-se no partido mais forte do pa\u00eds. De facto, a FN tem os seus melhores resultados nos antigos basti\u00f5es do PCF.<\/p>\n<p><strong>Escandin\u00e1via<\/strong><\/p>\n<p>Surfando na onda de indigna\u00e7\u00e3o p\u00fablica no despertar da crise financeira, o Partido Verde Island\u00eas (VG) obteve um espetacular resultado de 21,7% nas elei\u00e7\u00f5es de 2009 e subsequentemente chefiou o governo do pa\u00eds. Embora a Isl\u00e2ndia tenha estruturado os resgates aos bancos de forma diferente dos restantes pa\u00edses europeus, manteve globalmente o paradigma neoliberal. Enquanto o VG sempre se tenha oposto a aderir \u00e0 NATO e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, o partido acabou por orientar o governo para solicitar entrada na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Em 2013, o resultado do partido baixo para metade, 10,9%. Ap\u00f3s os Panam\u00e1 Papers reacenderem a crise do sistema pol\u00edtico, o VG, ent\u00e3o na oposi\u00e7\u00e3o, conseguiu recuperar uns meros 5 pontos, subindo para 15,9% nas legislativas mais recentes. O arrivista Partido Pirata, n\u00e3o manchado pelo governo, ficou logo atr\u00e1s, com 14,5%.<\/p>\n<p>Vemos traject\u00f3ria semelhantes noutros partidos de esquerda escandinavos: o Partido Socialista de Esquerda noruegu\u00eas (SV) viu o seu apoio descer de 8,8% para 4,1% durante o seu per\u00edodo no governo (2005-2013). O Partido de Esquerda sueco (V) defrontou-se com um decl\u00ednio similar. Uma d\u00e9cada ap\u00f3s a sua campanha de extrema-esquerda cr\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia em 1998 onde obteve 12% dos votos, amansou a sua imagem radical ap\u00f3s integrar uma coliga\u00e7\u00e3o com os Verdes. Em 2014, o partido recolheu apoio de apenas 5,6% dos votantes.<\/p>\n<p>O Partido Socialista do Povo dinamarqu\u00eas (SF) organizou uma campanha semelhante, cr\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia, em 2007, chegando a 13%. Em 2011, conduziu uma campanha mais moderada com esperan\u00e7as de integrar governo, e o seu apoio caiu para 9,2%. A sua subsequente participa\u00e7\u00e3o numa coliga\u00e7\u00e3o de centro-esquerda baixou a sua popularidade ainda mais. Em 2015, conseguiu apenas 4,2% dos votos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o foi menos dram\u00e1tica na Finl\u00e2ndia. Em 1995, a Alian\u00e7a de Esquerda (VAS) integrou um governo de \u201ccoliga\u00e7\u00e3o arco-ir\u00eds\u201d (envolvendo partidos da esquerda \u00e0 direita) ap\u00f3s conseguir 11,2%. Em 2003, o partido recebeu apenas 9,9% mas reintegrou o governo em 2011 com 8,1%. A decis\u00e3o do partido de sair da coliga\u00e7\u00e3o anes do fim do mandato provavelmente resgatou-o de um decl\u00ednio mais dram\u00e1tico: conseguiu assegurar 7,1% em 2015.<\/p>\n<p><strong>No lugar do condutor?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns podem argumentar que as circunst\u00e2ncias mudam quando um partido de esquerda dirige o governo, em vez de servir como parceiro menor. Mas a experi\u00eancia grega sugere, pelo menos, que nem sempre \u00e9 assim. O poder institucional da troika for\u00e7ou o Syriza a implementar e at\u00e9 expandir as pol\u00edticas neoliberais. Como resultado, o partido perdeu um sector inteiro de aderentes, incluindo personalidades de renome. Apenas em 6 meses de governo, j\u00e1 tinha perdido centena de milhares de votos. Segundo as sondagens, esta tend\u00eancia continua.<\/p>\n<p>Os acontecimentos do Chipre s\u00e3o igualmente desmoralizadores. Em 2008, um comunista ganhou a presid\u00eancia pela primeira vez na hist\u00f3ria do pa\u00eds. O seu partido, o Partido Progressivo do Povo Trabalhador (AKEL), conseguiu apoio massivo, mas o governo, mesmo assim, aninhou-se sob a press\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es europeias e for\u00e7ou a aplica\u00e7\u00e3o de medidas de austeridade draconianas. Os resultados do partido ca\u00edram em 10% nas presidenciais seguintes.<\/p>\n<p>Embora fora da Europa, podemos observar os mesmos desenvolvimentos na Gronel\u00e2ndia: em 2009, o social-democrata Inuit Ataqatigiit recebeu uns estonteantes 43,7% dos votos totais. O partido assumiu o governo, mas falhou em cumprir as expectativas dos votantes. O seu apoio desceu para 34,4% em 2013, e deixou o governo.<\/p>\n<p><strong>As raizes da derrota<\/strong><\/p>\n<p>Esta pesquisa demonstra que nenhum exemplo de participa\u00e7\u00e3o da esquerda em governos produziu rupturas com o neoliberalismo nos \u00faltimos vinte e cinco anos. Para al\u00e9m disso, a estrat\u00e9gia do mal menor simplesmente n\u00e3o teve sucesso, mesmo nos seus pr\u00f3prios termos. Estes falhan\u00e7os desapontaram os votantes, que esperavam reformas em larga escala, e contribu\u00edram para a perce\u00e7\u00e3o alargada de que a esquerda pertence ao establishment. Em muitos pa\u00edses, isto ajudou a potenciar o crescimento de partidos populistas de direita e fascistas.<\/p>\n<p>Porque falharam tantos governos de esquerda? Poder\u00edamos apregoar que os l\u00edderes partid\u00e1rios por toda a Europa s\u00e3o lobos neoliberais em peles de cordeiro vermelhas, que intencionalmente traem os seus princ\u00edpios partid\u00e1rios quando chegados ao poder. Ou podemos postular que estes l\u00edderes t\u00eam boas inten\u00e7\u00f5es mas os partidos neoliberais passam-lhes a perna na mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Se qualquer destas fosse verdade, de qualquer maneira, ent\u00e3o tudo o que necessitar\u00edamos seria substituir estes l\u00edderes corruptos ou ineficientes com outras alas do partido.<\/p>\n<p>Em boa verdade, encontramos exemplos de ambos estes cen\u00e1rios na hist\u00f3ria recente, mas, no geral, n\u00e3o s\u00e3o explica\u00e7\u00e3o suficiente para estas perdas recorrentes. As respetivas tradi\u00e7\u00f5es, composi\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es destes partidos diferem demasiado para reduzir os seus falhan\u00e7os a um problema de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em vez disso, devemos localizar a causa na balan\u00e7a da luta de classes. O capital tornou-se t\u00e3o forte que consegue suportar tentativas de governos de esquerda para o reformar, e tamb\u00e9m consegue transformar esses governos em instrumentos dos seus pr\u00f3prios interesses. Os exemplos acima demonstram que o reformismo de esquerda na Europa n\u00e3o produz nem uma ruptura real com o neoliberalismo nem fortalece as for\u00e7as de esquerda.<\/p>\n<p><strong>Pensar a estrat\u00e9gia para l\u00e1 do governo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os partidos de esquerda europeus deviam aceitar que o caminho para a transforma\u00e7\u00e3o social atrav\u00e9s de governos de centro-esquerda est\u00e1 vedado actualmente. Em vez disso, t\u00eam que desenvolver estrat\u00e9gias alternativas e trabalhar para alterar o balan\u00e7o das for\u00e7as ao construir pacientemente partidos de esquerda, movimentos de massas e sindicatos fortes, interligados e bem organizados.<\/strong><\/p>\n<p>A esquerda s\u00f3 vai conseguir espremer concess\u00f5es substanciais ao capital quando este for obrigado a jogar \u00e0 defesa. Conseguimo-lo ao intensificar as lutas sociais e fazer os capitalistas temer pelo seu futuro. Mesmo nessa altura, ficar\u00e1 para debate se governos de esquerda representam a estrat\u00e9gia adequada para uma transforma\u00e7\u00e3o socialista \u2013 mas pelo menos daria aos partidos de esquerda a oportunidade de fazer mais no governo do que somente repetir as mesmas derrotas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>NOTAS<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><sup>1<\/sup> Traduzimos este texto da revista de esquerda norte-americana Jacobin (<a href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/2017\/04\/left-parties-government-elections-socialist-politics\/\">https:\/\/www.jacobinmag.com\/2017\/04\/left-parties-government-elections-socialist-politics\/<\/a>). Consideramos que a reflex\u00e3o que faz traz importantes reflex\u00f5es para a esquerda hoje, em particular para a esquerda portuguesa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 25 anos, os partidos de esquerda juntaram-se a amplos governos de coliga\u00e7\u00e3o e sa\u00edram sem nada para mostrar.1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2348,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[116,403,476,114,115,117],"class_list":["post-2349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-alternativa","tag-eleicoes","tag-esquerda","tag-mas","tag-movimento","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/rifondazione.jpg?fit=919%2C613","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2348"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}