{"id":2067,"date":"2016-02-22T13:21:49","date_gmt":"2016-02-22T12:21:49","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/02\/22\/a-politica-seguida-pela-ue-e-bce-e-os-seus-resultados\/"},"modified":"2016-02-22T13:21:49","modified_gmt":"2016-02-22T12:21:49","slug":"a-politica-seguida-pela-ue-e-bce-e-os-seus-resultados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/02\/22\/a-politica-seguida-pela-ue-e-bce-e-os-seus-resultados\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica seguida pela UE e BCE e os seus resultados"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><strong>A Crise Internacional &#8211; Parte 3<br \/><\/strong><\/p>\n<p>O BCE e a UE t\u00eam utilizado, em simult\u00e2neo, diferentes mecanismos, para arrancar a banca e o Euro da crise. Conjugam um rebaixamento brutal da m\u00e3o-de-obra dos povos europeus com uma, n\u00e3o menos brutal, injec\u00e7\u00e3o de capitais na banca e mercados financeiros.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Por um lado, t\u00eam feito recair sobre as costas dos povos europeus o pre\u00e7o de salvamento de uma banca corrupta e completamente entregue \u00e0 especula\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m disso, t\u00eam utilizado estes mecanismos para refor\u00e7ar o poder financeiro e pol\u00edtico da Alemanha sobre todos os restantes Estados.<\/p>\n<p><strong>BCE, UE e os governos nacionais,<\/strong> todos alinhados com a austeridade para os povos e benef\u00edcios para os banqueiros, <strong>come\u00e7aram por injectar enormes quantidades de capitais p\u00fablicos<\/strong> nos gigantescos buracos financeiros. Portugal, Espanha, Irlanda, Gr\u00e9cia, s\u00e3o disso exemplo. Banqueiros responsabilizados? Ser\u00e3o muito poucos os exemplos. Esses enormes buracos financeiros que ainda hoje v\u00e3o explodindo, v\u00e3o-se transformando paulatinamente em enormes buracos nos Or\u00e7amentos do Estado e, para os pagar, v\u00e3o-se transformando num crescimento imensur\u00e1vel das respectivas d\u00edvidas p\u00fablicas. A quem devem os Estados perif\u00e9ricos neste momento? Em grande medida \u00e0 grande banca alem\u00e3, francesa e inglesa.<\/p>\n<p>Estes Estados centrais, ao mesmo tempo que emprestam dinheiro para salvar um sector financeiro europeu corrompido e especulador, v\u00e3o comprando a independ\u00eancia financeira e pol\u00edtica dos Estados mais perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p><strong>Para pagar o salvamento da banca<\/strong>, os diversos governos nacionais apoiaram fortes <strong>cortes salariais, grandes planos de despedimentos<\/strong> e, como dizia V\u00edtor Gaspar, <strong>enormes aumentos de impostos<\/strong>. Tudo isto tem como resultado: menos sal\u00e1rio, menos consumo, menos investimento e menos trabalho \u2013 tudo junto e conjugado conforma a receita para o tal cen\u00e1rio deflacionistas.<\/p>\n<p>Por outro lado, BCE e UE montaram aquilo que apelidaram de <em>bazuca<\/em>, uma enorme injec\u00e7\u00e3o de capitais nos mercados financeiros e na banca, atrav\u00e9s do BCE. Ou seja, para estimular o investimento e o consumo, decidiram injectar enormes quantidades de oxig\u00e9nio na banca e nos mercados financeiros. O pior \u00e9 que o dinheiro continua a servir a especula\u00e7\u00e3o (vejam-se os mercados de d\u00edvida p\u00fablica), n\u00e3o chegando \u00e0 economia real, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, aos sal\u00e1rios e ao investimento. Os pre\u00e7os mant\u00eam-se portanto sob uma press\u00e3o de queda. Em vez de melhorar as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, a <em>bazuca<\/em> tem servido exactamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na verdade, a <em>bazuca<\/em> deveria ser apelidada de \u201c<em>b\u00f3ia<\/em>\u201d. A <em>b\u00f3ia<\/em> que tem permitido que os mercados financeiros n\u00e3o entrem em colapso, no imediato. Uma <em>b\u00f3ia<\/em> que serve os mercados financeiros mas n\u00e3o serve aos povos, pois as suas condi\u00e7\u00f5es de vida mant\u00eam-se em queda. Mesmo que o ritmo de austeridade tenha abrandado, a p\u00e1gina n\u00e3o foi virada e Merkel insiste que as \u201creformas estruturais\u201d s\u00e3o para aprofundar.<\/p>\n<p><strong>O BCE come\u00e7a j\u00e1 a acusar a fragilidade desta <em>b\u00f3ia<\/em><\/strong>, pois n\u00e3o poder\u00e1 manter uma injec\u00e7\u00e3o de capitais desta magnitude eternamente. Mais: os buracos financeiros constantes e a permanente injec\u00e7\u00e3o de capitais p\u00fablicos nos bancos, come\u00e7am a levantar grandes d\u00favidas sobre o estado de sa\u00fade do sistema financeiro europeu e a capacidade dos pa\u00edses perif\u00e9ricos em pagar as suas d\u00edvidas p\u00fablicas monstruosas.<\/p>\n<p>O grande alem\u00e3o <em>Deutsche Bank<\/em>, o grande franc\u00eas <em>Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale<\/em> e a generalidade da banca italiana levantam hoje grandes d\u00favidas. Tendo estes bancos grandes investimentos em t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica impag\u00e1veis, come\u00e7a a ficar claro que eles pr\u00f3prios est\u00e3o cheios de lixo nas suas carteiras.<\/p>\n<p>Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo, j\u00e1 veio dizer que a banca europeia est\u00e1 forte que nem uma pedra. O Comiss\u00e1rio europeu Pierre Moscovici referiu tamb\u00e9m que \u201capesar da volatilidade e incerteza, o Euro est\u00e1 mais forte, assim como os bancos\u201d europeus. J\u00e1 vimos este filme. Quando se come\u00e7a a referir sistematicamente que os bancos est\u00e3o fortes e seguros, s\u00f3 h\u00e1 uma conclus\u00e3o, quase certa, a retirar: vem a\u00ed buraco financeiro.<\/p>\n<p>Ora, \u00e9 de salientar que as armas utilizadas pela UE e BCE parecem estar a avistar os seus limites e n\u00e3o atingiram nenhum dos objectivos para os quais, supostamente, se destinaram: revers\u00e3o da defla\u00e7\u00e3o, est\u00edmulo ao consumo e investimento e controlo dos d\u00e9fices p\u00fablicos e d\u00edvidas p\u00fablicas. Mesmo a banca que se queria salva, parece n\u00e3o estar a salvo dos seus pr\u00f3prios v\u00edcios.<\/p>\n<p><strong>Em termos econ\u00f3micos, \u00e9 imposs\u00edvel aferir concretamente qual ser\u00e1 o limite da pol\u00edtica de Merkel.<\/strong> Certo, \u00e9 que os planos de cortes sobre os sal\u00e1rios e servi\u00e7os p\u00fablicos e o aumento de impostos atingem propor\u00e7\u00f5es desumanas. A injec\u00e7\u00e3o de capitais n\u00e3o apresenta grandes resultados para al\u00e9m do aumento da especula\u00e7\u00e3o. A compra de d\u00edvida p\u00fablica e de d\u00edvida da banca come\u00e7a a alcan\u00e7ar dimens\u00f5es em que transforma os grandes bancos alem\u00e3es e franceses em dep\u00f3sitos de lixo. A pol\u00edtica de Merkel destr\u00f3i-nos o futuro. Em termos pol\u00edticos, <strong>o limite da pol\u00edtica da pol\u00edtica de Merkel \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos<\/strong>, tal como assistimos nos anos de 2011 e 2012.<\/p>\n<p>Considerando os 3 grandes factores: (<strong><em>i<\/em><\/strong>) desacelera\u00e7\u00e3o das economias emergentes, num cen\u00e1rio em que j\u00e1 as economias desenvolvidas est\u00e3o paradas; (<strong><em>ii<\/em><\/strong>) queda abrupta do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, num cen\u00e1rio europeu deflacionista; e (<strong><em>iii<\/em><\/strong>) uma pol\u00edtica europeia de destrui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de vida, em troca do salvamento da banca, que vai alcan\u00e7ando os seus limites, parecem estar a conjugar-se as for\u00e7as que levam a Europa a um novo beco.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 urgente que os governos da periferia europeia trabalhem conjuntamente para<\/strong> a constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica diametralmente oposta. <strong>Uma pol\u00edtica que suspenda o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas<\/strong> e permita a canaliza\u00e7\u00e3o de capitais para o investimento econ\u00f3mico como forma de criar emprego e aumentar sal\u00e1rios; uma pol\u00edtica de controlo p\u00fablico do cr\u00e9dito como forma de controlar a corrup\u00e7\u00e3o e especula\u00e7\u00e3o financeiras e nos permita definir os sectores estrat\u00e9gicos sobre os quais devemos investir; uma pol\u00edtica que questione o Euro e nos permita recuperar a nossa soberania econ\u00f3mica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Jos\u00e9 Aleixo<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Crise Internacional &#8211; Parte 3 O BCE e a UE t\u00eam utilizado, em simult\u00e2neo, diferentes mecanismos, para arrancar a banca e o Euro da crise. 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