{"id":2282,"date":"2017-02-02T20:14:42","date_gmt":"2017-02-02T19:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/02\/a-rapariga-rebelde\/"},"modified":"2017-02-02T20:14:42","modified_gmt":"2017-02-02T19:14:42","slug":"a-rapariga-rebelde","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/02\/a-rapariga-rebelde\/","title":{"rendered":"A Rapariga Rebelde"},"content":{"rendered":"<p><strong>Enquanto constru\u00edmos um movimento de oposi\u00e7\u00e3o a Trump e ganhamos uma mudan\u00e7a social genu\u00edna, a vida da ativista Elizabeth Gurley Flynn \u00e9 instrutiva.<\/strong><span style=\"font-weight: bold;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  Em 1976, a revista Life assinalou o bicenten\u00e1rio dos Estados Unidos com uma reportagem especial sobre &#8220;Mulheres Americanas Not\u00e1veis&#8221;. Eu tinha treze anos na altura e lembro-me de folhear ansiosamente as p\u00e1ginas da revista, uma prenda da minha m\u00e3e para nutrir o meu feminismo em desenvolvimento. <\/p>\n<p>Entre as 166 mulheres representadas estava a Rapariga Rebelde, Elizabeth Gurley Flynn, organizadora do Industrial Workers of the World (tamb\u00e9m conhecido por IWW ou Wobblies), lutadora pelo discurso livre, co-fundadora do American<br \/> Civil Liberties Union, e primeira mulher secret\u00e1ria do Partido Comunista USA. A sua biografia e foto apareceram na sec\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo &#8220;Causas Nobres&#8221;, junto com dezassete outras &#8220;Crusaders for the Sick, Poor and Oppressed&#8221;, incluindo a Angela Davis, Dorothy Day, Dolores Huerta, Mary Harris &#8220;Mother&#8221; Jones e Harriet Tubman.<\/p>\n<p>Em 2017, se uma revista com a dimens\u00e3o da Life publicass um relat\u00f3rio actualizado, Flynn quase certamente n\u00e3o seria considerada digna de inclus\u00e3o. Isso \u00e9 uma pena, porque a Rapariga Rebelde \u00e9 um exemplo muito adequado aos nossos tempos.<\/p>\n<p><strong>Enquanto escrevo estas palavras, Donald Trump e os seus apoiantes est\u00e3o a celebrar a sua tomada de posse enquanto 45\u00ba presidente dos USA. Mas enquanto as fam\u00edlias Trump e Pence jantam e dan\u00e7am, milh\u00f5es de pessoas se re\u00fanem em Washington DC e outras cidades por todo o pa\u00eds e pelo mundo, para responder ao nacionalismo e ao falso populismo de Trump com uma demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade e um apelo \u00e0 resist\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>A Marcha das Mulheres do \u00faltimo s\u00e1bado \u00e9 apenas o in\u00edcio de um longo processo de organiza\u00e7\u00e3o e protesto num ambiente que prev\u00ea uma hostilidade crescente \u00e0 dissid\u00eancia p\u00fablica. Ainda antes do novo presidente tomar posse, legisladores pelo pa\u00eds come\u00e7aram a avan\u00e7ar com propostas que visam limitar os direitos de manifestantes pac\u00edficos. E com a declara\u00e7\u00e3o p\u00f3s tomada de posse de que a sua seria uma &#8220;administra\u00e7\u00e3o da ordem e lei&#8221; Trump deixou claro de que lado est\u00e1.<\/p>\n<p>Nesta era, o exemplo de Elizabeth Gurley Flynn \u00e9 esclarecedor. Ao longo da sua carreira como activista, a Rapariga Rebelde lutou contra leis repressivas a n\u00edvel local, estatal e federal e tentou criar um movimento de trabalhadores que rompesse com barreiras \u00e9tnicas, raciais e de g\u00e9nero. <strong>Os seus esfor\u00e7os, embora nem sempre com sucesso, s\u00e3o uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para os socialistas que procuram construir um movimento para uma verdadeira mudan\u00e7a social, ao mesmo tempo que resistimos \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de Trump.<\/strong><\/p>\n<p><strong> Socialista caseira<\/strong><\/p>\n<p>Elizabeth Gurley Flynn nasceu no seio da classe trabalhadora, numa fam\u00edlia Irlandesa-Americana em Concord, New Hampshire a 8 de Agosto, 1890. Os seus pais estavam comprometidos com o socialismo &#8211; resultado da experi\u00eancia em primeira m\u00e3o com a pobreza e o governo colonial ingl\u00eas &#8211; e passaram as suas convic\u00e7\u00f5es para a filha. A pobreza e explora\u00e7\u00e3o que Gurley Flynn viu \u00e0 volta dela refor\u00e7aram a pol\u00edtica que herdou, gerando nela um \u00f3dio ao capitalismo. A filosofia revolucion\u00e1ria de Marx e Engels e os oradores socialistas que ouviu na sua juventude, firmaram a sua determina\u00e7\u00e3o para mudar o mundo.<\/p>\n<p>Em 1906, com a tenra idade de 15 anos, ela foi presa por alegadamente bloquear o tr\u00e1fico no New York City\u2019s Union Square enquanto dava um discurso sobre socialismo. N\u00e3o seria a \u00faltima vez que esta pessoa cativante iria atrair e fascinar uma multid\u00e3o (nem a \u00faltima vez que seria presa por faz\u00ea-lo).<\/p>\n<p>A classe trabalhadora que assistia adorava. Intelectuais de classe m\u00e9dia e bo\u00e9mios ficavam fascinados por ela. At\u00e9 mesmo os seus cr\u00edticos reconheceram o seu intelecto, a eloqu\u00eancia e o seu esp\u00edrito de oradora ao ponto do romancista e jornalista Theodore Dreiser a batizar de East Side Joana d&#8217;Arc. Nas pra\u00e7as p\u00fablicas e espa\u00e7os sindicais pelo pa\u00eds, ela inspirou in\u00fameras mulheres e homens a juntar-se e a desempenhar um papel ativo no movimento laboral com uma l\u00f3gica r\u00edgida encoberta numa intelig\u00eancia efervescente.<\/p>\n<p>Flynn tornou-se uma organizadora, ou &#8220;jawsmith&#8221;, para o Industrial Workers of the World em 1906. Fundado um ano antes em Chicago com o mote &#8220;uma inj\u00faria para um \u00e9 uma inj\u00faria para todos&#8221;, o IWW pregou uma mensagem de solidariedade e de luta de classes para uma audi\u00eancia que o mais conservador American Federation of Labor (AFL) escolheu ignorar: trabalhadores n\u00e3o qualificados ou semi-qualificados, migrantes, africanos e caribenhos, imigrantes europeus, asi\u00e1ticos e mulheres. Condicionados por empregos inst\u00e1veis, longas horas de trabalho, sal\u00e1rios desalentadores, condi\u00e7\u00f5es de trabalho de explora\u00e7\u00e3o e nenhuma uni\u00e3o\/sindicato, esses trabalhadores eram o precariado original.<\/p>\n<p>Em parte porque muitos dos seus membros faltaram \u00e0 franquia, o IWW abra\u00e7ou a a\u00e7\u00e3o direta como a maneira mais eficaz de minar o capitalismo e o sistema de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Flynn desempenhou um papel chave em v\u00e1rias greves lideradas pelo IWW nos EUA, incluindo a incrivelmente bem-sucedida greve do P\u00e3o e das Rosas nas f\u00e1bricas t\u00eaxteis de Lawrence, Massachusetts, em 1912. Ao longo de dez semanas, 23.000 trabalhadores, a maioria imigrantes do sul da Europa e oriental, deixaram os seus trabalhos para protestar contra o corte salarial.<\/p>\n<p>A unidade dos grevistas ao longo de linhas \u00e9tnicas, a a\u00e7\u00e3o militante das mulheres, o envolvimento de crian\u00e7as e o uso de t\u00e1ticas inovadoras &#8211; tais como reuni\u00f5es de massas multilingues e linhas de piquetes m\u00f3veis &#8211; ganharam ampla cobertura da imprensa, despertaram a simpatia p\u00fablica e garantiram uma vit\u00f3ria para os grevistas, bem como um aumento salarial para os trabalhadores t\u00eaxteis em todo o estado.<\/p>\n<p><strong> A luta pela liberdade de discurso<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Por todas as suas compet\u00eancias organizativas e de movimento, o IWW era demasiado debilmente estruturado e a sua composi\u00e7\u00e3o demasiado m\u00f3vel para criar sindicatos vi\u00e1veis e duradouros. Mas quando cidades e vilas tentaram impedir a organiza\u00e7\u00e3o de marchas ao aprovar leis que pro\u00edbem os discursos pro-trabalhadores nas ruas, os Wobblies transformaram essas estruturas passivas em ativas e lutaram.<\/p>\n<p>Flynn teve um papel de lideran\u00e7a. Ela foi pioneira em t\u00e1ticas no Missoula, Montana (1908) e Spokane, Washington (1909) cuja uni\u00e3o se desdobraria em lutas similares em outros locais, como Kansas City, Missouri (1911), Fresno e San Diego, Calif\u00f3rnia (1910-11 e 1912) e Denver, Colorado (1913).<\/p>\n<p>Mais de uma d\u00e9cada antes da funda\u00e7\u00e3o da ACLU, Wobblies insistiu que a melhor maneira de defender a liberdade de express\u00e3o era falar &#8211; e eles recrutaram membros de todo o pa\u00eds para fazer exatamente isso.<\/p>\n<p>Flynn descreveu o processo num discurso na Northern Illinois University em 1962:<\/p>\n<p>&#8220;Enviaram telegramas dizendo: &#8220;Foot Loose Wobblies, venha de uma vez, defender a Declara\u00e7\u00e3o de Direitos&#8221;, e eles viriam em cima dos comboios e debaixo do comboio, e nos lados, nos carros de caixa e de todas as maneiras para n\u00e3o ter que pagar tarifa, e chegavam \u00e0s centenas a estas comunidades, perante o horror e consterna\u00e7\u00e3o das autoridades e levantavam-se nas plataformas ou nas caixa do sab\u00e3o e liam parte da constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos ou a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos.&#8221;<\/p>\n<p>Apelando a quem passava com a sauda\u00e7\u00e3o &#8220;Companheiros trabalhadores e amigos!&#8221; os oradores Wobbly reivindicaram nas esquinas, cal\u00e7adas, parques e outros espa\u00e7os p\u00fablicos urbanos, afirmando de forma desafiadora o que o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Lefebvre chamou mais tarde de &#8220;direito \u00e0 cidade&#8221;.<\/p>\n<p>Pagaram pelo seu desafio perante a lei com viol\u00eancia f\u00edsica e abuso verbal por parte da pol\u00edcia, multas pecuni\u00e1rias e pris\u00e3o. Destemidos, os lutadores da liberdade de express\u00e3o Wobbly realizaram reuni\u00f5es e cantaram can\u00e7\u00f5es nas suas celas de pris\u00e3o, e manifestaram-se \u00e0 frente dos tribunais durante os julgamentos de seus companheiros.<\/p>\n<p>Gr\u00e1vida aos 19 anos de idade, Flynn foi presa por falar na rua em Spokane. Ao contr\u00e1rio dos seus colegas do sexo masculino, que foram presos e colocados na cadeia em massa, ela e outras mulheres foram detidas e mantidas durante a noite na cadeia das mulheres, sem a companhia de outros Wobblies. Enquanto esteve l\u00e1, ela escreveu um texto sobre as condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis nas quais as mulheres se encontravam.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da luta pela liberdade de express\u00e3o alegaram que esta desviava recursos da principal miss\u00e3o do sindicato de organizar os trabalhadores e, em 1916, a IWW abandonou o seu ativismo pelas liberdades civis. Mas as lutas pela liberdade de discurso s\u00e3o ainda um cap\u00edtulo importante na hist\u00f3ria das liberdades civis nos EUA, sublinhando o papel vital que os radicais t\u00eam desempenhado em defender e em expandir direitos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong> Aliados e Inimigos<\/strong><\/p>\n<p>O compromisso de Flynn com o ativismo pelas liberdades civis nunca vacilou. Em 1918, sob os ausp\u00edcios da Secretaria Nacional das Liberdades Civis, precursora da ACLU, fundou a Workers Defense Union (WDU). A organiza\u00e7\u00e3o uniu 170 organiza\u00e7\u00f5es trabalhistas, socialistas e de esquerda radical em torno de uma miss\u00e3o de apoio jur\u00eddico e financeiro e garantia de estatuto de prisioneiro pol\u00edtico a ativistas presos sob a Lei de Espionagem, aprovada no ano anterior para reprimir dissid\u00eancia contra a guerra de Woodrow Wilson, sob a ret\u00f3rica de &#8221; tornar o mundo seguro para a democracia &#8220;.<\/p>\n<p>Muitos dos membros da WDU eram imigrantes esperando a deporta\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis em Leavenworth. Outros ficaram doentes nas celas da pris\u00e3o norte-americana. Sem d\u00favida, os mais famosos foram os anarquistas imigrantes italianos Nicolas Sacco e Bartolomeo Vanzetti, para os quais Flynn e a WDU fizeram uma campanha incans\u00e1vel, e sem \u00eaxito, durante a maior parte do seu infort\u00fanio de seis anos.<\/p>\n<p>A supress\u00e3o da dissid\u00eancia intensificou-se na era p\u00f3s-Primeira Guerra Mundial. Em mar\u00e7o de 1919, v\u00e1rios meses antes do in\u00edcio dos ataques de Palmer, o Empire State iniciou o seu pr\u00f3prio Red Scare com o estabelecimento do Joint Legislative Committee para a Investiga\u00e7\u00e3o de Atividades Radicais.<\/p>\n<p>Mais conhecido como o Comit\u00ea de Lusk, o painel identificou Flynn como uma pessoa particularmente perigosa &#8211; em parte devido ao seu trabalho com ativistas negros. Ela tinha sido uma aliada do renomado Harlem \u201csoapboxer\u201d Hubert Harrison desde os seus dias na IWW. Ela apoiou A. Philip Randolph e Chandler Owen quando o seu jornal socialista, o Mensageiro, teve o direito de discuss\u00e3o de segunda classe revogado em 1918. E falou num evento em Harlem para arrecadar fundos para as v\u00edtimas do Massacre de Elaine de 1919, uma repress\u00e3o violenta em Arkansas para suprimir a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho entre meeiros negros que causou a morte de cinco brancos e mais de 200 negros.<\/p>\n<p>Flynn, n\u00e3o estando imune \u00e0s defici\u00eancias da \u00e9poca, recusou-se a marginalizar as pessoas de cor dentro do movimento trabalhista. Ela sabia que, ent\u00e3o, como agora, o racismo era usado como uma cunha para impedir que os oprimidos se aliassem por uma causa comum.<\/p>\n<p>Em 1920, Flynn foi parte do grupo que fundou a uni\u00e3o americana das liberdades civis. Ao longo de sua hist\u00f3ria inicial, a ACLU foi principalmente uma uni\u00e3o de liberais e radicais dedicado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores e seus defensores. Com Flynn atuando como liga\u00e7\u00e3o entre a comunidade anarquista sediada em Boston que apoiou Sacco e Vanzetti, e os liberais no Estado da Ba\u00eda e Nova York, a ACLU defendeu a causa dos dois anarquistas. Flynn trabalhou em estreita colabora\u00e7\u00e3o com o presidente da ACLU, Roger Baldwin, que ela tamb\u00e9m conhecia de seus dias na IWW, at\u00e9 se retirar do ativismo em 1926.<\/p>\n<p>Flynn retornou \u00e0 vida p\u00fablica dez anos mais tarde quando se juntou ao Partido Comunista (CP). O encaixe entre ela e o CP na \u00e9poca foi natural. O partido lan\u00e7ara recentemente a sua estrat\u00e9gia de Frente Popular, uma alian\u00e7a antifascista entre socialistas, liberais e sindicalistas. Ela era uma inimiga convicta do capitalismo praticamente desde o seu nascimento e tinha sido uma verdadeira antifascista desde a ascens\u00e3o de Mussolini ao poder em 1922.<\/p>\n<p>Mas a participa\u00e7\u00e3o de Flynn no PC tamb\u00e9m revelou a natureza t\u00eanue das alian\u00e7as entre os liberais e a esquerda. As companheiras da ACLU sabiam de sua filia\u00e7\u00e3o ao CP quando a reelegeram por unanimidade para a direc\u00e7\u00e3o executiva em 1939. A pr\u00f3pria ACLU fazia parte da uni\u00e3o da Frente Popular. Mas o Pacto nazista-sovi\u00e9tico em agosto de 1939 trouxe uma mar\u00e9 crescente de anti-comunismo que deixou a organiza\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o vermelha. Num movimento que deixou uma mancha permanente na sua reputa\u00e7\u00e3o, os membros do conselho executivo da ACLU votaram a elimina\u00e7\u00e3o dos comunistas de suas fileiras. Uma fervorosa defensora da liberdade de express\u00e3o desde sua adolesc\u00eancia, Flynn agora era considerada um perigo para a Constitui\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>Embora o epis\u00f3dio a magoasse amargamente, n\u00e3o diminuiu o seu compromisso com as liberdades civis ou com a constru\u00e7\u00e3o de uni\u00f5es. Durante todo o p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial e a era McCarthy, Flynn continuou a defender os direitos dos comunistas e outros dissidentes. Ela presidiu ao comit\u00ea de defesa quando os seus companheiros foram presos por violar a Lei Smith em 1949 e, depois de ser detida e julgada pelo mesmo ato, falou eloquentemente na sua pr\u00f3pria defesa.<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos convenc\u00ea-los de que estamos dentro dos nossos direitos constitucionais estabelecidos de advogar a mudan\u00e7a e o progresso, de advogar o socialismo, que estamos convencidos de garantir a todos os nossos povos no nosso grande e belo pa\u00eds os direitos da vida, da liberdade e da busca da felicidade. Se estamos certos n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o aqui, e nenhum j\u00fari, neste ou em qualquer outro julgamento, vai decidir, o tempo decidir\u00e1. Que nenhum de n\u00f3s se esque\u00e7a, especialmente neste julgamento, de como lidar com novas ideias e propostas de mudan\u00e7a social, tal como dizia Abraham Lincoln: &#8220;Este pa\u00eds com suas institui\u00e7\u00f5es pertence ao povo que o habita.&#8221;<\/p>\n<p>As suas s\u00faplicas ca\u00edram em ouvidos surdos e, aos sessenta e dois anos, pela primeira vez na sua carreira, Flynn foi julgada e condenada \u00e0 pris\u00e3o. Ela passou dois anos atr\u00e1s das grades.<\/p>\n<p>Dez anos depois, em 1964, Flynn morreu enquanto visitava a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. As suas cinzas est\u00e3o perto do memorial de Haymarket, no cemit\u00e9rio de Waldheim, em Chicago.<\/p>\n<p><strong> Flynn na Era de Trump<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A vida e o ativismo de Elizabeth Gurley Flynn merecem um amplo reconhecimento, especialmente na era de Trump.<\/p>\n<p><strong>A sua carreira pol\u00edtica mostra que as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais eficazes quando t\u00eam um objetivo tang\u00edvel, e que os organizadores devem ser flex\u00edveis em adaptar t\u00e1ticas aos requisitos e restri\u00e7\u00f5es da realidade. Isso mostra que todos aqueles que participam do movimento de massa devem estar prontos para enfrentar a repress\u00e3o do Estado, seja atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia direta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se Flynn estivesse viva hoje, certamente estaria na vanguarda da luta contra o populismo de direita do governo de Trump. Ela estaria resistindo a leis anti liberdade de discurso que vem descendo o oleoduto, e trabalhando para organizar o desorganizado.<\/strong><\/p>\n<p>Para ela, as campanhas pelos direitos democr\u00e1ticos estavam ligadas \u00e0 luta pelo socialismo, a solidariedade entre as ra\u00e7as era o alicerce de qualquer pol\u00edtica de classe vi\u00e1vel, e a luta pela liberta\u00e7\u00e3o sempre encontrou a sua express\u00e3o mais plena nas ruas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Mary Anne Trasciatti <\/em>(Texto original em www.jacobinmag.com\/2017\/01\/elizabeth-gurley-flynn-iww-trump-womens-march\/)<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto constru\u00edmos um movimento de oposi\u00e7\u00e3o a Trump e ganhamos uma mudan\u00e7a social genu\u00edna, a vida da ativista Elizabeth Gurley Flynn \u00e9 instrutiva.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[37],"tags":[116,1032,1034,1033,1035,114,115,174,117],"class_list":["post-2282","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eua","tag-alternativa","tag-elizabeth","tag-flynn","tag-gurley","tag-jacobin","tag-mas","tag-movimento","tag-mulheres","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/flynn.jpg?fit=500%2C375","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2282\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2281"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}