{"id":2308,"date":"2017-03-01T10:32:43","date_gmt":"2017-03-01T09:32:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/03\/01\/trabalhadoras-de-todo-o-mundo-uni-vos-no-8-de-marco-e-mais-alem\/"},"modified":"2017-03-01T10:32:43","modified_gmt":"2017-03-01T09:32:43","slug":"trabalhadoras-de-todo-o-mundo-uni-vos-no-8-de-marco-e-mais-alem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/03\/01\/trabalhadoras-de-todo-o-mundo-uni-vos-no-8-de-marco-e-mais-alem\/","title":{"rendered":"Trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos! No 8 de Mar\u00e7o e mais al\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma caracter\u00edstica que emerge quando mulheres se organizam com um objetivo comum \u00e9 a sua ess\u00eancia revolucion\u00e1ria. Uma mulher que toma consci\u00eancia das suas amarras \u00e9 imediatamente movida para a frente de combate. \u00c9 uma for\u00e7a indom\u00e1vel.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo ano vimos mobiliza\u00e7\u00f5es em massa de mulheres, que fizeram a terra tremer. Com a elei\u00e7\u00e3o de Trump, cuja figura e propostas declaradas representam uma preocupante amea\u00e7a \u00e0 nossa liberdade, as mulheres uniram-se em todo o mundo. Esta mobiliza\u00e7\u00e3o internacional deve ser analisada com aten\u00e7\u00e3o e essa energia orientada para uma mudan\u00e7a efetiva no concreto. Num mundo capitalista que remete a mulher para o espa\u00e7o privado, que sustenta uma estrutura que a mant\u00e9m alienada do seu poder na vida pol\u00edtica, estas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem evaporar-se com o passar do dia assinalado. \u00c9 necess\u00e1rio pensarmos bem sobre os motivos que nos movem e elaborarmos um programa de continuidade que consolide toda a for\u00e7a e trabalho que precede tais acontecimentos.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o integre os curr\u00edculos escolares, historicamente, as mulheres foram motores essenciais do despoletar de profundas mudan\u00e7as no mundo alterando decisivamente a sua evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante regressarmos a esses momentos da hist\u00f3ria porque representam acontecimentos que nos devem dar confian\u00e7a e servir de exemplo, sabendo a opress\u00e3o que as mulheres sofriam naquela \u00e9poca, e nos orgulharmos da coragem que elas demonstraram nas a\u00e7\u00f5es de reivindica\u00e7\u00e3o que tomaram contra o poder instalado. A 5 de Outubro de 1789, uma multid\u00e3o de mulheres do povo marchou de Paris a Versailles e for\u00e7ou a sa\u00edda do Rei Louis XVI e Marie Antoinette, despoletando assim a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e marcando um momento decisivo na hist\u00f3ria da democracia (<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2017\/jan\/19\/womens-march-washington-occupy-protest\">https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2017\/jan\/19\/womens-march-washington-occupy-protest<\/a>). Apesar do importante papel das mulheres nesta altura a figura feminina que brilha nos registos \u00e9 aquela que estava do lado da realeza, Marie Antoinette. A mulheres foram na realidade protagonistas pol\u00edticas de uma das revolu\u00e7\u00f5es mais faladas da hist\u00f3ria, sendo a marcha sobre Versailles um marco in\u00e9dito do ativismo das mulheres do povo na Fran\u00e7a e na Europa. A 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Mar\u00e7o no calend\u00e1rio gregoriano) cerca de 50 000 mulheres entraram em greve em Petrogrado contra o racionamento de comida implementado pelo regime czarista, sendo este acontecimento recordado por Trotsky como o desencadeador da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. N\u00f3s, que hoje nos organizamos numa alternativa pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos grupos institucionalizados, devemos estudar as lutas das nossas antepassadas e partilhar com o mundo essa informa\u00e7\u00e3o que foi empurrada para as margens da hist\u00f3ria. Resgatar aos factos hist\u00f3ricos o papel que as mulheres desempenharam na constru\u00e7\u00e3o da sociedade como a conhecemos hoje deve ser parte fundamental da milit\u00e2ncia de todo o partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O ativismo feminista \u00e9 necess\u00e1rio porque entre os trabalhadores, a submiss\u00e3o das mulheres pela classe dominante \u00e9 ainda mais severa.<\/strong> De modo geral, as mulheres ganham menos que os homens e em momentos de crise econ\u00f3mica esse desfasamento \u00e9 acentuado (Portugal foi dos pa\u00edses europeus onde essa discrep\u00e2ncia mais aumentou com a crise, chegando aos 16%). A vulnerabilidade econ\u00f3mica em que muitas vezes se encontra for\u00e7a-a a manter-se em relacionamentos onde \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia machista. A inferioridade da sua capacidade econ\u00f3mica for\u00e7a-a na maioria das vezes a abandonar a sua atividade laboral para servir nos cuidados dom\u00e9sticos da casa, filhos e cuidados de familiares idosos. Quando mant\u00e9m o seu trabalho encontra-se submetida a uma tripla jornada de trabalho que lhe \u00e9 socialmente imposta (emprego, tarefas dom\u00e9sticas e cuidado de filhos e terceiros). N\u00e3o existindo uma estrutura social do estado que se responsabilize pelos cuidados b\u00e1sicos e necess\u00e1rios da vida quotidiana, essas tarefas s\u00f3 s\u00e3o realizadas porque n\u00f3s mulheres continuamos a aceitar\/aceder \u00e0 press\u00e3o que nos \u00e9 imposta para faz\u00ea-lo. Estas din\u00e2micas est\u00e3o t\u00e3o entranhadas em n\u00f3s que carregamos a culpa caso essas lides fiquem por fazer por decidirmos parar. \u00c9 nesse sentido que devemos despertar as consci\u00eancias das mulheres para a luta e dizer basta! \u00c9 por estes motivos e outros mais que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil trazermos as mulheres a participar e serem agentes decisoras da vida p\u00fablica, da pol\u00edtica. Por isso, o momento que estamos a testemunhar hoje, esta mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo deve ser encarada como algo mais, algo al\u00e9m do 8 de Mar\u00e7o. \u00c9 preciso dar orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 energia proveniente deste despertar nas consci\u00eancias para canalizar essa for\u00e7a para fins concretos.<\/p>\n<p><strong>Face ao ascenso da extrema direita nos EUA e \u00e0s elei\u00e7\u00f5es que se aproximam na Europa com um cen\u00e1rio semelhante, este movimento de massas pode revelar-se fulcral na determina\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos acontecimentos. Estamos a testemunhar um retrocesso concreto das nossas liberdades democr\u00e1ticas que tem que ser travado antes que o cen\u00e1rio nos tire a esperan\u00e7a. <\/strong>A aprova\u00e7\u00e3o da descriminaliza\u00e7\u00e3o na lei aplicada aos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica na R\u00fassia \u00e9 um exemplo flagrante dos tempos que se poder\u00e3o estar a aproximar. Hoje, existir um pa\u00eds que descriminaliza o acto de bater numa mulher al\u00e9m de escandaloso \u00e9 sinal de alerta \u00e0 comunidade internacional. Como vimos na Pol\u00f3nia, na Argentina ou Irlanda, o poder para fazer frente a estas decis\u00f5es est\u00e1 no povo, entre as pessoas que sentem na pele o significado de medidas desse tipo. N\u00e3o ser\u00e3o os grupos institucionalizados a travar essa luta mas sim a classe trabalhadora unida e consciente das implica\u00e7\u00f5es que constituem a sua paralisa\u00e7\u00e3o. Por isso apelamos \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres no pr\u00f3ximo 8 de mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher, dia de luta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma caracter\u00edstica que emerge quando mulheres se organizam com um objetivo comum \u00e9 a sua ess\u00eancia revolucion\u00e1ria. 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