{"id":2147,"date":"2016-07-07T16:26:05","date_gmt":"2016-07-07T15:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/07\/07\/eleicoes-em-espanha-continua-a-crise-da-governabilidade\/"},"modified":"2016-07-07T16:26:05","modified_gmt":"2016-07-07T15:26:05","slug":"eleicoes-em-espanha-continua-a-crise-da-governabilidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/07\/07\/eleicoes-em-espanha-continua-a-crise-da-governabilidade\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es em Espanha: continua a crise da governabilidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.5;\">A primeira constata\u00e7\u00e3o dos resultados \u00e9 a persist\u00eancia da grave crise de governabilidade que esteve na base da repeti\u00e7\u00e3o eleitoral. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolveram o problema.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00c9 algo com o qual nos alegramos porque o governo que vier, seja qual for, tem j\u00e1 o programa marcado pela UE e pelas empresas do IBEX 35 e vai lan\u00e7ar uma nova vaga de ataques contra o povo trabalhador. Por isso, quanto mais d\u00e9bil o governo melhor ser\u00e1 para todos e todas n\u00f3s.<\/p>\n<p>A imprensa destaca que o PP ganhou as elei\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m a sua vit\u00f3ria foi p\u00edrrica, n\u00e3o s\u00f3 porque n\u00e3o se resolveu o problema da governabilidade, mas porque, apesar de ganhar cerca de 700.000 votos (mais de metade \u00e0 custa do Ciudadanos) f\u00e1-lo perdendo 3 milh\u00f5es de votos respectivos a 2011 e com um partido corro\u00eddo pela corrup\u00e7\u00e3o, desacreditado e enfrentando a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PSOE, que era outro pilar do regime, continua a cair, obtendo o pior resultado desde a Transi\u00e7\u00e3o, com uma nova perda de 106.000 votos e de 5 deputados (2 da Andalusia, onde experienciaram um claro retrocesso). O triste consolo \u00e9 o grande fracasso da coliga\u00e7\u00e3o Unidos Podemos que, depois de ter dado oxig\u00e9nio ao PSOE entregando-lhe governos auton\u00f3micos e municipais, perde mais de um milh\u00e3o de votos, ficando com a alegria congelada, sem \u201cultrapassagem\u201d e com uma batalha interna que agora come\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O fracasso do Unidos Podemos<\/strong><\/p>\n<p>Para [Pablo] Echenique \u201cn\u00e3o se explica\u201d o colapso recebido e outros dirigentes do Podemos mostram-se decepcionados pelas \u201cgentes\u201d, a quem atribuem a culpa dos resultados.<\/p>\n<p>Por\u00e9m as responsabilidades est\u00e3o no outro lado e a explica\u00e7\u00e3o dos resultados n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complicada. O grande retrocesso deu-se, antes de mais, nos bairros oper\u00e1rios e populares, onde se concentrou a absten\u00e7\u00e3o (1,2 milh\u00f5es que deixaram de votar), superando em muitos casos os 4 e chegando at\u00e9 aos 7% ou mais. Esta absten\u00e7\u00e3o \u00e9 o elemento mais palp\u00e1vel do desengano face a uma coliga\u00e7\u00e3o cujo eixo era construir um governo com o PSOE e cujos dirigentes se apresentaram como \u201chomens de Estado\u201d, defensores da ordem e \u201cpatriotas\u201d, como admiradores de Zapatero (o do artigo 135<sup>1<\/sup> e da reforma laboral), como pessoas que aceitam a Monarquia, que respeitam os ditames da UE e da Troika, amistosas com os grandes empres\u00e1rios, partid\u00e1rias da NATO e da continuidade das bases norte-americanas e at\u00e9 admiradoras de Santa Teresa de Jes\u00fas<sup>2<\/sup>. Uma coliga\u00e7\u00e3o para a qual o referendo catal\u00e3o e, em geral, o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, se converteu em puro artif\u00edcio eleitoral.<\/p>\n<p>H\u00e1 que destacar a queda da vota\u00e7\u00e3o no Unidos Podemos deu-se em locais onde tinha responsabilidades de governo municipal, cuja gest\u00e3o foi convertida por Iglesias em bandeira eleitoral. Em basti\u00f5es madrilenos como Vallecas, a queda da vota\u00e7\u00e3o no Unidos Podemos supera os 20%. Madrid capital, com menos 105.000 votos, e a Comunidade de Madrid, com menos 217.000, foi onde o Unidos Podemos fo castigado mais severamente.<\/p>\n<p>Da mesma forma, h\u00e1 que salientar a forte queda nos locais onde a vota\u00e7\u00e3o da candidatura IU-UP foi mais forte em Dezembro. Muitos eleitores n\u00e3o quiseram dar o seu voto ao Unidos Podemos, que apoiava boa parte dos pontos que a IU-UP e Garz\u00f3n defenderam na anterior campanha eleitoral&#8230; para abandon\u00e1-los no mesmo dia das elei\u00e7\u00f5es, para governar com o PSOE e, mais tarde, entregar-se ao Podemos de malas e bagagens.<\/p>\n<p>Foi o abandono do programa que motivou a ruptura dos companheiros e das companheiras que participaram em Dezembro na candidatura IU-UP atrav\u00e9s do \u201cSindicalistas pela Unidade Popular\u201d porque para essa viagem n\u00e3o faltavam alforges. Os resultados eleitorais, em vez de aliviar a crise da Isquierda Unida, acentuaram-la e conduzem-na a um futuro incerto.<\/p>\n<p>Na Catalunha, com uma absten\u00e7\u00e3o que subiu em 5%, En Com\u00fa Podem, a candidatura associada ao Unidos Podemos e encabe\u00e7ada por Ada Colau, tamb\u00e9m recuou, perdendo cerca de 80.000 votos. Um dos factores que explicam este retrocesso \u00e9 antes de mais a decep\u00e7\u00e3o face \u00e0 gest\u00e3o do governo de Ada Colau, a par com o Podemos, face ao referendo catal\u00e3o, que ficou abandonado pela busca de um pacto de governo com o PSOE e de compromissos parlamentares imposs\u00edveis nas Cortes espanholas. N\u00e3o \u00e9 estranho que quem ganhe votos na Catalunha seja a Esquerda Republicana (30.000), colocando-se \u00e0 frente do soberanismo, a Converg\u00eancia, o partido de Artur Mas e do Presindente Puigdemont.<\/p>\n<p>Os resultados do Unidos Podemos em Euskal Herria correspondem antes de mais ao afundamento de Bildu, a coliga\u00e7\u00e3o da esquerda independentista, plenamente institucionalizada, que entrou numa profunda decad\u00eancia, sem que a presen\u00e7a de Otegi detenha a deriva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O pr\u00f3ximo governo<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados eleitorais n\u00e3o indicam um giro \u00e0 direita, como nos querem fazer querer a partir de uma certa esquerda. O que marca \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de crise pol\u00edtica e de instabilidade num momento em que o pr\u00f3ximo governo deve executar uma nova vaga de ataques \u00e0 classe trabalhadora e enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o catal\u00e3 em que a press\u00e3o por um referendo unilateral vai ser cada vez maior.<\/p>\n<p>Celebradas as elei\u00e7\u00f5es de 26 de Janeiro, a UE e o IBEX 35 j\u00e1 deixaram claro que \u201cacabou-se a divers\u00e3o\u201d e que desta vez haver\u00e1 governo e n\u00e3o umas terceiras elei\u00e7\u00f5es. O seu grande problema \u00e9 que o governo que se forme sofrer\u00e1 uma grande instabilidade. A \u201cgrande coliga\u00e7\u00e3o\u201d desmascarada a que est\u00e3o presos, com uma investidura de um governo presidido pelo PP com a absten\u00e7\u00e3o do PSOE, ser\u00e1 um governo d\u00e9bil, com um PSOE desunido pelas lutas internas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 h\u00e1 um caminho: recuperar a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular e enfrentar a UE e o IBEX 35, seguir o exemplo da luta em Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O ciclo que se abriu com o 15M, as greves gerais, a marcha mineira, as mar\u00e9s e o movimento antidespejos foram institucionalizados e neutralizados desde as elei\u00e7\u00f5es europeias. Como consequ\u00eancia, o regime e seus partidos, que estavam encostados \u00e0s cordas, gozaram uma certa estabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 outro caminho para a mudan\u00e7a social que retomar a luta por um plano de emerg\u00eancia social que, sem d\u00favida, nos vai obrigar a enfrentar a UE, que n\u00e3o \u00e9 mais do que um instrumento do capital financeiro para acabar com os nossos direitos.<\/p>\n<p>Agora que est\u00e3o dispostos a novos ataques, que ir\u00e3o ser aplicados ao novo governo que surja, \u00e9 hora de recuperar a confian\u00e7a nas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, seguindo o exemplo da classe trabalhadora e da juventude francesas. \u00c9 hora de recuperar o caminho das lutas, come\u00e7ando pelo apoio aos\/\u00e0s jornalistas andaluzes\/as, amea\u00e7ados\/as de pris\u00e3o; aos trabalhadores dos transportes p\u00fablicos de Barcelona e de Madrid; aos que organizam nas suas empresas candidaturas para enfrentar os planos das administra\u00e7\u00f5es e da burocracia sindical; \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es pela liberdade de Alfon e de todos os presos por lutar.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt;\"><br \/><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">P\u00e3o, trabalho, tecto e liberdades<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Por um plano de resgate das trabalhadoras e do povo<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Governe quem governe, os direitos defendem-se<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">No Euro e na UE n\u00e3o h\u00e1 futuro para os trabalhadores e os povos<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Corriente Roja (tradu\u00e7\u00e3o de Diogo Trindade)<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">NOTAS<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p>1 \u2013 O artigo 135, reformulado na Revis\u00e3o Constitucional de 2011, define os moldes de emiss\u00e3o de d\u00edvida p\u00fablica e de contrac\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito; bem como estabelece limites sobre os d\u00e9fices estruturais do Estado e das Comunidades Aut\u00f3nomas de acordo com as indica\u00e7\u00f5es europeias;<\/p>\n<p>2 &#8211; Teresa de Cepeda y Ahumada, mais conhecida como\u00a0Santa Teresa de Jes\u00fas,\u00a0foi a fundadora das carmelitas descal\u00e7as,\u00a0m\u00edstica e\u00a0escritora espanhola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira constata\u00e7\u00e3o dos resultados \u00e9 a persist\u00eancia da grave crise de governabilidade que esteve na base da repeti\u00e7\u00e3o eleitoral. 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