{"id":2171,"date":"2016-08-07T13:32:24","date_gmt":"2016-08-07T12:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/08\/07\/qsomos-uma-organizacao-que-tem-o-orgulho-de-meter-o-dedo-na-feridaq\/"},"modified":"2016-08-07T13:32:24","modified_gmt":"2016-08-07T12:32:24","slug":"qsomos-uma-organizacao-que-tem-o-orgulho-de-meter-o-dedo-na-feridaq","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/08\/07\/qsomos-uma-organizacao-que-tem-o-orgulho-de-meter-o-dedo-na-feridaq\/","title":{"rendered":"&#8220;Somos uma organiza\u00e7\u00e3o que tem o orgulho de meter o dedo na ferida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>As opress\u00f5es n\u00e3o existem desde sempre, n\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas do ser humano. S\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociais que servem o prop\u00f3sito de cortarmos todos os la\u00e7os de afinidade da maioria, que \u00e9 a classe trabalhadora, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra parte da humanidade que \u00e9 a classe exploradora.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <span style=\"line-height: 1.5;\">Essa \u00e9 a \u00fanica verdadeira divis\u00e3o que existe na Humanidade. <\/span><strong>Quem \u00e9 explorado \u00e9 uma ampla maioria diversificada, composta por homens brancos, homens negros, mulheres negras, gays&#8230; \u00c9 essa maioria para a qual estamos a trabalhar e que queremos que assuma o seu destino nas suas m\u00e3os.<\/strong> <\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">A arte \u00e9 dividir para reinar, \u00e9 basear-se em pequenas diferen\u00e7as que existem entre os seres humanos para nos colocarem uns contra os outros e para nos controlarem. Somos todos a mesma massa de trabalhadores. Se somos n\u00f3s quem tudo produz, a n\u00f3s tudo\u00a0pertence, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 minoria que manda em n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><strong>As opress\u00f5es est\u00e3o ao servi\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0As mulheres ganham em m\u00e9dia menos 30% do que os homens. Como \u00e9 que isto \u00e9 aceite pelos nossos\u00a0colegas?\u00a0\u00c9 baseado neste tipo de diferen\u00e7as artificiais que se criam na pr\u00e1tica formas de maximizar o lucro das grandes empresas e das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A opress\u00e3o sobre a mulher e a comunidade\u00a0LGBT\u00a0tem haver com o facto de se ter criado a institui\u00e7\u00e3o familiar\u00a0heterossexual. Esta existe como uma forma de, por um lado, manter a massa trabalhadora com as necessidades de alimenta\u00e7\u00e3o, tecto e roupa supridas na maior parte dos casos gratuitamente pelas mulheres que ficam no lar, e por outro lado, assegurar as gera\u00e7\u00f5es futuras de trabalhadores. Tudo o que sejam constitui\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia que n\u00e3o obede\u00e7am a este padr\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis \u00e0 forma de explora\u00e7\u00e3o do capitalismo. Porque um casal homossexual ou uma fam\u00edlia monoparental, se n\u00e3o recorrerem a outras solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguem reproduzir-se.<\/p>\n<p>Se a explora\u00e7\u00e3o sobre a mulher acaba, \u00e9 preciso criar outro tipo de mecanismos para que este trabalho feito em casa possa existir \u2013 as creches p\u00fablicas, as cantinas p\u00fablicas, etc. O Estado n\u00e3o precisa de fazer nada disso, pois as mulheres asseguram esse trabalho em casa. <strong>As opress\u00f5es enquanto forem \u00fateis a este modo de explora\u00e7\u00e3o e enquanto este modelo de fam\u00edlia for \u00fatil, tudo o que lhe fuja \u00e9 alvo de opress\u00e3o.<\/strong> A melhor maneira de se criarem seres humanos \u00e9 num ambiente fraterno, com amor, com qualidade, e isso \u00e9 garantido com qualquer tipo de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A nossa corrente, o marxismo, ensina-nos que o fim das opress\u00f5es s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o fim do capitalismo. Se elas servem a este modelo de explora\u00e7\u00e3o, elas s\u00f3 v\u00e3o acabar\u00a0quando\u00a0acabar este modelo de explora\u00e7\u00e3o. O MAS tem medidas concretas como propostas \u2013 o aumento das licen\u00e7as de maternidade e paternidade, para libertar a mulher do cuidado das crian\u00e7as e para que os homens tamb\u00e9m possam ter essa sua tarefa. A igualdade salarial. A cria\u00e7\u00e3o de rede de\u00a0esquadras\u00a0especializadas para a viol\u00eancia dom\u00e9stica, porque as mulheres v\u00e3o hoje a uma\u00a0esquadra\u00a0e s\u00e3o ridicularizadas, as queixas n\u00e3o s\u00e3o registadas e as mulheres voltam para casa com o agressor. A criminaliza\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio sexual.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o\u00a0LGBT, a constru\u00e7\u00e3o dum plano nacional de combate \u00e0\u00a0LGBTfobia, em que o Governo deve ser agente\u00a0activo\u00a0levando esta luta nas escolas, nas\u00a0institui\u00e7\u00f5es\u00a0p\u00fablicas, nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Valorizar as conquistas da comunidade\u00a0LGBT\u00a0\u2013 a legaliza\u00e7\u00e3o do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a\u00a0coadop\u00e7\u00e3o, das quais h\u00e1 10 anos atr\u00e1s n\u00e3o se falava e que deram visibilidade a este conjunto de trabalhadores que viviam na marginalidade.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">No que respeita ao racismo, exigir a\u00a0nacionalidade\u00a0para todos os que nas\u00e7am em territ\u00f3rio portugu\u00eas, o que faz com que n\u00f3s digamos que o Estado portugu\u00eas \u00e9 um estado racista. Que o Estado deixe de esconder os dados demogr\u00e1ficos e que d\u00ea visibilidade a estas comunidades emigrantes que existem em\u00a0Portugal. \u00c9 uma realidade feia e o Estado portugu\u00eas n\u00e3o quer que essa realidade se conhe\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>Somos uma organiza\u00e7\u00e3o que tem o orgulho de meter o dedo na ferida. Temos a vantagem de podermos discutir estes temas com quem \u00e9 oprimido \u2013 com as mulheres, com os negros, com a comunidade\u00a0LGBT, com os imigrantes \u2013 e isso faz com que tenhamos uma vis\u00e3o diferente da realidade. <strong>Temos de apoiar-nos nela para que o partido seja um espa\u00e7o hostil para qualquer tipo de opress\u00e3o e com isso fazer com que nos locais onde militamos tamb\u00e9m criemos pequenas comunidades hostis a qualquer tipo de opress\u00e3o. Esse trabalho est\u00e1 ao servi\u00e7o de um trabalho maior, para a classe trabalhadora.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">No dia em que vivermos em socialismo as opress\u00f5es n\u00e3o acabam por decreto. \u00c9 todo um trabalho quotidiano. N\u00e3o devemos tolerar qualquer tipo de opress\u00e3o e isso faz de n\u00f3s os loucos. Mas acho que aqui ningu\u00e9m tem medo de ser louco. Isso at\u00e9 \u00e9 um elogio.<\/span><\/p>\n<p>Espero que cada um tenha a coragem de nos ajudar a construir um partido e com ele construir uma sociedade melhor e a mudar as coisas como est\u00e3o. N\u00e3o foram sempre assim, e n\u00e3o v\u00e3o ficar sempre assim. Para isso \u00e9 preciso meter o pauzinho na engrenagem, como dizia o Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, e n\u00f3s somos essa institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">S\u00edlvia Franklim, da Comiss\u00e3o de Mulheres do MAS, no encerramento do Acampamento de Jovens 2016<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As opress\u00f5es n\u00e3o existem desde sempre, n\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas do ser humano. 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