{"id":225,"date":"2009-03-25T07:30:07","date_gmt":"2009-03-25T06:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2009\/03\/25\/europa-a-crise-economica-e-a-resposta-dos-trabalhadores\/"},"modified":"2009-03-25T07:30:07","modified_gmt":"2009-03-25T06:30:07","slug":"europa-a-crise-economica-e-a-resposta-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2009\/03\/25\/europa-a-crise-economica-e-a-resposta-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Europa: a crise econ\u00f3mica e a resposta dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f3mica mundial tem provocado um forte impacto na Europa. Os dados econ\u00f3micos oficiais do \u00faltimo trimestre de 2008 s\u00e3o ainda piores que os dos Estados Unidos. Diante de uma queda global de 1,5% do PIB, a imprensa da Uni\u00e3o Europeia (UE) fala de uma \u201cqueda em parafuso\u201d. A Alemanha, locomotiva da UE, teve uma queda de 2,1%. A produ\u00e7\u00e3o industrial de Dezembro 2008 foi 11,5% inferior \u00e0 do mesmo m\u00eas em 2007. Em Janeiro, as vendas de ve\u00edculos ca\u00edram 27%. A crise afecta todo o continente: das grandes pot\u00eancias europeias aos imperialismos menores e \u00e0 periferia, tanto os pa\u00edses que pertencem \u00e0 UE (Leste Europeu e os b\u00e1lticos) como aqueles que n\u00e3o fazem parte (R\u00fassia, Ucr\u00e2nia, etc.).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O sistema financeiro europeu est\u00e1 t\u00e3o quebrado como o norte-americano. Todas as medidas adoptadas at\u00e9 agora s\u00f3 seguraram, a duras penas, a queda no abismo, enquanto a crise financeira se acentua. Foi assim com as sucessivas baixas das taxas de juros, com as injec\u00e7\u00f5es bilion\u00e1rias de dinheiro por parte do Banco Central Europeu (BCE) e com as interven\u00e7\u00f5es dos governos. Mas o cr\u00e9dito n\u00e3o flui e os bancos continuam vendo seu valor de mercado evaporar. S\u00f3 no dia 16 de Fevereiro, os bancos perderam 7% de sua cota\u00e7\u00e3o (reduzida a menos da metade durante o \u00faltimo ano e, em casos como o Deutsche Bank, a um ter\u00e7o).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As previs\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os recentes resultados negativos da economia europeia superam todos os progn\u00f3sticos. As \u00faltimas previs\u00f5es oficiais da UE foram redigidas \u201ccom um n\u00edvel de incerteza excepcional\u201d, segundo seus autores. Para 2009, se prev\u00ea uma queda m\u00e9dia de 1,8% do PIB europeu. Mas na Irlanda e nos pa\u00edses b\u00e1lticos a diminui\u00e7\u00e3o seria de 5% ou mais e, na Gr\u00e3-Bretanha, de 2,8%. O desemprego oficial da UE aumentou em 1,6 milh\u00e3o. Em 2008, chegou a 18 milh\u00f5es de pessoas, 7% da popula\u00e7\u00e3o activa. A previs\u00e3o oficial para 2009 \u00e9 de 3,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas ainda s\u00e3o previs\u00f5es \u201coptimistas\u201d. Fontes an\u00f3nimas da Comiss\u00e3o Europeia t\u00eam expressado o temor de que \u201cesteja em jogo n\u00e3o uma recess\u00e3o de 2% ou 3% sen\u00e3o de 15% a 20%\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Contradi\u00e7\u00e3o de uma Uni\u00e3o de muitas cabe\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Seguindo o caminho do governo Obama, a UE prepara um novo plano geral de resgate dos bancos e empresas. Mas a grande diferen\u00e7a com os EUA \u00e9 que a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o \u00e9 um \u201cestado \u00fanico\u201d, com um s\u00f3 governo e regras comuns. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um bloco imperialista onde convivem de maneira conflituosa diferentes capitalismos, cada um com seus pr\u00f3prios interesses e seu pr\u00f3prio estado. No momento em que a crise se precipitou, a Comiss\u00e3o Europeia (CE) e suas institui\u00e7\u00f5es passaram rapidamente a segundo plano ou simplesmente desapareceram de cena.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, as medidas de resgate banc\u00e1rio t\u00eam sido realizadas pelos estados nacionais e n\u00e3o pelas institui\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Europeia. A CE limitou-se a aprovar os planos que os estados membros, em coniv\u00eancia com seus pr\u00f3prios banqueiros, tinham decidido para salvar seus bancos nacionais e promover sua concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o. O BNP franc\u00eas, por exemplo, comprou 75% do banco belga Fortis justo ap\u00f3s receber 2,5 mil milh\u00f5es de euros do estado franc\u00eas. Os bancos da Espanha, que n\u00e3o t\u00eam recebido injec\u00e7\u00f5es de capital, se queixam da concorr\u00eancia desleal dos bancos \u201crecapitalizados\u201d de outros pa\u00edses que, como o ING holand\u00eas, disputam agressivamente os dep\u00f3sitos espanh\u00f3is.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>V\u00e1rias \u201cEuropas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na realidade, h\u00e1 v\u00e1rias \u201cEuropas\u201d: a dos imperialismos ricos, a dos menos ricos e a dos estados do Leste Europeu. Num extremo, pa\u00edses como Alemanha e Fran\u00e7a, os mais ricos do continente, promoveram nesta primeira fase da crise duvidosos planos de reactiva\u00e7\u00e3o e concess\u00f5es tempor\u00e1rias aos trabalhadores, lan\u00e7ando m\u00e3o da riqueza acumulada no passado para colher endividamentos no futuro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No outro extremo est\u00e3o os pa\u00edses do Leste e os b\u00e1lticos, \u00faltimas incorpora\u00e7\u00f5es da UE. Pa\u00edses onde o capitalismo foi restaurado \u00e0 custa de um retrocesso econ\u00f3mico e social brutal, e que foram entregues ao capital multinacional pela nova burguesia surgida do seio da velha burocracia estalinista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A fragilidade desses \u00faltimos pa\u00edses \u00e9 extrema: dependem dos investimentos e do financiamento das multinacionais, dos bancos estrangeiros e das subven\u00e7\u00f5es europeias. Tr\u00eas quartos de sua produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o exportados para a UE. As suas moedas se desvalorizaram rapidamente. Para eles, a crise significa ru\u00edna. Seus governos, servis, fracos, desacreditados e corruptos, carecem de margem de manobra, e os seus \u201cplanos de choque\u201d representam o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da Est\u00f3nia, Let\u00f3nia, Litu\u00e2nia, Hungria, Rom\u00e9nia e Bulg\u00e1ria, entre outros que est\u00e3o \u00e0 beira da fal\u00eancia, com o desemprego avan\u00e7ando e obrigados a cumprir as receitas cl\u00e1ssicas do FMI (desvaloriza\u00e7\u00e3o, rebaixamento salarial, desmantelamento do sector p\u00fablico etc.).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do bloco do Leste, v\u00eam os imperialismos de segunda e terceira categoria da zona do euro (pa\u00edses que utilizam o euro como moeda), sobre os quais paira a amea\u00e7a de fal\u00eancia. A Gr\u00e9cia, depois de uma d\u00e9cada de crescimento, vive uma r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social. A desigualdade social \u00e9 brutal: 80 grandes empres\u00e1rios possuem um patrim\u00f3nio equivalente ao PIB nacional. A sua d\u00edvida nacional, a segunda da Europa, \u00e9 enorme (96,2% do PIB) e continua aumentando.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Irlanda \u00e9 talvez o pa\u00eds da zona do euro mais pr\u00f3ximo da insolv\u00eancia. Segundo as previs\u00f5es oficiais da UE, em 2009, o seu PIB retroceder\u00e1 5%, o seu d\u00e9fice p\u00fablico atingir\u00e1 11% e o desemprego, 10%. O sistema banc\u00e1rio est\u00e1 sob interven\u00e7\u00e3o, as d\u00edvidas dos bancos avalizadas, a maioria de suas ac\u00e7\u00f5es passou para as m\u00e3os do Estado e os dep\u00f3sitos est\u00e3o garantidos. Mas os bancos seguem afundando, enquanto o governo \u00e9 incapaz de responder pelos fundos e dep\u00f3sitos. Os pre\u00e7os de cobertura da d\u00edvida p\u00fablica irlandesa foram triplicados em uma semana.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 o estado espanhol det\u00e9m o triste recorde europeu de desemprego. Em Janeiro, o \u00edndice superava os 3,3 milh\u00f5es. A previs\u00e3o \u00e9 que o desemprego chegar\u00e1 aos 4,5 milh\u00f5es at\u00e9 Dezembro (20% da popula\u00e7\u00e3o activa). O d\u00e9fice p\u00fablico ser\u00e1 de 6,2% do PIB em 2009, enquanto o d\u00e9fice exterior continuar\u00e1 sendo um dos maiores do mundo. Uma piada no recente F\u00f3rum de Davos qualificava o pa\u00eds como \u201cfundo hipotec\u00e1rio de alto risco\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em Fevereiro, o principal fundo espanhol de investimento hipotec\u00e1rio, pertencente ao banco Santander, foi incapaz de fazer frente \u00e0 retirada em massa de fundos e decretou uma esp\u00e9cie de \u201ccorralito\u201d (restri\u00e7\u00e3o \u00e0s retiradas de dinheiro em efectivo) por dois anos. A qualifica\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica espanhola foi rebaixada pelas ag\u00eancias internacionais, dificultando seu acesso aos mercados financeiros internacionais e encarecendo seu financiamento. As empresas estatais (as j\u00f3ias da coroa) j\u00e1 est\u00e3o caindo em m\u00e3os de capital estrangeiro. A italiana Enel acaba de se fundir com a empresa el\u00e9ctrica Endesa e muitos se perguntam o quanto demorar\u00e1 em acontecer algo parecido com a petroleira Repsol.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A crise da EU<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O descr\u00e9dito popular com a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 intenso e aumenta com a percep\u00e7\u00e3o de seu papel como fiel instrumento da \u201cEuropa do capital\u201d. O projecto est\u00e1 em crise aberta desde que o povo franc\u00eas, em Maio de 2005, recusou a constitui\u00e7\u00e3o europeia neoliberal e imperialista. A manobra posterior do presidente franc\u00eas Sarkozy de substituir a frustrada constitui\u00e7\u00e3o por um tratado com o mesmo conte\u00fado (que poderia ser aprovado apenas pelos parlamentos e governos) tamb\u00e9m resultou num fiasco devido \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o do povo da Irlanda. Desde ent\u00e3o, o tratado est\u00e1 no limbo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A crise mundial tamb\u00e9m aumenta a necessidade de o capitalismo europeu apoiar-se na UE para se organizar e enfrentar em melhores condi\u00e7\u00f5es o colapso norte-americano. Mas a incorpora\u00e7\u00e3o de novos pa\u00edses \u00e0 UE encontra-se paralisada. As institui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias retiraram-se da cena para deixar os estados nacionais agirem diante da crise, em particular o alem\u00e3o e o franc\u00eas, que marcam os seus pr\u00f3prios planos nas a\u00e9reas econ\u00f3mica, financeira, energ\u00e9tica, diplom\u00e1tica e militar. A UE vive imersa em um clima cada vez mais nacionalista, com os governos se esfor\u00e7ando em servir a suas pr\u00f3prias burguesias nacionais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7a a ser cogitada a possibilidade de que a crise v\u00e1 t\u00e3o longe que chegue a provocar uma hipot\u00e9tica quebra do euro e da actual UE. A perspectiva de fal\u00eancia de pa\u00edses da zona do euro, como Irlanda e Gr\u00e9cia, \u00e9 uma amea\u00e7a pr\u00f3xima. O destino do euro e da pr\u00f3pria UE \u00e9, portanto, incerto e est\u00e1 submetido a grandes sobressaltos. Mas o que sim est\u00e1 fora de d\u00favida \u00e9 que a crise mundial vai dar lugar \u00e0 outra configura\u00e7\u00e3o da Europa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O caldeir\u00e3o da luta de classes<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A luta de classes come\u00e7a a esquentar na Europa para grande alarme de governos que, ao mesmo tempo, provocam os trabalhadores com suas medidas. Praticamente todos os pa\u00edses vivem mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares que se radicalizam e se massificam em meio a uma crise que ataca o emprego e as conquistas oper\u00e1rias e empobrece amplos sectores das camadas m\u00e9dias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Entramos num per\u00edodo marcado por uma crise hist\u00f3rica do capitalismo que rompe todos os diques e por uma ebuli\u00e7\u00e3o generalizada do movimento de massas. Uma crise que acelera o descr\u00e9dito geral dos diferentes governos, depois de uma longa d\u00e9cada de \u201cprosperidade\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ataques dos governos<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Apesar dos alt\u00edssimos ganhos conseguidos nos \u00faltimos anos e das gigantescas ajudas actuais dos governos, as empresas come\u00e7am a despejar o custo da crise sobre os trabalhadores. O principal ataque se expressa por meio de um grande aumento do desemprego, pelo bloqueio nas contrata\u00e7\u00f5es e pelos despedimentos em massa. Estima-se que diariamente sejam perdidos 10 mil postos de trabalho. Na montadora Renault foram anunciadas 6 mil demiss\u00f5es na Fran\u00e7a. A Nissan da Espanha pretende demitir 1.400. Outro sector muito afectado foi o da constru\u00e7\u00e3o civil. Na Espanha, calcula-se que no final de 2009 cerca de 900 mil oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o fiquem sem trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Alguns governos tamb\u00e9m querem eliminar o \u201cseguro-desemprego\u201d. Com grande cinismo, Miguel \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Ord\u00f3\u00f1ez, chefe do Banco da Espanha, expressa que uma das causas do alto desemprego no pa\u00eds \u00e9 seu \u201cmercado de trabalho ineficiente\u201d. Por isso, \u00e9 preciso \u201clevar a cabo reformas estruturais das institui\u00e7\u00f5es trabalhistas\u201d, come\u00e7ando por reduzir ao m\u00ednimo o seguro-desemprego, hoje a cargo das empresas, e transferi-lo ao estado. Ainda que pare\u00e7a incr\u00edvel, para reduzir o desemprego, se deve baratear o custo da demiss\u00e3o das empresas, enquanto os governos seguem \u201cajudando\u201d aquelas que despedem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aprofunda-se tamb\u00e9m o ataque aos n\u00edveis salariais e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o, por meio dos \u201cplanos de viabilidade\u201d para os trabalhadores que conservam seu emprego e os novos contratados. Esses planos j\u00e1 vinham sendo impulsionados pelas empresas, mas agora, aproveitando-se da crise, sua intensidade \u00e9 redobrada. Eles s\u00e3o apresentados de modo hip\u00f3crita como \u201cplanos para salvar a fonte de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Paralelamente, desenvolvem-se ataques aos trabalhadores imigrantes, que as burguesias utilizam para baratear os custos trabalhistas no per\u00edodo de ascens\u00e3o econ\u00f3mica. Tamb\u00e9m come\u00e7am as redu\u00e7\u00f5es dos or\u00e7amentos estatais para os servi\u00e7os essenciais, como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, que implicam em redu\u00e7\u00e3o e congelamento salariais para os trabalhadores estatais e perda de milhares de postos de trabalho. \u00c9 o que acontecer\u00e1 com os professores precarizados na It\u00e1lia, caso se aprove a reforma educativa proposta pelo governo Berlusconi.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A resposta dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A grande revolta grega anunciou a entrada em um novo per\u00edodo da luta de classes na Europa. Iniciada no dia <st1:date year=\"2008\" day=\"6\" month=\"12\" ls=\"trans\">6 de Dezembro de 2008<\/st1:date> em resposta ao assassinato do jovem Alexis, a rebeli\u00e3o foi protagonizada pela \u201cgera\u00e7\u00e3o dos 700 euros\u201d e gerou uma semi-insurrei\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea que p\u00f4s a Gr\u00e9cia de pernas para o ar.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o oper\u00e1ria e popular vai se estendendo para outros pa\u00edses. Vejamos alguns dos fatos mais importantes:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Espanha<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Desenvolveram-se numerosas lutas sectoriais, em especial contra os EREs (Expedientes de Regula\u00e7\u00e3o de Emprego), pelos quais as empresas apresentam seus planos de demiss\u00f5es. Ocorreram mobiliza\u00e7\u00f5es em Barcelona, onde a Nissan quer despedir 1.400 trabalhadores. Em Novembro, uma manifesta\u00e7\u00e3o contra os EREs, realizada por trabalhadores da Nissan, Pirelli, Tyco, Delphi e outras empresas, convocada pelas centrais CC.OO. e UGT, contou com 40 mil pessoas. Em Madrid, em Novembro passado, a Coordenadora de Trabalhadores da Previd\u00eancia P\u00fablica realizou uma manifesta\u00e7\u00e3o contra a privatiza\u00e7\u00e3o do sector (20 mil pessoas). Para completar o quadro, dezenas de milhares de estudantes manifestaram-se contra a privatiza\u00e7\u00e3o do ensino universit\u00e1rio, e agora se planeia um encontro nacional para continuar a luta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No dia 29 de Janeiro, uma enorme greve geral parou o pa\u00eds. Convocada pelas oito centrais sindicais \u201ccontra o apoio unilateral que o estado franc\u00eas brinda aos bancos e \u00e0 ind\u00fastria, mediante o pacote de medidas para reactivar a conjuntura econ\u00f3mica\u201d e para exigir que \u201co governo implemente despesas em massa do estado para ajudar tamb\u00e9m os trabalhadores e desempregados a enfrentar as consequ\u00eancias da crise financeira e econ\u00f3mica&#8221; (<em>Clar\u00edn<\/em>, <st1:date year=\"09\" day=\"30\" month=\"01\" ls=\"trans\">30\/01\/09<\/st1:date>). Para o dia 19 de Mar\u00e7o est\u00e1 convocada uma nova greve geral. [<em>Nesse dia, tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas das principais cidades francesas para exigir mais apoio ao emprego e ao poder de compra dos trabalhadores, no maior protesto contra Sarkozy.<\/em>] Nos territ\u00f3rios franceses de Guadalupe e Martinica, no Caribe, h\u00e1 v\u00e1rias semanas se desenvolve uma greve geral em protesto contra o alto custo de vida e exigindo ajuda financeira do governo Sarkozy.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Irlanda<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No dia <st1:date year=\"12\" day=\"21\" month=\"2\" ls=\"trans\">21 de Fevereiro, 12<\/st1:date>0 mil pessoas se reuniram na capital da Irlanda, Dublin, um dos pa\u00edses europeus mais afectados pela crise global, para \u201cprotestar contra o papel do governo e dos bancos na crise financeira\u201d (<em>La Naci\u00f3n<\/em>, <st1:date year=\"09\" day=\"22\" month=\"2\" ls=\"trans\">22\/2\/09<\/st1:date>). O protesto, um dos maiores na hist\u00f3ria do pa\u00eds, foi convocado por v\u00e1rios sindicatos contra a decis\u00e3o do primeiro-ministro conservador Brian Cowen de taxar com um imposto as pens\u00f5es de 350 mil empregados estatais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>It\u00e1lia<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No dia 17 de Outubro, os \u201csindicatos alternativos\u201d chamaram uma jornada de greve e mobiliza\u00e7\u00e3o. Em Roma, houve participa\u00e7\u00e3o de milhares de manifestantes, especialmente trabalhadores das escolas e jovens estudantes, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma educativa impulsionada pelo governo Berlusconi. Para debilitar o movimento do dia <st1:metricconverter productid=\"17, a\">17,  a<\/st1:metricconverter> maior central sindical italiana, a CGIL, convocou uma paralisa\u00e7\u00e3o de quatro horas para o dia 13, mas muitos sectores, como servidores p\u00fablicos e metal\u00fargicos, decidiram estender o protesto para toda a jornada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os sindicatos alternativos se somaram tamb\u00e9m a essa convoca\u00e7\u00e3o com sua pr\u00f3pria plataforma de reivindica\u00e7\u00f5es e realizaram mobiliza\u00e7\u00f5es com dezenas de milhares de participantes nas principais cidades italianas. O sector educacional (docentes e estudantes) continuou a luta nos meses seguintes. No dia 13 de Fevereiro, a CGIL, pressionada pela convoca\u00e7\u00e3o da federa\u00e7\u00e3o metal\u00fargica, chamou uma nova jornada de luta. Em Roma, se realizou uma gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o com 700 mil pessoas, com forte presen\u00e7a de servidores p\u00fablicos, metal\u00fargicos e estudantes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Portugal<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A vanguarda da luta no momento s\u00e3o os professores, na batalha contra um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema educacional e da carreira docente, impulsionado pelo governo \u201csocialista\u201d de S\u00f3crates. No dia 8 de Novembro, foi realizada uma manifesta\u00e7\u00e3o com 120 mil pessoas (uma das maiores desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1974). No dia 15 de Novembro, diante da tentativa dos sindicatos \u201coficiais\u201d de pactuar com o governo, cresceu o peso das organiza\u00e7\u00f5es de base e independentes. Estas realizaram uma convoca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com mais de 15 mil pessoas, por fora do aparelho da burocracia sindical, que buscava desmobilizar.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por um plano oper\u00e1rio e de luta contra a crise<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os burgueses e seus governos dizem que a \u00fanica alternativa \u00e0 crise \u00e9 o sacrif\u00edcio de milh\u00f5es de trabalhadores. Esta \u00e9 \u201csua sa\u00edda\u201d, n\u00e3o a nossa. Que paguem pela crise os capitalistas, n\u00e3o os trabalhadores. \u00c9 poss\u00edvel lutar por uma pol\u00edtica econ\u00f3mica cujo eixo seja resolver as urgentes necessidades dos trabalhadores e do povo. O dinheiro para essas medidas deve sair dos bili\u00f5es que bancos e empresas est\u00e3o recebendo dos governos e tamb\u00e9m dos fabulosos ganhos que os capitalistas obtiveram nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, a primeira medida necess\u00e1ria \u00e9 nacionalizar os bancos. Mas n\u00e3o como est\u00e3o fazendo os governos. \u00c9 preciso expropri\u00e1-los sem nenhum tipo de indemniza\u00e7\u00e3o para que funcionem como um sistema banc\u00e1rio estatal \u00fanico, sob controlo dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O principal problema a afectar os trabalhadores europeus \u00e9 o desemprego. Por isso, as medidas e a luta devem indicar a defesa dos postos de trabalho. Contra o desemprego, deve-se exigir dos governos a proibi\u00e7\u00e3o dos despedimentos. Para que isso n\u00e3o fique no papel, essa medida ser\u00e1 garantida pela nacionaliza\u00e7\u00e3o sem indemniza\u00e7\u00e3o das empresas que demitirem. Algo que, al\u00e9m disso, \u00e9 bem mais barato que enviar bili\u00f5es a elas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Diante da queda da produ\u00e7\u00e3o (que nos momentos de alta significava superexplora\u00e7\u00e3o com ritmos de trabalho extenuantes), devemos levantar a bandeira da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio. Assim, seria poss\u00edvel aplicar uma semana de trabalho de 36 ou 35 horas semanais. Para os trabalhadores desempregados \u00e9 imprescind\u00edvel um seguro-desemprego sob o controlo do estado e das empresas, que cubra as necessidades de uma fam\u00edlia at\u00e9 que o estado garanta um posto de trabalho digno.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para acabar com o desemprego tamb\u00e9m \u00e9 muito importante exigir dos governos que iniciem de imediato planos de obras p\u00fablicas para dar trabalho a milh\u00f5es e que construam hospitais, escolas e universidades p\u00fablicas, al\u00e9m de moradias populares de qualidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m exigir a diminui\u00e7\u00e3o da idade para se aposentar e que cada aposentado seja substitu\u00eddo por um trabalhador com os mesmos direitos garantidos por lei; a rejei\u00e7\u00e3o a todas as propostas patronais de reformas trabalhistas de precariza\u00e7\u00e3o e flexibiliza\u00e7\u00e3o, exigindo a defesa incondicional dos direitos trabalhistas e sociais adquiridos. A imposi\u00e7\u00e3o de qualquer retrocesso vai custar a ser revertida no futuro. Por \u00faltimo, a crise produz um aumento da pobreza e uma deteriora\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo dos trabalhadores. Por isso, devemos lutar por um aumento geral de sal\u00e1rios, aposentadorias e pens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o independente<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Todas as lutas citadas foram o resultado da press\u00e3o e da indigna\u00e7\u00e3o da base. A principal trava nas mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 o grande apoio aos governos por parte dos aparelhos sindicais que, durante o \u00faltimo per\u00edodo, se apoiaram em sectores da aristocracia oper\u00e1ria beneficiados pela \u00abprosperidade\u00bb. Assim garantiram seus privil\u00e9gios burocr\u00e1ticos, enquanto se aliavam com a patronal e os governos para generalizar a precariedade e os baixos sal\u00e1rios para a maioria dos trabalhadores (especialmente da juventude), avalizando assim a discrimina\u00e7\u00e3o e a superexplora\u00e7\u00e3o dos imigrantes, convertidos em uma parte importante da classe oper\u00e1ria europeia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nestes anos a classe oper\u00e1ria europeia recebeu golpes importantes, mas n\u00e3o sofreu nenhuma derrota hist\u00f3rica. Portanto, tem totais condi\u00e7\u00f5es de responder aos problemas causados pela crise capitalista. Mas deve-se levar em conta que nos encontramos diante de um enorme atraso na organiza\u00e7\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es classistas \u00e0 burocracia sindical e no agrupamento da esquerda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com o aumento do desemprego e os ataques aos direitos trabalhistas e aos servi\u00e7os p\u00fablicos, as bases da burocracia sindical poder\u00e3o romper com suas direc\u00e7\u00f5es, pois j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o sendo atacados apenas os sectores mais explorados da classe oper\u00e1ria, mas tamb\u00e9m a aristocracia oper\u00e1ria e as camadas m\u00e9dias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto essas burocracias controlarem os aparelhos sindicais e dirigirem a maioria dos trabalhadores, \u00e9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica de exig\u00eancia as suas direc\u00e7\u00f5es para que rompam seus acordos com os governos e empresas e se ponham \u00e0 frente de verdadeiros planos de luta nacionais e europeus. Nesse marco, \u00e9 necess\u00e1rio impulsionar a unidade de todas as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias com o objectivo de conseguir mobiliza\u00e7\u00f5es contundentes, que respondam aos ataques dos governos e dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Paralelamente, para avan\u00e7ar em uma resposta de luta de acordo com a situa\u00e7\u00e3o e os ataques, \u00e9 necess\u00e1rio impulsionar e avan\u00e7ar numa verdadeira organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e de luta dos trabalhadores, que possa se fortalecer como alternativa a essas burocracias e seus aparelhos. Nesse sentido, experi\u00eancias como a coordena\u00e7\u00e3o dos sindicatos alternativos italianos, as organiza\u00e7\u00f5es independentes de base dos docentes portugueses e a coordenadora da sa\u00fade de Madrid podem mostrar o caminho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Crescem o racismo e a xenofobia<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Durante anos a burguesia europeia utilizou a m\u00e3o-de-obra imigrante, abundante e com mais facilidades para sua explora\u00e7\u00e3o, para seu crescimento econ\u00f3mico. Agora, com a crise econ\u00f3mica, esse \u00e9 o primeiro sector a sofrer suas consequ\u00eancias. A burguesia quer que os trabalhadores paguem pela crise. E, entre eles, os mais explorados s\u00e3o os imigrantes. O desemprego fez estragos na imigra\u00e7\u00e3o. Na constru\u00e7\u00e3o e na ind\u00fastria, os despedimentos atingem principalmente os trabalhadores mais precarizados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os governos europeus pavimentaram o caminho para se desfazer da m\u00e3o-de-obra excedente com leis discriminat\u00f3rias e repressivas contra os imigrantes. No ano passado, foi aprovada a \u201cdirectiva de retorno\u201d na UE (conhecida como \u201cdirectiva da vergonha\u201d), que permite a deten\u00e7\u00e3o por at\u00e9 18 meses dos imigrantes ilegais, para facilitar sua expuls\u00e3o. As permiss\u00f5es de trabalho e resid\u00eancia est\u00e3o vinculadas, em grande medida, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de um contrato de trabalho. Sua perda resulta no fim da legalidade e na possibilidade de expuls\u00e3o. Os governos da UE est\u00e3o adaptando suas legisla\u00e7\u00f5es a essa directiva. O \u201cpacto sobre imigra\u00e7\u00e3o\u201d e asilo dos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia vai promover a expuls\u00e3o dos imigrantes irregulares, a proibi\u00e7\u00e3o a todos os pa\u00edses de promover regulariza\u00e7\u00f5es em massa, al\u00e9m de \u201cmelhorar\u201d o controle de fronteiras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As medidas mais reaccion\u00e1rias est\u00e3o sendo implementadas pelo governo italiano de Berlusconi. O primeiro-ministro italiano aumentou de dois para seis meses o tempo de deten\u00e7\u00e3o dos imigrantes \u201cirregulares\u201d e aprovou a forma\u00e7\u00e3o de patrulhas de rua nocturnas (formadas por ex-policiais, ex-militares e civis) para vigiar as cidades. Essas patrulhas recordam os grupos fascistas da \u00e9poca de Mussolini e s\u00e3o o resultado de uma campanha xen\u00f3foba que equipara a imigra\u00e7\u00e3o \u00e0 delinqu\u00eancia. Os n\u00fameros da viol\u00eancia est\u00e3o baixando na It\u00e1lia, mas os casos que envolvem delinquentes estrangeiros s\u00e3o destacados para criar um estado de psicose que facilita a implanta\u00e7\u00e3o das patrulhas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas o ataque aos imigrantes n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos \u201cgovernos de direita\u201d. Na Espanha, o governo \u201csocialista\u201d de Zapatero anunciou que reformar\u00e1 a actual lei sobre estrangeiros e j\u00e1 aprovou um anteprojecto endurecendo as medidas actuais. Nessa reforma, castiga-se com multas de at\u00e9 30 mil euros \u00abquem promova a perman\u00eancia irregular na Espanha de um estrangeiro\u00bb. Assim, seria criminalizado quem tiver em sua casa imigrantes \u201csem pap\u00e9is\u201d, em situa\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 feita como \u201cca\u00e7a aos imigrantes\u201d. A pol\u00edcia de Madrid cumpre semanalmente cotas de captura de imigrantes sem pap\u00e9is e chega a intimidar os que se aproximam de seus consulados ou de col\u00e9gios para recolher seus filhos. H\u00e1 den\u00fancias de invas\u00e3o de domic\u00edlios. Os maus-tratos nos centros de internamento, onde permanecem detidos os imigrantes at\u00e9 sua expuls\u00e3o, j\u00e1 viraram rotina.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o governo Sarkozy, promotor das medidas antiimigrantes na Europa, introduziu medidas \u201cintegradoras\u201d para os imigrantes, como a aprendizagem da Marselhesa e a obriga\u00e7\u00e3o de conhecer o franc\u00eas. No entanto, nos \u00faltimos quatro meses foram suprimidos tr\u00eas mil postos de trabalho de professores de apoio aos alunos com dificuldades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O governo brit\u00e2nico, a raiz da greve da Lindsay Oil, exigiu das institui\u00e7\u00f5es da UE que a regula\u00e7\u00e3o dos trabalhadores deslocados dos pa\u00edses se modifique em benef\u00edcio dos trabalhadores locais. Isso facilitar\u00e1 ainda mais a discrimina\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores imigrantes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os governos que entregam dinheiro aos bancos e empresas anunciam tamb\u00e9m cortes or\u00e7ament\u00e1rios para reduzir despesas do estado. Assim, a educa\u00e7\u00e3o e a previd\u00eancia p\u00fablicas perdem qualidade e efici\u00eancia. As fam\u00edlias de trabalhadores imigrantes n\u00e3o t\u00eam outra possibilidade do que se dirigir ao servi\u00e7o p\u00fablico. Os governos europeus, fazendo eco \u00e0 ultra-direita, utilizam como desculpa para a queda de qualidade no servi\u00e7o n\u00e3o os cortes or\u00e7ament\u00e1rios e a privatiza\u00e7\u00e3o, mas o \u201cexcesso\u201d de imigrantes que procuram a rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Burocracias sindicais contra a unidade da classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na Espanha, CC.OO e UGT aceitam a discrimina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores imigrantes sem permiss\u00e3o de resid\u00eancia de longa dura\u00e7\u00e3o. O racismo e a xenofobia acabam penetrando entre os oper\u00e1rios por meio de argumentos como \u201cos imigrantes aceitam sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho inferiores \u00e0s dos trabalhadores nacionais\u201d. Como se os imigrantes aceitassem isso por gosto e tivessem possibilidades de escolher!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os governos s\u00e3o os respons\u00e1veis por fomentar legisla\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica para estrangeiros que produzem, de fato, cidad\u00e3os de segunda categoria. Mas as burocracias sindicais contribuem para que o racismo e a xenofobia se estendam entre os trabalhadores ao apoiar as medidas discriminat\u00f3rias. Esse papel criminoso facilita que as organiza\u00e7\u00f5es fascistas e seus discursos ganhem peso entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Perigo de que cres\u00e7am os bandos fascistas<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es fascistas adoptaram na Europa o eixo de \u201cexpuls\u00e3o dos imigrantes\u201d. Suas mensagens dizendo que os imigrantes tiram o trabalho dos trabalhadores nacionais est\u00e3o ganhando apoio com muita facilidade em meio \u00e0 crise econ\u00f3mica. Partidos fascistas, como o BNP brit\u00e2nico, come\u00e7am a se estabelecer no sector mais atrasado dos trabalhadores. Por volta de 14% dos jovens espanh\u00f3is dizem que votariam em partidos racistas caso aumente a imigra\u00e7\u00e3o. Na It\u00e1lia, o perigo est\u00e1 no mesmo governo que facilita a forma\u00e7\u00e3o das patrulhas de rua.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio recuperar a unidade da classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para enfrentar as perdas de postos de trabalho, a carestia da vida e defender as conquistas e os servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade, os trabalhadores europeus ter\u00e3o que enfrentar a xenofobia que os governos e as burocracias sindicais est\u00e3o fomentando.<\/p>\n<p>Os problemas dos trabalhadores s\u00e3o os mesmos, independente de seus pa\u00edses. A divis\u00e3o e as tentativas de culpar o sector mais d\u00e9bil e mais exposto \u00e0s consequ\u00eancias da crise s\u00f3 servem para que os governos apliquem seus planos a favor dos patr\u00f5es e destruam os servi\u00e7os p\u00fablicos, al\u00e9m de fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es e os discursos fascistas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (LIT-QI) avalia que esta \u00e9 uma batalha que n\u00e3o pode ser adiada para o dia seguinte. A luta unit\u00e1ria da classe oper\u00e1ria tem dado excelentes mostras nos \u00faltimos tempos. Na Gr\u00e9cia, os trabalhadores imigrantes eram parte das mobiliza\u00e7\u00f5es de Dezembro. Em grande parte da Europa, vimos como milhares de trabalhadores desfilaram junto aos imigrantes de origem \u00e1rabe contra a agress\u00e3o \u00e0 Faixa de Gaza por Israel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> Na luta dos trabalhadores da limpeza do metro de Madrid, onde grande parte \u00e9 de imigrantes, foram conquistadas vit\u00f3rias gra\u00e7as \u00e0 unidade de todos os trabalhadores, independentemente de quem contratava ou da nacionalidade. \u00c9 fundamental dar uma batalha no terreno sindical. Toda discrimina\u00e7\u00e3o de imigrantes fomentada pela burocracia sindical deve ser denunciada como uma trai\u00e7\u00e3o ao conjunto da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f3mica mundial tem provocado um forte impacto na Europa. Os dados econ\u00f3micos oficiais do \u00faltimo trimestre de 2008 s\u00e3o ainda piores que os dos Estados Unidos. Diante de uma queda global de 1,5% do PIB, a imprensa da Uni\u00e3o Europeia (UE) fala de uma \u201cqueda em parafuso\u201d. A Alemanha, locomotiva da UE, teve uma queda de 2,1%. A produ\u00e7\u00e3o industrial de Dezembro 2008 foi 11,5% inferior \u00e0 do mesmo m\u00eas em 2007. Em Janeiro, as vendas de ve\u00edculos ca\u00edram 27%. A crise afecta todo o continente: das grandes pot\u00eancias europeias aos imperialismos menores e \u00e0 periferia, tanto os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-225","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}