{"id":2107,"date":"2016-05-06T14:35:22","date_gmt":"2016-05-06T13:35:22","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/05\/06\/a-cgtp-em-tempos-de-precariedade\/"},"modified":"2016-05-06T14:35:22","modified_gmt":"2016-05-06T13:35:22","slug":"a-cgtp-em-tempos-de-precariedade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/05\/06\/a-cgtp-em-tempos-de-precariedade\/","title":{"rendered":"A CGTP em tempos de precariedade"},"content":{"rendered":"<p>A CGTP anunciou uma semana de luta contra a precariedade nas empresas privadas onde hajam contesta\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias laborais. Por\u00e9m, estando a CGTP transformada numa tend\u00eancia face ao Governo PS apoiado por PCP e BE, esta ser\u00e1 uma semana de luta low profile, que contrasta com as inten\u00e7\u00f5es de organizar greves e manifesta\u00e7\u00f5es empresa a empresa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Isto servir\u00e1 para medir a influ\u00eancia do sindicalismo no privado, numa \u00e9poca em que Portugal regista baix\u00edssimas taxas de sindicaliza\u00e7\u00e3o e mais de 50% da m\u00e3o-de-obra precarizada, mesmo com contracto.<\/p>\n<p>O PCP abandonou a propaganda da \u201cpol\u00edtica patri\u00f3tica e de esquerda\u201d, que at\u00e9 agora ningu\u00e9m percebia o que significava, ao apoiar o Governo de Costa que rep\u00f4s os rendimentos dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, ainda que parcialmente. Com o perigo de ficar sem programa pol\u00edtico, avan\u00e7ou com o \u201cN\u00e3o \u00e0 precariedade\u201d, em concorr\u00eancia com o BE. Infelizmente estes partidos parecem centrar-se, com prop\u00f3sitos clientelares, nos servi\u00e7os p\u00fablicos, onde de facto h\u00e1 precariedade. Mas n\u00e3o deixam de secundarizar as dezenas de milhar de trabalhadores no sector privado, mais dif\u00edceis de mobilizar.<\/p>\n<p>Ir unicamente a empresas onde j\u00e1 haja contesta\u00e7\u00e3o not\u00f3ria \u00e9 ter metade do trabalho feito. Mesmo n\u00e3o havendo contesta\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, n\u00e3o significa que nessas empresas n\u00e3o hajam descontentamento e m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. H\u00e1, no mundo laboral precarizado, a amea\u00e7a de retalia\u00e7\u00f5es e de despedimento f\u00e1cil. Os prec\u00e1rios que n\u00e3o fa\u00e7am greve ou que n\u00e3o se manifestem n\u00e3o podem ser acusados de traidores ou cobardes quando n\u00e3o t\u00eam mecanismos de apoio, como fundos de greve, que deveriam ser criados pelas comiss\u00f5es de trabalhadores e pelos sindicatos.<\/p>\n<p><strong>Com a amea\u00e7a de se esvaziarem por completo, a CGTP, com sindicatos compostos pelos trabalhadores efectivos mais velhos que, embora atacados, muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o os mais explorados, tenta mudar a sua imagem sem contudo mudar de medidas.<\/strong> O que vai a CGTP dizer aos prec\u00e1rios? Defende o aumento dos rendimentos, por\u00e9m adiou para 2017 a reivindica\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo de 600\u20ac, esquecendo que para tal \u00e9 preciso mobilizar j\u00e1 em 2016 e cedendo aos \u201cparceiros sociais\u201d \u2013 isto \u00e9, aos patr\u00f5es \u2013 que nunca admitiram condi\u00e7\u00f5es para subir o sal\u00e1rio m\u00ednimo e at\u00e9 gostariam de o ver reduzido. Assim a CGTP vai dizer que a subida dos sal\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 fundamental para a estabilidade dos trabalhadores e continua de m\u00e3o estendida a Costa. A CGTP defende as 35 horas de trabalho, a come\u00e7ar apenas em Julho e s\u00f3 para o p\u00fablico. As 35 horas deveriam ser para todos, independentemente do tipo de v\u00ednculo contractual. Fazendo os trabalhadores do privado e dos prec\u00e1rios trabalhadores de segunda categoria, a CGTP vai dizer aos trabalhadores do privado e aos prec\u00e1rios que o que \u00e9 bom para uns n\u00e3o \u00e9 para outros. Os custos das empresas e dos servi\u00e7os p\u00fablicos e a tend\u00eancia dos patr\u00f5es e dos governos em extrair o maior lucro esmagam os custos com a m\u00e3o-de-obra. Esta l\u00f3gica tem de ser invertida.<\/p>\n<p>A CGTP n\u00e3o tem nenhum plano para sindicalizar e organizar sectores como os call-centers, recibos-verdes, professores prec\u00e1rios ou os jovens oper\u00e1rios em regime de outsourcing e sub-contrata\u00e7\u00e3o. Existe hoje uma luta concreta contra a precariedade em curso, a dos estivadores. Tirando algumas frases para a imprensa, a CGTP nada faz para apoiar esta luta e tir\u00e1-la do isolamento. A greve dos estivadores devia estar no centro da campanha da CGTP contra a precariedade e devia ter sido o centro do 1\u00ba de Maio. Em vez de elogiar os estivadores, Arm\u00e9nio Carlos no Dia do Trabalhador preferiu elogiar o governo e falar em &#8220;tempo de mudan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Se a CGTP, nesta semana de luta, tentar apaziguar os \u00e2nimos dos trabalhadores e vender o que o Governo PS n\u00e3o far\u00e1 ou tarda em fazer, esta ser\u00e1 uma iniciativa frustrada. Se, mesmo na propaganda pol\u00edtica, medidas t\u00e3o b\u00e1sicas como o sal\u00e1rio m\u00ednimo de 600\u20ac e as 35 horas de trabalho semanais para p\u00fablico e privado sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio s\u00e3o ignoradas, n\u00e3o se pode considerar combater a precariedade que, mais do que um sinal dos tempos, \u00e9 um dos pilares estruturais da nossa economia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Diogo Trindade<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CGTP anunciou uma semana de luta contra a precariedade nas empresas privadas onde hajam contesta\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias laborais. 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