{"id":2241,"date":"2016-11-29T20:55:15","date_gmt":"2016-11-29T19:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/11\/29\/marcha-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-nao-podemos-ficar-por-aqui\/"},"modified":"2016-11-29T20:55:15","modified_gmt":"2016-11-29T19:55:15","slug":"marcha-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-nao-podemos-ficar-por-aqui","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/11\/29\/marcha-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-nao-podemos-ficar-por-aqui\/","title":{"rendered":"Marcha pelo Fim da Viol\u00eancia Contra a Mulher: n\u00e3o podemos ficar por aqui"},"content":{"rendered":"\n<p>No passado dia 25 de Novembro, sa\u00edmos \u00e0 rua para dizer basta \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. O povo fez-se ouvir ecoando palavras de ordem como \u201cUnidas contra a viol\u00eancia, quebra o sil\u00eancio!\u201d, \u201cNem uma a menos!\u201d, \u201cCaladas nos querem, rebeldes nos ter\u00e3o!\u201d ou \u201cA luta \u00e9 todo o dia, mulher n\u00e3o \u00e9 mercadoria!\u201d.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Num ano marcado por v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es de mulheres no mundo todo, verificou-se por c\u00e1 maior ades\u00e3o ao protesto. Este ano contam-se por c\u00e1 22 feminic\u00eddios e, se olharmos para os \u00faltimos 12 anos, os n\u00fameros apontam para 450 v\u00edtimas mortais, das quais dois ter\u00e7os destes crimes se deu dentro de casa. No resto do mundo, os dados revelam que esta \u00e9 uma realidade que merece toda a nossa aten\u00e7\u00e3o e compromisso na cria\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que apoiem as mulheres e que se apresentem como alternativa. <\/p>\n<p><strong>O ingrediente surpresa deste ano foi a presen\u00e7a de elementos do governo na marcha. E a pergunta que se coloca \u00e9 saber o porqu\u00ea do PS estar t\u00e3o empenhado em participar este ano nesta marcha, com figuras de destaque do seu governo, quando no passado nunca se interessou em participar de forma t\u00e3o estruturada?<\/strong> Estar\u00e1 o governo, de facto, a mudar esta realidade? Para espanto dos participantes, ministros e secret\u00e1rios de Estado ocuparam a frente da marcha, seguindo num desfile silencioso. Sentia-se no ar o constrangimento das pessoas que se juntaram ali pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher, inibidas em manifestar-se. No dia seguinte, uma not\u00edcia era publicada com o t\u00edtulo \u201cGoverno em peso na marcha contra a viol\u00eancia sobre as mulheres\u201d. E, bingo! <strong>Est\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es reunidas para contaminar a opini\u00e3o p\u00fablica, passando a mensagem de que o necess\u00e1rio j\u00e1 estar\u00e1 a ser feito pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres. E, de facto, foi feito algo? Criou-se uma rede de casas abrigo com as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para receber estas mulheres? Criaram-se esquadras de pol\u00edcia vocacionadas para tratar este problema? Foi feita uma reforma legislativa com penas mais duras para quem praticar viol\u00eancia contra a mulher? Foi criado um plano de reinser\u00e7\u00e3o profissional das v\u00edtimas que estiverem desempregadas? Nada disto foi feito.<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong> Querendo fazer algo, sobra ao governo o resto do ano para avan\u00e7ar com medidas que contribuam de forma efectiva para a elimina\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia perpetuados pelo machismo. O governo n\u00e3o pode usar a mobiliza\u00e7\u00e3o de quem luta por uma causa para criar falsas apar\u00eancias e servir-se dessa ac\u00e7\u00e3o para sua propaganda! N\u00e3o havendo uma an\u00e1lise cr\u00edtica ao sucedido, facilmente se manipulam as consci\u00eancias. <strong>Queremos um mundo onde as mulheres estejam livres de todas as formas de opress\u00e3o machista, de modo a poderem expressar-se sem constrangimentos, devolvendo-lhes a confian\u00e7a necess\u00e1ria para trazerem toda a sua energia para a esfera p\u00fablica, onde fazem tanta falta! Ser\u00e1 importante que no futuro esta Marcha seja constru\u00edda n\u00e3o s\u00f3 por associa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m por outros colectivos, mulheres a n\u00edvel individual e por todos\/as aqueles\/as que queriam participar. <\/strong>Na sociedade capitalista em que vivemos, a viol\u00eancia machista \u00e9 mais um fruto do interesse da classe dominante em manter a mulher num papel secund\u00e1rio explorando a sua for\u00e7a de trabalho, seja na realiza\u00e7\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas e na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, seja impedindo a sua liberta\u00e7\u00e3o por meio da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e da diferen\u00e7a salarial.<\/p>\n<p><strong>O MAS est\u00e1 na luta pela constru\u00e7\u00e3o de um movimento de mulheres trabalhadoras que se organizem para p\u00f4r fim ao machismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o! Junta-te a n\u00f3s na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o e desigualdade, por um mundo onde homens e mulheres marchem de facto lado a lado!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 25 de Novembro, sa\u00edmos \u00e0 rua para dizer basta \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. 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