{"id":2279,"date":"2017-02-01T15:04:05","date_gmt":"2017-02-01T14:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/01\/resistir-contra-o-lento-genocidio-de-um-povo\/"},"modified":"2017-02-01T15:04:05","modified_gmt":"2017-02-01T14:04:05","slug":"resistir-contra-o-lento-genocidio-de-um-povo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/02\/01\/resistir-contra-o-lento-genocidio-de-um-povo\/","title":{"rendered":"Resistir contra o lento genoc\u00eddio de um povo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Nakba<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00e9 a palavra \u00e1rabe para designar a cata\u015btrofe que foi a funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel no territ\u00f3rio da Palestina. A &#8220;cat\u00e1strofe&#8221; deveu-se ao facto de existir um povo de carne e osso nessas terras supostamente desabitadas que iriam abrigar a inven\u00e7\u00e3o de um &#8220;povo judeu&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>  <!--more-->  A cat\u00e1strofe foram os massacres de 1947-48 pelas mil\u00edcias sionistas, a destrui\u00e7\u00e3o de aldeias palestinianas e a expuls\u00e3o dos seus habitantes. <\/p>\n<p>A grande trag\u00e9dia desta cat\u00e1strofe \u00e9 a voracidade insaci\u00e1vel do Estado de Israel, que at\u00e9 hoje omite desenhar as suas fronteiras nacionais em qualquer atlas geogr\u00e1fico, na certeza de que elas ser\u00e3o sempre e sempre alargadas. <strong>O projecto sionista desde o seu in\u00edcio \u00e9 o de estender os limites do Estado judeu sobre todo o territ\u00f3rio da Palestina hist\u00f3rica.<\/strong> Como j\u00e1 dizia Himmler a prop\u00f3sito da Pol\u00f3nia, &#8220;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel germanizar o povo, \u00e9 preciso germanizar o territ\u00f3rio&#8221;. E, como na verdade, a Palestina n\u00e3o era nem \u00e9 &#8220;uma terra sem povo&#8221;, a limpeza \u00e9tnica sempre foi tarefa essencial do projecto sionista. Assim, temos assistido desde h\u00e1 quase 70 anos, sob a fiel cumplicidade da maioria dos governos democr\u00e1ticos, ao lento mas progressivo genoc\u00eddio do povo palestiniano.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a tomada de posse de Trump, Israel anunciava a constru\u00e7\u00e3o de mais 566 alojamentos em Jerusal\u00e9m-oriental e 2.500 na Cisjord\u00e2nia, dois territ\u00f3rios palestinianos ocupados ilegalmente segundo o direito internacional (porque a ocupa\u00e7\u00e3o e usurpa\u00e7\u00e3o de terras que teve lugar entre 1948 e 1967 \u00e9 considerada ainda hoje dentro da legalidade internacional).<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio segue o seu curso, n\u00e3o s\u00f3 pela extens\u00e3o de cada vez mais colonatos judeus em cima de casas, terras agr\u00edcolas e aldeias palestinianas destru\u00eddas pelas for\u00e7as militares e policiais israelitas, mas tamb\u00e9m pelo bloqueio \u00e0 Faixa de Gaza, onde uma popula\u00e7\u00e3o de quase dois milh\u00f5es de palestinianos vive cercada, sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, a medicamentos e cuidados m\u00e9dicos, mal nutrida e regularmente bombardeada pelo ex\u00e9rcito israelita.<\/p>\n<p><strong>O intuito do genoc\u00eddio est\u00e1 presente na pol\u00edtica colonial quotidiana de Israel. Vemo-lo no recente an\u00fancio da constru\u00e7\u00e3o de mais colonatos, e vemo-lo nos esfor\u00e7os para privar os palestinianos de qualquer meio de subsist\u00eancia.<\/strong> Um despacho de 25 de Janeiro da ag\u00eancia noticiosa\u00a0Ma&#8217;an News\u00a0reportava, por exemplo, que avi\u00f5es israelitas estavam a pulverizar com qu\u00edmicos herbicidas as culturas agr\u00edcolas ao longo da fronteira de Gaza, numa zona onde se concentra toda a reserva de alimentos da Faixa de Gaza. O pretexto evocado para esta ac\u00e7\u00e3o \u00e9 o de manter uma zona de seguran\u00e7a com a visibilidade necess\u00e1ria para impedir a &#8220;infiltra\u00e7\u00e3o&#8221; de palestinianos. Os estragos provocados por esses produtos qu\u00edmicos n\u00e3o se limitam \u00e0 zona fronteiri\u00e7a e penetram at\u00e9 mais de um quil\u00f3metro no interior da Faixa, destruindo os poucos meios de subsist\u00eancia que ainda restam a uma popula\u00e7\u00e3o encurralada neste imenso campo de concentra\u00e7\u00e3o em que se tornou Gaza.<\/p>\n<p><strong>Perante a impunidade de que goza o Estado de Israel, a cumplicidade descarada de Trump ou a cumplicidade dissimulada dos governos da Uni\u00e3o Europeia, se nos sobra ainda algum optimismo quanto \u00e0 sobreviv\u00eancia do povo palestiniano, \u00e9 porque vemos que n\u00e3o foi poss\u00edvel quebrar a sua capacidade de resist\u00eancia ao fim destas sete d\u00e9cadas de mart\u00edrio.<\/strong> Ainda na semana passada, e segundo o jornal\u00a0\u00a0L&#8217;humanit\u00e9, uma greve geral foi massivamente seguida em v\u00e1rias localidades \u00e1rabes de Israel, sobretudo no Neguev e em Nazar\u00e9, para protestar contra mais uma destrui\u00e7\u00e3o de casas no deserto do Neguev, que levou \u00e0 morte de dois bedu\u00ednos alvejados por pol\u00edcias israelitas.<\/p>\n<p>Resta-nos tamb\u00e9m uma ponta de optimismo por sabermos que podemos, tamb\u00e9m n\u00f3s aqui na Europa, apoiar e fortalecer essa resist\u00eancia respondendo ao apelo dos sindicatos, associa\u00e7\u00f5es e outros agrupamentos da Palestina para pressionar Israel atrav\u00e9s da campanha BDS &#8211; Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es &#8211; a cessar a sua pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o, apartheid e opress\u00e3o na Palestina.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Comit\u00e9 de Solidariedade com a Palestina<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nakba\u00a0\u00e9 a palavra \u00e1rabe para designar a cata\u015btrofe que foi a funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel no territ\u00f3rio da Palestina. 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