{"id":2145,"date":"2016-07-06T20:32:06","date_gmt":"2016-07-06T19:32:06","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/07\/06\/a-ue-da-humilhacao-e-das-sancoes-uma-viagem-ao-passado-um-referendo-para-o-futuro\/"},"modified":"2016-07-06T20:32:06","modified_gmt":"2016-07-06T19:32:06","slug":"a-ue-da-humilhacao-e-das-sancoes-uma-viagem-ao-passado-um-referendo-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/07\/06\/a-ue-da-humilhacao-e-das-sancoes-uma-viagem-ao-passado-um-referendo-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"A UE da humilha\u00e7\u00e3o e das san\u00e7\u00f5es: uma viagem ao passado! Um referendo para o futuro!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>\u00a0A UE est\u00e1 \u00e0 deriva. Fruto das pol\u00edticas que t\u00eam sido seguidas, a crise da UE aprofunda-se, as condi\u00e7\u00f5es de vida dos povos europeus s\u00e3o destru\u00eddas e o processo de desintegra\u00e7\u00e3o vai-se desenvolvendo. Este \u00e9 um processo que n\u00e3o \u00e9 novo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>D\u00e9cadas de 1980\/90 \u2013 A UE e a destrui\u00e7\u00e3o produtiva<\/strong><\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o produtiva no sector prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, na ind\u00fastria, na agricultura e nas pescas \u00e9 fruto da legisla\u00e7\u00e3o imposta pela UE. Quem n\u00e3o produz tem de importar e para importar tem de existir forma de pagar tais importa\u00e7\u00f5es\u2026 Estes pagamentos s\u00e3o feitos, normalmente, atrav\u00e9s do endividamento externo. Este efeito \u00e9 tanto mais pernicioso quanto menor for a capacidade produtiva de um pa\u00eds. Temos ent\u00e3o um mecanismo de controlo das economias mais pujantes (como uma Alemanha) sobre as economias mais fr\u00e1geis (como a portuguesa ou grega) \u2013 atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o produtiva e do, consequente, endividamento externo.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>D\u00e9cadas 1990\/2000 \u2013 A UE e o Euro<\/strong><\/p>\n<p>Juntemos a este problema estrutural, uma moeda forte como o Euro \u2013 outra das pol\u00edticas da UE. O efeito de empobrecimento dos pa\u00edses com capacidades produtivas mais fr\u00e1geis \u00e9 assim potenciado e aumentado, pois economias que pouco e mal produzem n\u00e3o conseguem vender os seus produtos no mundo com uma moeda t\u00e3o forte, a pre\u00e7os t\u00e3o elevados. <strong>Fortes moedas n\u00e3o fazem fortes fracas capacidades produtivas.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ainda nas d\u00e9cadas de 1980\/90 \u2013 A UE, a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais, a especula\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que se foi destruindo capacidade produtiva, foi-se favorecendo a especula\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o financeiras atrav\u00e9s de uma crescente liberaliza\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de capitais \u2013 mais uma das pol\u00edticas da UE. A economia real foi dando lugar \u00e0 economia financeira especulativa, e os empregos v\u00e3o sendo destru\u00eddos \u00e0 medida que as bolhas financeiras v\u00e3o crescendo.<\/p>\n<p><strong>Temos aqui os principais tra\u00e7os da pol\u00edtica da UE: generaliza\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o produtiva, cria\u00e7\u00e3o de uma moeda forte que apenas serve \u00e0s economias j\u00e1 de si fortes, crescimento do endividamento externo, favorecimento da especula\u00e7\u00e3o financeira e destrui\u00e7\u00e3o de emprego.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Crise de 2008 e o aprofundamento das pol\u00edticas da UE<\/strong><\/p>\n<p>Se antes n\u00e3o consegu\u00edamos v\u00ea-lo com tanta clareza, com a crise de 2008 os resultados da pol\u00edtica da UE s\u00e3o cada vez mais evidentes. Ali\u00e1s, a explos\u00e3o da crise \u00e9 precisamente fruto deste conjunto de pol\u00edticas, que apenas beneficiam a especula\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o financeiras, e que t\u00eam sido seguidas tanto na UE, como nos EUA e um pouco por todo o mundo.<\/p>\n<p>A especula\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o d\u00e3o origem a gigantescos buracos financeiros. No entanto, a pol\u00edtica seguida pela UE n\u00e3o sofre qualquer altera\u00e7\u00e3o, antes pelo contr\u00e1rio &#8211; aprofunda-se. Os buracos financeiros n\u00e3o s\u00e3o resolvidos, os banqueiros n\u00e3o s\u00e3o punidos, nem os seus bens confiscados, as <em>offshore<\/em> mant\u00eam-se, a banca permanece privada, nas m\u00e3os de quem a acabou de assaltar, e s\u00e3o utilizados gigantescas somas de capitais p\u00fablicos para a salvar. <strong>A conclus\u00e3o s\u00f3 pode ser: aqueles que nos governam, n\u00e3o t\u00eam feito outra coisa que n\u00e3o governar-se.<\/strong><\/p>\n<p>Os buracos financeiros sucedem-se e quanto mais tarde rebentam maior \u00e9 o estrondo. Dos buracos financeiros tapados com capitais p\u00fablicos, passamos aos d\u00e9fices or\u00e7amentais astron\u00f3micos e \u00e0s d\u00edvidas externas monstruosas.<\/p>\n<p>Ora, de economias enfraquecidas atrav\u00e9s de pol\u00edticas de destrui\u00e7\u00e3o produtiva, atrav\u00e9s de uma moeda forte e atrav\u00e9s de um crescendo especulativo, passamos para economias destru\u00eddas com d\u00e9fices or\u00e7amentais consider\u00e1veis e d\u00edvidas externas impag\u00e1veis. <strong>Este \u00e9 o fruto da pol\u00edtica da UE. E n\u00e3o \u00e9 tudo!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>D\u00e9cada de 2010 \u2013 A UE, a Austeridade e a d\u00edvida externa<\/strong><\/p>\n<p>A partir daqui, a UE passa ent\u00e3o \u00e0 fase da humilha\u00e7\u00e3o pela austeridade. Para pagar as d\u00edvidas externas, os pa\u00edses mais fracos endividam-se junto dos pa\u00edses mais fortes. Isto estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de subjuga\u00e7\u00e3o de uns face a outros \u2013 evidentemente, os mais fracos s\u00e3o intervencionados, s\u00e3o pisados e humilhados pelos mais fortes. Os pa\u00edses economicamente mais fracos, atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o das <em>Troikas<\/em>, s\u00e3o transformados em fontes de extrac\u00e7\u00e3o de riqueza. Como os sistemas produtivos dos pa\u00edses economicamente mais fr\u00e1geis s\u00e3o muito d\u00e9beis e dependentes h\u00e1 que ir buscar a riqueza aos seus servi\u00e7os p\u00fablicos, aos seus sectores estrat\u00e9gicos, aos sal\u00e1rios, ao emprego, \u00e0s pens\u00f5es, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e canalizar tudo isto para o pagamento das presta\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas externas astron\u00f3micas (fruto da corrup\u00e7\u00e3o e especula\u00e7\u00e3o), com elevados juros.<\/p>\n<p><strong>Que UE \u00e9 esta? <\/strong>Destrui\u00e7\u00e3o produtiva, aniquila\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e transportes, assim como de tantos outros sectores estrat\u00e9gicos, desemprego, baixos sal\u00e1rios, destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es laborais e de vida\u2026 Perda de soberania, perda de independ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f3mica, predominantemente, nos pa\u00edses mais perif\u00e9ricos\u2026 Subalterniza\u00e7\u00e3o de uns Estados face a outros e, consequentemente, um processo de desagrega\u00e7\u00e3o\u2026 Como se n\u00e3o bastasse, esta \u00e9 a UE que expulsa refugiados de guerra para longe das suas fronteiras. Este \u00e9 a UE que transforma, todos os dias, o Mar Mediterr\u00e2neo numa vala comum.<\/p>\n<p>A UE gera desigualdade e esta, perante uma esquerda incapaz de tra\u00e7ar um plano alternativo que passe por fora das institui\u00e7\u00f5es europeias e do Euro, empurra crescentes sectores sociais para os bra\u00e7os da extrema-direita que, oportunisticamente, lhe vai dando a roupagem da xenofobia e do racismo. Olhemos para o Brexit do Reino Unido.<\/p>\n<p>E depois de todo este percurso, os tecnocratas de Bruxelas e Frankfurt ainda t\u00eam o descaramento de amea\u00e7ar Portugal e Espanha com san\u00e7\u00f5es por d\u00e9fice excessivo, caso n\u00e3o apliquem ainda mais austeridade\u2026 (!?)<\/p>\n<p>Relembramos que o Governo PS, apoiado por BE e PCP, n\u00e3o terminou com a austeridade. Como se tem visto, o actual Or\u00e7amento do Estado, para 2016, substitui austeridade directa sobre os sal\u00e1rios por austeridade indirecta sobre o consumo. O Governo PS, suportado parlamentarmente por BE e PCP, continua a salvar a banca privada (BANIF e Santander) com capitais p\u00fablicos e a manter o seu controlo sob m\u00e3os privadas, ao mesmo tempo que, no banco p\u00fablico (CGD), sobe sal\u00e1rios para a administra\u00e7\u00e3o e oferece despedimentos aos banc\u00e1rios. Este \u00e9 o Governo PS que continua a pagar a d\u00edvida p\u00fablica e todos os c\u00eantimos dos seus juros. Uma d\u00edvida p\u00fablica que tem origem nas m\u00faltiplas injec\u00e7\u00f5es de capitais p\u00fablicos em buracos financeiros gigantescos, fruto da especula\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, parece que a UE quer voltar a endurecer a austeridade sobre os sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, quer voltar a acelerar o empobrecimento, e BE e PCP, assim como Syriza, ou o Podemos n\u00e3o t\u00eam um plano fora da UE ou do Euro. \u00c9 incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica da austeridade, do empobrecimento e da humilha\u00e7\u00e3o tem de acabar! Temos de p\u00f4r um fim \u00e0 pol\u00edtica da subalterniza\u00e7\u00e3o, da desintegra\u00e7\u00e3o e da xenofobia e do racismo! Pelo acolhimento de todos os refugiados!<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que avancemos imediatamente para a constitui\u00e7\u00e3o de uma plataforma pol\u00edtica que debata e exija a execu\u00e7\u00e3o de um referendo, em Portugal. \u00c9 urgente um imediato referendo ao Euro e UE!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A UE est\u00e1 \u00e0 deriva. Fruto das pol\u00edticas que t\u00eam sido seguidas, a crise da UE aprofunda-se, as condi\u00e7\u00f5es de vida dos povos europeus s\u00e3o destru\u00eddas e o processo de desintegra\u00e7\u00e3o vai-se desenvolvendo. 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