{"id":2300,"date":"2017-02-23T21:11:59","date_gmt":"2017-02-23T20:11:59","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/23\/fascismo-com-outro-nome\/"},"modified":"2017-02-23T21:11:59","modified_gmt":"2017-02-23T20:11:59","slug":"fascismo-com-outro-nome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/23\/fascismo-com-outro-nome\/","title":{"rendered":"Fascismo com outro nome"},"content":{"rendered":"<p>A Frente Nacional francesa usou todos os velhos truques fascistas para ganhar poder.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas e regionais francesas de 2015 marcaram n\u00e3o s\u00f3 a derrota do governo e o colapso da esquerda, mas tamb\u00e9m o avan\u00e7o da Frente Nacional (FN). O partido de extrema-direita n\u00e3o ganhou qualquer regi\u00e3o, mas quando comparado com 2010, triplicou a sua vota\u00e7\u00e3o na primeira ronda das elei\u00e7\u00f5es e ainda ganhou novos votos entre a primeira e a segunda rondas. Entre estes resultados e as sondagens, pensa-se que a FN possa ter melhor resultado que em 2002, quando Jean-Marie Le Pen chegou \u00e0 segunda ronda das presidenciais.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">A FN consolidou a maioria dos elementos reacion\u00e1rios da sociedade francesa e est\u00e1 a atrair uma parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o. Caso chegue ao poder, ir\u00e1 certamente n\u00e3o s\u00f3 legitimar o racismo sist\u00e9mico impregnado na sociedade francesa mas tamb\u00e9m, de forma a satisfazer a sua base activista, intensificar as pol\u00edticas j\u00e1 existentes que t\u00eam como alvo as comunidades imigrantes, nomeadamente a mu\u00e7ulmana e a romena.<\/span><\/p>\n<p>Na realidade, isto j\u00e1 acontece em Calais, antes da demoli\u00e7\u00e3o do campo onde milhares de imigrantes viviam, estes sofriam investidas regulares de grupos de extrema-direita<sup>1<\/sup>. O sucesso eleitoral da FN impressionou parte da popula\u00e7\u00e3o e a solidariedade com imigrantes est\u00e1 precariamente organizada. A somar a isto, pequenos grupos violentos come\u00e7aram a crescer, o de maior destaque \u00e9 o Bloco da Identidade (BI), que \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3ximo da FN que compartilham membros, incluindo o activista anti-mu\u00e7ulmanos Philippe Vardon, que agora foi eleito pela FN mas foi condenado a 6 meses de pris\u00e3o por agress\u00f5es a pessoas n\u00e3o-brancas em 2014.<\/p>\n<p>Frente ao crescimento da direita, a esquerda parece presa em menosprezar o perigo da FN abrindo espa\u00e7o para o derrotismo. Ambas as atitudes derivam da incapacidade da esquerda de compreender fen\u00f3menos neofascistas como a FN.<\/p>\n<p>Por um lado, alguns interligam, justificadamente, o crescimento da extrema-direita \u00e0 instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f3mica. Em sintonia, Jacques Ranci\u00e8re descreve a FN como \u201cproduto da Quinta Rep\u00fablica\u201d. Outros caracterizam-na como um efeito secund\u00e1rio do neo-liberalismo. Enquanto esta coloca correctamente a din\u00e2mica fascista no contexto do capitalismo, falha em compreender a sua relativa autonomia dos interesses imediatos do capital.<\/p>\n<p>Outros te\u00f3ricos d\u00e3o \u00eanfase a esta autonomia como ao perigo mortal que a extrema-direita representa, mas menosprezam as suas ra\u00edzes econ\u00f3micas. Isto muitas vezas produz a op\u00e7\u00e3o do \u201cmal menor\u201d, cujos apoiantes afirmam que uma alian\u00e7a eleitoral com for\u00e7as pol\u00edticas burguesas \u2013 como o Partido Socialista (PS) de centro-esquerda ou os republicanos de direita (LR, antigo Movimento para a Uni\u00e3o Popular) \u2013 \u00e9 a \u00fanica forma de derrotar o fascismo.<\/p>\n<p>Em vez de cair nestas armadilhas, devemos aprender dos estudos hist\u00f3ricos sobre o fascismo e utilizar esse conhecimento para formar as nossas respostas \u00e0 FN. Quando o fizermos, veremos que temos que rejeitas n\u00e3o s\u00f3 as mais violentas express\u00f5es da xenofobia, mas tamb\u00e9m manifesta\u00e7\u00f5es convencionais de racismo que assaltaram a vida cultural e pol\u00edtica francesas. Apenas distanciando-nos da extrema-direita e do extremo-centro pode a esquerda derrotar esta crescente amea\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A ilus\u00e3o de uma \u201cnova FN\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O primeira barreira para compreender a din\u00e2mica fascista francesa parte de como a FN foi caracterizada desde os anos 90, mas especialmente nos \u00faltimos 6 anos. Muitos analistas convencionais asseguram-nos que a FN transitou de neo-fascismo para \u201cpopulismo\u201d (ou \u201cnacional-populismo\u201d), movendo-se da extrema-direita para ligeiramente \u00e0 direita do centro. Aguns inclusiv\u00e9 afirmam que nunca foi verdadeiramente fascista porque a cultura pol\u00edtica francesa seria \u201cimune\u201d ao fascismo, como muitos historiadores franceses afirmam constantemente (e absurdamente) que nunca existiu tal coisa como um verdadeiro fascismo franc\u00eas no s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>No entanto, a \u201cFrente Nacional para a Unidade Francesa\u201d (que \u00e9 o seu nome original) foi criada no in\u00edcio dos anos 70 pelo partido Nova Ordem, que tem a sua raiz na hist\u00f3ria do fascismo franc\u00eas, e a FN foi imaginada como uma organiza\u00e7\u00e3o ampla onde os neo-fascistas \u2013 renomeados de \u201cnacionalistas\u201d &#8211; poderiam atrair, manejar, e dirigir os nacionalistas moderados da direita tradicional.<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o da t\u00e3o falada transforma\u00e7\u00e3o da FN e da \u201cnova FN\u201d foi ao encontro da pr\u00f3pria narrativa do partido, popularizada nos \u00faltimos anos e, de acordo com a qual, desde que Marine Le Pen se tornou l\u00edder do partido em 2011, a FN j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de extrema-direita que costumava se. Esta estrat\u00e9gia, conhecida como \u201cdesdemoniza\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o poderia ser conclu\u00edda sem ajuda de jornalistas, legisladores (especialmente Nicolas Sarkozy), e at\u00e9 alguns acad\u00e9micos, todos legitiamando as reivindica\u00e7\u00f5es desta. A tomada do partido de Marine Le Pen e o conflito aberto com o seu pai foram tidos como prova da transforma\u00e7\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>A ruptura parece comprovar-se ainda mais pela inclus\u00e3o do partido de algumas personalidades anteriormente ligadas \u00e0 esquerda: Florian Philippot (um tecnocrata que pertenceu \u00e0 corrente nacionalista de esquerda Chev\u00e8nementists), Robert M\u00e9nard (antigo l\u00edder dos Report\u00e9res sem fronteiras), o advogado Gilbert Collard, e at\u00e9 ex-activistas de extrema-esquerda como Fabien Englemann e Aur\u00e9lien Legrand. Houve tamb\u00e9m um esfor\u00e7o para suavizar as apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do partido e at\u00e9 para mudar a linguagem utilizada por figuras p\u00fablicas do partido ou mesmo de activistas de base para dar uma imagem menos agressiva. Por exemplo, o slogan da FN j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 \u201cFran\u00e7a aos franceses\u201d mas \u201cOs franceses primeiro\u201d.<\/p>\n<p>Mas quando deixamos de pensar na traject\u00f3ria pol\u00edtica da FN em termos de mudan\u00e7a de s\u00edmbolos e palavras de ordem, para o pensarmos em termos de projecto pol\u00edtico, a ruptura de Marine Le Pen com o seu pai n\u00e3o representou qualquer mudan\u00e7a significativa no partido, mas sim uma nova manifesta\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia a longo prazo para ganhar apoio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O engodo da FN est\u00e1 alinhado com a a estrat\u00e9gia pol\u00edtica do fascismo cl\u00e1ssico. Na Anatomia do Fascismo, o historiador Robert Paxton argumenta que os movimentos de extrema-direita usam as ideias essencialmente como instrumentos: as suas promessas s\u00e3o contradit\u00f3rias e as suas organiza\u00e7\u00f5es mudam radicalmente para ganhar um mais amplo leque de seguidores. Por exemplo, os partidos fascistas, por vezes reijeitam reijeitam a modernidade, industrializa\u00e7\u00e3o e o capitalismo em virtude de valores tradicionais fortemente enraizados. Outras tantas, defendem estas mesmas ideias em nome da transforma\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Um exemplo desta instrumentaliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e9 a falada viragem para as quest\u00f5es sociais da FN \u2013 a sua s\u00fabita preocupa\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora e a defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos. No entanto, se olharmos melhor, vemos mais uma vez que esta estrat\u00e9gia \u00e9 bastante anterior \u00e0 lideran\u00e7a de Marine Le Pen. Jean-Marie Le Pen costumava autodenominar-se \u201co Reagan franc\u00eas\u201d, mas no in\u00edcio dos anos 90 rompeu com a linha neo-liberal. Na altura pensou que, com o desaparecimento das alternativa pol\u00edticas de esquerda para os trabalhadores (especialmente com o decl\u00ednio do Partido Comunista franc\u00eas e a convers\u00e3o do Partido Socialista ao neo-liberalismo) a FN poderia ocupar esse espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Ao faz\u00ea-lo, a FN ofuscou a linha entre a direita e a esquerda e retornou a uma das t\u00e1cticas mais eficazes do fascismo cl\u00e1ssico, enquanto a FN se apresentava nos anos 80 como um partido de direita com orgulho nos seus \u201cvalores\u201d. A viragem social foi aprofundada por Marine Le Pen nos \u00faltimos anos e, longe de se afastar do fascismo cl\u00e1ssico, aproximou-se a dele. Na It\u00e1lia em particular, o partido de Mussolini inicialmente avan\u00e7ou com uma plataforma aparentemente esquerda tendo at\u00e9 questionado radicalmente a propriedade privada. Chegado ao poder aliou-se \u00e0s elites tradicionais e largou imediatamente estas promessas eleitorais.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gica de maquilhar a FN \u00e9 feita para encobrir a sua ades\u00e3o pelas elites, amplamente dominada por empreendedores, CEOs e profissionais liberais (nomeadamente advogados). Olhando para os 40 anos de hist\u00f3ria do partido, podemos ver como a sua falsa transforma\u00e7\u00e3o se baseia em estrat\u00e9gias tradicionais do fascismo. E no entanto, muitos na esquerda (e at\u00e9 na extrema-esquerda) compraram, de forma mais ou menos explicita, este discurso. J\u00e1 n\u00e3o acreditam que a FN represente o perigo que representava \u00e0 15 anos atr\u00e1s. Como resultado, a esquerda e o movimento oper\u00e1rio t\u00eam sido cada vez mais desmotivados a mobilizar-se contra a FN.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de alvos<\/strong><\/p>\n<p>Alguns analistas assinalam a ruptura da FN com a sua tradi\u00e7\u00e3o anti-semita para demonstrar a mudan\u00e7a de pol\u00edtica do partido. N\u00e3o devemos exagerar esta evolu\u00e7\u00e3o: como documenta Nonna Mayer<sup>2<\/sup>, os apoiantes da FN ainda demonstram sentimentos anti-sem\u00edticos mais fortes que qualquer outro sector votante. Um partido cuja base se mantem maioritariamente comprometida com o anti-semitismo poderia usar esta ret\u00f3rica venenosa no futuro se parecer necess\u00e1rio ou at\u00e9 politicamente oportuno. N\u00e3o obstante, n\u00e3o podemos negar que a dire\u00e7\u00e3o da FN j\u00e1 n\u00e3o nega o Holocausto escolhendo agora minimizar a sua hist\u00f3ria anti-semita.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o representa uma mudan\u00e7a pol\u00edtica profunda. Em vez disso, marca uma transforma\u00e7\u00e3o inteligente mas meramente t\u00e1ctica. Louis Aliot, presidente da FN e companheiro de Marine Le Pen, disse em Dezembro de 2013:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cEnquanto distribuia panfletos na rua, apercebi-me que o tecto de vidro n\u00e3o era a imigra\u00e7\u00e3o ou o Isl\u00e3o (\u2026) \u00c9 o anti-semitismo que impede as pessoas de votar em n\u00f3s (\u2026) A Marine Le Pen concorda com isto desde que nos conhecemos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por uma quest\u00e3o de respeitabilidade, a direc\u00e7\u00e3o da FN abandonou desde ent\u00e3o ac\u00e7\u00f5es publicas anti-semitas, agora vendo-as como uma barreira \u2013 ao inv\u00e9s de um iman \u2013 para atrair novos sectores eleitorais. Claro que, isto n\u00e3o quer dizer que a FN deixou de ser racista. Em vez disso, substituiram judeus por mu\u00e7ulmanos como o seu principal alvo. Na Fran\u00e7a, \u00e9 muitos menos prov\u00e1vel as pessoas condenarem a islamofobia devido \u00e0 sua omnipresen\u00e7a na cultura pol\u00edtica<sup>3<\/sup> e porque perp\u00e9tua, de formas novas e \u201ctoler\u00e1veis\u201d, o racismo colonial.<\/p>\n<p>O racismo ainda constitui o cimento ideol\u00f3gico da base eleitoral e activista da FN. O estudo de Nonna Mayer aponta que 82% dos apoiantes da FN afirmam ser \u201calgo racistas\u201d ou \u201cum pouco racistas\u201d. Este racismo expressa-se em hostilidade violenta para com os mu\u00e7ulmanos ao qualquer um que seja visto como tal: como indica Mayer, \u201cum tra\u00e7o caracter\u00edstico dos partid\u00e1rios da FN \u00e9 uma crescente polariza\u00e7\u00e3o anti-isl\u00e2mica que \u00e9 bastante mais flagrante que o seu anti-semitismo\u201d. Claro, a islamofobia n\u00e3o est\u00e1 restringida \u00e0 extrema-direita, mas esta \u00faltima expressa-a mais violentamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apesar do crescimento da islamofobia na pol\u00edtica francesa na \u00faltima d\u00e9cada, acrescenta Mayer, o eleitorado da FN continua a distinguir-se. Quando comparado com outros votantes, 42% mais votantes da FN recusam-se a reconhecer os mu\u00e7ulmanos como cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cO preconceito contra a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana \u00e9 maior em 42 pontos (\u2026) O sentimento que os mu\u00e7ulmanos constituem um grupo \u00e0 parte \u00e9 maior em 35 pontos [e] (\u2026) a sua recusa de pena judicial para coment\u00e1rios insultuosos [contra mu\u00e7ulmanos] \u00e9 maior em 28 pontos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O conflito entre os Le Pen \u00e9 falsamente apresentado como uma luta entre as linhas dura e moderada. O que realmente estava em jogo era a funcionalidade do anti-semitismo nas democracias capitalistas actuais e a ruptura com Jean-Marie Le Pen foi para recusar qualquer alus\u00e3o anti-semita (teorizada pela nova direc\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa que a FN rompeu com a sua ret\u00f3rica racista e xen\u00f3foba. Por exemplo, n\u00e3o houve qualquer luta entre Marine Le Pen e o seu pai quando este \u00faltimo, invocando o alegado \u201crisco de submer\u00e7\u00e3o\u201d da Fran\u00e7a pela imigra\u00e7\u00e3o, afirmou que o \u00c9bola poderia solucionar o problema \u201cem tr\u00eas meses\u201d<sup>4<\/sup>. Nenhum membro da direc\u00e7\u00e3o da FN condenou as suas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De facto, a filha parece ter herdado o talento ret\u00f3rico e o gosto pelas provoca\u00e7\u00f5es. Em 2010 comparou ora\u00e7\u00f5es de rua mu\u00e7ulmanas com a ocupa\u00e7\u00e3o Nazi<sup>5<\/sup>. Dois anos depois, concordou com milhares de pessoas gritando \u201cesta \u00e9 a nossa casa\u201d, dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cE porque est\u00e3o em casa, \u00e9 do vosso pleno direito que estejam fartos com esta franco-argelinos como Mohammed Merah [um homem que baleou 12 pessoas em 2012 incluindo tr\u00eas crian\u00e7as judaicas], estes franco-angolanos como o assassino de Bougenais, ou estes franco-malianos como os malucos de Paris! Queremos que os franceses amem a sua bandeira, que tenham orgulho no seu pa\u00eds!\u201d<\/em><\/p>\n<p>Em 2012, Marine Le Pen tamb\u00e9m disse numa entrevista:<em> \u201cAceitarias que 12 emigrantes ilegais se mudassem para o seu apartamento? N\u00e3o, n\u00e3o aceitarias. Para al\u00e9m disso, eles iriam come\u00e7ar a rasgar o pepal de parede. Alguns iriam roubar a tua carteira e violar a tua mulher.\u201d <\/em>Recentemente, em Setembro de 2015, comparou o acolhimento de refugiados com as \u201cinvas\u00f5es do s\u00e9c. IV\u201d e previu que a Fran\u00e7a \u201ctalvez seja sujeita \u00e0s mesmas consequ\u00eancias.\u201d Por \u00faltimo, durante as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es regionais, a presidente da FN concorreu numa plataforma que propunha, entre outras coisas, \u201crebaixar e erradicar toda a imigra\u00e7\u00e3o bacteriana.\u201d<\/p>\n<p>Se algo se mant\u00e9m constante no discurso da FN, \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o como a raiz de todos os males, desde o desemprego, terrorismo e crime at\u00e9 \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica e deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Nesta tem\u00e1tica, sobrep\u00f5e-se aos partidos convencionais. Enquanto este discurso violento continua a estar associado \u00e0 FN, sucessivos governos do PS e da LR legitimaram-no atrav\u00e9s de leis islamof\u00f3bicas.<\/p>\n<p>A FN \u00e0 muito tenta encaixar as suas obsess\u00f5es xen\u00f3fobas em termos comummente aceit\u00e1veis. Estudos hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos mostram que o partido sempre treinou os seus quadros para espalhar a viol\u00eancia racista atrav\u00e9s de um discurso politicamente correcto. Por exemplo, Val\u00e9rie Ignounet, uma historadora que teve acesso aos materiais de forma\u00e7\u00e3o internos da FN, cita um documento interno, n\u00e3o datado, da FN intitulado \u201cA imagem da Frente Nacional\u201d. Este diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cAssustar e ofender as pessoas tem que ser evitados se as vamos seduzir. Na nossa sociedade mole e temerosa, coment\u00e1rios n\u00e3o moderados causam grande parte da popula\u00e7\u00e3o a sentir apreens\u00e3o, desconfian\u00e7a e antipatia. Quando nos expressamos em p\u00fablico \u00e9 crucial que evitemos coment\u00e1rios que possam parecer brutos ou extermistas. Tudo o que se pode dizer de uma forma forma pode ser dito com o mesmo impacto numa linguagem j\u00e1 estabelecida que o p\u00fablico aceite. Portanto em de dizer \u201cvamos atirar os pretos ao mar\u201d por exemplo, digam que \u201cdeve ser organizado um retorno a casa para os imigrantes do terceiro mundo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Desde a sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao presente, a FN tentou mascarar ou suavizar o seu verdadeiro projecto pol\u00edtico para ganhar poder. O seu sucesso eleitoral e a ampla aceita\u00e7\u00e3o do seu discurso anti-mu\u00e7ulmano e anti-migra\u00e7\u00e3o revela menos uma transforma\u00e7\u00e3o basilar desde que Marine Le Pen assumiu a direc\u00e7\u00e3o, e mais uma radicaliza\u00e7\u00e3o nacionalista e islamof\u00f3bica dos partidos convencionais, media e comentadores.<strong> A ilus\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o da FN s\u00f3 pode ser produzida porque a islamofobia e a xenofobia agora invadem a pol\u00edtica convencional e os media na Fran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fascismo hist\u00f3rico hoje<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de novo em combinar um discurso racista e provocat\u00f3rio com a tentativa de que este pare\u00e7a respeit\u00e1vel. Como vimos, a FN pratica-o desde a sua forma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ajudou o fascismo cl\u00e1ssico a ganhar poder, especialmente na Alemanha. Ap\u00f3s o golpe falhado de 1923, Hitler persuadiu outros Nazis para conesguir legalmente o controlo e recuar no discurso e na viol\u00eancia at\u00e9 que tivessem controlo completo do estado. Como indica Robert Paxton:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cO \u201cgolpe da cerveja\u201d de Hitler foi (&#8230;) t\u00e3o vergonhosamente destru\u00eddo pelos l\u00edderes da Baviera que este resolveu nunca mais tomar o poder pela for\u00e7a. Isto significava manter-se, pelo menos superficialmente, dentro da legalidade constitucional, apesar de os Nazis nunca terem deixado a viol\u00eancia selectiva que era um central atractivo do partido, ou dicas sobre novos horizontes ap\u00f3s tomar o poder (&#8230;) Nem Hitler nem Mussolini chegaram ao poder com um golpe de estado. Nenhum pegou na coroa atrav\u00e9s da for\u00e7a, mesmo que ambos tenham usado da for\u00e7a antes de chegar ao poder para desestabilizar o regime existente, e ambos voltariam a usar da for\u00e7a novamente, ap\u00f3s chegar ao poder, de forma a transformar os seus governos em ditaduras.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Alguns especialistas franceses da extrema-direita contempor\u00e2nea ridicularizam aqueles que fazem compara\u00e7\u00f5es entre a actual situa\u00e7\u00e3o e o per\u00edodo entre as Guerras Mundiais. Como resultado, sugerem que, como os ultra-conservadores de hoje n\u00e3o partilham dos m\u00e9todos mais violentos do fascismo cl\u00e1ssico de estabelecer o poder, estes representam um movimento pol\u00edtico completamente \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Isto, claro, ignora as varia\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria fascista, como a Alemanha Nazi \u00e9 t\u00e3o diferente do Portugal de Salazar como a It\u00e1lia de Mussolini o \u00e9 do regime Vichy. Tamb\u00e9m ignora como a FN compreende o seu pr\u00f3prio lugar nesta tradi\u00e7\u00e3o. Fran\u00e7ois Duprat, um dos l\u00edderes da Nova Ordem que foi basilar para a cria\u00e7\u00e3o da FN em 1972, insistia que:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cDe forma alguma o fascismo assenta somente nos seus aspectos exteriores (ditadura, primazia do l\u00edder, partido \u00fanico, uniformes, sauda\u00e7\u00e3o militar, treino paramilitar, direc\u00e7\u00e3o da juventude).\u201d<\/em><\/p>\n<p>Como as compara\u00e7\u00f5es indicadas acima mostram, as estrutura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de discurso da FN e do fascismo cl\u00e1ssico s\u00e3o muito semelhantes, assim como os efeitos pol\u00edticos do seu crescimento.<\/p>\n<p><strong>Chamar \u00e0 FN de movimento neofascista n\u00e3o \u00e9 um apelo moral de forma a deslegitimar o partido. Mas sim, para insistir que o projecto fascista continua. Dado a sua estrat\u00e9gia pol\u00edtica e de discurso, a FN n\u00e3o mostra qualquer sinal de ter rompido com o seu projecto hist\u00f3rico para a extrema-direita francesa: uma restaura\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da aniquila\u00e7\u00e3o \u2013 brutal ou gradual \u2013 de toda a oposi\u00e7\u00e3o (pol\u00edtica, sindical, religiosa, art\u00edstica, etc) e pela submiss\u00e3o \u2013 se n\u00e3o a remo\u00e7\u00e3o violenta \u2013 de toda a popula\u00e7\u00e3o vista como amea\u00e7adora para a imagin\u00e1ria unidade da na\u00e7\u00e3o <\/strong>(imigrantes e seus descendentes, mu\u00e7ulmanos, homossexuais, esquerdistas, internacionalistas, sindicalistas e por a\u00ed fora).<\/p>\n<p>Nem esta caracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica quer indicar que o todos os membros activos da FN, e muito menos os votantes, s\u00e3o fascistas e aprovariam uma ditadura de extrema-direita. Afinal de contas, nos casos do fascismo hist\u00f3rico, nem todos os que apoiaram Mussolini na It\u00e1lia em 1921-1922 ou que votaram na NSDAP na Alemanha no in\u00edcio dos anos 30 estavam a favor da ideia de uma ditadura totalit\u00e1ria, nem a fortiori do Holocausto.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia e na Alemanha, os movimentos de extrema-direita chegaram ao poder ao fazer alian\u00e7as com a direita convencional ap\u00f3s terem ganho uma significativa (mas minorit\u00e1ria) parte do eleitorado. Na Alemanha, apenas 37% do eleitorado apoiava os Nazis antes de 1933. Desses, nem todos apoiavam as pol\u00edticas que viriam a ser implementadas nos anos seguintes, mesmo que a maoiria partilhasse, sem d\u00favida, um anti-semit\u00edsmo visceral.<\/p>\n<p><strong>Independentemente disto, n\u00e3o \u00e9 irrazo\u00e1vel acreditar que o partido possa evoluir numa direc\u00e7\u00e3o diferente. Com a crescente influ\u00eancia dos eleitos dentro do partido, estes poderiam iniciar um proceso de integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e colocar a tomada do poder dependente da manuten\u00e7\u00e3o das suas posic\u00f5es dentro do aparelho de estado.<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento, a FN recusa-se a aliar-se a qualquer partido de direita, esperando chegar ao poder sozinha ou numa posi\u00e7\u00e3o dominante, ap\u00f3s alcan\u00e7ar a hegemonia ideol\u00f3gica. Como resultado, tem que estar comprometida com a sua base ideol\u00f3gica. O discurso do partido anti-mu\u00e7ulmanos e anti-imigra\u00e7\u00e3o permite-lhe manter o interesse das suas bases. Ao fazer uma incurs\u00e3o por outros assuntos \u2013 economia, servi\u00e7os p\u00fablicos, ambiente ou cultura \u2013 colhe apoio de outros sectores da sociedade. Em tudo isto, a FN mantem um espa\u00e7o pol\u00edtico unicamente seu, nomeadamente o racismo e o nacionalismo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A necessidade de uma resposta socialista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cabe aos socialistas dar uma resposta oposta que possa derrotar o partidos de extrema-direita como a FN, e a primeira necessidade \u00e9 reconhecer a exist\u00eancia do perigo fascista.<\/strong><\/p>\n<p>Alguns na esquerda at\u00e9 negam que uma vit\u00f3ria eleitoral da FN iria alterar qualitativamente a situa\u00e7\u00e3o para os que j\u00e1 s\u00e3o explorados e oprimidos, argumentando que a FN \u00e9 apenas mais um partido pro-capitalista e racista, e que iria certamente ter um efeito positivo para acordar as pessoas. Esta \u00e9 uma aposta muito perigosa: como o fascismo hist\u00f3rico mostra, aqueles que levam por tabela da extrema-direita s\u00e3o as minorias oprimidas e os activistas de esquerda, e quando a din\u00e2mica fascista prevalece, o seu crescimento costuma levar a popula\u00e7\u00e3o ao des\u00e2nimo em vez da revolta. \u00c9 por isso que quando o perigo fascista existe como uma possibilidade concreta, tem de sem combatido imediatamente e com a m\u00e1xima energia e a mais ampla unidade das organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ser cego para n\u00e3o ver o perigo que a extrema-direita representa na Fran\u00e7a e como a chegada ao poder iria legitimar os elementos mais abertamente reacion\u00e1rios da sociedade francesa \u2013 os mesmos elementos mais h\u00f3stis para com o movimento sindical e os partidos de esquerda. O perigo espec\u00edfico associado com a din\u00e2mica fascista na Fran\u00e7a, cujo socesso eleitoral da FN \u00e9 apenas a faceta mais vis\u00edvel, n\u00e3o deve levar ao derrotismo e pede uma resposta espec\u00edfica da esquerda, porque embora o pior seja poss\u00edvel, nunca \u00e9 certo.<\/p>\n<p>Mas levar este perigo a s\u00e9rio n\u00e3o significa que a esquerda deva aliar-se ao PS ou \u00e0 direita convencional, e submeter a sua ac\u00e7\u00e3o \u00e0s agendas destes. As pol\u00edticas deles abriram o caminho para a FN, ent\u00e3o como podemos\u00a0 confiar neles para serem um baluarte contra a extrema-direita e uma garantia para a democracia?<\/p>\n<p><strong>O PS e a direita, que t\u00eam trabalhado em conjunto para promover pol\u00edticas islamof\u00f3bicas e anti-imigra\u00e7\u00e3o, devem levar com as culpas do sucesso da FN. Na verdade, os partidos convencionais provaram ser bombeiros piroman\u00edacos no que toca \u00e0 extrema-direita.<\/strong> Entre o seu discurso racista e anti-imigra\u00e7\u00e3o e as suas pol\u00edticas sociais, econ\u00f3micas, de defesa e de imigra\u00e7\u00e3o, aumentaram, e com sucesso o voto na FN nos \u00faltimos 30 anos. N\u00e3o podemos culpar a marginaliza\u00e7\u00e3o social pelo crescimento da FN; temos que culpar os centristas por popularizarem estas cren\u00e7as.<\/p>\n<p>O que deu \u00e0 FN este novo apoio foi a destrui\u00e7\u00e3o gradual da solidariedade colectiva, o decl\u00ednio do movimento oper\u00e1rio ao longo de 30 anos, e a converg\u00eancia do PS e da direita desde a virada da austeridade de 1983. Os seus governos aumentaram as desigualdades, banalizaram o desemprego, e alimentaram a precariedade. Acima de tudo, criaram uma precep\u00e7\u00e3o geral de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa. Por outras palavras, destru\u00edram qualquer tipo de esperan\u00e7a na pol\u00edtica. O fascismo sempre foi esperto em transformar a falta de esperan\u00e7a ou o desespero entre certas camadas sociais num apelo violento para destruir alguns inimigos imagin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os socialistas na Fran\u00e7a deparam-se com um enorme desafio porque a luta contra o fascismo est\u00e1 destinada a fracassar se n\u00e3o for al\u00e9m da mera defesa das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e regime econ\u00f3mico existentes, e se se submete \u00e0s for\u00e7as burguesas em nome do \u201canti-fascismo\u201d. Apenas ao opor-se ao neo-liberalismo, que criou as condi\u00e7\u00f5es para o crescimento do fascismo, e ao estar na linha da frente na luta contra a islamofobia (que \u00e9 a maior forma de racismo na Fran\u00e7a de hoje) e todas as formas de opress\u00e3o, podemos oferecer uma alternativa vi\u00e1vel para os trabalhadores franceses de todas as etnias e religi\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Ugo Palheta, Jacobin Magazine<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>NOTAS<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><sup>1 <\/sup><a href=\"http:\/\/www.liberation.fr\/france\/2015\/10\/01\/ratonnades-en-serie-chez-les-migrants-de-calais_1395265\">http:\/\/www.liberation.fr\/france\/2015\/10\/01\/ratonnades-en-serie-chez-les-migrants-de-calais_1395265<\/a><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p><sup>2 <\/sup><a href=\"http:\/\/www.laviedesidees.fr\/Le-mythe-de-la-dediabolisation-du-FN.html\">http:\/\/www.laviedesidees.fr\/Le-mythe-de-la-dediabolisation-du-FN.html<\/a><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p><sup>3 <\/sup><a href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/2016\/09\/islamophobia-beach-burkini-ban-france\/\">https:\/\/www.jacobinmag.com\/2016\/09\/islamophobia-beach-burkini-ban-france\/<\/a><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p><sup>4 <\/sup><a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/worldnews\/europe\/france\/10847344\/Jean-Marie-Le-Pen-Ebola-epidemic-would-solve-immigration-problems.html\">http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/worldnews\/europe\/france\/10847344\/Jean-Marie-Le-Pen-Ebola-epidemic-would-solve-immigration-problems.html<\/a><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p><sup>5 <\/sup><a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/news\/world\/europe\/marine-le-pen-to-face-court-for-comparing-muslim-prayers-in-the-street-to-nazi-occupation-10513920.html\">http:\/\/www.independent.co.uk\/news\/world\/europe\/marine-le-pen-to-face-court-for-comparing-muslim-prayers-in-the-street-to-nazi-occupation-10513920.html<\/a><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Frente Nacional francesa usou todos os velhos truques fascistas para ganhar poder.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[24],"tags":[116,635,403,1021,1050,352,1049,1022,114,115,631,1023,117],"class_list":["post-2300","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-franca","tag-alternativa","tag-direita","tag-eleicoes","tag-extrema","tag-fascismo","tag-franca","tag-front","tag-le","tag-mas","tag-movimento","tag-nacional","tag-pen","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/lepen.jpg?fit=500%2C374","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2299"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}