{"id":2063,"date":"2016-02-17T22:34:38","date_gmt":"2016-02-17T21:34:38","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/02\/17\/2016-um-novo-momento-da-crise-internacional\/"},"modified":"2016-02-17T22:34:38","modified_gmt":"2016-02-17T21:34:38","slug":"2016-um-novo-momento-da-crise-internacional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/02\/17\/2016-um-novo-momento-da-crise-internacional\/","title":{"rendered":"2016: um novo momento da crise internacional?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic; line-height: 1.5;\">Nos pr\u00f3ximos dias ser\u00e1 publicado um conjunto de textos que tem como objectivo sistematizar aquelas que nos parecem ser as principais tend\u00eancias econ\u00f3micas em desenvolvimento, durante o ano de 2016, e da\u00ed retirar algumas conclus\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil perceber, no imediato, o que se est\u00e1 a passar na economia mundial e quais ser\u00e3o exactamente as suas consequ\u00eancias. Ainda assim, (<strong><em>i<\/em><\/strong>) o abrandamento das economias dos pa\u00edses emergentes; (ii) a queda continuada do pre\u00e7o do petr\u00f3leo; e (<strong><em>iii<\/em><\/strong>) as limita\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica seguida pelo BCE e UE assinalam os grandes factores que mais podem influenciar a traject\u00f3ria do capitalismo mundial.<\/p>\n<p><strong>Alguns ind\u00edcios de abrandamento das economias emergentes<\/strong><\/p>\n<p>Depois do enorme crescimento das \u00faltimas d\u00e9cadas, o ano de 2015 e in\u00edcio de 2016 ficam marcados pelos primeiros solavancos na economia chinesa. Prev\u00ea-se que a China tenha crescido cerca de 6,9%, em 2015, e venha a crescer 6,3% e 6%, em 2016 e 2017, respectivamente. Apesar de serem taxas de crescimento consider\u00e1veis, tem vindo a instalar-se um claro e continuado comportamento de abrandamento da economia chinesa, registando j\u00e1 o pior ritmo de crescimento dos \u00faltimos 25 anos.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o sinais de que existem, pelo menos, sectores da economia chinesa que est\u00e3o a sofrer fortes retrac\u00e7\u00f5es no seu consumo e investimento. Ou seja, come\u00e7am a alcan\u00e7ar o seu ponto de sobreaquecimento, excesso de produ\u00e7\u00e3o e dificuldades em escoar os seus produtos, conduzindo a retrac\u00e7\u00f5es no seu investimento.<\/p>\n<p>Em 2015, as exporta\u00e7\u00f5es chinesas registaram quedas abruptas: -8,9%, em Julho, e -6,1%, em Agosto, assim como as importa\u00e7\u00f5es que registaram quebras de -8,6% e -14,3%, naqueles mesmos meses. Na totalidade do ano de 2015, as exporta\u00e7\u00f5es chinesas ter\u00e3o diminu\u00eddo -1,8% e as suas importa\u00e7\u00f5es ter\u00e3o diminu\u00eddo cerca de -13,2%. Por outro lado, a produ\u00e7\u00e3o industrial tem sofrido um acentuado e cont\u00ednuo abrandamento desde 2011. Para al\u00e9m disso, nos \u00faltimos 6 meses, os mercados financeiros chineses t\u00eam dado sinais de colapso, com fortes quebras, suspens\u00e3o das bolsas e interven\u00e7\u00e3o do governo com injec\u00e7\u00f5es massivas de capitais para, no imediato, evitar quedas catastr\u00f3ficas. Estes s\u00e3o, pelo menos, ind\u00edcios de que toda a economia chinesa se come\u00e7a a ressentir.<\/p>\n<p>Para analisar a extens\u00e3o dos impactos que poder\u00e3o advir da queda da economia chinesa para as restantes economias mundiais, seria necess\u00e1ria uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada quanto \u00e0 sa\u00edda, entrada e destino\/origens do investimento estrangeiro da e para a China. No entanto, as quedas dos mercados financeiros chineses e o seu presente alastramento aos importantes mercados mundiais, como o americano e europeu, fazem crer que as repercuss\u00f5es, no presente cen\u00e1rio de crise, poder\u00e3o ser, no m\u00ednimo, perigosas (para mais em economias praticamente estagnadas como a europeia e a dos EUA).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da China, o Brasil e a R\u00fassia s\u00e3o outras das economias emergentes que se ressentem. Em 2014, o Brasil cresceu cerca de 0,1%. Para 2015, espera-se que o Brasil tenha sofrido uma contrac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de -3% e, para 2016, o FMI prev\u00ea que o PIB brasileiro mantenha um decr\u00e9scimo de cerca de -1%. A R\u00fassia ter\u00e1 registado um PIB de 0,6%, em 2014 e um decr\u00e9scimo de -3,7%, em 2015.<\/p>\n<p>Mesmo a \u00cdndia, que evidenciou algum f\u00f4lego em 2014, parece evidenciar uma perspectiva de abrandamento, tendo registado um crescimento de cerca de 7,2% em 2014 e de 5,5%, para 2015 (de acordo com a mesma forma de c\u00e1lculo utilizada para o ano de 2014).<\/p>\n<p>Num primeiro momento da crise (2008), as economias ditas emergentes assumiram um papel de grande relev\u00e2ncia para as economias desenvolvidas. Perante uma crise brutal no seio dos EUA e da Europa, e para tentar contrariar a queda abrupta das suas taxas de lucro, as economias desenvolvidas avan\u00e7aram com um duro plano de compress\u00e3o de sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e servi\u00e7os p\u00fablicos (os famosos planos de austeridade, ainda em aplica\u00e7\u00e3o), ao mesmo tempo que exportaram parte consider\u00e1vel dos seus capitais, produtos e investimentos para as economias emergentes \u2013 onde a m\u00e3o-de-obra \u00e9 infinitamente mais barata<\/p>\n<p>No presente momento (2016), verifica-se que a crise iniciada em 2008 e a, consequente, desloca\u00e7\u00e3o de capitais parece estar a gerar uma nova crise de excesso de produ\u00e7\u00e3o, agora localizada nas economias emergentes. Ou seja, a crise de ontem, que se fez sentir predominantemente no centro do capitalismo, sem que tenha sido resolvida, est\u00e1 na origem de uma poss\u00edvel nova crise localizada nas economias mais perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>A conjuga\u00e7\u00e3o destes dois processos poder\u00e1 alongar no tempo uma crise do capitalismo que j\u00e1 se estende h\u00e1 8 anos, aprofundando os seus efeitos.<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Jos\u00e9 Aleixo<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos pr\u00f3ximos dias ser\u00e1 publicado um conjunto de textos que tem como objectivo sistematizar aquelas que nos parecem ser as principais tend\u00eancias econ\u00f3micas em desenvolvimento, durante o ano de 2016, e da\u00ed retirar algumas conclus\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2062,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[587,787,315,233,109,114,145,313,786],"class_list":["post-2063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-587","tag-bolsas","tag-china","tag-crise","tag-internacional","tag-mas","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-mundo","tag-queda"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/quedabolsaschinesas.jpg?fit=660%2C357","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2063\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2062"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}