{"id":2126,"date":"2016-06-16T11:34:36","date_gmt":"2016-06-16T10:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/06\/16\/cgd-o-novo-velho-buraco-financeiro\/"},"modified":"2016-06-16T11:34:36","modified_gmt":"2016-06-16T10:34:36","slug":"cgd-o-novo-velho-buraco-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/06\/16\/cgd-o-novo-velho-buraco-financeiro\/","title":{"rendered":"CGD, o novo-velho buraco financeiro!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Mais bancos houvesse e mais buracos financeiros existiriam. Passados 8 anos de crise \u00e9 esta a conclus\u00e3o a que podemos chegar.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Na semana passada foi o BPN e BPP, no in\u00edcio desta semana foi o BCP, dias depois foi o BES, antes de ontem foi o BPI, ontem foi o BANIF e hoje \u00e9 a Caixa Geral de Dep\u00f3sitos (\u201cCGD\u201d), novamente. Sim, se tomarmos a devida aten\u00e7\u00e3o veremos que a CGD j\u00e1 foi capitalizada, em 2012, com cerca de 1,65 mil milh\u00f5es \u20ac. J\u00e1 vamos, portanto, na segunda \u201crodada\u201d &#8211; paga pelos do costume\u2026<\/p>\n<p>Ao que parece, existem actualmente cerca de 2,3 mil milh\u00f5es \u20ac de empr\u00e9stimos, concedidos pelas sucessivas administra\u00e7\u00f5es da CGD, em risco de n\u00e3o serem pagos, supostamente por ter existido &#8220;deficiente an\u00e1lise de risco&#8221; ou terem sido dadas garantias insuficientes.<\/p>\n<p>A primeira curiosidade \u00e9 que estes empr\u00e9stimos foram concedidos, sem diferen\u00e7as assinal\u00e1veis, ao mesmo conjunto de interesses particulares que est\u00e3o em d\u00edvida, em centenas de milh\u00f5es de euros, em grande parte dos bancos portugueses, sem que lhes tenham sido exigidas quaisquer contrapartidas. S\u00e3o eles, por exemplo: <strong><em>(i)<\/em><\/strong> o Grupo Efacec, empresa industrial portuguesa do sector el\u00e9ctrico e electromec\u00e2nico, cujo Conselho de Administra\u00e7\u00e3o tem como um dos seus elementos Isabel dos Santos, filha do Presidente angolano; <strong><em>(ii)<\/em><\/strong> o Projecto Imobili\u00e1rio de luxo de Vale do Lobo, onde se cruzam os nomes de Jos\u00e9 S\u00f3crates, H\u00e9lder Bataglia, presidente da Escom, ou Armando Vara; <strong><em>(iii)<\/em><\/strong> Grupo Esp\u00edrito Santo sobre o qual n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar qualquer informa\u00e7\u00e3o; <strong><em>(iv)<\/em><\/strong>o Grupo Lena, grupo construtor que mais cresceu durante o \u00faltimo ciclo de obras p\u00fablicas em Portugal, durante os governos de Jos\u00e9 S\u00f3crates; ou <strong><em>(v) <\/em><\/strong>o Grupo Ant\u00f3nio Mosquito, empres\u00e1rio angolano associado a investimentos na Soares da Costa e na Controlinveste.<\/p>\n<p>A segunda curiosidade \u00e9 que a maior parte destes empr\u00e9stimos foram concedidos durante a gest\u00e3o de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, que estiveram no banco p\u00fablico entre 2005 e o final de 2007 &#8211; no decurso do Governo PS de Jos\u00e9 S\u00f3crates, no qual o actual Primeiro-ministro Ant\u00f3nio Costa era o ent\u00e3o Ministro de Estado e da Administra\u00e7\u00e3o Interna.<\/p>\n<p>A terceira curiosidade \u00e9 que as exaustivas an\u00e1lises e medidas da <em>Troika<\/em>, com a expedita ac\u00e7\u00e3o do Governo PSD\/CDS-PP, de Passos Coelho, entre 2011 e 2015, de nada serviram para resolver qualquer tipo de problema que pudesse ser identificado no sistema financeiro portugu\u00eas. N\u00e3o viram de nada no BES, n\u00e3o encontraram nada no BANIF e, pelos vistos, tamb\u00e9m n\u00e3o viram o que se passava com os cr\u00e9ditos concedidos pela CGD.<\/p>\n<p>O que faz agora o Governo PS de Ant\u00f3nio Costa? Volta aos bra\u00e7os de Bruxelas (a antiga \u201c<em>Troika\u201d<\/em>) e, pelo que se sabe, negocia uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o da CGD que inclui <strong><em>(i)<\/em><\/strong> uma injec\u00e7\u00e3o de capitais na ordem dos 4 mil milh\u00f5es \u20ac; <strong><em>(ii)<\/em><\/strong> a dispensa de 2.000 trabalhadores banc\u00e1rios; ao mesmo tempo que <strong><em>(iii)<\/em><\/strong> aprova o fim dos tectos salariais dos membros da Administra\u00e7\u00e3o da CGD. Isto num contexto, segundo o qual, no \u00faltimo ano, foram j\u00e1 despedidos cerca de 750 trabalhadores banc\u00e1rios da CGD.<\/p>\n<p>Ou seja, o Governo PS, com o apoio de BE e PCP, tapa os buracos para os quais contribuiu no passado, sem que ningu\u00e9m seja responsabilizado. Como se n\u00e3o bastasse consegue destruir o tecto que limitava os sal\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o da CGD enquanto despede trabalhadores banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Governo PS tem ganho tanta destreza que lhe \u00e9 permitido fazer tudo isto enquanto vai agitando que precisamos de um banco \u201c100 por cento p\u00fablico\u201d, \u201cdevidamente recapitalizado\u201d e com \u201cuma gest\u00e3o profissional\u201d. Tr\u00eas premissas que, sem o devido contexto, s\u00e3o melodia para os nossos ouvidos.<\/p>\n<p>Quanto aos restantes partidos parlamentares, se por um lado n\u00e3o se compreende porque \u00e9 que PSD e CDS-PP n\u00e3o aplaudem este conjunto de medidas, e prop\u00f5em at\u00e9 que o caso seja submetido a inqu\u00e9rito parlamentar, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil compreender o apoio de BE e PCP a esta recapitaliza\u00e7\u00e3o da CGD.<\/p>\n<p>Jer\u00f3nimo de Sousa, do PCP, defende a recapitaliza\u00e7\u00e3o proposta pelo Governo PS e estabelece apenas como condi\u00e7\u00e3o, para proteger os trabalhadores, o \u201cfortalecimento da actividade da CGD\u201d, seja l\u00e1 o que isso for. N\u00e3o passa de um exerc\u00edcio de ret\u00f3rica, pois como sabemos as reestrutura\u00e7\u00f5es feitas com o apoio de Bruxelas s\u00f3 t\u00eam um fim: baixar sal\u00e1rios e aumentar desemprego &#8211; para ir baixando sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>J\u00e1 Mariana Mort\u00e1gua, a deputada do BE que brilhou nas comiss\u00f5es de inqu\u00e9rito ao BES, PT e BANIF, exige agora, num artigo de opini\u00e3o, \u201csensibilidade e bom senso\u201d enquanto refere que \u201ca necessidade de recapitalizar a Caixa \u00e9 normal\u201d como forma de resistir \u201c\u00e0 febre das privatiza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Ora vejamos, a CGD sempre foi 100 por cento p\u00fablica. Portanto, ao Governo PS, apoiado por BE e PCP, basta que n\u00e3o fa\u00e7a nada para que assim se mantenha. Isto para dizer que n\u00e3o serve de argumento dizer que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar com a recapitaliza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a ser negociada em Bruxelas\u201d como forma de o \u201cbanco ser p\u00fablico\u201d. P\u00fablico j\u00e1 a CGD \u00e9 e \u00e9, efectivamente, necess\u00e1rio que assim se mantenha.<\/p>\n<p><strong>A verdadeira quest\u00e3o \u00e9 se esta \u00e9 a reestrutura\u00e7\u00e3o que deve ser feita.<\/strong><\/p>\n<p>Para que serviram os 1,65 mil milh\u00f5es \u20ac injectados na CGD, em 2012? Ao que parece, serviram para tapar parte dos buracos provenientes dos cr\u00e9ditos discricionariamente concedidos aos \u201camigos\u201d da Administra\u00e7\u00e3o da CGD e dos sucessivos Governos PS e PSD.<\/p>\n<p>O que se exige aqui \u00e9 o apuramento de responsabilidades pela concess\u00e3o de cr\u00e9dito sem qualquer tipo de crit\u00e9rio ou garantias do seu bom pagamento. A responsabiliza\u00e7\u00e3o e confisco dos bens dos membros das anteriores administra\u00e7\u00f5es da CGD s\u00e3o medidas necess\u00e1rias para recapitalizar a pr\u00f3pria CGD, sem que esse custo pese, uma vez mais, sobre o d\u00e9fice or\u00e7amental e sobre a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 \u201cgest\u00e3o profissional\u201d, o Governo PS ilustra bem a sua perspectiva do problema: aumenta sal\u00e1rios \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 de si astron\u00f3micos, em troca da redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e em troca do sal\u00e1rio de quem trabalha.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a reestrutura\u00e7\u00e3o que BE e PCP est\u00e3o a apoiar. E n\u00f3s sabemos quem a vai pagar!<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que BE e PCP se oponham \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o da CGD que s\u00f3 traz ainda mais benef\u00edcios para a administra\u00e7\u00e3o em troca de desemprego para os trabalhadores banc\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Fim dos privil\u00e9gios dos banqueiros! Pela defesa de todos os postos de trabalho!<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Para recapitalizar a CGD: confisco dos bens das administra\u00e7\u00f5es que a roubaram!<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Por uma banca p\u00fablica, que invista nos sectores estrat\u00e9gicos da economia e crie emprego!<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Jos\u00e9 Aleixo<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais bancos houvesse e mais buracos financeiros existiriam. 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